Harper se arrastou para a cama com o roupão depois de sair do banho. Não podia sair agora.
Não depois...
Em, que convenientemente esqueceu quantas vezes ela se deitou na cama e chorou por dias depois de sua sucessão de rompimentos, não ficou impressionada com o cancelamento de Harper.
— Confie em mim sobre isso. Ficar em casa e chafurdar são maneiras ruins de superar um rompimento.
Não havia nada pior do que um capacho reformado.
— É realmente apenas uma dor de cabeça. — Insistiu Harper. — Além disso, você não pode romper com alguém com quem não tem um relacionamento, pode?
Mas mesmo quando disse isso, Harper soube que estava falando besteira. Porque a verdade era que mesmo sem classificar seu relacionamento, ela tinha se apaixonado por Dexter Blake.
Estava apaixonada por Dexter Blake.
Só não percebeu isso antes – obviamente seu subconsciente sabia – até que ele saiu há duas semanas atrás com força total.
Mas ela fez disso um verdadeiro desastre, se apaixonando pelo homem. E não só porque ele era gostoso. Harper gemeu e colocou as mãos entre as pernas, pensando no que aquele gostoso acabou de fazer com ela no chuveiro.
Sua atração por ele era muito mais profunda. Ele era doce e gentil com ela. Levou ela para o jogo de rugby, mesmo quando ela não precisava e ainda a deixava sem fôlego. Ele a defendeu contra Chuck e Anthea, o que foi um enorme impulso para seu ego.
O fato dele nunca conseguir o suficiente dela, de partes que sempre odiou e lamentou, a fez se ver em uma luz diferente. Mas não era só sobre seus seios e bunda. Ele estava interessado em sua vida.
Em suas coisas... e em outros assuntos. Como seus pais e sua infância, as complexidades do seu trabalho e suas esperanças para o futuro.
Ele até mesmo a incentivou a abrir uma galeria um dia, e ela ainda nem havia articulado isso totalmente para si mesma..
E, senhor todo poderoso, ele era bom com os gêmeos. Engraçado e brincalhão. Bondoso e complacente com Tabby, um pouco bobo com Jace, sentindo assim como Harper, seu desespero por um bom modelo masculino. Chuck, apesar de todas suas falhas, também era bom com seu irmão, mas não estava muito por perto e Jace realmente respondeu à habilidade inata de Dex de provocar e elogiar em igual medida. Ambos os gêmeos o adoravam.
Qualquer cara em sua vida tinha que passar pelo teste com seu irmão e irmã e, francamente, muitos deles haviam falhado.
Simplificando, ele era tudo isso e com um saco de batatas fritas, conquistou completamente seu coração. Dex, o Garanhão conquistou ela.
E era uma merda.
Porque ela tinha certeza que ele não a amava.
Ela tinha certeza de que ele gostava de ficar com ela, gostava de sua companhia, dentro e fora da cama. Mas isso não era a mesma coisa. Realmente queria esperar o final da carreira deçe de rugby, esperando que ele tivesse tempo para ela?
A dor subiu em seu peito, parando ali como uma grande rocha. Ela se apaixonou algumas vezes antes – por duas vezes aos quatorze anos e na faculdade de arte quando tinha dezenove anos – mas não assim.
Pareciam mesquinhos e juvenis em comparação com essa… coisa em seu peito, pesando, tornando impossível respirar.
Harper se condenou por sua fraqueza de mais cedo. Ter sexo com ele no chuveiro não ajudava em nada. Claro, não planejou tirar a roupa. Ela realmente só queria que ele dissesse o que veio dizer e fosse embora, mas no segundo em que ficaram juntos em sua minúscula suíte, seu corpo ansiou pelo dele. E viu o mesmo em seus olhos.
E uma parte dela quis explorar aquela fraqueza.
Mas ela os colocou em um caminho inevitável, quando suas mãos cheias de sabonete desceram roçando a parte interna das coxas, então não foi capaz de se conter. Ela o queria ali com um calor incandescente e nada mais importava. Nem o fato de que ele não a amava ou o fato de que amava mais uma bola. Seu desejo e excitação eram grandes demais, seu coração golpeado – seu orgulho – não era páreo para a necessidade estrondosa.
Mas não demorou muito para que a vergonha se instalasse.
Eu não posso deixar de fazer isso também. Algumas semanas atrás, ela se divertiu em ter esse tipo de influência sobre o corpo dele.
Mas foi antes. Quando estavam só saindo e se divertindo. Quando era apenas físico. Ou ela pensou que fosse, de qualquer maneira.
Mas agora seu coração estava na equação. E o dele não.
Seu corpo estava comprometido e ela assumiu que poderia se aproveitar disso sempre que estivesse muito satisfeita, mas quanto tempo antes de querer mais?
Quanto tempo antes de pedir mais?
