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— Capítulo 4 -

No documento Quando o Coração Manda (páginas 26-33)

ESCÂNDALO E DISSIMULAÇÃO

André comenta com seus pais sua intenção de se casar com Celina. O escândalo, no entanto, já se espalhara pela cidade. Celina visita Mário no hospital e oferece sua casa para ele convalescer. Mesmo sendo contra, seus pais permitem isso.

A cabeça doía-lhe terrivelmente e o estômago recusava-se a aceitar o café quente que em vão André tentava engolir. A noitada fora uma fuga total e o arrependimento vinha em forma de ressaca. Depois de fazer amor com Joana, saíra e fora para uma boate, onde bebera além da conta.

Levantou-se e foi ao banheiro. No armário de parede, apanhou um comprimido antiácido. Examinou-se ao espelho, espantando-se com a pele macilenta e pálida, parcialmente coberta pelos fios da barba por fazer. Examinou os olhos avermelhados e a língua. Colocou o comprimido num copo e encheu-o de água, tomando-o em goles pequenos e acompanhados de caretas.

— Veio tarde hoje, filho — observou o pai que chegava naquele momento para o almoço.

— É, encontrei uns amigos...

— Conversa vai, conversa vem, aquela velha história, não é?

André riu em resposta à observação do pai.

— Cadê a mamãe? — indagou.

— Deve ter ido ao cabeleireiro, ou a qualquer outro lugar semelhante. Vamos almoçar?

— Acabei de tomar um café agora — apressou-se em dizer. — Estou sem estômago para engolir alguma coisa.

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— Viu a namorada ontem? — indagou-lhe o pai, enquanto se dirigiam à sala de refeições.

— Vi, vi sim — respondeu o jovem, sem vontade de falar sobre o assunto, lembrando-se da garota e da noite anterior.

— Como está ela?

— Ótima, muito bem mesmo. E os negócios? — Perguntou ele, procurando mudar o rumo da conversa.

— Tudo correndo às mil maravilhas. Mas venha, faça-me companhia enquanto almoço — insistiu o homem.

— Não vai esperar mamãe?

— Tenho que voltar ao trabalho. E depois, seria uma tolice muito grande. Sua mãe, assim como eu, está envelhecendo. E as mulheres são vaidosas por natureza, não admitem perder a beleza e a elasticidade. Estão sempre procurando evitar a ação do tempo. Vive agora atrás de salões de beleza, cabeleireiros, regimes mágicos, cremes fantásticos, ginásticas especiais, essas coisas todas. Basta surgir alguma novidade no canal de compras para ela encomendar. Procura a todo custo recuperar o que vai perdendo dia após dia.

— Você disse isso num tom de voz irritado, pai. Isso o desagrada tanto assim? — observou o rapaz.

— Se você soubesse o quanto ela gasta por mês em tudo isso, compreenderia a razão da minha irritação.

— Imagino! — concordou o rapaz, tentando visualizar o que seria do corpo atualmente jovem, elástico e cheio de beleza de Celina, dentro de vinte anos.

E o que seria o dele próprio? Um próspero engenheiro, barrigudo como o pai?

— A mesada que lhe mando tem sido suficiente? — indagou-lhe o velho, já à mesa, servindo-se.

André sentou-se também, mas não comeu nada. Ficou bebericando um copo de água gelada, sentindo enjoo a cada vez que olhava para os pratos servidos.

— Tem, sim — respondeu ele. — Tenho até economizado.

— Economizado? Economizado para quê? Pretende comprar outro carro? Um apartamento? O que, afinal?

— Espere aqui, vou lhe mostrar — disse o rapaz, levantando-se e indo-se até seu quarto.

Ao apanhar a caixinha com as alianças, seu coração pesou oprimido por uma desagradável sensação. Abriu a pequena tampa e ficou imaginando o faiscar das joias contra a claridade, imaginando se iria realmente colocar aquilo um dia na mão de Celina.

Seria ela digna de usá-la? Voltou lentamente para a sala exibindo a caixinha ao pai, todo orgulhoso, mas com um sorriso melancólico pairando no canto dos lábios.

— Um par de alianças? Quer dizer que pretende ficar noivo?

— Sim, acho que sim.

