ANNA HAVIA ESCUTADO CERTA VEZ que, quando alguém encara a morte, sua vida passa diante de seus olhos.
Mas, enquanto estava na escuridão do Saguão Principal, com os olhos amarelos do lobo fixos nela, não era sua vida que passava diante de seus olhos – eram os detalhes do Saguão Principal. As cortinas vermelhas trêmulas que contornavam cada coluna. O brilho do varão da cortina à luz da vela. O calor da cera que pingava na sua pele. Ela percebeu tudo isso nos segundos que passaram até o lobo uivar. Então, ele a atacou.
Anna pulou para fora do caminho, fazendo as garras afiadas passarem bem ao lado dela. O lobo uivou frustrado e o som pareceu alcançar suas entranhas, mas ela conseguiu derrubar a vela, agarrar a cortina e puxá-la forte, deixando o varão da cortina cair e provocando um barulho alto ao bater no chão. Pegando-o, Anna correu, tropeçando em direção às portas, que pareciam tão distantes quanto a lua.
Um passo, depois outro, e então… ela tinha conseguido!
Depois de bater as portas, ela passou o varão da cortina entre as duas maçanetas, trancando-as enquanto o lobo jogava seu corpo pelo outro lado com toda a sua força.
TUM!
As portas chacoalharam, mas continuaram fechadas.
TUM! TUM! TUM!
Por quanto tempo o varão da cortina aguentaria? Anna nunca tinha visto um lobo tão grande. Ou melhor, ela vira, mas somente em… Algo remexeu dentro dela, algo que sabia que deveria examinar mais atentamente, mas o pequeno sentimento sobre o que podia ter trazido o lobo dos seus sonhos para o castelo teria que esperar até o momento que ela não estivesse correndo para se salvar.
– SOCORRO! – Anna gritou enquanto corria. – LOBO! LOBO GIGANTE, ENORME! NO CASTELO!
A única coisa que batia mais rápido do que seu coração era a insistente pergunta martelando no seu cérebro: O que fazer? O que fazer? O que fazer? Ela já enfrentara uma matilha de lobos antes, quando ela e Kristoff
viajaram pela Montanha do Norte para procurar Elsa. Mas Kristoff e Sven não estavam com ela agora. Precisava encontrar Elsa, rápido. Subiu as escadas no segundo grande saguão. Precisava de ajuda. Mas, assim que avançou pelo corredor que dava no quarto de Elsa, viu uma luz branca à frente. O lobo de alguma forma havia escapado do Saguão Principal!
Ela gemeu. Era como nos seus sonhos: um lobo do tamanho de um touro parecia enganá-la e fugir dela o tempo todo. Mas como? Ela sabia que lobos eram rápidos, mas eles não poderiam ser tão rápidos assim.
Ofegante, Anna girou e correu por outro corredor. Virou à esquerda, à direita e depois à esquerda de novo. Não sabia exatamente onde seus pés a estavam levando, mas percebeu que estaria perto do quarto de Kai se virasse à esquerda mais uma vez. Talvez pudesse se esconder lá!
Como administrador do castelo, Kai tinha um protocolo para tudo, desde o jeito correto de segurar uma xícara de chá até o exigente ritual de apagar as velas e os lampiões um de cada vez. Havia uma chance de ele ter um plano para caso um lobo entrasse no castelo. Um lobo! Um lobo! Um lobo! Sua respiração ficou curta e rápida. De algum lugar atrás dela, teve a impressão de ouvir um uivo. Só mais seis metros até chegar ao quarto de Kai… dois metros… trinta centímetros…
– KAI! – Anna lançou-se no quarto do administrador e trancou a porta atrás de si. Ela notou seu formato deitado na cama. – Kai, acorda! Tem um lobo no castelo! O que devemos fazer?
Mas o homem continuou imóvel.
Anna ficou inquieta. Não era como se estivesse fazendo silêncio. Na verdade, estava fazendo barulho demais. Por que Kai não acordava? Ela acendeu uma vela em sua cabeceira para ver.