E o que aconteceria então?
Harper com certeza não queria descobrir. Todos seus relacionamentos anteriores foram baseados nela não pedir nada.
Era melhor manter as coisas assim entre eles – apesar do sexo como animais selvagens. Ele deixou claro onde estava seu foco e por quê. Ela só tinha a si mesma para culpar se cegamente ignorasse isso e esperasse que ele mudasse.
Demônios poderosos enraizados na infância sempre eram difíceis de ignorar. Precisava deixar ele. E seguir em frente. Ser forte.
Começando por não perder a cabeça ou as roupas, se ele batesse em sua porta de novo.
Infelizmente, Harper descobriu que não era tão forte assim. Não quando o homem que ela amava estava em causa.
Ela abriu a porta para ele na noite seguinte, ele mal disse duas palavras antes que ela o puxasse para dentro e ele caísse sobre ela no sofá. Parecia meio discutível protestar quando ele aparecia todos os dias. Não quando ela já o convidou para sua casa e corpo duas vezes e seu desejo por ele aumentava.
Na verdade, o sexo era tão bom que destruiu completamente a determinação de Harper em manter as coisas afastadas. Era difícil ser forte quando seus beijos eram tão tentadores.
E se seus lábios eram como cocaína, não poderiam ser mais viciantes.
Pela terceira vez, pensou que o relacionamento deles talvez funcionária. Talvez ter a parte dele que sobrava depois do rugby fosse melhor do que ter tudo. Especialmente quando ele se entregava sem reservas.
Claro que isso era melhor do que não ter nada.
Ela tinha a diversão e não as coisas difíceis. O material mundano e chato como lavanderia e contas e tirar o lixo. E com ele saindo no meio da noite, não precisava se preocupar com ele peidando em seu sono ou com o hálito matinal.
Aquelas coisas que rapidamente atrapalhavam os relacionamentos.
Ela chegou ao ponto de viver em uma bolha mantida por essa excitação sexual, a perspectiva de um relacionamento que nunca se acalmava ou resfriava. Onde o desejo sempre ardia. Onde havia um estado permanente de tesão.
E o amor dela era grande o suficiente para os dois.
Mas tudo isso desabou na semana seguinte, quando estavam deitados na cama, preguiçosamente se tocando sob a suave luz vermelha que cobria o quarto. Harper tentou não ler muito em quantas vezes ele ficava ali. Antes de sua separação, eles tinham só o domingo. Mas ele passou cinco noites de sete.
Isso significa alguma coisa?
— Você vai a essa festa de arrecadação de fundos na sexta à noite?
Para o hospital infantil City Central? — Perguntou ela.
— Mmm. — Disse ele.
Os lábios de Harper se curvaram. Ela não precisava olhar para ele para saber que seus olhos estavam fechados. Conhecia esse mmm sonolento. Ele soava assim pouco antes de adormecer, sua voz baixa e ronca enquanto flutuava em um estado semiconsciente.
Ela rolou para o lado e ele se mexeu, levantando o braço para acomodá-la enquanto aninhava a cabeça na curva do ombro dele e fechava os olhos. Ela estremeceu quando os dedos dele percorreram sensualmente os braços de cima abaixo.
— Eu também irei. — Ela murmurou. — Por que você não passa por aqui e nós podemos ir juntos?
Seus dedos pararam abruptamente e seus olhos se abriram, conscientes da súbita firmeza de seu peito sob sua bochecha.
— Você vai?
Sua voz estava mais aguda, menos rouca e Harper percebeu que agora estava bem acordado. Ela piscou para o brilho vermelho quente ao redor dela quando uma onda de arrepios percorreu sua nuca.
— Sim. Eles vão fazer uma apresentação dos meus murais.
— Oh. — Seu corpo inteiro pareceu ficar tenso sob o dela. E se não estivesse quente, diria que ele congelou. — Você nunca disse.
Bem, não... ela não disse. Mas não estava deliberadamente escondendo isso. Eles simplesmente não conversavam sobre essas coisas. Se beijavam, transavam e dormiam, então ele saia e começaram tudo de novo. Quando conversavam, era sobre o mural em que ela estava trabalhando ou o último jogo dele, algumas vezes sobre o que iria jogar. Às vezes os gêmeos.
Então eles se beijavam, transavam e dormiam…
— Esqueci completamente.
O silêncio envolveu eles. E não o sonolento, pós-sexo, pesado com uma profunda satisfação. Não. Era cheio de tensão. Quase podia ouvir o cérebro dele trabalhando.
Harper franziu a testa, sem saber qual era o problema dele. Podia não querer ouvir a palavra com A ou se comprometer com um tipo de relacionamento para sempre com ela, mas ainda estavam saindo, certo? E estiveram juntos em público antes.