— E por que não me avisou antes? Eu teria providenciado algo menos discreto e mais adequado aos dias de hoje.

— Foi justamente por isso que preferi fazer assim. Quis escolher eu mesmo. Se deixasse por sua conta ou por conta de mamãe, teriam

28 comprado uma joia que Celina não teria coragem de usar, de tão cara que seria. Eu quis assim, pai.

— Bom rapaz, eu orgulho-me de você — disse o homem, levantando-se para abraçar o filho.

— Posso saber o motivo dessa confraternização? — perguntou a mãe do rapaz, chegando naquele momento.

— Nosso filho pretende entrar para o rol dos homens sérios.

— Verdade, André? Quem é ela?

— Celina, não é mãe? Quem poderia ser?

— Celina? — retrucou a mulher, fazendo morrer o sorriso de alegria que ostentava nos lábios desde que chegara, franzindo a testa e revelando toda a sua preocupação.

— O que houve mulher? Não gostou da notícia? — repreendeu-a o esposo.

— Celina? — a indagou novamente. — Mas logo ela?

— O que há mãe?

— Celina é o nome que circula na manchete do dia dos escândalos sociais, conhecidos em todos os cabeleireiros e casas de moda chiques — explicou ela.

— Por quê? — interpelou-a o marido. — Você sabe de alguma coisa, André? — perguntou ao filho.

— Sim, já fiquei sabendo — respondeu ele com tristeza.

— E pretende ser noivo dela apesar de tudo?

— Alguém quer me explicar o que está acontecendo?

— Vocês estão aí trocando palavras e não me dizem nada — reclamou o pai.

— Acho bom você nem ficar sabendo — alertou-o a esposa.

— Não, mãe. Acho melhor contar — contrariou-a o filho.

— O que houve, afinal de contas?

Em rápidas palavras, mas não sem dar um pouco de suspenso em tudo que dizia, a mulher explicou ao marido todos os acontecimentos ocorridos na noite anterior, envolvendo Celina e o rapaz desconhecido. E finalizou afirmando:

— Se houve ou não alguma coisa naquela barraca, é coisa que André deve verificar muito bem e se assegurar de que escolheu a mulher certa. Não concorda comigo?

O pai ficou pasmo, olhando o filho, sem saber o que dizer.

— E então, o que me aconselham fazer? — perguntou o jovem.

— É um problema que você mesmo terá que resolver — disse-lhe a mãe. — O simples fato de tudo isso ter acontecido, porém, é um alerta que você deve examinar com muito cuidado, antes de tomar qualquer decisão. Não vou aconselhá-lo a precipitar-se e desmanchar o namoro, afastando-se dela. Não posso, também, aconselhá-lo a agir como se nada disso tivesse acontecido. Não sei mais o que posso lhe dizer. É o escândalo do momento.

— Está bem, mãe. Obrigado a vocês dois. Vou pensar muito bem no assunto.

Prometo que resolverei tudo da melhor maneira — disse ele, fechando a caixinha de alianças e colocando-a no bolso, imaginando se a retiraria dali um dia para colocar uma das alianças na mão de Celina, a quem adorava e de quem desejava nunca ter que se

afastar.

29 Assim que Mário se viu novamente só, assaltou-o o desejo de olhar-se num espelho, mas, como havia recebido alguns sedativos, foi tomado de uma sonolência que em poucos instantes o fez adormecer. Seu sono foi agitado, talvez pelas dores que sentia, mas já não com a intensidade dos primeiros momentos. Quando acordou, foi com espanto que percebeu um vulto de mulher debruçado sobre ele. A princípio não a reconheceu. Após algum tempo, pôde visualizar o rosto de Celina, olhando penalizada para ele. Ela esboçou um leve sorriso que ele tentou retribuir. Celina passara um longo tempo em sua casa, tentando se decidir a visitar ou não o rapaz e tomar conhecimento de sua real situação.

Chegar ao hospital fora fácil. O difícil para ela fora tentar encontrar o que dizer ao rapaz para se desculpar. O silêncio seria embaraçoso demais para que pudesse suportar.

