• Nenhum resultado encontrado

LIMITES DA INTERPRETAÇÃO DO PONTO DE

VISTA DA TEORIA DOS CÓDIGOS

Em Lector in fabula (Eco 1979), as principais preocupações de Eco com relação à obra literária, que circunscrevem o problema da cooperação interpretativa e dos limites da interpretação, concentram-se em evidenciar como a relação entre código e texto é engendrada, no fundo, pela homologia estrutural que supostamente existe entre ambos. Inclusive as próprias noções de leitor-modelo e autor-modelo, famosos legados de Eco à teoria da literatura do século XX, são apresentadas como “estratégias textuais”, estruturas concebíveis apenas em função de uma organização mais ou menos estável das competências comunicativas dentro e fora do horizonte estritamente textual. Outra evidência disso encontra-se na organização do livro: Eco abre as suas investigações teóricas com um estudo da relação entre texto e enciclopédia,16 no qual estabelece as noções de seleção contextual e seleção circunstancial. No que tange ao primeiro conceito, Eco assevera que os vocábulos de um texto têm muito mais familiaridade com um conjunto determinado de palavras do que com outros; no que diz respeito ao segundo conceito, a seleção circunstancial diz respeito à probabilidade que um vocábulo tem de aparecer num texto em determinada circunstância concreta de escritura. Até aqui, nada diferente do que já havíamos visto: a estrutura dada pelo código influencia na escolha dos elementos devido à lógica estipulada pelo hábito. A novidade fica por conta do que Eco afirma em seguida, a saber, que um semema (unidade mínima de significação) é um texto virtual. Em função

16 Eco faz uma distinção clara entre aquelas semióticas orientadas para o registro “dicionarizado” dos

conteúdos de uma forma de expressão e aquelas semióticas que se prendem ao registro “enciclopédico” desses conteúdos. A diferença principal é que as primeiras conservam apenas os registros imediatos, “denotativos”, por assim dizer, sem se preocuparem com o modo como as seleções contextuais podem afetar a interpretação, ao passo que as segundas, ao conceberem o termo como uma cadeia de interpretantes possíveis regulados pelo contexto, orientam a interpretação para a acepção mais adequada para o uso específico do termo (para maiores esclarecimentos, remetemos à leitura de Eco 1984, capítulo II). O conceito de enciclopédia maneja uma pragmática codificada: dá-se como pressuposto o fato de que os contextos, na sua força pragmática, determinam com maior ou menor precisão qual deve ser a interpretação de uma forma significante. Tudo isso, como se pode ver, ainda está dentro da concepção de Eco segundo a qual o comportamento exibe regularidades que formam “leis” semióticas incontornáveis.

68 disso,

[...] teoria dos códigos e teoria do texto tornam-se estreitamente inter-relacionadas: numa semântica orientada para as suas atualizações textuais o semema deve

aparecer como um texto virtual e um texto não é outra coisa, senão a expansão de um semema (de fato, ele é resultado da expansão de muitos sememas, mas é

teoricamente produtivo supor que possa ser reduzido à expansão de um único semema central: a história de um pescador não é outra coisa senão a expansão de tudo o que uma enciclopédia ideal teria podido dizer-nos acerca do pescador). [Eco 1979, p. 26, destaque do autor.]