— Mas como os dois vão. — Disse ela, sua voz tão leve e trêmula como sua confiança. — Pensei que poderíamos ir juntos.
Ele tirou o braço de baixo dela, deslocando ela enquanto se sentava e tirava as pernas da cama.
— Eu não ia com ninguém. — Disse ele quando pegou a camisa descartada e jogou ela sobre a cabeça.
Harper olhou para as costas quando ele deslizou as pernas em sua cueca boxer. Um punho frio apertou seu coração.
— Está preocupado que eu possa fazer piadas inapropriadas sobre transar?
Ele ficou de pé enquanto puxava a cueca para cima e ela teve um breve vislumbre de sua bunda antes que fosse envolta em algodão preto. Ele se virou para olhar ela, seus olhos a percorrendo com sua habitual perfeição.
— Só não estou pronto para ir a... público com nosso relacionamento ainda.
— Ok... — Que porra isso significava? Não era como se o que tinham fosse um segredo. — Mas fomos a um restaurante de vinho e pintura e ao Luna Park. Você me chamou para sair na frente de seus companheiros de equipe em um jogo de rugby. Inferno, fiquei no camarote corporativo dos Smoke no estádio de Henley.
— Sim, mas... todo mundo vai estar lá. — Seus olhos foram para seus seios antes de voltar para o rosto dela. — Patrocinadores, a mídia, as WAGS...
Ele a olhou impotente, a mão se fechou em um aperto forte.
Ele estava… preocupado em como seria aparecer em um evento glamoroso com alguém que não vestia trinta e seis? Ele estava tentando dizer a ela que não podia ficar entre as criaturas glamorosas com quem ela passou algumas horas divertidas naquele jogo em casa?
Cristo. Ele achava que ela não sabia disso?
O pensamento doeu – mais do que qualquer insulto que seu meio-irmão ou mãe fizeram ao longo dos anos – ela pegou o lençol, puxando para cima, colocando sob os braços enquanto todos os velhos sentimentos de inadequação caíam.
— E eu não sou bem a imagem que eles têm da namorada de uma estrela de rugby, certo? — Seu coração batia com um calor pesado e doentio, como rocha derretida em seu peito.
Ele olhou para ela sem expressão.
— O que?
Harper respirou fundo, tentando conter a dor da ferida no peito.
— Você tem vergonha de ser visto comigo. — Afirmou, orgulhosa de quão calma soou quando estava morrendo por dentro.
Com certeza explicava por que ele estava tão interessado em sempre ficar em sua casa. Harper adorava que ele se sentisse em casa ali, mas pensou que fosse sobre privacidade, não sigilo.
E o tempo todo ele tinha vergonha de levar ela a qualquer lugar.
Eles brincaram no começo sobre ela ser seu pequeno segredo sujo, mas parecia que realmente era.
— Não seja ridícula. — Ele rosnou, descartando a declaração com um aceno impaciente de sua mão. — Você já sabe que não me canso de você. Merda, por que você pensa isso?
Ele estava brincando? Estava seriamente brincando com ela agora?
— Talvez porque não tenho a mínima ideia de que porra estamos fazendo aqui ou como você se sente sobre mim.
— Deus, Harper, por favor. — Disse ele, passando uma mão exasperada pelo cabelo. — Você sabe que te acho incrível.
Incrível?
Harper bufou. Alto. Era isso ou explodir em lágrimas.
— Incrível? — Lágrimas quentes encheram seus olhos, mas ela piscou de volta. — O que você tem, cinco anos?
Ela empurrou o lençol e pegou o roupão descartado do chão, vestindo enquanto se levantava.
— Não pareceu se importar com o elogio há algumas semanas.
Ele estava certo. Ficou feliz quando ele disse que era incrível. Mas seguiu em frente. E incrível era inadequado pra caralho.
Estava apaixonada por ele pelo amor de Deus. Incrível era um insulto.
Ela amarrou o cinto do roupão apertado.
— E por que sou tão incrível? — Ela perguntou, jogando o cabelo por cima do ombro, olhando para ele. — Porque não sou uma ameaça à sua carreira? Porque não faço exigências? Porque sou uma presa fácil? Você bate na porta e abro minhas malditas pernas para você?
— Não! — Dex balançou a cabeça veementemente.
Mas Harper estava irritada, sentindo a dor dentro dela se transformar em raiva.
— Porque não espero nada de você, não pressiono? Porque você tem o melhor dos dois mundos, sexo constante com absolutamente nenhum compromisso. E sou só a boa e velha Harper, que foi estúpida o suficiente para concordar com isso. Bem adivinhe, Dex, não serei mais seu segredo sujo.
Ele deu um passo em direção a ela.
— Não é assim.
— Oh realmente? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Certo, então. Me leve para festa na sexta à noite.