Ao vê-lo adormecido, quando se decidiu finalmente a entrar, com uma máscara de medicamentos cobrindo-lhe o rosto, o sentimento de culpa que nutria dentro de si fez acelerar-lhe o coração e lágrimas brotarem furtivas, expressando seu desespero. A lembrança do quanto era belo aquele rosto a fez sentir-se a mais miserável das mulheres.

Se conhecesse, porém, quais foram os motivos que levaram o rapaz a sua barraca na noite anterior, talvez não se sentisse daquela forma. O que sabia, no entanto, era que ele apenas tentara roubar-lhe um beijo e, por isso, ela havia imposto a ele, embora involuntariamente, um castigo maior que a culpa.

Não pensara em André e nem o participara de sua decisão. A cena de ciúme da noite anterior dava-lhe a entender que de modo algum o rapaz permitiria aquela visita. Sabia que estaria magoando-o profundamente, mas precisava desculpar-se, livrar sua consciência de um fardo pesado demais para sua sensibilidade. Quando Mário abriu os olhos e finalmente percebeu a presença da garota, sentiu-se satisfeito. Entendeu que não se enganara. Celina era uma garota sentimental e sensível. Imaginava que ela se sentiria culpada pelo acidente. O importante era fazer dos sentimentos da garota uma arma a ser utilizada contra ela própria.

Dissimulando todo seu ressentimento, cumprimentou-a cordialmente, esforçando-se em parecer sincero e convincente.

— Olá! Que bom que você veio.

— Olá! — respondeu ela, timidamente.

— Não está assustada com a minha aparência?

— Não, não estou. Você me parece ótimo.

— Bondade sua. Quero agradecer-lhe — disse ele, após uma pausa, quando então procurou demonstrar que sentia dores horríveis, tentando impressioná-la mais do que já estava.

— Agradecer-me? Por quê? — indagou surpresa.

— Por ter tido tantos cuidados comigo, após tudo que lhe fiz.

— Você não me fez nada.

— Estava abusando de sua generosidade. Deixei-me levar pelas aparências, fazendo um péssimo julgamento de você.

— Falsas aparências? Péssimo julgamento? Como assim?

— Desculpe minha sinceridade, mas achei que, pelo fato de você haver permitido

30 que eu ficasse em sua barraca, você fosse uma garota fácil, entende?

— Sim, compreendo. Perdoe-me por tê-lo decepcionado.

— Não me decepcionou. Fez-me acreditar novamente na existência da generosidade, do verdadeiro espírito de fraternidade.

— Fiz o que qualquer outra pessoa faria — falou ela, recordando-se do impacto causado pela visão daquele rosto lindo e todo molhado naquela noite, quando ele entrara em sua barraca.

— Não, você está só sendo gentil. Se fosse outra garota, teria gritado me mandado embora, sei lá. O fato é que percebi tarde demais que você era apenas uma boa moça, desinteressada e generosa.

Mário falava observando o efeito de suas palavras na garota. De um estado de visível tensão, ela se tornava cada vez mais descontraída, crendo realmente na sinceridade do que lhe era dito.

— Você faz tudo parecer culpa sua — observou ela.

— Não, por favor — disse ele, colocando a mão sobre a dela, num gesto estudado, mas que passou por espontâneo e involuntário.

O contato daquela mão quente sobre as sua fez Celina estremecer. A figura de André, seus beijos, a saudade, seu ciúme, tudo desfilou em sua mente, como coisas a que quisesse se apegar para não se deixar levar por um perigo ainda inconsciente. Mário percebeu sua reação e ficou mais satisfeito ainda. Celina estava muito abalada com os acontecimentos.

Não seria difícil para ele vencê-la.

— Perdoe-me — apressou-se ele em dizer, assim que Celina teve consciência daquele gesto.

— Oh, não foi nada — respondeu ela, mas sua voz tremia.

— Você é sempre tão gentil assim? — o comentou.

A garota sorriu em resposta. Agradava-lhe os modos do rapaz, a maneira de encarar o desagradável incidente que os aproximara.

— Falando sério, agora — continuou ele, voltando a segurar uma das mãos de Celina, que não esboçou nenhum gesto para impedi-lo. — Quero que me perdoe, sinceramente, de todo coração.

— Perdoá-lo? Por quê? — surpreendeu-se ela.

