ANNA OUVIU O SOM de sinos e passos em algum lugar do castelo.
O dia havia amanhecido, iluminando seu rosto com a luz do sol do outono. Mantendo os olhos fechados, Anna alongou-se, aproveitando o conforto da sua manta e a maciez de seu travesseiro. Só por mais alguns minutos. Ela podia esperar antes de procurar Elsa, perguntar mais sobre as cabras dos Westen e contar para ela o que encontrara no livro de sua mãe.
Afinal, ela estava tão confortável que seria um crime levantar e…
Seus pensamentos foram interrompidos de repente.
Os segredos dos detentores de magia. O livro com feitiços. O livro com uma possível cura para os animais.
Anna cambaleou e abriu os olhos, ofuscados não pela luz do amanhecer, mas pelo sol do meio da manhã. Tinha dormido demais novamente!
Mais rapidamente do que Sven mastigando uma cenoura, Anna pulou da cama antes mesmo de sair de baixo da manta. Pegou o livro e, com o cobertor batendo atrás de si, correu pelo quarto e pelas escadas. Sem bater, abriu a porta do antigo quarto de seus pais. A cama estava feita, as cinzas estavam frias na lareira.
Claro, sua irmã estava acordada havia horas. Elsa, por algum motivo estranho, gostava das manhãs. Dizia que se sentia fresca como a neve, enquanto Anna se sentia fresca como excremento de galinhas. Uma dor de cabeça martelou suas têmporas. Mesmo que tivesse dormido demais, seu sono foi agitado, como se tivesse demorado muito tempo para relaxar depois de acordar do pesadelo da sua infância.
Pense. Onde Elsa estaria a essa hora do dia? Depois de rodar pelo quarto, Anna atravessou rapidamente o corredor para espiar os cômodos que estavam com as portas abertas. Elsa não estava na livraria nem na câmara do Conselho. Talvez na galeria de retratos? Anna desceu as escadas correndo, fez uma curva no patamar da escada e trombou em algo morno e sólido.
Então, caiu para trás, esparramando-se no chão. Uma dor maçante tomou conta das suas costas, mas felizmente a maior parte do impacto foi amortecida pelo tapete. Ai.
– Ei! – a parede morna resmungou de cima. – Olhe por onde anda!
– Você deveria olhar por onde anda! – Anna respondeu e se arrependeu em seguida. Isso não era algo que alguém que deseja ser embaixadora real de uma grande viagem régia deveria dizer. – Sinto muito – acrescentou, olhando para cima para ver o rosto velho e enrugado de Madame Eniola a encarando.
– Anna! – Madame Eniola fez uma reverência, sua longa saia marrom contrastando com o pacote de fitas brancas que ela segurava nos braços. – Sinto muito, não reconheci você… – Ela a olhou de cima a baixo – Vestindo sua manta?
Anna encolheu-se, envergonhada. Embaixadores reais provavelmente também deveriam se vestir de maneira adequada antes de continuar suas importantes missões. Além de pentear os cabelos. Seu cabelo não parecia muito um cabelo, mas sim um ninho de passarinho.
– Tudo bem – Anna ficou em pé. – Eu deveria prestar mais atenção. – Como sempre. Ela se enrolou em sua manta e torceu para parecer mais digna do que sua camisola verde e amassada e seus pés descalços.
Anna conhecia Eniola como uma das novas aldeãs que tinham se mudado de Tikaani para Arendelle e, mais especificamente, era ela quem lhe ensinara o hino nacional de Tikaani. Eniola morava em um chalé confortável no subúrbio das terras agrícolas. De queixo erguido, Anna perguntou:
– O que a traz ao castelo, Madame Eniola?
Eniola suspirou e as rugas de seu rosto, que tinha mais linhas do que as cartas náuticas do rei Agnarr, se multiplicaram quando ela franziu o cenho.
– Estou aqui para falar com a rainha. – Ela apertou os lábios. – Todos nós estamos.
Anna arqueou uma sobrancelha.
– Nós?
