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6 ANÁLISE DAS DECISÕES DO STJ: GRUPOS II E III

6.1.1 Características dos Processos do Grupo II

- Decisões pelo ano de publicação e unidade da federação

Em relação à data de publicação dessas decisões, não foi encontrada nenhuma ocorrência em 2006; em 2007, constatou-se uma ocorrência; sete em 2008; nove em 2009 e sete em 2010. Quanto à origem, houve predominância de casos advindos do Distrito Federal, com quatro ocorrências. Constatou-se também casos originários de diversas unidades da federação: três no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso; duas em Santa Catarina e Paraná, e uma no Ceará, Amapá, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Roraima e Goiás.

- Quem recorre ao STJ

As decisões deste Grupo mostram que os pedidos de revogação de medidas protetivas submetidos à análise do STJ são levados pelos homens, prevalecendo casos que envolvem

relacionamento entre companheiros e ex-companheiros (Cf. Tabela 16). Não foi observada nenhuma ocorrência em que essa via tenha sido utilizada pelas mulheres na condição de ofensoras.

- Perfil econômico dos ofensores

Devido à escassez de informações acerca da profissão do ofensor e da ofendida, buscou- se, na pesquisa, conhecer quem estava impetrando essas ações (se o próprio paciente – ofensor, o advogado constituído, a Defensoria Pública ou o Ministério Público), de modo a traçar, ainda que de forma geral, o perfil econômico dos ofensores106. A baixa ocorrência de casos da Defensoria107 (cinco) em relação à majoritária ocorrência de casos com advogados (dezessete) indica possibilidade econômico-financeira em arcar com custos de advogado e despesa do processo108.

- Decisões pelo tipo de violência e pessoa ofendida

Neste Grupo de decisões, predominou a ocorrência de mais de um delito praticado contra a mulher, na maioria dos casos delitos de lesão corporal e ameaça. Observou-se neste Grupo mais casos de tentativa de homicídio e homicídio qualificado em relação aos tipos de violência apresentados no Grupo I, onde predominaram casos de lesão corporal, ameaça e

106 Segundo Grosner (2008, p. 114), o fator econômico é o primeiro vetor de seletividade excludente operada no STJ, ou seja, apenas aqueles que tivessem efetivamente capacidade econômico-financeira chegariam a essa instância em função dos custos mais elevados para acompanhamento dos processos. Todavia, em se tratando de violência doméstica contra a mulher, não se pode afirmar a mesma tendência, em caráter uniforme. No Grupo II, de fato, predominou a defesa dos ofensores, patrocinada por advogados constituídos, mas no Grupo III, em que se discute tese jurídica a respeito do instituto de representação, a Defensoria Pública se fez presente na maioria das causas submetidas ao STJ. Não obstante a relevância em evidenciar a dificuldade de acesso das pessoas hipossuficientes (pobres) a todas as esferas penais do poder judiciário, o intuito em traçar o perfil econômico dos ofensores nesta pesquisa busca, também, evidenciar que a violência doméstica contra a mulher está presente em todas as classes sociais e, desta forma, desmistificar a crença que essa violência só ocorre entre os pobres. Sobre os mitos da violência doméstica contra a mulher, ver Guimarães (2009); Diniz e Argelim (2003).

107 A Defensoria Pública atende pessoas sem recursos para custear as despesas do processo e que se declaram hipossuficientes, nos termos da Lei nº 1060/50. Na contagem das ações movidas pela Defensoria Pública foram incluídas outras vias de assistência judiciária gratuita.

vias de fato. Considerando as decisões dos Grupos I e II, não foram encontrados registros de lesão corporal grave nem de homicídio simples.

Com relação à mulher ofendida, foi possível verificar que em vários tipos de relações afetivas (ex-companheira, companheira, namorada, ex-namorada, mãe, filha, esposa, ex- esposa) estão sendo adotadas medidas protetivas, contra as quais se insurgem os ofensores. Não foram detectados casos envolvendo relações homoafetivas.