Kai se virou e se enfiou embaixo da coberta, como se a luz estivesse perfurando seus olhos, e murmurou:
– Não, por favor… não!
Ele estava no meio de um pesadelo.
Anna sabia por experiência própria que ninguém deveria ser acordado no meio de um pesadelo.
Mas agora havia um lobo dando patadas na porta do quarto.
As regras não se aplicavam ali.
– Kai, acorde! – Anna chacoalhou o braço do administrador. – Por favor, por favor, por favor, acorde.
Kai abriu os olhos e Anna o encarou. Os olhos do administrador geralmente tinham o mesmo marrom esverdeado que as folhas caindo no outono ou córregos turvos. Mas, em vez de encontrar olhos castanhos e mornos, ela estava olhando dois poços de tinta. Suas pupilas haviam engolido suas íris, deixando seus olhos completamente pretos. Assim como os bois.
De repente, Kai se sentou ereto e gritou.
E gritou.
E gritou.
E gritou.
Ele gritou como se longas garras estivessem arrancando seu coração.
Como se dentes afiados estivessem rasgando sua pele. Como se estivesse sendo devorado vivo de dentro para fora.
Anna colocou a mão em seu ombro para tentar confortá-lo, mas ele não reagiu ao seu toque. Era como se ela fosse invisível. Kai não conseguia vê-la, não conseguia senti-la. Ele estava perdido.
As patadas do lado de fora ficaram mais altas. Mais furiosas. Mais desesperadas. À medida que os arranhões ficaram mais intensos, os olhos pretos de Kai mudaram novamente. Em um momento, eles estavam brancos e, no outro, estavam amarelos… e brilhando.
O coração de Anna parecia estar batendo na sua garganta e ela quase engasgou ao olhar para trás.
O que estava acontecendo?
O barulho de arranhão havia parado. Ou não? Anna não tinha certeza, já que os gritos de Kai continuavam a preencher o cômodo, fazendo-a tapar as orelhas. Ela precisava sair dali. Ela precisava encontrar Elsa, Olaf, Kristoff e Sven para avisar os outros. O povo de Arendelle estava em perigo. Esse era seu maior medo, pior do que seu pesadelo cheio de lobos.
Porque era real. Estava acontecendo. Como e por que, ela teria que pensar nisso mais tarde.
Anna deu um passo em direção à porta. Os olhos amarelos de Kai encararam algo através dela, como se estivessem presenciando horrores inimagináveis. Ela rastejou pelo chão e pressionou a orelha contra a porta.
Nada. Nem um piu. Mas e se o lobo estivesse ali fora, esperando em silêncio? Ou pior: e se ele não estivesse ali fora, e tivesse ido atrás das outras pessoas?
– ELSA! – O nome de sua irmã saiu de sua garganta enquanto ela destrancava a porta e corria do quarto de Kai, deixando-o ali, gritando e se contorcendo. – ELSA! ELSA! ELSA! – ela gritou.
Minutos antes, Anna havia sentido o silêncio de sua casa. Porém, agora ela não estava mais tão silenciosa. Agora Anna ouvia mais gritos ecoando pelo castelo. Gritos que ela reconheceu como os de Gerda. Anna teve o pressentimento de que se fosse atrás de Gerda seria tarde demais, e a mulher estaria com os olhos amarelos iguais aos de Kai. Ela soluçou.
– ELSA!
A porta do quarto de seus pais abriu com tudo e, um momento depois, Elsa apareceu no corredor, ainda usando seu vestido de trabalho, mas enrolada no cachecol de sua mãe, com olheiras enormes embaixo dos olhos. Olaf cambaleou atrás dela, usando um roupão amarelo felpudo com uma máscara de dormir na testa. Ele também segurava o globo de neve de antes.
– O que houve? – perguntou Elsa.
Ao ouvir o som da voz de sua irmã, Anna quase desabou, aliviada por Elsa não estar dormindo e gritando. E os olhos de Elsa estavam azuis – azuis como os seus, azuis como uma música.