Eco sugere, portanto, que há um caminho direto que leva do semema ao texto, isto é, que, ao optar por um vocábulo, seja qual for a intenção por trás da escolha, um autor sofrerá as consequências de sua opção, e se verá forçado a integrá-la com outros vocábulos familiares – aliás, a própria escolha do vocábulo se adéqua às expectativas do autor, direcionando-as do princípio ao fim da produção do texto. Isso, de certa forma, explicaria a “unidade do comportamento comunicativo” de que Eco tanto nos fala, na medida em que sugere que o que comanda as ações comunicativas é o código; por outro lado, essa afirmação transmite-nos a ideia de que a criatividade do autor é, no fundo, muito mais limitada do que à primeira vista pode parecer. Tal proposta é, na verdade, mais um episódio na firme tentativa de Eco de retirar toda a ênfase do processo criativo de um autor, no seu tempo e momento, e a colocar sobre a suposta estrutura conceitual do texto. É como se o código contivesse, virtualmente, todos os textos que existem e virão a existir! E, mais uma vez, retornam as objeções feitas anteriormente: essa decisão não implicaria numa limitação do poder transgressor de um autor e um texto quaisquer? Assumir isso não seria equivalente a rebaixar o peso da arte e da literatura frente ao universo epistêmico representado pelo código? Na verdade, trata-se apenas de um argumento que, do ponto de vista do percurso teórico de Eco, permite colocar em perspectiva o fato de que o texto se constrói e se interpreta dentro de um horizonte de expectativas regulado pelo código – como exaustivamente vimos. Contudo, além disso, essa ideia introduz os conceitos mais importantes da teoria da cooperação interpretativa de Eco, a saber, leitor-modelo, autor-

69

Podemos dizer que os três conceitos traduzem papéis actanciais (Eco 1979) apresentados pelo texto. Para Eco, o texto literário, qualquer que seja, carrega uma intenção própria, para além das intenções de fato de um autor empírico e para aquém das intenções e motivações circunstanciais de um leitor empírico. Assim, por mais que um autor empírico se esforce para marcar a sua intenção na materialidade do texto, ele é obrigado a levar em consideração os meios que o código lhe dispõe a fim de tornar mais ou menos evidentes as suas intenções para com o leitor empírico. Portanto, o autor empírico só pode pretender inscrever as suas intenções em função de orientações, admoestações etc., que são semeadas ao longo do texto; além disso, o autor, ao escolher um semema em detrimento de outro, está dando ao leitor uma pista de como sua personalidade pode refletir-se na obra. No momento em que assim procede, o autor empírico cria o que Eco chama de autor-modelo. O leitor empírico, por sua vez, deve seguir as orientações deste autor-modelo a fim de tornar-se o

leitor-modelo de um texto. Na verdade, o que o leitor empírico deve fazer é abdicar de suas

motivações e intenções, buscando ombrear-se ao que supostamente o autor “quis dizer”; mas não o autor empírico, bem entendido, e sim o autor-modelo, enquanto estratégia textual. Este complicado jogo de papéis semióticos que se alternam e frequentemente se sobrepõem indica que Eco não está pensando a interpretação como uma colaboração intuitiva, ao moldes de Pareyson (1954). Diante disso, de acordo com Eco (1979), interpretar um texto é tornar-se o seu leitor-modelo; é buscar orientar-se pela suposta estratégia autoral a fim de “preencher” de sentido o texto de forma colaborativa, a despeito das intenções primordiais do leitor, num exercício constante de vigilância sobre o código. Vejamos o que o semioticista italiano tem a nos dizer a este respeito:

[...] o autor empírico como sujeito da enunciação textual formula uma hipótese de Leitor-Modelo e, ao traduzi-la em termos de sua própria estratégia, caracteriza-se a si próprio enquanto sujeito do enunciado, em termos igualmente “estratégicos”, como modo de operação textual. Mas por outro lado, também o leitor empírico como sujeito concreto dos atos de cooperação, deve esboçar uma hipótese de Autor, deduzindo-a, justamente, dos dados de estratégia textual. A hipótese formulada pelo leitor empírico acerca de seu Autor-Modelo parece mais segura do que aquela que o autor empírico formula acerca do seu Leitor-Modelo. De fato, o segundo deve postular alguma coisa que ainda não existe efetivamente, e realizá-la

70

como séries de operações textuais; o primeiro, pelo contrário, deduz uma imagem- tipo a partir de algo que se produziu anteriormente como ato de enunciação e que está presente, textualmente, como enunciado. [Eco 1979, p. 65.]

