Das 40 professoras participantes do estudo, todas eram do sexo feminino, sendo que 40% – 16 professoras: três na EPri 1, três na EPri 2, três na EPri 3 e sete na EPri 4 – trabalhavam em escolas privadas, enquanto 60% – 24 professoras: seis na EPub 1, sete na EPub 2, sete na EPub 3 e quatro na EPub 4 – lecionavam em escolas públicas. A figura 3 indica a idade das professoras entrevistadas na data da realização das entrevistas. A média de idade entre as docentes das escolas privadas foi de 37 anos, com variação entre 25 e 53 anos, sendo que uma entrevistada não desejou declarar a idade. Entre as docentes das escolas públicas, a média de idade foi de 45 anos, com variação entre 29 e 64 anos;

havendo também uma docente que não desejou relatar a idade. É possível observar que grande parte das professoras das escolas privadas é mais jovem (33% têm

entre 26 e 30 anos) que a maioria das professoras das escolas públicas (56% têm entre 41 e 45 anos).

Figura 3 – Distribuição das professoras entrevistadas, nas escolas privadas (A) e públicas (B), de acordo com a idade, Belo Horizonte – MG, 2008.

Em relação ao local onde residiam as docentes entrevistadas, oito professoras das escolas privadas residiam nos bairros da área de estudo (Jardim Montanhês, Caiçara, Santos Anjos e Santo André), duas em outros bairros da regional Noroeste, cinco em outros bairros das demais regionais de Belo Horizonte e uma em cidade da RMBH. Entre as docentes das

escolas públicas, 12 residiam nos bairros da área de estudo, seis em outros bairros da regional Noroeste, quatro em bairros das outras regionais de Belo Horizonte e duas em cidades da RMBH. Isso demonstra que a maioria das entrevistadas (28/40, o que corresponde a 70% das participantes) residia nas proximidades ou na própria área de estudo (Figura 4).

Figura 4 – Distribuição das professoras entrevistadas, nas escolas privadas (A) e públicas (B), de acordo com a localidade de residência, Belo Horizonte – MG, 2008.

Considerando-se o ano de escolaridade para o qual lecionavam, seis professoras das escolas privadas lecionavam para o 1º ano, cinco para o 2º ano e cinco para o 3º ano. Nas escolas públicas, sete professoras lecionavam para o 1º ano, seis para o 2º

ano, sete para o 3º ano e quatro docentes trabalhavam como professoras eventuais ou apoio, cargos comuns em escolas da rede estadual e municipal, respectivamente (Tabela 4).

Tabela 4 – Distribuição das professoras entrevistadas das escolas privadas e públicas de acordo com o ano para o qual lecionavam. Belo Horizonte – MG, 2009.

Professoras das escolas Ano de escolaridade para o

qual lecionavam Privadas (EPri) Públicas (EPub) Total

1º ano 6 7 13

2º ano 5 6 11

3º ano 5 7 12

Eventual / Não referência 0 4 4

Total 16 24 40

O tempo médio, em anos, que as professoras das escolas privadas exerciam o magistério na instituição onde foram entrevistadas foi de oito anos, variando entre menos de um até 21 anos. As docentes da rede pública lecionavam, em média, há nove anos na escola onde foram entrevistadas, variando entre menos de um até 24 anos (Figura 5). Indicando-se o tempo médio em que as mesmas docentes exercem o magistério – e considerando

quaisquer escolas que tenham lecionado – as professoras das escolas privadas lecionam há 13 anos em média, variando entre um e 29 anos; enquanto suas colegas da rede pública lecionam, em média, há 19 anos, variando entre dois e 33 anos (Figura 6). Percebe-se que as docentes das escolas públicas exercem o magistério há mais tempo que suas colegas das instituições privadas.

Figura 5 – Distribuição das professoras entrevistadas das escolas privadas (A) e públicas (B), de acordo com o tempo que exercem o magistério na instituição onde foram entrevistadas, Belo Horizonte – MG, 2008.

Figura 6 – Distribuição das professoras entrevistadas das escolas privadas (A) e públicas (B), de acordo com o tempo que exercem o magistério, Belo Horizonte – MG, 2008.

A maioria das professoras das instituições privadas (12/16) leciona apenas na instituição onde foram entrevistadas, uma leciona em outro turno na mesma instituição, uma leciona em outra escola privada e duas lecionam em escolas públicas. Dentre as docentes da rede pública, sete lecionam apenas na instituição onde foram entrevistadas, cinco lecionam em outro turno na mesma instituição, 12

trabalham em outra escola pública (11 como docentes e uma como coordenadora pedagógica) e nenhuma leciona em outra escola privada (Figura 7). Essas indicações apontam que a maior parte das professoras das escolas públicas leciona em dois turnos, enquanto a maioria de suas colegas, nas escolas privadas, trabalha em apenas um turno.

Figura 7 – Distribuição das professoras entrevistadas das escolas privadas (A) e públicas (B), de acordo com o exercício do magistério em outro turno de trabalho, Belo Horizonte – MG, 2008.

