CAPÍTULO 6- A CIDADE DE CAMPINAS
6.5. Campinas nos anos 2000
Campinas chega ao ano 2000 sendo ainda uma cidade de grande progresso, com um grande polo industrial e comercial, atraindo pessoas de várias regiões do país.
A Região Metropolitana de Campinas (RMC) foi criada no ano 2000 pela Lei Complementar Estadual nº 870, considerada uma das regiões mais dinâmicas do cenário econômico brasileiro. O Produto Interno Bruto (PIB) desta região foi de R$ 77 bilhões em 2008, representando 7,75% do PIB paulista. O Aeroporto Internacional de Viracopos é um dos expoentes da região; localizado no município de Campinas, movimenta um grande fluxo de embarque e desembarque de cargas e de pessoas.
Fazem parte da RMC 20 municípios: Americana, Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Morungaba, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d'Oeste, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.
Campinas como centro metropolitano, e onde se localiza um número maior de empresas industriais e comerciais, recebe diariamente trabalhadores destas cidades, que se deslocam para trabalhar e estudar.
A área urbana totalmente loteada manteve os critérios econômicos e sociais como parâmetros para os novos loteamentos.
6.5.1. Dados demográficos da cidade
Em 2000 segundo dados do IBGE, o Brasil possuía população de 170 milhões de habitantes, dos quais 91 milhões se classificaram como brancos (53,7%), 10 milhões como pretos (6,2%), 761 mil como amarelos (0,4%), 65 milhões como pardos (38,4%) e 734 mil indígenas (0,4%).
Campinas neste mesmo ano possuía uma população de 969.289 habitantes. Não foi possível localizar a informação desta população por cor. Foi solicitada à Prefeitura, através da Secretaria de Planejamento e a Coordenadoria Especial de Promoção à Igualdade Racial, porém estes dados não foram disponibilizados.
A informação obtida através do site da Prefeitura Municipal de Campinas refere-se a distribuição deste total da população por região da cidade: Região Norte 173.640, Região Sul 257.364, Região Leste 208.180, Região Sudoeste 226.452, Região Noroeste 103.653 habitantes.
Em 2010, o Brasil possuía uma população de 191 milhões de habitantes, sendo que 91 milhões se classificaram como brancos (47,7%), 15 milhões como pretos (7,9%), 82 milhões como pardos (43%), 2 milhões como amarelos (1%) e 817 mil como indígenas (0,45%).
Campinas em 2010 possuía uma população de 1.080.113 habitantes, distribuídos nas regiões da cidade: Região Norte 197.022, Região Sul 293.824, Região Leste 230.979, Região Sudoeste 234.840, Região Noroeste 123.848 habitantes.
A investigação da Cor ou Raça nos censos do Brasil data de 1872. Nesse período, o recenseado livre podia se autodeclarar dentre as opções: branco, preto, ou caboclo, e era o proprietário dos escravos quem os classificava nas categorias: pretos e pardos.
Nos censos de 1900 e 1920, a informação sobre cor foi subtraída, voltando no Censo de 1940, com a inclusão da categoria “amarela”, em função da imigração japonesa. No censo de 1970, o quesito novamente não foi investigado, e, no censo de 1980, retornou com a inclusão de quatro categorias: branco, preto, amarelo e pardo.
A partir de 1991, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incorporou uma nova categoria, os “indígenas”, que nos censos anteriores eram classificados na categoria “pardo”. Ficando então definidas as categorias para autodeclaração: branca, preta, amarela, parda e indígena.
No site da Prefeitura Municipal de Campinas, com base no Censo Demográfico 2010, há a informação da população residente, segundo raça ou cor por Unidades Territoriais Básicas (UTBs)
Tabela 1 - população residente, segundo raça ou cor por Unidades Territoriais Básicas (UTBs), município de Campinas – 2010 – IBGE
Este quadro representa a auto declaração da população da Cidade de Campinas no censo de 2010, a partir do critério de cor. Podemos perceber inicialmente um elevado número de brancos em relação aos demais, em segundo de pardos, porém se somarmos o quantitativo de negros e pardos, teremos um total mais significativo, mas que não se equipara ao da autodeclaração branco.
Considerando o histórico da cidade, aqui pesquisado, podemos inferir que os
princípios da historiografia do Brasil ainda ecoam nos princípios da formação da identidade da população. Este fato revela a necessidade de ações no sistema educacional, que favoreça a formação da identidade, de forma que as pessoas se retratem como realmente são.