Mas o que diferencia o autor-modelo do leitor-modelo? Quais critérios objetivos efetivamente distinguem o papel actancial de ambas as figuras? Se o autor-modelo só existe enquanto um “registro” textual; se o leitor-modelo é, no final das contas, uma “média” ponderada das respostas interpretativas possíveis; e, finalmente, se a interpretação “respeitosa” é aquela cuja formulação corresponde ao universo do dizível em relação ao texto, de acordo com o respeito às instruções autorais; então, diante de tudo isso, pode-se dizer que leitor-modelo e autor-modelo, em algum grau, se correspondem perfeitamente. Se levarmos as ideias de Eco um passo adiante, poderemos pensar na relação entre autor, leitor e texto da seguinte forma: existem duas “nebulosa” de sentido, uma que já está relativamente formada antes do texto e outra que se forma a partir da recepção do texto. Essas “nebulosas”, quando sobrepostas, coroam a conexão entre o sentido buscado pelo autor e o sentido concretamente encontrado pelo leitor. Até aí, nada de excepcional ou controverso, uma vez que se poderia afirmar que essas “nebulosas” são fruto do modo como a linguagem se organiza na mente do indivíduo. O diferencial consiste em, como já dissemos, entender que essas “nebulosas” são compartimentadas e categorizadas prévia e posteriormente ao uso do código, fazendo coincidir duas competências linguísticas distintas, mas homogêneas.17 Por conseguinte, leitor-modelo e autor-modelo não se distinguiriam sequer do ponto de vista dos papéis actancias, uma vez que o tipo de conhecimento implícito em cada uma dessas funções textuais independe do momento ou contexto onde o texto se insere. No fundo, qual a natureza do autor-modelo sem a copresença do leitor-modelo? Um depende do outro para consolidar-se como papel actancial legítimo, no interior da teoria de Eco. Mas poderíamos ir ainda mais longe: se o que formata e conecta as duas “nebulosas” é o código, então, de algum modo, leitor-modelo

17 Poder-se-ia, ainda, entender que essas “nebulosas” são igualmente compartimentadas a partir do texto,

como se este tivesse o poder de escrever os seus conteúdos de forma homogênea tanto para o autor, como para o intérprete. Esta presunção envolve discussões concernentes à natureza do conhecimento e da intersubjetividade, que são introduzidas na obra de Eco a partir do Tratado geral de semiótica (Eco 1975) e são retomadas com toda a força em Kant e o ornitorrinco (1997). Nosso terceiro capítulo estudará com mais detalhes essa possibilidade teórica aberta por Eco.

71

e denotação (entendida aqui de modo “frouxo”, em oposição à noção de conotação) coincidem: a previsibilidade do sentido, em que pesem as particularidades dos sujeitos e dos contextos, determina o modo de ser do leitor empírico, e o contexto acaba agindo tão- somente como um “paratexto” que determina a hierarquia de sentidos e as interpretações preferenciais no âmbito da enciclopédia. Em última análise, para que haja leitor-modelo, autor-modelo e mesmo intentio operis, é preciso que exista, antes, uma homologia lógico- intuitiva que, no fundo, caracteriza-se como a denotação do texto. Para que tais conceitos sejam efetivos no interior da lógica de Eco, é imprescindível que, em algum grau, o sentido do que significam essas estratégias textuais, bem como o acordo sobre elas, esteja determinado de modo praticamente unívoco (ainda que se trate de acolher um conjunto de interpretações – e não apenas uma única interpretação – como efetivamente pertencentes às “nebulosas” de sentido formadas). E, mesmo que possamos considerar que, no limite, o sentido que se impõe ao leitor empírico, enquanto estratégia a ser perseguida, seja um sentido desviante em relação ao código que serve de base às mensagens referenciais (o que nos obrigaria a dizer, partindo da terminologia de Eco, que se trataria de uma conotação, em vez de uma denotação), o fato de ser um sentido preferencial (ou quase impositivo, apesar de latente) faz com que a conotação assuma o papel da denotação. Repete-se, aqui, portanto, o mesmo “deslize” teórico que indicamos acima, quando tratamos da dialética entre abertura e definitude da obra aberta. Bem diferente seria, por exemplo, determinar o leitor-modelo (ou o autor-modelo) enquanto estratégia textual de uma obra específica, pois, neste caso, estaríamos falando de papéis actanciais circunscritos numa lógica textual e paratextual cujo horizonte é muito mais concreto, cabendo injunções de ordem sociológica, filosófica, psicológica etc.

