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Juliana desejou ter um espelho. Vacilou na soleira deseu quarto que agora compartilhava com sua irmã e seus sobrinhos. Sentia-se despenteada e desalinhada, e se preocupou com a aparência que pudesse oferecer depois de suas passadas transgressões. Mary a desaprovaria se alguma vez se inteirasse do que acabava de acontecer. Pior ainda, sentiria-se decepcionada. Juliana não se atreveu a considerar como reagiria seu irmão, se alguma vez se inteirasse de sua deslealdade. Mas tinha sido um engano. Ela nunca seria tão parva de novo. Juliana olhou atentamente o interior do quarto.

Os três meninos estavam adormecidos na cama cobertos por uma grande pele.

Mary estava ante o fogo, esquentando as mãos. Voltou-se quando Juliana entrou.

— Onde esteve?

Não podia dizer que tinha passado a última hora, ou mais, rogando a Alasdair por sua liberdade.

— Fui falar com Alasdair, e em seguida falei com sua mãe — mentiu, nervosa.

Baixou o olhar, evitando seus olhos, e teve medo de ter ruborizado. Como odiava enganar a sua irmã!

Mary estava tranquila.

Juliana levantou a vista. Então, viu a travessa (prato de pão medieval) em cima da arca; o prato estava virtualmente vazio. Se a mãe de Alasdair havia trazido seu jantar, estaria clara sua mentira.

— O que ele disse? Ou devo também procurá-lo?

— Ele disse que você e os meninos serão libertados quando o resgate for pago.

— Respondeu Juliana rapidamente.

— Mas, e você?

Juliana deu um coice, recordando suas palavras exatas… Ele não tinha mencionado seu resgate ou sua libertação.

— É obvio que vai me libertar, também. — Disse lentamente.

Mas enquanto falava, pensou na selvagem e escandalosa paixão que acabavam de compartilhar… e de repente, não tinha certeza. Por acaso não tinha tido a sensação de que havia tornado a atacar a Coeffin Castle por causa dela?

— O que está acontecendo?

Rapidamente sorriu.

— Nada. Estou simplesmente… angustiada… e estou cansada, também.

Decidiu que estava tirando conclusões equivocadas. Não tinha atacado Coeffin Castle com o fim de capturá-la. Tinha-o feito como um ato de vingança contra seu irmão.

— Talvez devesse descansar.

— Tenho intenção de fazê-lo. Vai ser muito incômodo se você for comigo à sala para jantar?

— Não.

Por um momento, as duas irmãs se olharam.

— Tome cuidado Juliana. — Acrescentou Mary.

Juliana sorriu e se afastou. Seu sorriso desapareceu enquanto descia para o salão. Sua irmã sabia o que tinha feito… tinha certeza.

*

Juliana não entrou na grande sala. Deteve-se justo antes de entrar, olhando em seu interior.

Alasdair estava sentado ao lado de seu pai, e quando o olhou, seu coração trovejou. Não era à toa que tivesse saltado em sua cama… era um homem forte e atrativo. Não podia negá-lo, agora.

Estava comendo com um apetite voraz, enquanto seu pai lhe falava.

Angus Mor parecia uma versão com mais anos de seu filho, um homem grande e musculoso, suas maçãs do rosto altas e duras, embora seu cabelo longo era todo cinza.

Levava o mesmo tartan, azul e vermelho, sobre seus ombros, preso com um broche de ouro. Lady MacDonald também estava à mesa, assim como vários highlanders, todos os quais agora reconheceu.

Angus Mor estava falando, mas então ele a viu e ficou em silêncio.

Toda conversa se deteve imediatamente, cada par de olhos se voltou para ela.

Alasdair se levantou de um salto, tão rapidamente, que foi quase cômico.

— Lady Juliana.

Ela soube que ruborizou e ele estava excitado; pior ainda, seu olhar era muito ardente sobre a ela.

— Estou interrompendo. — Disse ela.

— Tolices.

Lady MacDonald se levantou, rodeou a mesa e caminhou para ela. Alasdair permaneceu de pé… olhando-a fixamente. Pegou-a pelo braço, guiando-a para mesa.

— Levei a Lady Comyn e a seus moços o jantar. Não tinha certeza se desejava ficar com eles ou se unir a nós.

Ela sorriu.

Será que Lady MacDonald também estava se perguntando onde tinha estado durante a última hora? Juliana evitou olhar em direção a Alasdair, consciente dele voltando a sentar-se. Mas, por desgraça, ela seguia pensando na paixão que acabavam de compartilhar.