— Por tudo que lhe fiz, por pensar mal de você, por abusar de sua hospitalidade...

— Quem deve se desculpar sou eu...

— Não, você não.

— Eu, sim — falou ela. — Fui precipitada, não medi as consequências de meus atos.

Na verdade, ontem, não me desagradava a ideia de beijá-lo também. Mas você... Você foi tão precipitado — acrescentou ela, tentando ser agradável para com o rapaz, certa de que, no fundo, não estava mentindo, apesar de que, analisando friamente, aquilo lhe parecesse um absurdo.

Mário praguejou em pensamentos, amaldiçoando sua falta de tato, que o fizera perder a oportunidade na noite anterior. Tanta coisa teria sido evitada, tanta coisa poderia ter sido usufruída. Celina, já mais calma, meditando no que havia dito, tentou consertar.

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— Não vá me julgar mal por ter-lhe dito isso — pediu ela.

— Não se preocupe. Acho-a cada vez mais maravilhosa.

— Sua família já foi avisada? Esqueci-me desse detalhe ontem.

— Não se preocupe uns amigos meus já providenciaram isso.

— O que o médico falou sobre seu rosto? — a indagou, como que se livrando de algo desagradável.

— Não foi assim tão grave. Em pouco tempo estarei bom novamente. Pena que terei que sair do hospital, mas o médico me disse que não poderei viajar. Não sei o que farei — comentou-o, apelando para a bondade da garota sutilmente.

— O que acha de convalescer em minha casa? — a indagou, tentando ser mais uma vez agradável, sem refletir nas consequências que poderiam advir daquele convite.

— Em sua casa? — o retrucou, tentando parecer surpreso, pois já esperava que ela imediatamente o convidasse.

— Sim, em minha casa — insistiu ela.

— Não sei se devo...

— Deve, sim. Afinal de contas, sinto-me culpada por tudo que lhe aconteceu. Deixe-me ajudá-lo, por favor.

— E seus pais? O que dirão eles?

— Não se preocupe com isso. Eles concordarão.

Na verdade, o principal problema da garota não era aquele. Difícil seria explicar tudo aquilo a André. Tremeu só de pensar nisso.

André, naquele momento, conversava com o médico, seu amigo, sem saber que Celina se encontrava no hospital. Falavam a respeito de Mário. Ele estava curioso para saber o estado do paciente.

— Após o exame inicial, não se podia ter realmente uma boa perspectiva do caso — explica o médico. — No exame realizado hoje, porém, contatei que não houve gravidade.

O máximo que poderá acontecer são pequenas marcas, na testa, principalmente, mas quase imperceptíveis.

— Não haverá, então, perigo de uma deformação?

— Não, de modo algum.

— E quando ele poderá deixar o hospital? — indagou o rapaz, ansioso por se ver livre do outro.

No fundo, o pressentimento de que Mário representava uma ameaça tornava-se cada vez mais consistente. Perder Celina era coisa que André não desejava e tudo faria para evitá-lo.

— Talvez amanhã. Não há gravidade. Ele só terá necessidade de um pouco de repouso e curativos periódicos que ele mesmo poderá fazer, pois é só aplicações de uma pomada apropriada.

— Alguma coisa sobre a família dele?

— Não, ninguém veio visitá-lo. Apenas dois outros rapazes, amigos dele. Trouxeram seus documentos para o preenchimento da ficha de internação. Vinte anos, estudante ainda, reside em Assis...

— Ele poderá viajar assim que sair do hospital?

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— Sim, desde que proteja as regiões mais afetadas.

— E as despesas do hospital?

— O Monteiro, pai de Celina, se prontificou em pagá-las. Não sei qual o envolvimento dele no caso...

— O rapaz é um amigo de Celina — mentiu ele.

— E sobre os amigos dele, sabe onde poderei encontrá-los?

— Não, não sei, mas me parece que voltarão aqui ainda hoje.

André pensou no assunto. Precisava descobrir mais alguma coisa sobre o rapaz, antes de tomar qualquer atitude. Sabia, no entanto, que precisava afastá-lo de Celina, pois do contrário estaria ameaçado de perdê-la. O ciúme dominava seus pensamentos e ele não conseguia raciocinar de outra forma. Resolveu, portanto, ficar nas imediações do hospital até descobrir os dois amigos que lhe poderiam ser úteis.

