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4.5 CASO 5: TEC

4.5.2 Categorias que Compõem o Caso TEC

As demais categorias que fazem parte do caso TEC são: “pesquisa & desenvolvimento + inovação”; “tríplice hélice”; “interação dos ambientes de inovação e universidade empreendedora”; e “legislações”. Todas essas categorias serão abordadas nesta seção.

A primeira delas é “pesquisa & desenvolvimento + inovação”, tríade importante do ponto de vista do entrevistado E3. Para ele, a figura do empreendedor é crucial para que a pesquisa possa gerar inovação:

[...] recentemente ficamos nos perguntando: para que servem as patentes? Se, no final, as patentes estão aí e não geraram um impacto positivo necessariamente na sociedade? E então nosso enfoque tem sido maior em comercializar essa tecnologia e essas patentes. A partir disso, nossa pesquisa tem se convertido em uma pesquisa muito mais aplicada para resolver problemas ou atender a soluções dos grandes problemas do México, e isso está nos levando a um empreendedorismo tecnológico, de alto valor agregado, diferenciado.

Embora os rankings estudados avaliem o patenteamento como uma das métricas de inovação nas universidades, a patente não significa inovação, mas o primeiro passo para que esse processo ocorra. De acordo com Schumpeter (1934), a invenção, que é a fase em que a patente se encontra, faz parte da chamada Trilogia Schumpeteriana, composta por invenção, inovação e difusão. Para o economista, a inovação só acontece com a participação do empreendedor. E o empreendedorismo pode ser definido, segundo Hisrich e Peter (2004), como um processo de criação de algo novo e com valor, em que se assumem riscos e recompensas, sejam elas econômicas ou sociais.

A seguir, é possível visualizar outro exemplo citado pelo mesmo entrevistado para alinhar a pesquisa desenvolvida na universidade com algo que possa ser aplicado na resolução de problemas reais nas empresas e também para auxiliar na interação dos ambientes de inovação com a universidade empreendedora:

Então, no ConecTec, se faz uma pesquisa prévia, se vai com uma ou duas empresas, se pergunta quais são seus maiores desafios e que orçamento têm, e normalmente essas empresas buscam isso fora, no exterior. Então, já que quero isso, tenho esse problema, esse desafio, então nós viemos pra dentro e buscamos professores. Olha, essa empresa requer processos manufaturados, podemos entregar? Isso prepara o que você está fazendo porque vamos ter o ConecTec, e nesse dia então tem apresentações de ambos os lados; as empresas apresentam suas necessidades, e o pesquisador apresenta o que tem em seu portfólio, e então se faz conexões, e então a empresa diz ao pesquisador: “Se tua pesquisa chega nesse objetivo, me interessaria apoiá-la”. O pesquisador diz: “Sim, me interessa”. Então, assim é como se desenvolvem as pesquisas em um parque tecnológico que promove, que é como um ponto que une essas coisas, transferência de tecnologia, entre outras.

Nesse momento relatado pelo E3, surge a última fase da trilogia proposta por Schumpeter (1934), que é a difusão, ou seja, a transferência de tecnologia. Para Guenther e Wagner (2008), uma instituição que elabora mecanismos para auxiliar a transferência de tecnologia e o empreendedorismo a partir da pesquisa realizada é uma universidade empreendedora.

O entrevistado E5 menciona, contudo, que nem sempre a instituição tem recursos suficientes para manter a pesquisa com qualidade e de ponta, sendo necessário, nesse caso, recorrer a outros financiamentos:

[...] para mantê-los com qualidade, às vezes precisamos recorrer a outros fundos internacionais, como Banco Mundial, entre outros; no geral seria isso. Temos também muitas coisas financiadas pelas indústrias pelo setor privado.

A próxima categoria a ser relatada é a “tríplice hélice”, modelo que, de acordo com Etzkowitz e Leydesdorff (2000), passou por mudanças desde sua criação. Primeiramente, o papel de controlador no modelo era exercido pelo governo; logo depois, passou a ser exercido pela relação entre as organizações; e, por último, pelas relações que geram outras organizações, ou seja, empresas híbridas. Para o entrevistado E5,

[...] cada vez se percebe mais essa união entre a universidade, a indústria e o governo, e eu acredito que é uma relação importante para que um país siga pra frente e deixe de ser dependente da economia primária e passe para uma economia de valor agregado e de gerar mais conhecimento. E, se a universidade não fizer, o governo não irá, e a indústria, muito menos.

Para esse entrevistado, tal relação entre governo, empresas e universidades é importante para que não se dependa somente da chamada economia primária, impulsionada por recursos retirados da natureza, mas para que seja possível contar, também, com uma economia do conhecimento, gerada a partir de tecnologia e de novas soluções sustentáveis (AUDY; PIQUÉ, 2016). O entrevistado E6, por sua vez, menciona que existem muitas dificuldades nessa relação, “mas o principal é vontade política, não é uma questão de dinheiro, não é uma questão de cultura. Vem mudando aos poucos. As dificuldades que existem, todas são salváveis”. Segundo ele, é preciso que prevaleça a vontade de transformar a sociedade em um lugar melhor, com qualidade de vida. Se isso acontecer, todas as dificuldades podem ser superadas.