Nesse sentido, é notável a diferença entre o conceito de leitor-modelo, de Eco (1979), e o conceito de leitor-implícito, de Iser (1974) – distinção que, em última análise, é resultado da diferença de abordagem e de perspectiva entre os dois teóricos. Enquanto Eco trata os textos quase como manifestações da “metafísica do código” – ou, talvez, como base para a fundamentação da “metafísica da interpretação” –, Iser está muito mais interessado na leitura das obras concretamente, sob o pano de fundo das concretizações sociais, ideológicas e estéticas de seu momento histórico. A reflexão feita por este último acerca do leitor e do papel que ele desempenha na obra é quase sempre calcada na análise de um

72

contexto específico de recepção, onde se leva em conta o que se poderia chamar de “temporalidade da interpretação”, que se desdobra ao longo do antes e do depois da obra analisada. Isso está de acordo com os pressupostos da estética da recepção, uma vez que essa abordagem leva em conta a atuação do leitor (implícita ou não) do ponto de vista das reações admitidas num campo circunscrito de performances linguísticas e literárias – como é o caso da análise que Iser faz de Bunyan, ressaltando, inclusive, o seu pioneirismo no que toca à atuação da personagem romanesca, comparativamente à personagem épica. Iser leva em conta uma performance interpretativa concreta, em que o leitor deve assumir determinadas posturas para ser conduzido através dos caminhos do peregrino de Bunyan, a fim de que o romance, enquanto “mensagem” (religiosa, no caso, e não no sentido que é dado pela semiótica econiana), seja compreendido. É o caso, também, da análise da obra de Fielding, em que Iser identifica as derivações de sentido oriunda das novidades implementadas pelo autor, em contraposição ao cânone literário estabelecido. Evidentemente, isso não impede o crítico alemão de falar em “intenção do autor” ou mesmo em “o que o autor desejava”, justamente porque uma interpretação como essa tem muito a ver com um tipo de análise acerca do modo como o autor se situa dentro de uma época e que conteúdos esse tipo de posicionamento pode gerar. Nesse sentido, não é de todo irresponsável assumir, de acordo com Iser, que, do ponto de vista da crítica literária, Fielding tinha tal ou tal “intenção” e que concebeu a sua obra a fim de evidenciar isso ao leitor, que deve lhe acompanhar nesse jogo de postulados que incessantemente recua para o cânone e avança em direção ao que se pode considerar essencialmente fieldiano. Com isso queremos dizer apenas que o conceito de leitor-implícito de Iser delineia, em última instância, não tanto um papel actancial pura e simplesmente determinado pelo código, mas sim uma figura que, embora seja construída com base no texto (e embora mantenha uma estreita relação com a laboração do autor e com um repertório determinado), se constrói quase como uma personagem (no caso de Bunyan, por exemplo, o peregrino é tanto o personagem da narrativa como o alter-ego do próprio leitor) e que transborda para o nível da práxis, de modo que a interpretação seja, ao mesmo tempo, a leitura e a postura adotada pelo leitor diante da obra, face à sua conjuntura. Mais do que isso: do ponto de vista de Iser, a interpretação é tanto um exercício de adequação do texto ao leitor, como também o seu inverso, de modo que o peregrino de Bunyan, por exemplo, será o resultado feliz dessa

73 convergência de fatores inter e extrassemióticos.