Ele hesitou. Foi quase imperceptível e ainda assim a atingiu bem no peito como um soco. Harper se preparou para ficar de pé apesar da força da dor. Ela não cairia na frente dele.
Ele balançou sua cabeça.
— Não. Mas por favor, me deixe explicar...
— Não? — Harper engoliu o segundo golpe, tentando conter a histeria.
Isso era culpa dela. Tudo culpa dela.
Que porra estava pensando ao concordar tacitamente com essa meia-vida com ele? Merecia esse soco no estômago agora porque deixou que ele tomasse tudo por garantido.
— Harper... — Seu sincero olhar verde implorava a ela para entender. — Só preciso de mais tempo para entender tudo isso. Só quero aproveitar o que temos no momento.
Ela bufou.
— Aposto que sim.
— Não, quero dizer… não quero compartilhar você com ninguém.
Quero te manter privada e pessoal enquanto pudermos. Você não tem ideia de quão louca as especulações ficam com a mídia e Deus, se as WAGS souberem sobre nós dois, elas nunca vão me deixar em paz. É uma distração que não preciso.
E então veio o terceiro golpe. Nada e ninguém poderia ser uma distração de sua preciosa carreira. Entendia os demônios que o guiavam e a última coisa que Harper queria era ficar entre ele e o rugby. Mas por que ele não podia ter os dois?
Muitos tinham.
Dex talvez tenha se convencido de que deveria abandonar a raça humana. Se tornar um robô do rugby com visão estreita. Mas… você nem sempre consegue o que quer.
E se a quisesse – se isso não fosse realmente sobre ela ser mais Xena que Tinkerbell – então estaria em seus termos.
— Bem, isso é muito ruim, Dex. Porque eu te amo e quero toda a coisa distraída e confusa. Quero um relacionamento com todas as expectativas e pressões que isso traz. Não ficarei feliz em só sentar e deixar tudo ser sobre você e sua carreira. Não mais. E se me quiser, então precisa entrar nisso inteiro, Dex. Esta é uma rua de mão dupla e não vou concordar com uma meia existência à sua sombra. Não importa com o quão bom seja o sexo.
Ele colocou as mãos nos quadris.
— Você me ama? — Seu rosto empalideceu, a pele refletindo o intenso brilho vermelho da lâmpada de cabeceira. — Você me disse que isso foi algo que disse em seu sono sem perceber.
— Eu menti. — Ela respondeu.
— Cristo. — Ele pegou sua calça jeans do chão e a vestiu. — Por que você quer tudo isso? — Ele perguntou, mais incrédulo do que irritado, a cama entre eles tão larga quanto o Grand Canyon. — Você acha que é fácil ser parceiro de alguém que pratica esporte coletivo em nível de elite? Porque é muito difícil. Passar por todos os altos e baixos com eles. Manhãs muito cedo e exigências do clube, me preocupando com lesões e doenças, se serei escolhido para uma equipe da copa do mundo e lidando quando não for. Então há o dinheiro e bônus salariais, negociações contratuais, a pressão para se aposentar, viajar a maior parte do ano e os malditos abutres na mídia que distorcem qualquer coisa ao menor cheiro de um escândalo. É isso que você quer que sua vida seja? — Ele gritou do outro lado da cama para ela.
Harper quase chorou com a pergunta. Claro que queria.
— Sim. — Ela gritou de volta. — Isso é o que acontece quando você decide ficar com alguém. Está lá para o outro. Reduz o fardo. Sabe, para melhor ou para pior.
Ele a olhou assustado, seus olhos arregalados quando Harper percebeu o que disse.
— Oh respire, Dex. Não vou começar a cantarolar a marcha nupcial. Só quero ficar com você.
— Você está comigo. — Ele insistiu.
— Sim. Eu estou. — Ela balançou a cabeça. — Mas você não está comigo.
Não adiantava. Ela podia dizer o quão assustado ele estava só de olhar. Nunca conheceu alguém que pudesse dividir sua vida de maneira tão sucinta. E não importava o quanto amava ele, não se contentaria com menos. A maneira como Dex amava seu corpo lhe ensinou que não precisava aceitar os restos de nenhum homem.
Então, porra, não ficaria com os dele.
Ela sentou na cama, de costas para ele.
— Acho que é hora de você ir embora. — Disse ela, oprimida pela falta de esperança de tudo isso. Precisava ficar sozinha, para soltar a dor esmagadora no coração e a picada quente, insistente de lágrimas.
Ela sentou prendendo a respiração, consciente de que ele estava atrás dela, desejando que fosse embora, desejando que ficasse. A pressão em seu peito e atrás de seus olhos aumentou até que ela não conseguiu aguentar mais.
— Sinto muito. — Disse ele.
E então ele se foi. Ela ouviu a porta da frente abrir e fechar e foi só então que ela deixou a primeira lágrima cair.