— Não conheceu meu marido. — Continuou Lady MacDonald.

Angus Mor não se levantou, mas lhe sorriu.

— Bem-vinda a Dunyveg, Lady Juliana.

Juliana olhou seus olhos azuis, que eram frios e a estavam avaliando. Este homem era o Senhor das Ilhas e o pior inimigo de seu irmão. A diferença de seu filho, não sentia admiração ou afeto por ela. Sabia, pelo percurso de sua vida, como era perigoso. Ele e seu irmão tinham estado em guerra quase sem cessar desde que ela nasceu, embora recordou uma breve trégua fazia uns anos, durante a qual, juntos, se rebelaram contra o Rei Alexander, sobre algumas ofensas que tinham compartilhado brevemente.

— Meu senhor. —Disse ela com inquietação.

De repente desejou ter permanecido no quarto.

— Alasdair me disse que é valente. —Disse.

— Justamente ao contrário, estou muito assustada.

Seu comentário não pareceu afetá-lo.

— Sente-se, Lady Juliana.

Juliana se sentou à mesa, Lady MacDonald entre ela e Angus Mor. Em frente a Alasdair, jogou-lhe uma rápida olhada. Ele a estava olhando e não se incomodava em ocultar seu interesse.

— Como está o Senhor de Lorn, Lady Juliana? — Perguntou Angus Mor.

Ela ficou tensa.

— Não sei, não o vi em uma semana.

— É obvio que não. Ele planejou seu ataque a meu filho em Dunstaffnage, e agora, está a caminho de Lochaber.

Ela estremeceu. Como sabia Angus Mor?

— Tem espiões entre nós?

— Não tinham espiões entre nós? — Respondeu Angus Mor.

Tremeu, porque Angus Mor era aterrador, de uma maneira diferente de seu filho.

— Juliana não sabia que seu irmão tinha espiões entre nós. —Disse Alasdair.

Ela estremeceu pelo duro tom de Alasdair e seu olhar voou ao dele.

Defenderia-a de seu pai?

— Não perco nada perguntando. Deve exigir seus nomes como parte do resgate. — Disse Angus Mor rotundamente.

— Pensarei nisso. —Respondeu Alasdair.

Juliana olhou para ele e logo a seu pai. Não tinha se dado conta de que Alasdair dirigia seus assuntos independentemente de seu pai. E havia certa tensão entre eles, certa rivalidade. Mas seu pai era um homem mais velho, devia ter mais de cinquenta anos e Alasdair estava nos trinta, ou ao menos isso ela supunha. Era suficientemente amadurecido para liderar o clã Donald. Portanto, provavelmente desejava fazê-lo.

— Por que não come? — Disse Alasdair, surpreendendo-a.

Colocou-se uma travessa frente a ela, mas agora não tinha apetite.

Alasdair a valorizava como refém e a admirava como mulher. E eram amantes.

Ela poderia ser sua prisioneira, mas na realidade, não queria machucá-la. Não tinha tanta confiança a respeito de seu pai.

Ao dar-se conta de que Angus Mor a estava olhando, Juliana comeu.

*

Donald e Roger corriam para cima e para abaixo pelo salão, perseguindo um ao outro em idas e vindas com gritos estridentes. Era meio-dia, e os meninos tinham estado trancados no quarto desde que despertaram. Mas Juliana e Mary se precipitaram, em um intento para acalmar aos meninos antes que todo no castelo se queixassem.

— Roger! Donald! Não podem se comportar como bárbaros! — Gritou Mary, correndo atrás de Roger.

Juliana perseguiu Donald pelo corredor.

— Somos convidados — exclamou, finalmente agarrando-o pela parte de atrás de sua túnica.

Quando se detiveram, encontraram-se cara a cara com um menino de sete ou oito anos de idade.

Deve ter acabado de chegar pelas escadas, e os estava olhando com frieza.

— Não são convidados. — São reféns. Alasdair disse.

Juliana não podia acreditar. Soube imediatamente que estava relacionado com Alasdair, e não só por causa de seu comportamento. Via-se como uma versão infantil dele, com o mesmo cabelo escuro e olhos azuis.

— E quem é você? Eu sou Lady Juliana MacDougall. — Disse, com tom deliberadamente arrogante.

— Sou Alexander… o segundo Alexander.

Enquanto falava, ouviram-se passos atrás dele. Alasdair apareceu no corredor.

— Vejo que conheceste meu irmão menor, Alexander… o chamamos “o pequeno lobo”. — Sorriu e revolveu o cabelo do menino.

