A elaboração de um documento que formalize o fluxo de informações foi entendida, neste estudo, como ação que atribui sentido institucional ao acompanhamento do estágio não obrigatório, deslocando, conforme aponta Thiry- Cherques (2004), o foco do indivíduo para a estrutura.
Com esse enfoque, o grupo de professores orientadores foi questionado se consideravam que um documento formal norteador do fluxo de informações do acompanhamento seria útil ao seu trabalho de orientador e ao curso, e qual a sugestão de tipo de documento. As respostas referentes a esse tópico foram agrupadas nessa categoria.
Houve boa receptividade do tema, uma vez que os professores não têm um instrumento que defina claramente as atribuições e os procedimentos esperados de quem assume a função de professor orientador no âmbito do curso de Pedagogia presencial. O professor P11 comentou que sente falta de uma definição:
Ter um instrumento que defina o status do orientador acadêmico: formalizar e definir procedimentos, tarefas, atribuições, se tem carga horária, porque é um sobretrabalho para o orientador acadêmico acompanhar o estágio. (P11)
A definição de regras e normas é instituída geralmente por meio de políticas, de acordo com Amorim e Da Silva (2011), visando o bem estar da comunidade, aqui representada pelo corpo de professores orientadores que se mostrou carente de descrição quanto ao seu trabalho.
Indicando diferentes tipos de documentos, todos os professores orientadores consideram positiva a existência de um documento norteador. O entrevistado P5 concluiu:
Tava aqui pensando no seu objetivo: política de informação e tudo.
Acho que nós carecemos disso. Tanto que a gente falou de informação aqui e fui pensando coisas que eu não tinha, né? não só a informação internamente, e aí a informação internamente passa pelo relatório, mas passa pela... por criar situações ou momentos onde essa informação possa circular, que não seja só no relatório. (P5)
Esses relatos vão ao encontro do que preconiza Farias e Vital (2007) de que a GI não é suficiente para estabelecer padrões e normas para o fluxo de informação, sendo preciso agregar uma política de informação como ferramenta para melhor aproveitamento das informações. Com isso, permite-se compatibilizar interesses, tornando as ações mais uniformes e coerentes, o que é listada por Bio (2008) como um benefício das políticas em ambientes descentralizados.
Se a existência de documento formal foi consenso, o tipo de documento dividiu o grupo de professores orientadores. Por um lado, os entrevistados P4, P6, P9, P11 e P12 consideram que um documento com caráter mais regulamentador, com a descrição das atribuições e delineamento mínimo de como proceder, seria adequado. De acordo com o professor P6:
[...] emitir uma resolução que colocasse alguns limites e objetivos que, enquanto instituição, nos interessa também. [...] Apenas o documento em si, eu acho que é só uma burocracia, mas talvez uma burocracia importante. (P6)
Por outro lado, os entrevistados P2, P3, P8 e P10 indicaram um documento informativo, um manual específico ou um tutorial, disponível para os professores orientadores, que poderia ser disponibilizado no SIGAA. O professor P3 é enfático: “Um documento orientador, não normatizador, porque a norma está para além da gente... já tá bom de normas! Mas um documento orientador [...]”.
Uma condição muito presente nas esferas decisórias da área da educação, aplicada no Centro Acadêmico em estudo, é a tomada de decisões coletivas e democráticas, o que foi notado nas respostas das entrevistas de P3, P4, P10 e P12, em que, qualquer que fosse o documento, deveria ser discutido em esferas colegiadas para ter respaldo. O professor P3 defendeu essa condição:
Uma coisa que eu acho importante é que o fluxo, os procedimentos, as orientações são absolutamente necessárias e importantes, mas eu acho que elas sempre devem vir acompanhadas de uma discussão, uma reflexão sobre o perigo da burocratização. De a gente ficar restrito, limitado ao que tá ali, sem interagir com os alunos, sem pensar no que está acontecendo, sem pensar em novas situações e experiências. (P3)
Davenport (1998) comenta que a política de informação deve se adaptar à estrutura existente na organização. A partir dos modelos de política da informação do autor, os resultados das entrevistas mostraram que nos relatos acima os professores posicionaram-se em defesa de uma cultura encontrada no modelo denominado federalismo. Nesse modelo, busca-se o consenso do grupo e o controle não é exclusivo de um poder central, mas também dos grupos que discutem o assunto, constituindo-se uma democracia representativa.
A análise dessa categoria indicou ambiente organizacional propício para receber especificações quanto ao trabalho do professor orientador, pois se percebeu o acolhimento da proposta de um fluxo de informações para preenchimento de uma lacuna informacional, previsto em um documento norteador.
Na seção seguinte será apresentada uma proposta de fluxo de informações, elaborada a partir das sugestões dos entrevistados, inserida no contexto de uma política de informação.
6 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
O percurso metodológico adotado neste estudo encerra-se com a proposta de intervenção alinhada ao objetivo geral de estabelecer um fluxo informacional do acompanhamento do estágio supervisionado não obrigatório, inserido no contexto de uma política de informação.
Neste sentido, apresenta-se um modelo de fluxo de informações para o acompanhamento do estágio não obrigatório fundamentado no referencial teórico deste estudo e na análise e discussão das entrevistas. O material analisado revelou vivências e perspectivas dos próprios sujeitos da pesquisa acerca de possibilidades para o acompanhamento do estágio não obrigatório.
No fluxo informacional apresentado há elementos que instigam novas relações com as informações produzidas por meio do acompanhamento do estágio não obrigatório. Partindo disso, foram incorporadas ações voltadas ao fortalecimento do fluxo informacional em perspectiva mais formativa para o estágio não obrigatório e integrada ao curso de Pedagogia. Também houve a preocupação de expandir o contato com o ambiente externo, prevendo-se troca de informações com as instituições concedentes de estágio.
Dessa forma, foram priorizados três aspectos na construção do fluxo de informações:
a. Captação de informações tanto internas quanto externas para análise da realidade do estágio não obrigatório a partir da perspectiva acadêmica e do campo de atuação.
b. Incremento da divulgação de informações sobre o estágio não obrigatório, ao público interno e externo, para melhor aproveitamento da experiência tanto no curso como no campo de trabalho; e
c. Aproximação da instituição de ensino com a instituição concedente para troca de informações.
Destacam-se, assim, ações envolvendo os três sujeitos: professores orientadores, supervisores da instituição concedente e estagiários, com o propósito de reunir esforços, concordando com o pensamento de Pereira e Pereira (2012, p.33) em relação ao estágio: “acreditamos que há de se ter uma proposta de
atuação conjunta da escola com as instituições formadoras, unidas pelo desejo de preparar melhor seu pessoal e de transformar-se, impondo a transformação social".
O fluxo de informações proposto é baseado nas etapas do modelo de Beal (2004). Sua elaboração considerou as ações do fluxo de informações existente, mas contemplou, sobretudo, a interpretação dos resultados das categorias finais obtidas com a análise de conteúdo realizada. Buscou-se, assim, atender as demandas e proposições apresentadas pelos entrevistados, detectadas na pesquisa.
6.1 Proposta de fluxo de informações do acompanhamento do estágio não