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CAPÍ TULO I I POÉTI CA DE MULTI DÃO
Um program a de art e que engendra pricípios de conexão, het ererogeneidade, m ult iplicidade, de rupt ura com os ditam es da globalização perversa; feit a de m apeam ent os provisórios - quase nôm ades em suas redes de inst abilidade e de probabilidades - configura- se com o um sist em a evolutivo. É sub- sistem a adaptável de um m acro- sist em a am bient al igualm ent e m ut ável e cada vez m ais com plexo. As poét icas de m ult idão const it uem - se com o um sint om a da sociedade, reflexo de um a at uação social em poderada por parcerias e acordos sucessivos de convivência m út ua para novos t ipos de const rução art íst ica de dança.
Descobert as científicas, m ovim entos polít icos e econôm icos e novas t eorias sobre o corpo e sobre o conhecim ent o legit im am est as novas poéticas que dão sustentabilidade à idéia da dança com o pensam ent o do corpo( Kat z, 2005) , e port ant o, com o form a de conhecim ento sui gerenis.
A poét ica dessa m ult idão é se fazer pensant e pela ação, pela int er- relação entre corpo e am biente, ent re criação e produção, unindo as faces de um m esm o t ecido social que revela um m osaico de pensam ent os de dança que se int egram e se fazem m uit os, e não um .
A Epist em ologia Em ergent e de Mult idão
O pensam ent o que influencia pequenas com unidades cont em porâneas aut ônom as t am bém é result ado de um a força política que em erge desses nichos de cert a escassez. Neles, em ergem interações sim ples e alternativas aos m eios inst it ucionalizados de inform ação e produção de conhecim ent o. Um a espécie de conhecim ent o, que com o nos revela Souza Sant os( 2005) , é um a das result ant es criat ivas de relacionam ent o e int eração social horizont ais das com unidades aut ônom as sustentadas por redes. O novo conhecim ent o que surge nas poét icas de m ult idão, pode- se dizer, é solidário; e são gerados por um t ipo de pensam ent o que é corpo, ação conj unt a e t ransform ação social.
A discussão epist em ológica m oderna que dist ingue e avalia os discursos da ciência e os discursos do senso com um de m aneira diferenciada gira em t orno de um a pret ensão de verdade, um a espécie de im posição de um discurso sobre o outro. Com o j á nos alertou Foucault ( 2004, p.13) , a ‘vont ade de verdade’ engendra a necessidade de det enção de poder daqueles que ent endem o conhecim ent o com o m ais um m ecanism o de subordinação dos não let rados aos dout os, ou do cidadão com um aos seus líderes com o um a form a de int erdição. Em seu Discurso sobre o m ét odo,
Foucault ident ifica os conceit os de ‘int erdição’ e ‘vontade de verdade’ para designar a rege do poder inst it ucionalizado dos discursos de censura sobre o cidadão com um e advert e que
Talvez sej a arriscado considerar a oposição do verdadeiro e do falso com o um terceiro sistem a de exclusão, ao lado daqueles que acabo de falar69. Com o se poderia razoavelm ente
com parar a força da verdade com separações com o aquelas, separações que, de saída, são arbitrárias, ou que, ao m enos, se organizam em torno de contingências históricas; que não são apenas m odificáveis, m as estão em perpétuo deslocam ento; que são sustentadas por todo um sistem a de instituições que as im põe e reconduzem ; enfim , que não se exercem sem pressão, nem sem ao m enos um a parte de violência.
De fat o, um a das idéias que fundaram o pensam ent o ocident al e que regulam as instit uições de poder supõe que a ciência e o senso com um , e t am bém o Est ado e os cidadãos, ocupam lugares dist int am ent e m erit órios. O conhecim ent o cient ífico, int elect ual, acadêm ico, pode se t ornar um m eio de m anut enção de poder nas m ãos do Est ado e de em presas privadas que fianciam cursos superiores, ao excluir um a m aioria populacional que não têm acesso a esse t ipo de inform ação. Para Souza Sant os( 2007) , Foucault dem onstra que não há escapatória
69 A hipótese de Foucault se apresenta a partir da análise da produção dos
discursos que, segundo ele, são tem íveis e perigosos pois se constituem exercícios de poder. Por essa razão a sociedade, entendida aqui com o o Estado, controla, organiza e dom ina os acontecim entos do discurso por procedim entos de exclusão. Foucault destaca a interdição com o o prim eiro procedim ento de exclusão, e a rej eição ou separação com o o segundo.