Tabela 16. Número de decisões do Grupo II pela pessoa ofendida, tipo de violência e órgão de julgamento no STJ

Características dos processos

Ofendida Delito Turma Frequência %

Esposa Homicidio qualificado 5a. 1 4.17

Companheira grávida Homicidio qualificado e aborto 5a. 1 4.17

Amante grávida Homicídio qualificado e aborto 6a. 1 4.17

Namorada Tentativa de homicídio 5a. 2 8.33

Companheira Tentativa de homicídio 5a. 1 4.17

Não informado Lesão corporal/injúria/ameaça/

Estupro 5a. 1 4.17

Esposa e filhas Lesão/ameaça/estupro/atentado violento ao pudor/porte ilegal de

armas 5a. 1 4.17

Ex-namorada e diarista Lesão/ameaça/cárcere privado 6a. 1 4.17

Ex-companheira Lesão corporal e ameaça 5a. 3 12.50

Ex-companheira e filha Lesão corporal e ameaça 5a. 1 4.17

Companheira e filhos Lesão corporal e ameaça 5a. 1 4.17

Não informado Lesão corporal e ameaça 5a. 1 4.17

Companheira Lesão corporal 5a. 1 4.17

Ex-companheira Lesão corporal 5a. 1 4.17

Não informado Lesão corporal 5a. 1 4.17

Mãe Lesão corporal 1 4.17

Ex-companheira Ameaça 6a. 1 4.17

Ex-namorada Ameaça 6a. 1 4.17

Ex-esposa Ameaça 6a. 1 4.17

Ex-esposa e filhos Ameaça 5a. 1 4.17

Não informado Não informado 5a. 1 4.17

Total 24 100%

- Tipos de decisão no STJ

A maioria das decisões do STJ foram denegatórias, ou seja, os pedidos de revogação de medida protetiva dos ofensores foram negados nesse Tribunal, mantendo-se a medida protetiva concedida no Juízo de origem.

Tabela 17. Tipos de decisão do Grupo II

Medida Protetiva Decisões Denegatórias

(mantêm a medida) Decisões concessivas (revogam a medida) Afastamento 3 2 Prisão preventiva 16 3 Total 19 5

Fonte: Superior Tribunal de Justiça

6.1.2 - Argumentos utilizados para justificar a revogação da medida protetiva

A análise das decisões do Grupo II, referentes aos argumentos utilizados pelos ofensores para justificar os pedidos de revogação de medida protetiva, tem por objetivo revelar o panorama da situação de violência levado à apreciação dos Ministros(as) do STJ.

Relembrando a análise nas decisões do Grupo I, em que Juízes se declaravam incompetentes para apreciar e julgar casos de violência doméstica, a análise do Grupo II pressupõe que a discussão sobre a competência, se houve, foi superada, uma vez que consta a irresignação do ofensor em relação à medida protetiva fixada no Juízo de origem109. O ofensor, não se conformando com a decisão do Juízo de origem, da Vara Criminal ou do Juizado de Violência Doméstica e Familiar, busca a sua modificação na instância superior. Os pedidos dos ofensores, de revogação das medidas protetivas de afastamento e de prisão, foram negados pelos Tribunais de Justiça dos respectivos Estados, sendo, agora, submetidos à apreciação do STJ.

109

Foi constatada a ocorrência de questionamento acerca da competência, em conjunto com outros argumentos, apenas em um caso (BRASIL, HC 73161/SC, 2010a).

A Tabela 18, abaixo, traz as argumentações expendidas pelos ofensores para justificar seus pedidos.

Tabela 18. Argumentos utilizados na origem para justificar os pedidos de revogação de medida protetiva de afastamento e de prisão no STJ

Argumentos Frequência %

Ausência de requisitos/fundamentação para decretação da medida 24 55.81

Ausência de descumprimento de medida protetiva 4 9.30

Excesso de prazo para a instrução criminal 4 9.30

Primário/residência fixa/profissão definida 2 4.65

Gravidade abstrata dos fatos 2 4.65

Inconstitucionalidade LMP 1 2.33

Outro(s) 6 13.95

Total 43 100%

Fonte: Superior Tribunal de Justiça

Nota: Na classificação “outros” foram encontrados os seguintes argumentos: incompetência do Juízo (1); falta de citação da medida protetiva (1); ilegitimidade do Ministério Público para propor medida protetiva (1); relação íntima não abrangida pela LMP (1); negativa de autoria (1) e colaboração com as investigações (1).