Podemos concluir, então, que o conceito de leitor-implícito de Iser funciona muito mais como um construto do ponto de vista das representações, ideias, diálogos, concepções e visões de mundo engendradas no âmbito da própria narrativa ou ainda da poesia, colocando a ênfase no processo interpretativo na identificação gerada entre o leitor empírico e a concepção artística da obra (e, nesse sentido, é formidável o modo como Iser articula a evolução do romance enquanto gênero com as expectativas geradas no leitor). O quanto os signos – entendidos como as unidades mínimas de significação, tal como vimos acima a partir da obra de Eco – determinam o reconhecimento desses “padrões de comunicação” (para usar um termo do próprio Iser) não fica exatamente claro na obra do teórico alemão. De qualquer modo, Iser (1974) faz questão de esclarecer que a dinâmica da resposta do leitor a um determinado texto envolve aspectos que dizem respeito a um saber que se acumula de uma perspectiva histórica. A principal contribuição da obra de Iser, enquanto metodologia de estudo da interpretação do texto literário, consiste exatamente nessa dimensão histórica da resposta à obra. É o estudo do efeito estético face ao rol de expectativas determinadas por uma época ou gênero que permite a Iser compreender que a interpretação do texto estético demanda certos conhecimentos que são da ordem da sensibilidade e da experiência de leitura, e não necessariamente da lógica implícita dos signos e do código.

The effectiveness of a text does not depend solely on rhetoric, however. The critic must also take into consideration the reader’s expectations. Through his past experiences, the educated reader expects specific things from prose and poetry; but many works of art play about with those expectations formed by particular periods of literature in the past. The expectations can be shattered, altered, surpassed, or deceived, so that the reader is confronted with something unexpected which necessitates a readjustment. If this does happen, the reader gains what Henry James called an “enlargement of experience.” However, texts do not necessarily have to be based on expectations formed by the literature of the past. They can themselves awaken false expectations, alternately bringing about surprise and frustration, and this in turn gives rise to an esthetic experience consisting of a continuous interplay between “deductive” and “inductive”

74

operations which the reader must carry out for himself. In this way, the experience communicated through the work of art becomes real to the reader. For whenever his expectations are not fulfilled, the reader’s mental faculties are at once directed toward an attempt to comprehend the new situation with which he is confronted.

[Iser 1974, pp. 58-59.]

Com isso, a interpretação do texto é muito mais um exercício de adequação da mente ao objeto em questão – o texto literário –, do que um confronto com um conjunto homogêneo de entidades abstratas que se sobrepõe à experiência de leitura. Quando interpretamos um texto, lidamos com uma série de elementos distintos – desde as informações acerca do momento histórico do texto, as ideologias em jogo (para lembrar o caráter dialógico do texto literário, tal como Bakhtin o definiu), o mundo possível criado pelo autor, até as peripécias e situações inusitadas por que passam as personagens –, que são organizados em formulações provisórias ou peremptórias que, no final das contas, traduzem a experiência de leitura como um modo de ser do leitor frente ao texto. A história de leitura, enquanto repertório literário para a interpretação dos textos, evidentemente influencia o leitor. Porém, dessa mesma perspectiva, há momentos em que o leitor parece não encontrar par para o texto dentro do seu repertório de leitura. Isso não significa, todavia, que a dimensão histórica da leitura seja rebaixada; no fundo, a experiência de leitura é uma experiência sempre fundada no contexto, de modo que, quando o repertório não contribui, o leitor organiza seu conhecimento a fim de compreender a experiência de leitura, nos mínimos detalhes que lhe cercam. Essa “situacionalidade” da interpretação fica, portanto, marcada mesmo quando a memória de leitura pouco favorece o leitor, de modo