A respeito da formação das docentes que lecionam nas escolas privadas, três delas estavam realizando a graduação em pedagogia ou normal superior, nove já tinham se graduado em um dos referidos cursos, duas se graduaram em um desses e concluíram outra graduação em curso diferente e duas se graduaram apenas em cursos diferentes dos apontados. Entre as docentes das instituições públicas, duas profissionais – particularmente da mesma escola estadual – realizaram somente o curso normal (considerado também como magistério) no ensino médio, não ingressando em qualquer curso superior, 18

já se graduaram em pedagogia ou normal superior, uma se graduou em um dos referidos cursos e concluiu outra graduação em curso diferente e três se graduaram apenas em cursos diferentes dos apontados (Figura 8).

É importante indicar que o perfil de formação apresentado por algumas entrevistadas contraria a recomendação de que todos os professores da EB sejam habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço para o exercício docente, como preconizado pela LDB (Brasil, 1996).

Figura 8 – Distribuição das professoras entrevistadas das escolas privadas (A) e públicas (B), de acordo com a formação específica, Belo Horizonte – MG, 2008.

Entre as entrevistadas nas escolas privadas que já concluíram a graduação em pedagogia ou normal superior (11/16), seis delas eram pós-graduadas em cursos da área educacional, enquanto as cinco restantes ainda não ingressaram em quaisquer cursos de pós-graduação. Entre as 19 profissionais das escolas públicas, habilitadas em pedagogia ou normal superior, oito delas eram pós-graduadas em cursos da área educacional, enquanto as 11 restantes ainda não ingressaram em quaisquer cursos de pós-graduação. Isso indica que parte das entrevistadas aparenta preocupar-se com a formação continuada na área de atuação.

Outro aspecto importante é o tempo decorrido desde a formatura das entrevistadas até a data da entrevista.

Dentre as entrevistadas nas escolas privadas, aquelas que já se graduaram em pedagogia ou normal superior (11/16) têm 10 anos, em média, de formadas, variando entre três e 29 anos. Entre as profissionais das instituições públicas que já se graduaram (19/24), o tempo médio decorrido desde o término do curso foi de 12 anos, variando entre dois e 32 anos (Figura 9).

Considerando-se que as primeiras orientações nacionais para a abordagem de doenças transmissíveis mais comuns na realidade do aluno (o que engloba as questões de zoonoses) são vistas nos PCN, datados de 1997, sugere-se que grande parte das docentes pode não ter estudado esse assunto durante a formação superior.

Figura 9 – Distribuição das professoras entrevistadas das escolas privadas (A) e públicas (B), de acordo com o tempo decorrido desde a conclusão do curso superior, Belo Horizonte – MG, 2008.

Entre as profissionais das escolas privadas que estavam graduando-se ou já se graduaram em pedagogia ou normal superior (14/16), 12 realizavam ou realizaram o curso em caráter presencial (sete em IES públicas e cinco em privadas) e duas na modalidade de EaD (uma em IES pública e uma em privada). Já entre as docentes das escolas públicas graduadas em pedagogia ou normal superior (19/24), 10 realizaram o curso em caráter presencial (quatro em IES públicas e seis em privadas) e nove na modalidade de EaD (cinco em

IES pública e quatro em privadas) (Figura 10).

Indica-se a diferença entre as docentes de acordo com o caráter de formação em que estavam se graduando ou já se graduaram. Uma pequena minoria das docentes nas escolas privadas (2/14) optou por instituições na modalidade de EaD, enquanto aproximadamente a metade das docentes nas escolas públicas (9/19) optaram pela mesma modalidade. Pressupõe-se que as docentes em conhecidas instituições privadas (parcela

considerável de entrevistadas nesse estudo), preocupam-se em dedicar tempo maior a formação superior e enfrentam tais exigências por parte de seus contratantes. Em contrapartida, as docentes das escolas públicas que são graduandas ou graduadas na modalidade de EaD (especialmente aquelas que optaram pela formação oferecida em IES pública – sendo participantes do Projeto Veredas – sem quaisquer ônus aos graduandos), podem ter

optado por essa formação devido especialmente à crescente exigência das secretarias estaduais e municipais de educação. Ressalta-se que a proposta de formação estabelecida pelo Projeto Veredas pretendia 100% da adesão dos docentes ainda não diplomados que lecionavam nas escolas públicas, mas não conseguiu persuadir todos os profissionais, uma vez que grande parte está ao final da carreira e, em breve, pleiteará sua aposentadoria.

Figura 10 – Distribuição das professoras entrevistadas das escolas privadas (A) e públicas (B), de acordo com o caráter da formação no ensino superior, Belo Horizonte – MG, 2008.

4.2 – Apresentação dos resultados e

No documento Análise do conhecimento, sobre Leishmaniose Visceral e outras zoonoses, de docentes dos três primeiros anos do ensino fundamental em escolas da região noroeste de Belo Horizonte, Minas Gerais, 2008. (páginas 34-41)