Em geral, nota-se que os ofensores não discutem a autoria do delito (um caso), mas trazem outros argumentos (excesso de prazo; ser primário, ter residência fixa, profissão definida e outros) em acréscimo ao argumento mais recorrente (falta de requisitos/fundamentação para a decretação da medida), para classificar a medida protetiva como desnecessária e arbitrária.

Cabe aqui tecer algumas considerações sobre o argumento “inconstitucionalidade”, levantado pelo ofensor, em um caso de namoro (BRASIL, HC 92.875/RS, 2010a), julgado pelo STJ em 2008. A par dos demais argumentos utilizados (relação íntima não abrangida pela LMP e ilegitimidade do Ministério Público para propor medidas protetivas), verifica-se que o ofensor buscava lograr proveito da divergência instalada no STJ sobre a abrangência ou não dos casos de namoro pela LMP110.

Conforme consta da Tabela 18, o argumento referente à “ausência de requisitos/fundamentação para a decretação da medida” está presente em todos os casos (24

ocorrências). Argumentam os ofensores que os fatos levados em conta pelo juiz de origem, ao decretar a medida, não preenchem os requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP). Esse artigo traz os requisitos autorizadores da prisão preventiva. Ocorre, entretanto, que a Lei Maria da Penha, ao incluir outra hipótese autorizadora da prisão preventiva no item IV, do artigo 313 do CPP, busca garantir a efetivação das medidas protetivas e, consequentemente, a integridade física e psicológica das mulheres em situação de violência.

São poucos os argumentos dos ofensores que fazem menção expressa ao cumprimento de medida protetiva (4 ocorrências), um dos principais requisitos a ser levados em consideração na análise de pedidos de revogação da medida nos casos de violência doméstica contra a mulher

6.1.3 - O que diz o STJ sobre as Medidas Protetivas de Afastamento e de Prisão Preventiva

Tabela 19. Argumentos do STJ nas decisões do Grupo II

Argumentos Frequência %

Presentes requisitos/fundamentação para decretação da medida(Art.

312 CPP) 18 35.29

Ausência de requisitos/fundamentação para decretação da medida(Art.

312 CPP) 4 7.84

Garantia da execução das medidas protetivas de urgência (Art. 313

CPP)/resguardar a integridade física e psicológica da ofendida 13 25.49

Descumprimento de medida protetiva (1) 6 11.76

Excesso de prazo não configurado 3 5.88

Outro (2) 7 13.73

Total 51 100%

Fonte: Superior Tribunal de Justiça

Nota (1): As medidas protetivas descumpridas referiam-se a afastamento de 200metros (1); separação de corpos e afastamento definitivo do lar (1); reiteração da conduta delitiva (1); proibição de aproximação da ofendida (2).

Nota (2): Na classificação “outros” foram encontrados os seguintes argumentos: em vista de tratar-se de crime hediondo (2); prisão decorre de sentença condenatória (1); proteção aos filhos/família (1); relação íntima abrangida pela LMP (1); o pedido deve ser apreciado pelo Tribunal de Justiça (1).

Prevaleceu no STJ o entendimento que as decisões tomadas nas instâncias de origem, em relação ao ofensor, foram devidamente fundamentadas, com observância dos requisitos do

artigo 312 do CPP e, também, do estabelecido pela Lei de Violência Doméstica contra a Mulher (BRASIL, 1941, Art. 313, inciso IV). Na maioria dos casos, o STJ confirmou os fundamentos utilizados no Juízo de origem para a prisão preventiva ou medida de afastamento, que traziam elementos concretos de risco à integridade física e psicológica da ofendida.