Eniola deu um passo para trás e revelou a fila de aldeões fora do Saguão Principal encarando Anna. Ela reconheceu vários de seus amigos – o doceiro, o fazendeiro, o acendedor de lampiões, o moleiro, as duas ferreiras e vários outros. Vários, vários mesmo.
Os olhos de Anna se arregalaram quando ela viu que a fila de aldeões se estendia desde o Saguão Principal até o segundo grande saguão e até a galeria de retratos. A boca de Anna ficou seca e ela limpou a garganta.
– Por que precisam ver Elsa? É… a rainha Elsa? – perguntou.
Eniola segurou seu pacote de fitas, que agora Anna percebia não serem fitas. Eram ramos de trigo, só que em vez dos ramos longos e dourados que Anna costumava ver pela janela da torre, esses eram pequenos e brancos – estavam mofados e podres, e eram reconhecidos apenas em razão dos grãos nas pontas. Enquanto Anna olhava, algumas sementes viraram pó branco. Primeiro, os animais; agora, as plantações. O que estava acontecendo?
– Acordamos hoje de manhã e estava tudo assim… tudo! – Eniola disse.
Os aldeões resmungaram concordando atrás dela.
Anna precisava avisar Elsa sobre os aldeões exatamente naquele instante.
– Com licença – Anna desviou o olhar do punhado de trigo nos braços da Madame Eniola e correu pelas escadas em direção ao Saguão Principal.
– Com licença, estou passando!
A fila se abriu para Anna e, enquanto caminhava, viu que cada pessoa segurava elementos brancos iguais aos que Madame Eniola exibia. As abóboras, que geralmente eram da cor do pôr do sol, tinham grandes manchas espalhadas, e as maçãs, geralmente vermelhas, redondas e crocantes, pareciam ter a mesma consistência que massa crua. Por toda a fila, Anna via palhas de milho secas, batatas com manchas brancas e cenouras tão pálidas quanto creme. Cada plantação, cada vegetal, cada grão que Anna podia imaginar estava destruído. Podre.
A ferrugem branca.
Anna acelerou o passo. Depois de passar por uma mulher que parecia atormentada, ela finalmente chegou ao Saguão Principal.
O local, como seu nome já dizia, era exatamente isso: o principal. Era o maior cômodo do castelo, com janelas altas e um lustre brilhante, capaz de acomodar cem lordes e damas dançantes, o trono de Elsa e uma enorme fonte de chocolate, tudo ao mesmo tempo. Certa vez, montaram ali dentro um rinque de patinação quando uma tempestade de inverno ameaçou acabar com a competição anual de dança no gelo.
Mas agora, pela primeira vez, o Saguão Principal parecia pequeno. A fila única que atravessava a galeria de retratos não a preparou para a quantidade avassaladora de pessoas que enchiam o local. Mesmo o dia mais agitado de que ela conseguia se lembrar – logo após a coroação de Elsa, quando todo mundo queria ver seu novo mágico soberano – não
estava tão cheio assim. Ou talvez estivesse, mas a felicidade não ocupava tanto espaço quanto o medo. O medo tomava conta do saguão, tão grande e presente quanto um dos Gigantes da Terra dos contos de sua mãe. As vozes em torno de Anna pareciam apertadas, como se fossem se quebrar a qualquer momento.
– Tudo se foi! Está tudo arruinado!
– Meus bois! Eles não acordam!
– Nunca vi isso antes! É como se a terra estivesse torta!
– Você acha que tem a ver com Northuldra?
– Não – alguém resmungou. – O rei Runeard, que ele descanse em paz, certificou-se de que eles não incomodariam Arendelle novamente.
– E os animais…
Anna ouviu um barulho estranho vindo de fora. Parecia uma mistura de crianças aprendendo a tocar violino e sons de um zoológico. Ao espiar pela janela, ela suspirou. O pátio estava tão cheio quanto o Saguão Principal, cheio até transbordar de fazendeiros e animais. As ovelhas pareciam perdidas de seus pastores, e os cães pastores, geralmente tão cuidadosos, estavam distraídos, seguindo algo no ar que mais ninguém enxergava. Todos os animais pareciam fantasmas ambulantes, e seus pelos e couro tinham aquele mesmo tom sedoso, amarelo esbranquiçado. E, enquanto Anna observava, uma vaca e dois cavalos se ajoelharam no chão, seus olhos tão grandes e pretos quanto pedaços de carvão, bocas abertas e línguas de fora, até que, de repente, caíram no sono.
