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Cenário internacional da Propriedade Intelectual

2. PATENTE COMO INSTRUMENTO DE DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO

2.3 Cenário internacional da Propriedade Intelectual

As discussões acerca da necessidade de uma proteção internacional de autoria, a Propriedade Intelectual, surgiram pela primeira vez em Viena no ano 1873, baseada num manifesto de expositores que se recusaram a participar de um Salão Internacional de Invenções, por não acreditarem em formas de garantir que outros inventores se apropriassem de suas ideias obtendo lucros com a exploração em outros países42. De acordo com Bermudez et al. (2000), o Brasil foi o quarto país do mundo a estabelecer proteção dos direitos do inventor pelo Alvará do Príncipe Regente de 28 de janeiro de 1809.

A primeira Convenção Internacional sobre Propriedade Intelectual, a Convenção de Paris, foi estabelecida após a conjuntura de debates e busca dos Estados Soberanos por proteger as criações produzidas em território nacional. Em 1883 foi estabelecida a independência da concessão entre os países, o tratamento igual entre nacionais e estrangeiros e o direito à prioridade para depositar o mesmo pedido em outros países signatários da Convenção. A partir daí, o Direito Internacional Público produziu mais uma fonte para regulamentar a Propriedade Intelectual no âmbito internacional, a Convenção de Berna sobre Direitos Autorais (WANGHON43, sem data).

Atualmente, para Wanghon (sem data), o panorama na conjuntura internacional gira em torno da discussão sobre o TRIPS (Trade Related Aspects of Intellectual Rights44) 1995 – que trata da Propriedade Intelectual – devendo refletir as consequências da implementação deste Tratado para o Brasil, país em desenvolvimento que possui megadiversidade, mas pouco fomento em atividades de desenvolvimento científico- tecnológico. No âmbito do ordenamento jurídico brasileiro, pode-se deparar com a nova Lei

42 Informações estão disponíveis no site da World Intellectual Property Organization:

http://www.wipo.int/treaties/en/general/. Acessado em 17 de outubro de 2012.

43

Disponível em http://www.cesupa.br/saibamais/nupi/doc/Mois%C3%A9s.doc. Acessado em 24 de outubro de 2012.

44 O TRIPS entrou em vigor em 1995 e colocou todos os signatários em plena conformidade de cada país a

ter um sistema de direitos de propriedade intelectual e a aplicação eficaz de acordo com as normas e padrões internacionalmente acordados.

sobre Propriedade Intelectual 9.279/9645, que substituiu a lei 5.772/71, e regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, implementadora de mudanças.

No mundo contemporâneo, de acordo com Klein (1998), o desenvolvimento econômico está baseado na capacidade de os países se apropriarem e aplicarem o conhecimento na geração e distribuição de riquezas, que vem assumindo, cada vez mais, formas intangíveis. Isso porque o capital ou ativo intelectual das empresas é a base sobre o qual se assenta sua competitividade. E esse capital se expressa tanto no conhecimento das empresas quanto em suas experiências, sua especialização e outros intangíveis, em contraposição ao capital físico e financeiro que determinavam suas condições e vantagens no processo concorrencial.

Para Dosi e Marengo (1994), o sucesso no processo de desenvolvimento (para a sociedade) e no processo competitivo (para as empresas) está relacionado à capacidade de identificar, cultivar e explorar esses ativos intangíveis, que conformam a competência essencial das corporações e das sociedades para enfrentar, resolver problemas específicos e aproveitar as oportunidades de negócios e desenvolvimento.

De maneira geral, Sherwood (1992) acredita que os países com economias avançadas tendem a ser aqueles que dispõem de sistemas de proteção à propriedade nos quais o público deposita um certo grau de confiança. Assim, o autor afirma que a proteção à inovação tem sido o fermento do desenvolvimento econômico de muitos países, haja vista que algumas maneiras de pensar em padrões de atividade que estimulam a criatividade humana e geram tecnologia nova foram proporcionados pela proteção à inovação.

Quando uma entidade – pessoa física ou jurídica – protocola o pedido de registro da patente na instituição competente, uma patente é depositada, visando garantir o direito de propriedade de uma inovação por meio de sua comercialização, direta ou incorporada em produtos e processos produtivos. Nesse sentido, apesar da possibilidade de a patente também ser depositada por indivíduos ou instituições, acreditamos que o depósito de patentes pode ser considerado um indicador de resultado (ou produto) dos esforços inovativos das empresas e que permite mapear um resultado importante da produção de tecnologia.

No Brasil, ao contrário do observado em países desenvolvidos, as universidades públicas são responsáveis pela maior parte dos depósitos de patentes. Para operacionalizar esse trâmite, contam em sua estrutura com escritórios voltados à gestão tecnológica, denominados Núcleos de Inovação Tecnológica ou Agências de Inovação (FABIANO, 2012).

No que diz respeito às patentes acadêmicas, segundo os autores Cesaroni & Piccaluga (2005, apud OLIVEIRA e VELHO, 2009), as atividades de patenteamento e licenciamento não ocorrem isoladamente dentro da universidade moderna, estando associadas a inúmeros outros fenômenos atuais e inter-relacionados que, em conjunto, formam um contexto institucional mais complexo em comparação àquele da universidade “tradicional”. Para eles, atualmente a universidade desempenha papéis que originalmente eram entendidos como de responsabilidade exclusiva de outras instituições, tais como empresas e governos. Desse modo, tem sido cada vez mais comum encontrar universidades que mantenham relações de efetiva cooperação com o setor produtivo, que desempenhem papel de destaque no desenvolvimento econômico local ou regional, que tenham implementado iniciativas concretas para proteger e comercializar os resultados de suas pesquisas e que tenham contribuído para a formação de empresas nascentes de base tecnológica (spin offs), dentre outras.

O processo de proteção e comercialização dos resultados de pesquisas acadêmicas, por meio do uso do sistema de patentes, remete ao início do século XX, quando algumas universidades e laboratórios públicos de pesquisa dos EUA realizaram suas primeiras atividades de patenteamento. No Brasil, esse mesmo envolvimento começou a ocorrer apenas a partir da década de 70, quando algumas universidades públicas brasileiras depositaram os primeiros documentos de patente. (OLIVEIRA, 2011, p.1)

Sobre o patenteamento de pesquisas das empresas, Cohen et al. (2002) afirmam que são vários os motivos para uma empresa patentear uma invenção, além de sua exclusividade de exploração econômica, entre eles medir sua performance, faturar com licenciamento para terceiros, usar em negociações, evitar litígio, bloquear competidores, fortalecer sua reputação, entre outros. Aliás, o patenteamento de uma invenção não significa que a empresa irá realizar sua exploração comercial, pois o estágio de

desenvolvimento da invenção pode ainda não estar no ponto de ser levado ao mercado, ou as tecnologias auxiliares e ativos complementares estarem pouco desenvolvidos.