Foram encontradas seis ocorrências de inequívoco descumprimento da medida protetiva (de afastamento, proibição de contato) e treze argumentos referentes à garantia de execução de medidas protetivas. Nesses casos, foi possível constatar que a prisão ocorreu em flagrante delito ou ocorreu no curso da ação, a partir de informações da ofendida de que o ofensor estava reiterando a conduta delitiva (continuava a ameaçar, perseguir, intimidar)111.

Em dois casos de homicídio qualificado, em que a ofendida já não mais existe para ser protegida, foi destacada a segurança à ordem pública, periculosidade e o “modus operandi”, ou seja, o modo cruel pelo qual o ofensor praticou o crime, devendo ser a sociedade resguardada de seu convívio. Em um desses casos, ao se argumentar pela segurança da instrução criminal, houve a necessidade de se resguardar as testemunhas de possível intimidação do ofensor, caso fosse posto em liberdade.

A ocorrência de argumento de proteção à família112 deu-se em um caso de lesão corporal praticado contra a esposa e estupro contra as filhas. O argumento era de que, “solto”, o ofensor voltaria a habitar a casa onde elas residiam, assim, a prisão preventiva deveria ser mantida para a proteção da família – mãe e filhas.

Uma das dificuldades que estudos sobre violência contra a mulher e Justiça aponta é a resistência que os operadores do direito têm de transmutar em crime as práticas de violência doméstica narradas pelas mulheres. Em geral, desculpam o ocorrido como simples “desavença”, a ser superado na convivência diária113

.

A LMP busca evidenciar o quanto o crime de violência doméstica é complexo, constituindo-se em uma violação dos direitos humanos das mulheres e que, por essa razão, demanda ações dos operadores do direito além do âmbito meramente jurídico-penal. Esta

111 Constata-se nas decisões do Grupo II, significativa incidência de descumprimento de medida protetiva, bem como da reiteração da conduta delitiva informada pelas mulheres, sugerindo um total descompromisso dos homens ofensores com a Justiça Penal, tema que não será aprofundado nesta pesquisa, mas que seria interessante investigar.

112 Pela baixa incidência, esse argumento foi inserido na classificação “outros”. 113

Sobre os diversos significados atribuídos à violência doméstica contra a mulher pelos operadores do direito ver Carrara “e outros” (2002); Campos (2001, 2006); Oliveira (2006).

compreensão germinou no STJ, nas decisões em que se discutiu a competência do órgão julgador para os casos de violência doméstica, em especial, quanto à abrangência da Lei Maria da Penha a todos os tipos de delitos cometidos contra as mulheres no ambiente doméstico-familiar.

Percebe-se nesse grupo de decisões, acerca das medidas protetivas, uma adesão maior e sem muita resistência de Ministros (as) a vincular a aplicação da LMP à proteção da integridade física e psicológica da mulher em situação de violência. A análise dos dados indica que essa adesão ocorre, em grande parte, devido ao contato mais direto com a realidade da violência, evidenciado pelo maior número de informações no processo, em geral, com as decisões do Juiz de origem, Tribunais de Justiça e a manifestação do Ministério Público, fazendo transparecer, com mais nitidez, o fato que ensejou a ida da mulher à delegacia e ao Poder Judiciário: a conduta do ofensor, a ocorrência de reincidência e, em alguns casos, o “desprezo” do ofensor pelos atos judiciais que determinaram a medida protetiva de afastamento e proibição de contato.

De início, a inclusão de mais uma hipótese autorizadora de prisão preventiva para garantir proteção à mulher em situação de violência causou estranheza a Ministros (as), do STJ, conforme seguinte manifestação:

Muito embora o art. 313, IV, do Código de Processo Penal, com a redação dada pela Lei nº 11.340/2006, admita a decretação da prisão preventiva nos crimes dolosos que envolvam violência doméstica e familiar contra a mulher, para garantir a execução de medidas protetivas de urgência, a adoção dessa providência é condicionada ao preenchimento dos requisitos previstos no art. 312 daquele diploma.