Celina já havia retornado a sua casa. Encontrava-se em seu quarto. Havia tomado um rápido banho e estava tentando encontrar as palavras certas para contar a seus pais sobre o convite que fizera a Mário. A primeira reação deles sabia ela seria contrária àquilo.

Confiava, porém, na bondade dos pais e esperava convencê-los a aceitar o fato. Outro problema, porém mais grave, seria enfrentar André. Celina não conseguia encontrar um argumento que pudesse convencer o namorado. Encontrava-se, na verdade, um tanto desorientada, talvez reflexo emocional da situação que se vira obrigada a enfrentar. Seus nervos estavam à flor da pele. Seu raciocínio era lento e desconexo, às vezes. O que ela precisava era de descanso.

— Você não vai desfilar amanhã? — indagou Zezé, entrando no quarto, vestida de baiana.

— Eu ainda não sei. E você, vai a algum baile de fantasia?

— Não, isso faz parte da apresentação que vamos fazer durante o desfile. Vamos representar todos os estados e territórios.

— Papai e mamãe estão aí?

— Mamãe está papai ainda não chegou, mas já está quase na hora de ele vir. Por quê?

Celina não respondeu. Terminou de vestir-se e foi para a sala, onde encontrou sua mãe.

— E então, filha? Vai desfilar amanhã?

— Não me sinto realmente bem, mamãe — disse ela, sentando-se ao lado da mãe no sofá. — Estou um pouco abalada ainda...

— Posso imaginar.

— Mãe — disse, enquanto estalava os dedos das mãos — Convidei o rapaz para ficar aqui em casa por uns dias, até melhorar.

— Aqui em casa? Você está ficando doida?

— Eu acho que devo isso a ele.

— De modo algum, filha. Depois daquilo que ele fez você não deve nada. Já basta a despesa do hospital que seu pai vai pagar.

— Mesmo assim, mãe. Ele não tem para onde ir...

— Nós nem conhecemos o rapaz ainda! — protestou a mãe.

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— Nem por isso. Ele me pareceu muito agradável, educado, atencioso e gentil.

— Pois sim! O que André pensa acerca do assunto?

— André? Depois eu explicarei isso a ele.

— E você acha que ele vai concordar? Pois devia pensar melhor no assunto. Essa sua atitude vai desagradá-lo muito. Acho-o muito bom, não creio que mereça isso. Fiquei sabendo pelo seu pai a cena de ciúme de ontem à noite. E se ele terminar o namoro?

— Não fará isso, mãe — disse ela, mas sem muita convicção.

As palavras da mãe a fizeram refletir melhor sobre o assunto. Talvez não tivesse sido uma boa medida haver convidado Mário para ficar em sua casa.

Os pensamentos se embaralharam em sua cabeça. Seu pai chegou naquele momento e sua mãe o pôs a par da decisão tomada pela jovem.

— Não creio que seja ponderado fazer isso, filha.

— Mas eu já convidei o rapaz, pai.

— Pode cancelar o convite.

— Vai ficar chato se eu voltar atrás.

— Posso dizer que você não está sendo coerente, filha? E depois creio que André merece mais consideração. Isso vai ser uma grande desfeita para ele.

— Eu me entenderei com André, pai.

— Vai ser desagradável, tanto para mim como para sua mãe, conviver com aquele rapaz. Minha vontade a todo instante vai ser esmurrá-lo e você tem que me dar razão. Não espere que eu seja gentil para com ele.

— Quer dizer que concorda?

— Pode se dizer que sim, mas que ele se comporte e que, assim que estiver melhor parta desta casa. Terei o prazer de enxotá-lo daqui se ele me der chance — disse o homem, severamente.

Faltava convencer André. Isso deixava a garota realmente preocupada. Amava-o e sabia que isso iria feri-lo profundamente, por isso desejou ser coerente e voltar atrás com aquele convite.

Celina perceberá a tempo que está sendo manipulada por Mário ou vai pôr fim em seu namoro com sua decisão? Até onde Mário poderá ir com sua ideia de vingança? André vai assistir impassível ao fim do seu namoro?

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