— Alexander deve ser amável com um cativo… Ela é uma dama.

O moço encolheu os ombros e se afastou correndo escada abaixo.

E de repente, encontraram-se sozinhos, e ela foi muito consciente dele, quando sentiu que o coração acelerava.

— Desapareceu muito rapidamente ontem à noite. —Disse ele, em voz baixa.

Ela tinha fugido do jantar, com a intenção de assegurar-se que chegava a salvo a sua própria cama.

— Meu pai te assustou?

— Sim, o fez. — Disse, com cuidado.

Seus olhares estavam entrelaçados, quando de repente, apareceu Mary com Roger e Donald.

Mary olhou entre eles.

— Bom dia. —Disse a Alasdair.

Ele sorriu.

— Espero que tenham dormido bem. Não têm necessidade de confinar os meninos. Podem dar um passeio pelo pátio ou pela praia, com meu guarda.

— Obrigada. — Disse Mary, e olhou a seus filhos. — Por favor, vão ao quarto e peçam a Elasaid seus mantos.

Quando se foram, deu um passo mais perto de Juliana… para protegê-la.

— Quando vai pedir os resgates?

— Vou enviar um mensageiro esta tarde. —Disse Alasdair. —Estou a ponto de escrever a missiva.

— Está pedindo resgates para as duas? —Perguntou Juliana.

Sorriu para ela.

— O que imaginavam?

Sentiu como uma patada na canela.

— Porque eu quase não confio em ti.

— Estou escrevendo tanto a Comyn como ao MacDougall , não tenha medo, Lady Juliana. Eu, dificilmente poderia te manter aqui sem pedir um resgate.

É obvio que tinha que pedir um resgate. Uma guerra ainda maior resultaria se simplesmente a retivesse cativa, contra sua vontade.

— E também fará o que seu pai sugeriu…? Vai pedir os nomes dos espiões?

Ele sorriu lentamente.

— Como mostra de boa fé, o farei.

Seu coração deu um tombo. Os resgates levavam meses para serem pagos, ou anos, se eram excessivos. Mas exigir a identidade de qualquer espião MacDougall só conseguiria enfurecer a seu irmão e complicaria as coisas.

— Quer caminhar conosco? — Perguntou-lhe Mary.

Juliana se deu conta de que estava duvidando do passeio. Se sua irmã estivesse fora por umas horas ela seria livre para fazer o que quisesse.

Uma imagem surgiu em sua mente… a de estar nos braços de Alasdair. O que estav acontecendo com ela? Tinham passado uma hora juntos. Esse encontro não se repetiria. Alasdair poderia admirá-la e poderia sentir luxúria por ela, mas era um homem desumano.

Ela mesma o tinha visto. Seria enganar-se se chegasse a acreditar que ele poderia protegê-la sinceramente. Isso, se ele pudesse esquecer que ela era a irmã de Alexander MacDougall . E isso que ele se fosse menos desumano que Angus Mor.

— É obvio que vou caminhar com vocês.

Sem olhar para Alasdair, Juliana se voltou e se afastou a toda pressa.

*

Juliana se aproximou da grande sala e viu sua irmã sentada à mesa com seus filhos, Elasaid e Lady MacDonald. O irmão de Alasdair, “o pequeno lobo”, estava com eles. Enquanto as mulheres falavam, os meninos tinham uma forte discussão, e Juliana não podia imaginar sobre o que. Mas sorriu, satisfeita de que o segundo Alexander estivesse sendo amável com seus sobrinhos.

Nenhum dos homens estava presente.

De repente, ouviu-se um grande revoo no vestíbulo de entrada, que estava flanqueado por duas torres. Ouviu vozes de homens, passos de botas, som de esporas, fechar de portas e ferrolhos sendo corridos. Juliana se apressou até o final do corredor e de lá olhou o interior da sala de pedra da entrada.

Um grande número de homens estava lá, todos sacudindo a neve de suas peles e tartans. Já sabia que Alasdair estava entre eles porque tinha reconhecido sua voz.

Então, viu-o abraçando outro homem… um homem tão alto e musculoso como ele, com o cabelo escuro parecido ao seu, e um tartan azul e vermelho visível debaixo da pele que levava. Enquanto observava os dois homens, soube que Alasdair estava saudando seu irmão Angus Og.

Ele e seus highlanders claramente acabavam de chegar a Dunyveg, não importava a hora tardia e a neve. Angus Mor abriu passo através dos homens para estreitar o ombro de seu filho.