O estômago de Anna se revirou.
– Com licença – ela disse várias vezes enquanto tentava chegar na frente do saguão, diante do trono onde Elsa deveria estar. Pessoas a seguiram resmungando enquanto ela abria espaço no meio da multidão, e mais de uma vez ela teve que puxar sua manta de baixo da bota de alguém.
Com um último empurrão, ela chegou ao trono e ficou aliviada ao ver Elsa parada lá, assim como Wael, o jornalista local, que gritava:
– Isso não vai nos ajudar!
– Wael – Elsa disse –, se você só…
– Ah-hum! O inverno está chegando rapidamente. – Os dedos manchados de tinta de Wael gesticulavam em desespero. – Não teremos nada para comer! Merecemos respostas, e é sua responsabilidade como rainha nos dar respostas e cuidar do seu povo! Não temos comida suficiente para a semana inteira!
Um silêncio pairou sob o Saguão Principal quando ele falou.
Elsa continuou em pé, sem recuar, mas Anna conhecia a irmã. Ela podia ver o brilho em seus olhos. Não era só gelo que brilhava à luz de velas.
Lágrimas também.
A raiva tomou conta de Anna.
– Não fale assim com a minha irmã! – ela explodiu quando chegou ao lado de Elsa.
– Anna – Elsa disse, em voz baixa. – Está tudo sob controle, está tudo bem…
Anna olhou feio para Wael.
– Não, não está!
O homem olhou feio para ela também.
– Elsa está fazendo o melhor que pode – Anna continuou. As palavras saíam rápidas e furiosas. – Ela tem um plano! Ela vai consertar tudo antes de partir para a grande viagem!
Ao lado dela, ouviu a respiração de Elsa.
– Anna…
– Isso é daqui a três dias – disse uma aldeã cansada, com os braços cheios do que Anna imaginava ser abobrinhas, mas que agora pareciam mais lesmas brancas. – A rainha realmente consegue…
– Anna – Elsa tentou de novo.
Mas Anna não ouviu. Ela ia proteger sua irmã. Elsa podia ficar lá ouvindo todos duvidarem dela, mas Anna não engoliria isso.
– Claro que a Elsa consegue! – Anna disse, pensando em seu segredo, a promessa do livro misterioso.
– ANNA – Elsa segurou sua mão. Um tempo atrás, lanças de gelo sairiam do chão, mas Elsa conseguia controlar seus poderes agora. Em vez de formar lanças pontiagudas de gelo, ela só fez um gesto para lembrar a irmã de tomar cuidado com o que dizia. – Peço desculpas pela minha irmã – Elsa disse para todos no Saguão Principal. Ela ergueu o queixo exatamente do jeito que Anna se lembrava de ver seu pai fazendo durante cerimônias especiais, tentando ser o mais majestoso possível.
Anna abriu a boca para protestar, mas uma olhada para o rosto de Elsa levou embora todas as palavras que ela queria dizer. Suas bochechas ficaram coradas. A raiva se transformou em vergonha. O que tinha feito?
– Entendo sua preocupação – Elsa continuou, com a voz firme e calma.
– Também estou preocupada. O que estou tentando dizer é que, para
mostrar o meu comprometimento em resolver os problemas das plantações arruinadas e dos animais doentes, vou adiar a grande viagem até controlar essa situação.
– O quê? – Antes que conseguisse evitar, Anna se engasgou, chocada por sua irmã estar adiando a partida.
Ela não entendia o que Elsa estava pensando. E se o adiamento convencesse os dignitários e os povos de outras terras que Arendelle não estava abrindo seus portões, mas sim fechando-os novamente? Pelo olhar chocado de Wael e o murmúrio da multidão, Anna soube que não era a única surpresa pela notícia.