– U-um lobo! – Anna disse de forma atabalhoada, abraçando Elsa e Olaf fortemente. – Lobo! Kai! Gerda! – ela suspirou e sufocou. – Olhos! Olhos amarelos brilhantes!
– Elsa – sussurrou Olaf –, o que ela fala não faz nenhum sentido.
Em seguida, Anna sentiu uma mão gelada em sua testa, enquanto a irmã verificava sua temperatura. Ao toque de Elsa, ela sentiu sua inquietação diminuir um pouco.
Ela não tinha certeza se era por causa da mágica da irmã, ou se era apenas porque o gesto era familiar e confortável, mas sentiu vontade de chorar. Sua mãe fazia o mesmo quando Anna acordava suada depois dos pesadelos horríveis que mancharam sua infância.
Anna conseguiu respirar fundo, estremecendo.
– É porque nada faz sentido! – Depois que eles correram para cima até a câmara do Conselho e trancaram as portas, Anna contou o que havia acontecido. A história saiu bagunçada, com detalhes fora de ordem. Elsa não a interrompeu. Ela a ouviu e, quando Anna terminou, acenou com a cabeça de maneira firme e compreensiva.
– Você tem certeza de que não foi apenas um pesadelo? – questionou Elsa.
– Parece que sim – disse Olaf, colocando sua máscara de dormir um pouco mais para cima.
Anna encarou Elsa.
– O quê? Não! Tem um lobo dentro do castelo!
Elsa esfregou suas têmporas.
– Está tarde. Vamos voltar para a cama.
– O quê? – Anna deu um salto para longe da irmã. – Vocês não acreditam em mim?
– Uma pergunta – Olaf destrancou a fechadura e espiou pela porta. – Lobos geralmente têm quatro patas, dois olhos e dentes grandes e afiados, certo? – Quando as irmãs assentiram, ele colocou a mão na boca e virou a cabeça. – Então eu tenho bastaaaante certeza de que devemos acreditar na Anna.
A porta se abriu com tudo, arrancando o roupão e a máscara de dormir de Olaf e derrubando o globo de neve com um estrondo. O lobo os havia encontrado. Seus ombros afiados projetavam-se para cima e para baixo enquanto ele se movia, parecendo uma criatura aterrorizante de carrossel.
Suas longas patas o traziam cada vez para mais perto, seguindo Anna, Elsa e Olaf enquanto eles recuavam e contornavam a grande mesa.
Antes que Anna pudesse gritar, uma parede de gelo surgiu do piso de madeira. Cristais pontiagudos atingiram o teto no centro do cômodo, formando uma grossa barreira protetora com Anna, Elsa e Olaf perto da porta e o lobo encurralado próximo à lareira. O suspiro de surpresa de Anna ficou branco em meio ao frio da mágica de Elsa.
– Agora você acredita em mim? – Anna perguntou para sua irmã.
Elsa a ignorou. Seus olhos varreram o cômodo.
– Precisamos encontrar…
Mas as palavras de Elsa foram cortadas.
TUM. TUM. RRRASG.
Linhas finas se espalharam pela parede de gelo enquanto o lobo dava patadas, arranhando-a com as garras. Era um barulho terrível, pior do que dentes raspando em um garfo, que, até então, Anna considerava o pior som que podia imaginar. A parede de gelo não estava aguentando. Estava rachando.
– Corram! – Elsa gritou, levantando os dois braços.
Anna não pensou duas vezes e Olaf já estava ao seu lado. Depois de correr pelas portas das câmaras do Conselho, eles chegaram até as escadas e desceram em direção à entrada principal que os levaria até a ponte do castelo. Mas, quando Anna e Olaf estavam quase no primeiro andar, dois pares de olhos amarelos brilharam na direção deles através das sombras, bloqueando o caminho até a porta. Kai. Gerda.
O estômago de Anna se revirou. Ela estava certa, mas ah! Como queria estar errada! O rosto amigável de Gerda agora estava repleto de agonia – seus olhos e boca estavam arregalados e redondos enquanto ela gritava e corria na direção deles, com algo brilhando na mão: uma tesoura de costura. E, ao lado dela, Kai segurava um atiçador em chamas.
