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CARTAS VINDAS DO ACRE, WANDERLYNE SELVA, 18 DE OUTUBRO DE

Aspectos teóricos e metodológicos

CARTAS VINDAS DO ACRE, WANDERLYNE SELVA, 18 DE OUTUBRO DE

Como já afirmado, os festivais são momentos de encontro e trocas entre as pessoas, mas são também momentos de mobilização e luta, e a reflexão é um dos destes elementos. Os sujeitos que realizam ações coletivas com mídias livres, entretanto, vivem a situação de latência (MELLUCI)118, vinculada à vida cotidiana, nas comunidades em que se convive com os constantes processos de negação da fala, de negação da parcela dos sem parcela – uma das razões pela qual Thiago Novaes sente- se à vontade para afirmar que “As novas práticas de compartilhamento e reflexão sobre a passagem do analógico pro digital se encontram muito mais desenvolvidas e aprofundadas entre os chamados ativistas”, como disse acima. É precisamente essa a razão das ações coletivas com mídias livres serem polinizadas por uma certa paixão e envolvimento pessoal, que ativa a capacidade de análise da realidade relacionada ao processo de previsão. Mas, como salienta Mutzenberg (2002), isto não significa que a previsão seja arbitrária, gratuita ou tendenciosa. De fato, Gramsci,

só na medida em que o aspecto da previsão está ligado a um 'programa' esse aspecto adquire objetividade: 1) porque só a paixão aguça o intelecto e colabora para a intuição mais clara; 2) porque sendo a realidade o resultado de uma aplicação da vontade humana à sociedade das coisas (do maquinista à máquina), prescindir de todo elemento voluntário, ou calcular apenas a intervenção de vontades outras como elemento do jogo geral mutila a própria realidade. (GRAMSCI, 1991, p. 41).

118 “Acredito que o festival 'é' aquilo que as pessoas que assinam a lista e que frequentam grupos adjacentes conseguem articular em contextos locais ondem propõem encontros... é sobretudo um encontro físico destas redes que atuamos... É preciso submergir nestas realidades e encontrar pontos de articulação... Entender como podemos nos ajudar e ainda assim fazer pessoas que não estão inseridas no nosso modo de comunicação (nossa mídia) consigam”, Glerm Soares, durante reunião de trabalho em 22 de dezembro de 209 no canal IRC para organização dos festivais Submidialogia a serem realizados em 2010.

É importante não esquecer que permeia este primeiro nível do programa político o sentido criador e suscitador. Esse mesmo sentido, em um viés nômade, foi exposto por Glerm Soares, ao enviar para a lista Submidialogia um relato dos preparativos para um dos três festivais Submidialogia, a serem realizados ao longo do ano de 2010 com financiamento obtido por edital da Petrobrás.

Vou tentar chegar as 18hs e sair antes das 20hs também, mas já adianto que não tenho certeza se consigo aparecer pois estou fazendo umas gravações hoje e dando umas oficinas sobre o meu trabalho:( http://artesanato.devolts.org ) durante o dia todo. Um processo bem prático que tem a ver com tentar transmitir minhas pesquisas para uma vizinhança de onde habito, já que por alguns anos eu tenho feito muita coisa por aí a fora mas pouca por aqui ao meu redor, estou em busca de pares no meu raio de habitação natal.

Gostaria de já ir adiantando uma idéias que tão rolando pro submidialogia Paranágua:

A data que pretendemos fazer é maio de 2010. Conversamos sobre a extensão dessa baía (de paranágua) e pensamos que seria interessante também tentar abrir a possibilidade para todo raio geográfico onde temos alguma vivência e vizinhança.

Disso surgiu a idéia de além da articulação que já está sendo feita serra abaixo, tentar de alguma maneira aproximar os vizinhos aqui de Curitiba antes de descer. Pensamos num processo tipo uma "pré-produção" aberta com encontros com música, debates, confraternização ritual e matar as fomes permitindo pessoas que conhecemos aqui no nosso dia dia mostrar um pouco de sua trajetória, suas causas, sua arte e suas ansiedades. Apresentar todo o contexto (de apropriação crítica de

tecnologias da informação e comunicação) em Paranágua que estará sendo

trabalhado até então. Isso culminaria com uma convocatória para descermos até paranágua de bicicleta, dentro da proposta de um dos grupos convidados (

http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/ ), gosto também da idéia de plantar árvores dentro espaço urbano, talvez conectar isso com aquela brincadeira de tirar energia elétrica de frutas cítricas pra gerar percepção da natureza da eletricidade e transformar essa energia em mantras sonoros... Procurar terrenos baldios pra iniciar novas "praças piratas"...

Descendo para o litoral e chegando lá temos o contexto do pessoal que vive ali na baía, seu contexto, suas ansiedades, dificuldades, idéias, sua convergência conosco. Amarrar algo com estas identidades que tentam manter a tradição do fandango caiçara, que constrói rabecas ( http://www.youtube.com/watch?v=9IJMgvsNsRQ ) e faz oficinas sobre isso. Gostaria de tentar aproximar a cultura da piazada que está construindo instrumentos musicais digitais artesanais e esta tradição. Outra sugestão que apareceu foi de a gente fazer uma "burnstation" (estação de gravação de multiplos CDs), isso ajudaria bastante pra eles trabalharem na divulgação desta

cultura. Os estudos sobre produção de energia elétrica com material reciclado e rádio livre + telefonia e internet livre (bytes sobre ondas de rádio) obviamente são muito bem vindos e tudo a ver com este lugar.

Este final de semana eu e simone chegamos junto do pessoal aqui de Curitiba, começando a conversar sobre esta primeira fase do encontro. Lúcio e Cláudia foram até Valadares para planejar melhor as possibilidades ali e buscar caminhos para convergência com o pessoal (podem falar mais sobre isso assim que voltarem aqui). Gosto também da possibilidade colocada pelo Goto, de fazer algo com o pessoal da ilha de Superagüi, considerando o histórico que o Goto teve de interação ali, como coisas que ele contou de como fez umas coisas com as crianças, onde eles relatavam mais de 50 brincadeiras que as crianças da ilha faziam, com desenhos e etc. transmitindo suas oralidades... recordo a estória tb e também a oportunidade que ele conseguiu catalizar de levar um dos senhores fadangueiros das antigas pra falar pras crianças na escola, ja que esta história daquela galera acaba cada vez mais perdendo espaço pra televisão e rádio. Goto também sugeriu de chamar um camarada de Paranágua que tem um estudo muito bonito de toda a cartografia (mapas) da região da baía (vi o livro desse cara - bem interessante)... Seria legal tentar produzir narrativas a partir destes dados todos e as histórias orais do pessoal da região...E é claro, desenvolver um canal de continuidade e troca mútua, com todos estes grupos, pra tudo fazer sentido.

Por enquanto é isso... aguardo comentários...

abração glerm

GUILHERME SOARES, EM EMAIL ENVIADO PARA A LISTA