Se não estivessem diante de uma multidão de aldeões estressados, Anna imaginou que Elsa estaria massageando as têmporas e suspirando naquele momento. Mas elas estavam diante de uma multidão de aldeões estressados, e sua irmã nunca deixara de atender às expectativas de seu povo. Ela era a rainha, majestosa e inabalável.
– Porque – Elsa disse, em voz alta para todos ouvirem – o navio real está cheio de comida, maçã, trigo, legumes secos, queijos, latas de arenque em conserva e salsichas. Precisamos dividir a quantidade extra que temos, ou então os aldeões que tiveram suas fazendas atingidas pela ferrugem branca sofrerão mais ainda. – Mais uma vez, Elsa tinha encontrado a solução perfeita. Uma solução tão óbvia que Anna se perguntou por que ela mesma não havia pensado nisso. Elsa era tão boa em ver a situação como um todo, já Anna sempre se distraía com qualquer coisa que estivesse à sua frente no momento.
– Essa quantidade de comida só vai durar três dias, no máximo –Wael protestou. – E o que a faz pensar que a comida no seu navio não estragou, Majestade? – Havia algo na sua atitude sabe-tudo que fazia Anna querer soltar Marshmallow, o boneco de neve gigante e perigoso de Elsa, irmão caçula de Olaf, em cima dele. Mas, vendo que isso não era uma opção, já que Marshmallow era o guardião do palácio de gelo no topo da Montanha do Norte, ela se contentou em olhar feio para Wael.
– Vou vasculhar nossa cozinha – Elsa ofereceu.
Ao seu lado, Kai rabiscou uma anotação em uma resma de pergaminho, enquanto a gentil e morena Olina, encarregada de supervisionar a equipe da cozinha, apertou as mãos enluvadas, em profunda reflexão. Nada escapava ao olhar atento de Olina, e Anna sabia que ela provavelmente já
estava fazendo uma lista mental de toda a comida que o castelo poderia providenciar.
– E se essa comida também estiver estragada? – gritou uma voz na multidão.
Anna prendeu a respiração enquanto todos olhavam para Elsa.
Elsa, no entanto, olhava somente para uma pessoa: Olina. A mulher apenas assentiu com a cabeça: a cozinha estava bem. Anna exalou, grata pelo fato de ao menos essa notícia não ser terrível.
– Como sua rainha – ela disse em voz alta, com firmeza –, garantirei que vocês tenham comida.
A multidão murmurou, mas Anna conseguiu ouvir a mudança no tom.
As conversas em volta dela já não vibravam com a intensidade de uma corda sendo puxada. Em vez disso, a conversa se tornou mais leve à medida que os aldeões consideravam a proposta de Elsa.
– Acho que é uma boa ideia – Tuva falou. – Minha esposa e eu aceitamos. – E as duas ferreiras assentiram, concordando.
– Também aceito – Eniola gritou, e logo outros aldeões também concordaram.
Todos exceto Wael, que assentiu relutantemente, mas não sem acrescentar: – Tudo bem… mas a Corte do Povoado vai garantir que você cumpra a promessa de Anna de solucionar o problema em três dias.
O orgulho tomou conta de Anna enquanto Kai acompanhava os aldeões insatisfeitos para fora do castelo e em direção ao porto para pegar os suprimentos do navio real. Ela queria comemorar, mas apenas deu um grito baixinho e sussurrou para Elsa:
– Isso foi genial!
Mas Elsa não sorriu de volta. Dirigiu-se até uma das entradas secretas do Saguão Principal escondida pelo tapete.
– Anna – ela disse, sem se virar –, podemos conversar, por favor?
O sorriso de Anna desapareceu enquanto seguia sua irmã mais velha.
Ela podia não saber por que os animais da fazenda estavam dormindo ou por que seus pelos estavam ficando brancos, ou por que a comida do reino parecia estar virando poeira e cinzas, mas sabia de uma coisa: estava absolutamente, completamente, cem por cento em apuros.
– Três dias?! – Elsa se virou para Anna assim que a cortina voltou para o lugar, escondendo-as de vista. – Anna de Arendelle, como você acha que
eu vou arrumar essa bagunça tão cedo? – Mesmo que Elsa não subisse o tom de voz, Anna podia sentir sua frustração. – Entre isso e Kristoff…
– Kristoff? – Anna interrompeu, franzindo as sobrancelhas. – O que tem o Kristoff?