— Chegou tarde. —Disse, mas regozijado.

— Olá Pai. —Respondeu Angus Og. — A neve é ainda pior no Leste.

Juliana agora pôde ver seu rosto. Era tão evidente que era o irmão de Alasdair… tinham as mesmas maçãs do rosto altas, os mesmos olhos azuis, a mesma mandíbula forte, e inclusive, uma juba similar de cabelo escuro.

— Conseguiu convencer Lennox para apoiar Bruce? — Exigiu Angus Mor.

— O Conde de Lennox pensará sobre isso e decidirá em uma ou duas semanas… antes que se reúnam em Menteith. — Disse Angus Og.

— Nunca conquistaremos o trono para o Bruce sem o Lennox nem Athol. — Disse Angus Mor, abatido.

— Talvez devesse procurar o Athol. — Alasdair estava pesaroso. — Estou impaciente, à espera de sua resposta.

Angus Mor franziu o cenho. — Estão jogando conosco? De verdade acreditam que vão prosperar sob John Balliol?

— Há mais. —Disse Angus Og, seus olhos azuis ardendo. — Richard de Burgh não pariticpou da reunião. Enviou uma mensagem em seu lugar, para dizer que se atrasava.

Houve um surpreso silêncio.

A mente de Juliana corria enquanto os escutava. Ela não tinha tido intenção de espionar, mas a informação que tinha descoberto poderia ser valiosa para seu irmão. Não podia acreditar que eles pretendessem unir a sua causa aos Condes do Lennox e Athol , ou que o capitalista irlandês De Burgh, também estivesse de seu lado.

Sabia que devia retirar-se antes que fosse vista. Quando estava a ponto de fugir dando volta à esquina, Alasdair se virou e a viu.

Seus olhos se abriram com incredulidade.

Imediatamente, Angus Mor olhou em sua direção, e Angus Og girou completamente, olhando-a também.

Juliana ficou rígida de medo; Alasdair se aproximou dela.

—Lady Juliana? — Perguntou com dureza.

Olhou seus olhos e viu a advertência lá.

— Escutei vozes. Sua mãe queria que se unissem a ela… — Que tipo de desculpa era essa? Tragou saliva. —Disse-lhe que ia te procurar.

Angus Mor se aproximou dela, seu rosto duro, seus olhos frios como o gelo.

— Temos uma audaz espiã entre nós… mais uma vez? — Voltou-se para Alasdair. — Ela está te enganando, Alasdair? Talvez, depois de tudo, ela não seja sua cativa… talvez você seja seu cativo. Talvez, você esteja tão embevecido, que não pode vê-la como a espiã que é?

Juliana se encolheu. Olhou para Alasdair, que estava escuro de ira.

— Eu não sou seu cativo, nem jamais o serei. Ela não é uma espiã. É minha refém.

— Seia melhor em se assegurar disso. —Advertiu Angus Mor. E furioso deixou à sala.

Ela tremia, estava agora com os dois irmãos. Angus Og a estudava, mas não com hostilidade… parecia curioso. Ele assentiu com a cabeça uma vez, e logo seguiu seu pai.

Juliana estava esperando a ira de Alasdair… seu ataque. Seu rosto era frio agora, tão frio como o de seu pai tinha sido.

— Falaremos sobre isso mais tarde. — Disse finalmente. — Vá jantar.

Juliana assentiu e se apressou a obedecer.

Angus Mor já estava à mesa, e comia com fúria.

Angus Og abraçou Lady MacDonald antes de sentar-se entre ela e seu pai.

Mary estava sentada do outro lado da mesa com seus filhos. Juliana evitou o olhar inquisitivo de Mary enquanto se apertava no banco ao lado de seus sobrinhos, o mais longe possível de Angus Mor. Desejou não estar, absolutamente, na mesa.

Rapidamente começou a encher sua própria travessa com pescado e caça.

Enquanto sentia as lágrimas como se fossem iminentes.

O que tinha feito sem querer? Uma coisa era ser prisioneira de Alasdair, e outra de seu pai. Alasdair seguia sendo o inimigo, mas era razoável e justo comparado com seu pai. E tinha interesse nela, um mais além do que de um captor para seu cativo.

Preocupava-lhe que Angus Mor interferisse e fizesse valer sua autoridade sobre ele. Não deveria esquecer que nunca havia misericórdia no homem mais velho.

A seus olhos, ela era a irmã de seu pior inimigo e nada mais, um peão para ser utilizado sem piedade.