– Apague o fogo. A casa está queimando – Kai resmungou, apontando o atiçador para eles como se eles fossem o fantasma o atacando. – Está queimando! – ele chorou.
– Bem, isso não pode ser um bom sinal – sussurrou Olaf enquanto Gerda dava um passo à frente abrindo e fechando a tesoura.
Seus olhos amarelos não eram humanos, eram outra coisa.
Predatórios.
Como os de um lobo.
É uma matilha de lobos, percebeu Anna, horrorizada.
De repente, eles ouviram um som de estilhaços, como se milhares de globos de neve tivessem se quebrado… ou um lobo enorme tivesse conseguido quebrar uma parede mágica de gelo. Um segundo depois, Anna ouviu os passos de sua irmã na escada atrás dela e de Olaf.
– CONTINUEM! – Elsa gritou para eles.
– Mas Kai e Gerda estão impedindo que a gente escape e possivelmente querem nos machucar! – Olaf gritou, escondendo-se atrás da capa de viagem de Anna e tentando se manter longe do atiçador quente.
– NÃO PAREM! – Elsa gritou.
Anna não sabia o que fazer. Kai e Gerda estavam bloqueando o único caminho para escapar do castelo, e um lobo enorme estava descendo as escadas na direção deles. A única opção que sobrava era descer – mas não havia saída do castelo na cozinha subterrânea e eles acabariam presos lá, ou pior, acabariam no quarto de gelo.
Espere. O quarto de gelo. Havia algo importante nele. Alguma coisa que Anna queria verificar… as plantas! As plantas que revelavam uma passagem subterrânea secreta cuja saída era fora do castelo.
– Elsa! – Anna gritou o mais alto possível. – Encontre-nos no quarto de gelo!
Anna e Olaf praticamente voaram pelo restante da escada com Elsa na retaguarda, enquanto o patamar da escada explodia com uma camada de gelo fina como um espelho, tornando mais difícil para a manada segui-los pela escada. Anna não se virou, nem mesmo quando ouviu dois baques e um escorregão, que ela imaginou serem Kai e Gerda escorregando no gelo, incapazes de segui-los.
Mas isso não impediu o lobo, com suas enormes garras em forma de ganchos, de passar pelo gelo.
Anna, Olaf e Elsa continuaram correndo escada abaixo. Eles invadiram a cozinha e perceberam que não estavam sozinhos.
Kristoff estava sentado no meio do cômodo, na grande mesa, comendo um sanduíche. Pelo número de migalhas espalhadas à sua frente, não era o primeiro sanduíche da noite.
O alívio tomou conta de Anna: Kristoff tinha voltado e estava bem!
Anna olhou atentamente para todos os detalhes. O cabelo loiro de Kristoff estava embaraçado, como se ele tivesse passado a noite na floresta ou nas montanhas. Sua mochila de viagem estava remendada, lanterna e picareta ainda penduradas em seus ombros, como se ele estivesse com fome demais para esperar mais um segundo. Sven mastigou fazendo barulho, feliz, enquanto enterrava o focinho em uma bolsa cheia de cenouras. Eles deviam ter acabado de voltar do Vale das Rochas Vivas. O pavor colidiu com o alívio. Pavor porque ela pensou – ela esperava além da esperança – que Kristoff e Sven estivessem muito, muito longe do castelo e a salvo em algum lugar da floresta. Alívio porque ela não teria que enfrentar esse pesadelo sem ele. Kristoff olhou para cima e uma migalha caiu de seu queixo.
– Oi, Kristoff! – Olaf correu para a cozinha e passou rápido pela mesa. – Tchau, Kristoff!
– CORRA! – Anna gritou, correndo em sua direção. Com uma mão, ela segurou o cotovelo de Kristoff e o puxou para perto.
– Ufêê? – ele perguntou, com a boca cheia de sanduíche.