Assim, é imprescindível que se demonstre, com explícita e concreta fundamentação, a necessidade da imposição da custódia para garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, sem o que não se mostra razoável a privação da liberdade, ainda que haja descumprimento de medida protetiva de urgência, notadamente em se tratando de delitos punidos com pena de detenção. (BRASIL, HC 100.512-MT, DJ 23/06/2008, 2010a). (grifo nosso)

Neste caso específico, consta a informação que foram instituídas medidas protetivas de proibição de aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, com limite mínimo de cem metros. A prisão preventiva do ex-companheiro foi decretada, considerando que foram “[...] esgotados todos os meios menos gravosos para a contenção das atitudes do representado em relação à vítima, [...] como única forma de garantir a execução das medidas

protetivas de urgência, servindo a presente como mandado” (BRASIL, HC nº 100.512-MT, p. 4, 2010a). O argumento do ofensor era que não estavam presentes os requisitos do artigo 312 do CPP. A decisão do STJ não levou em conta o principal argumento da Juíza de origem na decretação da medida - o risco à integridade física e psicológica da ofendida, em virtude de descumprimento da medida de afastamento.

Em decisões posteriores, o STJ, além da análise dos requisitos do artigo 312 do CPP, incluiu também a análise do artigo 313, inciso IV, que autoriza a prisão preventiva como meio de assegurar a execução de medidas protetivas de urgência. Percebe-se essa mudança de entendimento, a partir de um caso de ameaça contra a ex-companheira e de total menoscabo do ofensor pela medida de afastamento a ele imposta. Continuou a ameaçar a ex-companheira e a fazer de sua vida “um inferno, chegando ao cúmulo do que se viu nesses autos, a vítima fazer uma declaração, retratando-se do pedido de medidas protetivas, somente por medo do acusado, que, na verdade, continuava a ameaçá-la [...]” (BRASIL, HC 109674-MT, p. 4, 2010a).

Na decisão desse caso, o STJ considerou relevante “a presença dos requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal e, em especial, da necessidade de assegurar a aplicação das medidas protetivas elencadas pela Lei Maria da Penha, a prisão cautelar do agressor é medida que se impõe” (BRASIL, HC 109674-MT, p. 5, 2010a).

Em outro caso, julgado em 03 de agosto de 2010 e publicado em 23 de agosto de 2010, em data bem próxima à data final de observação da pesquisa, foi possível notar que esse entendimento parecia pacificado entre Ministros (as):

A Lei nº 11.340/2006 introduziu, na sistemática processual penal relativa às prisões cautelares, mais uma hipótese autorizadora da prisão preventiva, ao estabelecer, no artigo 313, inciso IV, do Código de Processo Penal, a possibilidade desta segregação cautelar para garantir a eficácia das medidas protetivas de urgência. Na espécie, diante da notícia de que o ora paciente, mesmo após cientificado da medida protetiva imposta, proferiu novas ameaças de morte contra a vítima e causou-lhe lesões corporais, acertada, pois, a decretação de sua custódia preventiva. Precedentes. (BRASIL, HC 147.429-PR, DJ 23/08/2010, 2010a). (grifo nosso)

A proteção à integridade física e psicológica da ofendida, de acordo com a LMP, deve ser o principal requisito para a manutenção ou revogação dessas medidas e essa concepção

parece ter sido abraçada por Ministros (as) do STJ, conforme mostra a decisão acima, que negou o pedido de revogação da medida protetiva de prisão.

Essa mesma postura foi observada em uma decisão que revogou a medida de prisão preventiva e concedeu a liberdade ao ofensor. Nesse caso, contou para a decisão o fato de que o ex-companheiro já estava solto há mais de um ano e vinha cumprindo, nesse período, as medidas protetivas de afastamento, impostas pelo Juízo de origem. Ao acatar o pedido do ofensor e afastar a possibilidade de nova prisão, o STJ sublinhou a necessidade de cumprimento das medidas protetivas anteriormente impostas, esclarecendo que concedia a ordem de Habeas Corpus para “[...] restabelecer a decisão que deferiu ao paciente a liberdade provisória, condicionada à observância das medidas protetivas fixadas pelo magistrado” (BRASIL, HC 151.174-MG, DJ 10/05/2010, 2010a).