que sej a em ancipat ória dent ro do “ regim e de verdade” , j á que a resistência tende a ser, ela própria um poder disciplinar quando a resist ência se t orna um a ‘opressão consent ida’. Contudo, para Souza Sant os ( 2007, p.26) , Foucault ainda dem onstra o valor das verdades alt ernat ivas e m arginalizadas pela ciência m oderna. Com base nessa análise, Souza Santos anuncia a necessidade de at ent arm os para os m ecanism os int rínsecos nas relações de poder no espaço social para t raduzir diferenças, não com o um a am eaça ‘as nossas singularidades, m as com o condição sine qua non de se const ruir um a m ent alidade crít ica acerca de conceit os unificadores e alienant es, e por isso advert e:
O nosso lugar é hoj e um lugar m ult icult ural, um lugar que exerce um a constante herm enêutica de suspeição contra supostos universalism os ou totalidades. I ntrigantem ente, a sociologia disciplinar tem ignorado quase com pletam ente o m ult icult uralism o. Est e t em florescido nos estudos culturais, configurações transdisciplinares onde convergem as diferentes ciências sociais e os estudos lit erários e onde se tem produzido conhecim ento critico, fem inista, ant i- sexist a, ant i- racist a, pós- colonial.
É necessário repensar o conhecim ent o, de m odo que ele possa cam inhar ao lado das m udanças que em ergem , m uit as vezes afastadas dos cent ros polít icos e econôm icos. Existe um a brecha dem ocrática surgida nos excessos provocados pela globalização: surgem ações colet ivas aut o- organizat ivas e part icipat ivas dent ro de com unidades, com o um a operant e form a de conhecim ent o
solidário, horizont al e em ancipat ório, que dá form a a novos t ipos de pensam ent o e a um novo t ipo de cidadania. Ao que parece, essa é a m aneira pela qual com unidades se recriam e redim ensionam a sua escassez intelect ual e econôm ica, originada pelo cont role perverso da inform ação e da econom ia vert icalizada. Um conhecim ent o que é de m ult idão e que subvert e o caos e a escassez pela aut o- organização e por um conhecim ento solidário advindo de um processo que engloba a polit ização da vida por conquist as que são, ao m esm o t em po, cient íficas, sociais e hist óricas. Souza Sant os ( 2005, p.77) esclarece o cont ext o não- det erm inist a de onde em ergem esse novo conhecim ent o:
Na biologia, onde as interações entre fenôm enos e form as de auto- organização em totalidades não- m ecânicas são m ais visíveis, m as tam bém nas dem ais ciências, a noção de lei tem vindo a ser parcial e sucessivam ent e substituída pelas noções de sistem a, de estrutura, de m odelo, e por últim o, pela noção de processo. O declínio da hegem onia da legalidade é concom itante do declínio da hegem onia da causalidade.70
A bióloga Deborah Gordon71, em seu livro int it ulado “ Form igas em Ação – com o se organiza um a sociedade de insetos” ( 2002) ,
70 A questão colocada por Souza Santos é de relat ivizar o conceito de causa
subtraindo- lhe especulações determ inistas, ontológicas ou m etodológicas para atribuir- lhe razões pragm áticas. Segundo ele, “ O conceito de causalidade adequa- se bem a um a ciência que visa intervir no real e que m ede o êxito pelo âm bito dessa intervenção” ( 2007, p.72)
71 Deborah Gordon, bióloga e professora, dedica- se a pesquisar o m istério da
apresent a um a quest ão fundam ent al ao propor a apreensão do m undo vivo acont ecendo em cam adas - m oleculares, sist êm icas, populacionais - , e se relacionando em diferent es níveis. Em suas descobert as, Gordon const at ou que colônias de form igas, diferent em ent e de sociedades hum anas, não t êm nenhum dit ador, general ou m ent or perverso, não havendo ent re elas líderes de qualquer espécie. Com isso, int erroga a m aneira pela qual as form igas, seres de tão pouca inteligência, conseguem se organizar de m aneira eficaz. Segundo Gordon, um pensam ent o é acionado por estím ulos quím icos ( que, no caso das form igas, encontra- se nos ferom ônios, e no caso dos hum anos, nos im pulsos elétricos que m ovim entam m ilhões de neurônios no cérebro) resultantes da percepção de diferent es form as de int eração com o am bient e e com outros seres, sej a por transferência de est ím ulo quím ico e\ ou pela quant idade de int erações est abelecidas. Com parando form igas e pessoas na assim ilação de int erações am bient ais, Gordon( 2002, p.126) explica que
Um a interação pode não transm itir nenhum a m ensagem além da incidência da própria int eração. Um a form iga pode responder ao núm ero ou t axa de int erações. Os publicit ários falam do núm ero de “ golpes” que um consum idor recebe, isto é, encontros com o nom e de um produto. A idéia é que o fato de você com prar Coca- Cola pode depender não da inform ação que você tenha sobre as qualidades do produto, m as do núm ero de vezes, ou da
e, na I nglaterra, na University de Oxford. At ualm ent e, leciona em St anford, Califórnia.
freqüência, com que se depara com o nom e “ Coca- Cola” . Com o para as pessoas, talvez o padrão de interação sej a m ais im portante para as form igas do que a m ensagem .