Alasdair entrou na habitação. Juliana evitou seu olhar. Ele não se sentou com seus pais e seu irmão. Foi ao seu lado da mesa e se sentou no extremo do banco junto a ela, sem lhe dirigir tampouco nenhum olhar.

Começou a colocar comida em seu prato. Não olhou a ninguém e não falou.

Nenhuma ação poderia ser mais clara. Ela era sua prisioneira e tinha a intenção de assegurar-se de que não havia nenhuma dúvida. Mas também sentiu como se pretendesse algo, como se queria indicar que também estava sob seu amparo.

Estranhamente, sentiu-se tranquilizada pelo gesto.

Mas seu pai se encolerizou, ela pôde vê-lo, enquanto ele comia em um irado silêncio.

Tinha intenção de obrigar-se a comer, mas era impossível. Foi Angus Og quem rompeu a tensão quando começou a contar a seu pai a respeito de uma disputa que implicava as terras em Juta. Angus Mor pôs toda sua atenção em seu segundo filho lhe fazendo perguntas a respeito da disputa, e Juliana sentiu um pequeno alívio.

Esperava não atrair a atenção do laird15, de novo.

Quando o jantar finalmente terminou e elas, cortesmente, tinham dado boa noite a todo mundo, as irmãs correram escada acima, empurrando os meninos diante delas. Quando Donald e Roger correram para dentro do quarto, Mary tomou a mão de Juliana, detendo-a na soleira.

— O que aconteceu? — Perguntou em voz baixa, mas com tensão. — Discutiu com o Angus Mor?

Juliana negou com a cabeça. Mas enquanto o fazia, viu que Alasdair se aproximava. Mary se voltou e o viu também.

— Não, ela não discutiu com meu pai. — Disse. — Em troca, ela o espionou.

— Mary ficou sem fôlego.

— Juliana, desejo falar com você.

Juliana ficou rígida.

— Acredito que deveríamos falar amanhã…— Começou.

Pegou seu braço, um agarre sem delicadeza.

— Não. Falaremos agora. — Olhou friamente para Mary. — Boa noite.

Mary não se moveu, seus olhos muito abertos e Juliana estava segura de que pensava que estava com problemas, e mais, que inclusive poderia estar preocupada com as últimas intenções de Alasdair.

— Boa noite, Lady Comyn. —Disse Alasdair com firmeza.

Mary de repente a abraçou.

— Por favor, não seja imprudente!

E logo se apressou a entrar em seu quarto.

Alasdair não vacilou. Sem soltar o braço de Juliana, fechou a porta do quarto de Mary. Dirigiu a Juliana um olhar de soslaio e a arrastou pelo salão com ele. Ela teve que correr para acompanhar os passos dele.

No momento em que se encontraram dentro de sua habitação, fechou a porta.

Soltou-a, foi à chaminé e avivou o fogo, que ardeu.

Juliana mordeu o lábio com força. Estava zangado com ela, e ela esperava sua ira, mas também sabia exatamente como ele tinha intenção terminar a noite. E esse conhecimento fez seu sangue ferver em suas veias, embora sabia que devia resistir.

Endireitou-se e a olhou, tirando lentamente seu tartan.

— Nunca espione a mim ou o que é meu de novo.

Ela ficou rígida quando jogou o tartan em cima da única cadeira da habitação.

— Alasdair. Não tinha a intenção de espionar.

— Você se deu conta que agora não posso permitir que se comunique com seu irmão. — Disse ele.

Desabotoou o cinturão e o atirou à cadeira, também.

Ela tinha a boca seca.

— Eu não sabia do que estavam falando. —Disse, embora tenha entendido tudo.

Ele riu, sentando-se na cama. Tirou uma bota.

— Sabe que precisamos de nossos aliados para tomar o trono para Bruce.

Ela tremia.

— Não posso ficar aqui esta noite.

Tirou a outra bota e se levantou.

— Pode… e deseja.

E aproximando-se dela, agarrou-a pelos ombros com força.

— Escapou ontem à noite. Mas, agora não quer fugir.

Suas mãos encontraram seu peito duro.

— Mary saberá.

— Sua irmã nunca te trairá.

E então, ele a beijou, com força e com a boca aberta.

Juliana fechou os olhos, seus sentidos nublados, pressionando cada centímetro de seu corpo contra o dele, o mais perto que pôde, com seus braços ao redor dele agora. Devolveu-lhe o beijou grosseiramente.

Alasdair rugiu e a levou à cama.

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