Na sequência, a categoria a ser descrita é a “interação dos ambientes de inovação com a universidade empreendedora”. Essa categoria é importante para demonstrar o quanto os ambientes não podem ser locais isolados dentro da instituição, para que possam auxiliar

principalmente na sustentabilidade econômica. Nesse sentido, destaca-se a criação de comitês de assessoramento econômico, jurídico e ético, que é primordial para o bom funcionamento de todas as áreas dentro da universidade, assim como dos ambientes de inovação (CLARK, 2003b).

Uma das formas que a pesquisa chega às empresas que estão no parque é por meio da transferência de tecnologia e outra é por meio de que no parque se estabeleça uma

spin-off. Se a decisão da pesquisa é por criar algo novo, o parque pode não ser um

lugar exclusivo, mas pode ser um dos lugares onde se desenvolva uma spin-off. Essa é a forma que a pesquisa tem envolvimento com o trabalho que se está fazendo no parque. Então, são dois atores com muita relação, mas independentes. O parque não depende da universidade e sua estratégia de investigação, depende mais da estratégia de transferência de tecnologia e empreendedorismo, isso nessa universidade.

Para o E4, no trecho acima, a interação dos ambientes de inovação constitui um mecanismo que pode auxiliar na criação dessas novas empresas como as spin-offs, e, para isso, as universidades precisam estar atentas e se renovando constantemente. Ao encontro disso, Audy (2006) afirma que essas novas estruturas é que vão diminuir os entraves que o processo de interação pode causar, como, por exemplo, o tempo de cada um dos atores.

A partir disso, surge a última categoria discutida neste estudo, que é a “legislação”, atrelada tanto à tríplice hélice quanto à interação dos ambientes de inovação com a universidade, pois as leis, os regulamentos e as portarias são os instrumentos que definem como ocorrerão todos os processos dentro da universidade empreendedora. Dessa forma, cada instituição deve ter a sua própria autonomia para elaborar essa documentação. Segundo o entrevistado E3, a legislação:

[...] fala do que podemos fazer, do que não podemos fazer, como se considera, como proceder, o que reconhecemos como propriedade intelectual, o que não reconhecemos, o que um professor tem que fazer, e está muito bem feita. Levou muito tempo... Muitas pessoas, muitas pessoas boas, pessoas focadas nisso. É uma política muito boa. Pessoalmente eu sinto que foi um grande avanço.

Para o E7, a inclusão do empreendedorismo na legislação aprovada no TEC configura uma mudança importante, pois estimula os inventores a comercializar e fazer com que os produtos cheguem ao mercado. Em seu ponto de vista, também é importante frizar que no TEC o inventor é quem detém 50% da patente, a fim de que, assim, ele se sinta cada vez mais estimulado a inovar:

[...] Sim, temos políticas de propriedade intelectual desde 2007. Começamos com a primeira política de incentivos um pouco antes, e depois a de transferência de

tecnologia. Em 2016 lançamos a nova que contempla o tema de empreendedorismo, pois damos evidência para a criação de empresas de base tecnológica pelos resultados das pesquisas e também como se conduzir os conflitos de interesse. Nossa política prevê que 50% da patente seja do inventor, e isso é uma coisa interessante que tivemos a intenção de impulsionar com a vice- reitoria.

No início, pode parecer que isso compromete a sustentabilidade do parque, porém, de acordo com o entrevistado E7, é melhor ter uma fatia menor e mais produtos do que não ter produtos. Essa nova forma de pensar da gestão permite que as instituições adotem um papel de equilíbrio (MUNCK; GALLELI; SOUZA, 2013).

Assim, todas as categorias que compreendem o caso TEC foram apresentadas, o que permite expor o mapa conceitual que representa como a sustentabilidade econômica pode ser pensada com o auxílio dos ambientes de inovação na visão dos entrevistados do TEC, conforme a Figura 57.

Figura 57 - Mapa conceitual do TEC com foco na sustentabilidade econômica

Fonte: Elaborada pela autora a partir do software NVivo®.

O mapa conceitual da Figura 57 demonstra a importância da estratégia institucional para o TEC, já que tal estratégia constitui a base para a gestão universitária saber articular todas as suas ações por meio de uma cultura empreendedora forte. Tal cultura auxilia na formação de profissionais com o diferencial do empreendedorismo acadêmico articulado pela interação universidade-empresa, diretamente auxiliada pelos ambientes de inovação com foco na sustentabilidade econômica. Dessa maneira, a instituição apresenta um diferencial, que é o ecossistema integrado.

Segundo Allinson et al. (2012), a capacidade organizacional, a liderança e a governança na gestão universitária fazem com que os investimentos em ambientes de inovação não sejam vistos como custos, auxiliando na geração de ideias que são subsidiadas pelo empreendedorismo acadêmico. Essas estratégias internas fortalecem e demonstram organização, intensificando as possibilidades de transparência e foco e proporcionando, assim,

mais chances de acessar recursos externos, como editais de fomento públicos e até mesmo investimento privado, para a pesquisa e o empreendedorismo (OLIVEIRA, 2015).

Reunir estratégias voltadas para os ODS demonstram o quanto as universidades podem contribuir para um ambiente com qualidade de vida, tal como proposto na meta 4.4 desses objetivos. Essa meta representa as habilidades necessárias para aumentar a capacidade de geração de emprego e trabalho decente com o auxílio do empreendedorismo (FLEACA et al., 2018; ONU, 2018).