Um a interação num a colônia de form igas é, segundo Gordon, o seu m ecanism o de sobrevivência. At ravés dos sinais percebidos m ediant e a quant idade de ferom ônio despej ada no am bient e( int eração indiret a) , e m ediant e o cont at o que cada form iga efet ua com sua vizinha( int eraçnao diret a) será possível det ect ar o est ado geral da colônia. Gordon regist rou em suas pesquisas que esses contatos interativos inspiram a solução de problem as para a m anut enção da colônia com o na dist ribuição de t arefas. Recolher alim ent os no am bient e, efet uar t ransport e cooperativo, agrupar crias, rem over lixo, são exem plos de com portam entos gerenciados por alocação de t arefas via interação diret a ou indiret a, efet uadas dent ro e fora da colônia.
Christiane Wernk Nogueira, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Sant a Catarina na área de int eligência art ificial, desenvolveu um est udo sobre o com port am ent o de form igas no qual descobriu que soluções para um a variedade de problem as podem ser encont rados nos cham ados ‘sist em as- form igueiros’ - m odelos com put acionais forj ados em que os algoritm os são inspirados no com portam ento de colônias de form igas reais. Segundo seus est udos em física a partir de um m odelo algorit im o const ruído por Dant e Chialvo e Mark Milonas( 1995) , Wenck Nogueira afirm a que “ o cam po dos
“ algorit m os form iga” est uda m odelos derivados das observações do com port am ent o das form igas reais e ut iliza esses m odelos com o font e de inspiração para o “ design” de novos algorit m os em problem as de ot im ização” ( www. eps.ufsc.br)
Quant o à em ergência de um t rilho de ferom ônio, Wenck Nogueira at est a que enquant o cam inham as form igas deposit am ferom ônios no chão, form ando um t rilho. Dest a form a, são capazes de perceber o quím ico e t endem a escolher, de m odo probabilíst ico, cam inhos onde haj a m aior concent ração de quím ico. Segundo ela,
O trilho quím ico, é um a estrutura em ergente e auto- organizada e result a do “ feedback” posit ivo. Quant o m ais quím ico, m ais form igas são atraídas e ainda m ais quím ico, reforçando- se o t rilho que at rai ainda m ais form igas. A aleat oriedade perm it e que novas soluções sej am procuradas e guia a exploração das soluções atuais; as decisões das form igas são probabilíst icas; as fontes de com ida são encontradas de m odo aleatório; nenhum indivíduo pode resolver um problem a. Só através da interação de m uitos é que a solução pode ser encontrada. Um a única form iga não pode “ recolher” com ida. O ferom ônio evaporar- se- ia rapidam ente.
( I nsetos sociais, seguindo sim ples regras individuais, executam atividades com plexas na colônia através de flexibilidade, forca e auto- organização)
No caso das com unidades art íst icas de dança, as int erações efet ivadas dentro e fora de suas com unidades são de grande im port ância para a provisão de sua aut onom ia relat iva. Os processos de t rocas que se est abelecem nessas com unidades art ísticas fazem em ergir no sistem a- dança padrões de int erações cam biáveis, e que denot am quant idade e qualidade de fluxos de conhecim ent o que garant em , proporcionalm ent e, aum ent o de aut onom ia. Para ent ender m elhor os processos que se fazem em ergir num novo sist em a de conhecim ent o solidário, vale lem brar que as interações efetuadas nas poét icas que são de m ult idão são m últ iplas e m ult iplicadas pelas redes que se fazem , part icularm ent e, via m ídias digit ais. Os blogs, Port ais e sit es de colet ivos art íst icos são exem plo disso, ao lado dos m ais populares provedores de acesso a inform ação – Google e Youtube, os quais
perm it em localizar int eresses e disponibilizar conteúdos de textos e im agens aos seus usuários.
Nessas poét icas t am bém ocorrem int erações presenciais, a exem plo de apresent ações de processos e de result ados, experim ent os poét icos, perform ances, residências art íst icas e/ ou oficinas de t rabalho. É im port ant e dest acar isso para não se trat ar a quest ão com o se fosse um a t ot alidade. Souza Sant os( 2005) alert a para os danos de se conceber a sociedade com o um a t ot alidade, um a vez que essa concepção im plicaria em um a form a de conhecim ent o que crê poder abarcar um a t ot alidade social; observa um único princípio de t ransform ação social, const it uído por apenas um agent e colet ivo; e prevê um cont ext o polít ico definido que t orna possível lutas som ente criveis por conquistas de m etas previam ent e est abelecidas.