6.6. - Contextualizando a Rede Municipal de Ensino de Campinas
A Rede Municipal de Campinas é composta por 198 unidades educacionais, sendo 23 Escolas de Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EMEF/EJA),17 Escolas de Ensino Fundamental (EMEF), 04 Escolas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Centro Municipal de Educação Fundamental de Educação de Jovens e Adultos (CEMEFEJA), 138 de Educação Infantil e 16 Naves-Mãe, que são escolas de parceria público-privada.
A Secretaria Municipal de Educação foi dividida em cinco regiões para atuar de modo descentralizado através dos NAEDs – Núcleo da Ação Educativa Descentralizado.
Os NAEDs foram divididos geograficamente de acordo com a política de descentralização da Prefeitura Municipal de Campinas. São eles: Norte, Sul, Leste, Sudoeste e Noroeste. As escolas são divididas por NAED de acordo com a região em que estão localizadas.
Os NAEDs são dirigidos pelos representantes regionais, função de confiança do Secretário de Educação, ocupados por profissionais do quadro do magistério da própria Rede, que tem como objetivo assegurar a descentralização e a implementação das políticas educacionais na Rede Municipal de Ensino de Campinas.
Supervisores Educacionais e Coordenadores Pedagógicos compõem a Equipe Educativa de cada NAED atuando de forma participativa, acompanhando, assessorando e assegurando o cumprimento das ações cotidianas das Unidades Educacionais do Sistema Municipal de Ensino.
O Sistema Municipal de Educação foi instituído no ano de 2006 através da lei nº 12.501 de 13 de março, publicada em Diário Oficial do dia 14-03-2006. A criação do Sistema Municipal de Educação assegura autonomia para a implementação da política educacional da Rede Municipal.
O quadro dos funcionários da Rede Municipal de Ensino é formado por profissionais que atuam em várias funções. São considerados especialistas de Educação os componentes do quadro do magistério que ocupam os cargos de supervisores educacionais, coordenadores
Na função de docentes, existem os professores de Educação Básica I - PEB I, que são os docentes que atuam na Educação Infantil; PEB II atuam no Ensino Fundamental anos iniciais; PEB III atuam no Ensino Fundamental anos finais ou EJA, e os PEB IV, que atuam com os alunos com necessidades educacionais especiais.
Na função de apoio, os agentes de Educação Infantil e os monitores de Educação Infantil atuam nas unidades de Educação Infantil com alunos de zero a três anos; os serventes, os guardas, as cozinheiras atuam na educação, mas não fazem parte do quadro do magistério. Estes últimos profissionais estão sendo substituídos por funcionários terceirizados à medida que se aposentam.
CAPÍTULO 7 – OBJETIVOS DA PESQUISA E METODOLOGIA
7.1 – Objetivos
O objetivo desta pesquisa é buscar elementos para verificar como se deu o processo de implementação da Lei nº 10.639/03 – que alterou a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional nº 9.394/96 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino Pública e Privada a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana” – nas escolas da Rede Municipal de Campinas. E também revelar o silêncio que existiu na rede municipal com relação a questão racial, tendo em vista a existência de duas leis municipais, anteriores a lei federal de 2003, que previam a temática racial no currículo escolar das escolas.
A Lei Orgânica do município de Campinas, de 30 de março de 1990, propunha no capítulo II, artigo 224:
“Constarão do currículo escolar de todas as unidades educativas da rede municipal de ensino, temas com abordagem interdisciplinar que abranjam, entre outros, a educação ambiental, educação sexual, história da África e do negro no Brasil, história da mulher na sociedade, a educação para o trânsito, que respeitem e incorporem os diferentes aspectos da cultura brasileira, enfatizando sua abordagem regional e estadual”.
Em 1998, o vereador Sebastião Arcanjo elaborou a lei nº 9.777/ 98, que foi aprovada e “dispõe sobre a inclusão, no currículo escolar da Rede Municipal de Ensino, inclusive supletivo, na disciplina de história, de matéria relativa ao estudo do negro na formação sociocultural brasileira”.
São dois marcos na legislação da cidade que antecederam a lei 10.639/03, que colocam na agenda do governo a questão racial para ser tratada na pasta da Educação. Ambas assinalam mudanças no currículo escolar das escolas da Rede Municipal de Ensino.
A cidade de Campinas tem sua história misturada a dos negros escravizados que contribuíram com a formação de uma economia estável, geradora de riquezas e acúmulo de capital por parte dos proprietários das fazendas de açúcar e café, sustentadas pela mão de obra escrava. A presença dos negros permeia a história da cidade, já que já foram