Capítulo 4: SUSTENTABILIDADE EM MUSEUS ADAPTADOS
4.5. Checklist de Sustentabilidade
No setor museológico, apesar de ser quase uma unanimidade, que edifícios históricos e sustentabilidade possuem muitos aspectos em comum, a discussão sobre este tema ainda é relativamente recente, apesar dos exemplos anteriormente apresentados. Contudo, os museus referenciados demostram que é viável a reutilização adaptável e a aplicação de procedimentos sustentáveis, desde que, as escolhas sejam criteriosas e não comprometam o valor patrimonial do bem edificado.
Em 2011, em um painel temático organizado pelo ICOM, intitulado “Museus e
Desenvolvimento Sustentável: como é que o ICOM pode apoiar concretamente a comunidade de museus nos seus projetos de desenvolvimento sustentável”, as perspectivas abordadas
105 Este projeto de melhoria do clima, que produziu com sucesso um ambiente, tanto para a preservação do
acervo e conforto humano em uma casa/museu histórico, abriu o caminho para uma ampla aplicação de baixo custo de estratégia de melhoria, relativamente simples para ambientes de instituições culturais em climas quentes e úmidos.
Capítulo 4: SUSTENTABILIDADE EM MUSEUS ADAPTADOS
revelaram uma grande interligação no tratamento entre a sustentabilidade dos museus e o seu papel para o desenvolvimento sustentável no meio onde estão inseridos.
Para Negri (2010) o surgimento da noção de “Green Museum” (museus verdes) tem gerado diferentes atitudes sobre esta questão:
[...] it frequently seems that it will be enough to transfer what said, experimented and done for other kinds of institutions (namely schools, hospitals and libraries) in terms of energy saving for instance to guarantee good results and to moderate the typical museum apetite for energy. This vision goes together with the idea that staff
behaviour is a key fator in the move towards the Green Museum, in other terms:
let‟s be green and our museum will become green. But things are more complicated
than this. As the publishing company Museums Etc writes in advertising the 300
pages book by Rachel Madan “SustainableMuseums: Strategies for the 21st Century”: “this is not a book about changing light bulbs…”, also because lighting
bulbs strictly speaking are going to disappear from the museum scene with the
triumph of the LED technology, one could add (NEGRI, 2010, p.13)106.
Independentemente das diversas opiniões existentes, uma realidade é certa: as aplicações conceituais das dimensões da sustentabilidade estão sendo amplamente difundidas e, até mesmo sendo exigidas por diversos setores regulamentadores, civis, políticos, etc. Então, para iniciar a utilização real das noções sustentáveis, o primeiro passo deve ser responder a algumas questões básicas:
1. Quais são as características fundamentais no tratamento de um museu para alcançar a sustentabilidade nas dimensões sociais, ambientais, econômicas e culturais?
2. Como podem ser realizados os monitoramentos e as avaliações para saber até que ponto os objetivos e metas estão sendo atingidos?
3. Como estão os planejamentos e as operações diárias? Eles seguem algum cunho sustentável?
106 [...] frequentemente, parece que vai ser suficiente transferir o que é dito, experimentado e feito para outros
tipos de instituições (escolas, hospitais e bibliotecas), em termos de economia energética, para garantir bons resultados e minimizar o típico gasto de energia de um museu. Essa visão coaduna com a ideia de que o
comportamento dos funcionários é um fator-chave na transição para o Museu Verde, ou seja: vamos ser verdes e nosso museu ficará verde. Mas as coisas são mais complicadas do que isso. Como a editora, Rachel Madan, da publicação Museums Etc. escreve em seu livro de 300 páginas, "Museus Sustentáveis: Estratégias para o Século 21": "este não é um livro sobre a troca de lâmpadas ...", também porque as lâmpadas de iluminação, a rigor, vão desaparecer de cena do museu com o triunfo da tecnologia LED (tradução nossa).
Estes questionamentos são amplos e podem estar relacionados a qualquer tipo de edificação ou de uso e certamente originarão múltiplas respostas.
Em 2008, a Museums Association107 publicou um documento de discussão, sobre
sustentabilidade e museus. Foram realizadas oficinas em todo o Reino Unido, o que resultou em uma publicação (ver FIGURA ) e uma cartilha resumida (ver FIGURA ), ambos enviados a todos os membros participantes. Cerca de quatrocentos funcionários de museus integraram as discussões e workshops, mais de mil pessoas ouviram conferências sobre o tema, e artigos foram publicados nas revistas Museums Journal Magazine e Museum Practice.
FIGURA – Publicação/Documento de Discussão da
Museums Association.
Fonte:
http://www.museumsassociation.org/download?id=16398, 2012.
FIGURA - Cartilha resumida da Museums Association. Fonte:
http://www.museumsassociation.org/download?id=17944, 2012.
Este documento de discussão foi o resultado de extensas pesquisas documentais, consultas a especialistas, mesas redondas de experts e discussões entre comitês. De acordo com a associação, até recentemente, os museus não estavam inclinados a pensar de forma objetiva sobre a sustentabilidade, daí a necessidade da realização de uma campanha sobre o tema.
A campanha, intitulada Sustainability Campain, teve a intenção de difundir a sustentabilidade no ambiente museal e conduzir os diversos atores envolvidos com museus, a
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refletir sobre a sustentabilidade nos âmbitos social, econômico e ambiental e, consequentemente, a (re)pensarem nas suas respectivas atividades dentro do espaço museal.
De acordo com a campanha, os museus possuem um importante papel, de longo prazo, na preservação e no envolvimento de toda a comunidade, equilibrando os interesses de diferentes gerações passadas, e simultaneamente, atendendo à sociedade atual, repassando coleções, informações e conhecimentos, inclusive, futuros. E este papel reflete as premissas do desenvolvimento sustentável108.
Nas conferências da Museums Association de 2009 e 2010, o tema “sustentabilidade
versus museus” também fez parte das sessões, como um dos temas centrais. A ideia foi obter
e manter um museu mais verde, pois a campanha de 2008, demonstrou que ainda existem muitas coisas a serem feitas, pois os museus precisam de ajuda de consultores e especialistas, e ainda não priorizam a sustentabilidade em todas as suas vertentes. Este é um processo que deve ser pensado cuidadosamente, a médio e longo prazo, para que as propostas e implementações possam prosperar, através do uso de menos energia e consequente diminuição dos gastos de operação e manutenção de qualquer tipologia museológica.
David Martin, editor de Museums Journal e Museum Practice, contribuiu para a elaboração do Documento de Discussão da Museums Association, juntamente com outros experts, anteriormente referenciados (May Cassar e Sarah Staniforth). Ao final dos trabalhos, Martin (2009) compilou todas as informações e análises realizadas, o que resultou em um “Checklist da Sustentabilidade”, direcionado a museus.
Este checklist se apresenta como uma das múltiplas possibilidades de mensuração da sustentabilidade aplicada a museus, podendo ser transposto aos museus históricos que passaram por uma reutilização adaptável.
4.6. Um Checklist de Sustentabilidade para Museus Históricos Adaptados