Elsa fechou os olhos e massageou as têmporas, como Anna suspeitou que ela queria fazer mais cedo.
– Ele não está aqui. Achei que já teria voltado, mas…
A preocupação tomou conta de Anna, mas ela tentou deixá-la de lado.
– Tenho certeza de que ele está bem – ela disse. – Você sabe o quão feliz Hulda fica quando ele está lá. – Ela sorriu, pensando no troll da montanha que criara Kristoff como se fosse seu filho. – Aposto que ele se atrasou porque comeu muito ensopado de cogumelo e estava pesado demais para Sven carregá-lo, então estão voltando a pé.
Mas parecia que Elsa não conseguia se distrair da preocupação, nem mesmo com essa imagem engraçada. Ela chacoalhou a cabeça.
– É muita pressão. Não sei o que posso fazer.
– Você quer dizer o que nós podemos fazer… com um livro secreto cheio de mágica! – Anna disse.
Elsa se irritou.
– Ah, Anna! – Ela sacudiu a cabeça. – Eu sei que você quer isso, mas não acho que mágica seja a resposta para todos os nossos problemas.
– Certo, eu sei, mas veja só. – Anna segurou o livro Os segredos dos detentores de magia. – Tem muita informação aqui. – Ela folheou as páginas até encontrar a que estava procurando. – Viu? Essa aqui transforma seus sonhos em realidade.
Elsa suspirou.
– Anna, eu disse para você não voltar no quarto secreto.
– Eu não voltei. Peguei esse livro da primeira vez. Olha só!
Relutante, Elsa olhou a página que estava embaixo de seu nariz, mas, antes que conseguisse ler, Gerda abriu a cortina, vestindo sua saia verde de sempre, jaqueta e boné e segurando o grande calendário de Elsa.
– Majestade, desculpe-me – a mulher disse, e Anna podia ouvir a compaixão em sua voz –, mas, mesmo adiando a grande viagem, esse fiasco com a doença atrasou nosso cronograma. E agora você deve escrever explicações para todos os dignitários e chefes dos países explicando por que não vai conseguir vê-los.
Elsa respirou fundo.
– Sim, claro, Gerda, você está certa. O trabalho de uma rainha nunca acaba. – Ela olhou para Anna, que prendeu a respiração. – Deixe-me ver este livro. Talvez você esteja certa. Prometo estudá-lo assim que tiver tempo.
– Cla-claro – Anna disse, feliz. Mas ficaria mais feliz ainda se Elsa tivesse dito para Gerda que a irmã descobrira algo importante, que elas estavam tentando encontrar uma solução juntas.
– Eu gostaria de me encontrar com um especialista em animais para saber a opinião deles – Elsa disse, e Anna percebeu novamente que ela estava cutucando os dedos. – E um botânico. Não sei o que deve ser feito primeiro…
– Se precisar de alguém para escrever as cartas, posso ajudar – Anna ofereceu. – Li sobre todas as regras de etiqueta de cada país.
– Isso seria ótimo, querida – Gerda comentou, com o lápis indo em direção ao calendário para ajustá-lo. – Só garanta que Elsa assine as cartas antes de enviá-las.
– Pode deixar! – Anna prometeu, feliz por ajudar Elsa e por ter algo a fazer enquanto esperava Kristoff voltar para o castelo. Ela tinha tantas coisas para perguntar a ele, começando por “Como os trolls falaram que podemos curar a ferrugem branca?” e continuando com “Você sabe como ler as runas antigas e misteriosas no livro da minha mãe?”.
– Obrigada, Anna – Elsa disse enquanto Gerda corria para arrumar tudo.
– Se está tudo sob controle, preciso ir. Irei te visitar antes de dormir, ok?
Mas ela se virou antes que Anna pudesse assentir.
E, embora Anna estivesse no meio do castelo cheio, ainda transbordando com tantos aldeões, ver Elsa saindo de perto dela a fez se sentir sozinha como nunca.