Em prim eiro lugar não há um princípio único de transform ação social, e m esm o aqueles que continuam a acreditar num futuro socialista vêem - no com o um futuro possível, em concorrência com outros futuros alternativos. Não há agentes históricos únicos nem um a form a única de dom inação. São m últ iplas as faces da dom inação e da opressão e m uitas delas foram irresponsavelm ent e negligenciadas pela t eoria crit ica m oderna, com o, por exem plo, a dom inação patriarcal, o que é, nom eadam ente, bem visível em Haberm as, com o m ostrou Nancy Fraser. Não é por acaso que, nas últim as décadas, a sociologia fem inist a produziu a m elhor t eoria crit ica. Sendo m últiplas as faces da dom inação, são m últiplas as resistências e os agentes que as protagonizam . Na ausência de um princípio único, não é possível reunir todas as resistências e agências sob
com um , do que necessitam os é de um a teoria de tradução que torne as diferentes lutas m utuam ent e int eligíveis e perm it a aos atores coletivos “ conversarem ” sobre as opressões a que resistem e as aspirações que os anim am .
Um a teoria de tradução é a propost a de Souza Sant os para que as com unidades cont em porâneas que form am sist em as singulares possam com unicar- se entre si com o devido respeito a alt eridade. A t radução possibilit a o diálogo, o reconhecim ent o das diferenças de m aneira int eligível ‘as part es envolvidas. Nas poét icas de m ult idão, a int eligibilidade dos processos de com unicação decorrent es de suas interações favorece a perm anência de m uitos t ipos de poét icas fazendo- as escapar do perigo do desaparecim ent o. Segundo Giorgio Agaben( 2002) , em seu livro int it ulado Hom o Sacer: o poder soberano e a vida nua, extinção é produto da indiferença e a indiferença é um princípio de invisibilidade passível de m at abilidade. O que faz- se invisível, segundo ele, t orna- se m at ável. I m port a reit erar a em ergência dessas poét icas de m ult idão com o um fenôm eno da cont em poraneidade, e que delas surgem out ras visibilidades e novos context os para a dança e seu fazer artístico. Urge estabelecerm os cont at o e buscar fam iliaridade, favorecendo o seu surgim ent o e m argem ident ificação. Diferençando- se do que ainda é am plam ent e vigent e e dissem inado, surge dessas poéticas um t ipo de conhecim ent o solidário que une, agrega e est abelece acordos locais sem int ervenções aut orit árias públicas ou privadas. Um t ipo de
conhecim ent o que em erge da crise que se inst aura nos m eios polít ico,econôm ico e social. Para Souza Sant os( 2005, p.30) ,
Na atual fase de transição paradigm ática a teoria crit ica pós- m oderna constrói- se a partir de um a tradição epist em ológica m arginalizada e desacredit ada da m odernidade: o conhecim ento- em ancipação. Nesta form a de conhecim ento a ignorância é o colonialism o e o colonialism o é a concepção do outro com o obj eto, e consequentem ente, o não reconhecim ento do outro com o suj eito. Nesta form a de conhecim ento conhecer é reconhecer, é progredir no sentido de elevar o outro da condição de obj eto ‘a condição de suj eito. Esse conhecim ento- reconhecim ento é o que designo solidariedade.
O ‘conhecim ent o- em ancipação’ ( Souza Sant os, 2005) surge do caos, da escassez, pela criat ividade aut o- organizat iva e não regulat ória de aut onom ias const ruídas por redes solidárias. A prudência( Souza Santos, 2005) , a suspeição ( Ricouer, 1969) e o pragm at ism o( W.Jam es, 1969) são conceit os que nos aj udam a pensar a traj etória que t ransform a o conhecim ento- regulação no conhecim ento- em ancipatório para um novo conhecim ento com um . A aproxim ação desses conceit os, propost a por Souza Sant os ( 2005, p.81) , se faz necessária ao ent endim ento do contexto de caos, incert ezas, im previsibilidade e provisoriedade no qual vivem os.
A aceitação e a revalorização do caos é, pois um a das estratégias epistem ológicas que tornam possível desequilibrar o conhecim ento a favor da em ancipação. A segunda estratégia consiste, com o referi, em revalorizar a solidariedade com o form a de saber. Estas duas estratégias estão de tal form a ligadas que
nenhum a delas é eficaz sem a outra. A solidariedade é um a form a específica de saber que se conquista sobre o colonialism o. O colonialism o consiste na ignorância da reciprocidade e na incapacidade de conceber o outro a não ser com o obj eto. A solidariedade é o conhecim ento obtido no processo, sem pre inacabado, de nos tornarm os capazes de reciprocidade através da construção e do reconhecim ento da intersubj etividade. A ênfase na solidariedade converte a com unidade no cam po privilegiado do conhecim ent o- em ancipat ório.
Ao at ribuir est at ut o de conhecim ent o ao que est á em curso com as form as solidárias de organização da sociedade, Souza