Mas Anna não tinha tempo para explicar, porque o lobo estava ali, dentro da cozinha. Embora fosse impossível – tudo isso era impossível! –, o lobo parecia ter crescido um metro desde que o viram no segundo grande
saguão. Seus ombros rasparam nas laterais da porta enquanto o animal entrava no cômodo, com os olhos brilhando e babando uma gosma grossa.
Kristoff derrubou seu sanduíche no chão.
– UFÊÊÊÊ? – ele gritou.
Agora os cinco – Sven, Elsa, Olaf e Kristoff, com a Anna na liderança – corriam para o fundo da cozinha, em direção à porta que levava até o quarto de gelo. Anna abriu a porta pesada e a segurou para Kristoff, Olaf e Elsa entrarem correndo. Mas onde estava Sven? Olhando para trás, o coração de Anna parou.
O medo parecia ter tomado conta de Sven. Ele continuava parado, com uma cenoura na boca, enquanto o lobo se aproximava dele, virando a grande mesa de madeira e fazendo um barulho horrível das suas patas contra a pedra.
– Sven! – Anna gritou. – Corra!
Mas era como se Sven não pudesse ouvi-la. Em vez disso, seus olhos continuaram fixos nos olhos brilhantes do lobo. Ele levantou um casco e deu um passo… em direção ao lobo.
– SVEN! – Kristoff berrou por cima dos ombros de Anna.
Ao som da voz do seu melhor amigo, a estranha hipnose do lobo sobre Sven pareceu acabar. Sven cambaleou para trás, tropeçando em seus cascos enquanto torcia seu quadril e tropeçava na saída, dando tempo suficiente para Anna fechar a porta no focinho molhado do lobo. Sven tremeu ao lado dela, nervoso, mas a salvo, e Kristoff jogou os braços ao redor dele. Elsa soltou uma rajada de gelo para segurar a porta e, ao acenar com a mão, mais ou menos trinta blocos de gelo derraparam no chão de pedra e pararam na frente da entrada, como medida de segurança. Mas seria o suficiente?
Ofegante, Elsa colocou uma mecha solta do cabelo atrás da orelha.
– Pode ser um lobo estranho com olhos amarelos e brilhantes, mas ele vai ter dificuldade para passar pelas pedras e pelo gelo!
O barulho do lobo arranhando a porta e dando patadas contra ela indicaram que a criatura não estava conseguindo avançar.
– E agora? – Elsa perguntou, analisando o cômodo. – Por que queria a gente aqui?
– Um segundo! – Anna disse, fechando bem os olhos, não só para afastar a imagem mental do lobo caçando-os, mas para tentar lembrar o
que as plantas diziam sobre a entrada da Passagem dos Gigantes da Terra.
Algo sobre três lajotas…
Ela contou três lajotas para dentro, duas na horizontal, e correu para uma no meio do cômodo. Quando se ajoelhou e colocou os dedos nas bordas da pedra, torceu com todas as forças para que as plantas estivessem completas, para que não fossem somente um desejo fantasioso de seu heroico avô rei Runeard, que construíra o castelo.
Prendendo a respiração, Anna puxou e a lajota se soltou, revelando degraus de pedra que conduziam à escuridão.
– Isso! – Sorridente, ela apontou para a entrada. – Olaf, primeiro você!
– Oh, mal posso esperar para ir para algum lugar diferente! – disse ele, mexendo os braços de forma animada.
Auuuuuuuuuuuuuuuuu! O som do uivo do lobo pareceu passar através deles, torcendo e envolvendo Anna por todos os lados.
– Eu primeiro! – Olaf desceu os degraus.
Cobrindo as orelhas para abafar o uivo, Anna o seguiu, junto de Elsa e Sven. Kristoff foi por último e, ao descer as escadas, puxou a lajota de volta no lugar certo, deixando tudo escuro lá embaixo. Por um momento, Anna ficou atenta à respiração de todos e se perguntou se eles conseguiam ouvir seu coração batendo.
– O que era aquilo? – Kristoff finalmente sussurrou.
Ninguém respondeu, mas Anna sabia.
Não era apenas um lobo.
Era um pesadelo.
O pesadelo dela.
E estava vindo atrás deles.