A CIDADE DOS CANIBAIS

No documento Direitos autorais 2020 Edmilson Antunes Tavares. Todos os direitos reservados (páginas 28-42)

Existiu em um tempo remoto um reinado incomum. O rei era Malaquias XVI, os Malaquias pertenciam à 5a dinastia do terceiro reinado. Conta-se que houve uma revolução e um deter-minado grupo rebelde rmou um reinado a noroeste do sul de um desses continentes, e denominou-o de Barbibol, e ali se deu proce-dência ao primeiro reinado.

Esses rebeldes foram durante um bom tempo apenas contraventores do seu reino, simples anarquistas. Chegou porém um tempo em que o reino enfrentou uma grande guerra, aprovei-tando-se dessa situação esses revolucionários saquearam o reino e fugiram pelas orestas do leste, saindo praticamente no litoral sulino do continente. Era um local semidesabitado por dois mo-tivos: as terras não eram boas, na verdade, praticamente só pân-tanos; eram habitados por nativos canibais. Mas os revolucioná-rios dominaram tais terras, mataram os canibais e ncaram uma bandeira no alto de um pico ao centro de seus acampamentos, declararam-se naquele dia independentes. Trataram de organizar um Estado para, a partir dele, obterem reconhecimento político, econômico e militar. O nome do novo reino cou sendo Bar-bibol, homenagem aos três principais nomes da revolução que principiou tal reino. Eram eles: Barbosa, foi quem deu início ao movimento, tendo como motivo as atrocidades do rei contra o povo, ele foi preso, condenado e enforcado em praça pública; Bi-tencourt, passara à frente com a morte de Barbosa, um tanto mais cauteloso, esperou o momento certo para estourar a revolução, foi morto por um dos seus por engano durante o saque aos

tesou-ros do rei, um dia antes de deixarem o reino, ele fora confundido com um guarda ao qual em muito se assemelhava, isso porque estavam vestidos tal qual os guardas, e era noite; e nalmente Bo-lívar, que assumiu o comando durante a madrugada do saque e os conduziu até ali, atravessando a selva e vencendo os canibais na-tivos. Foi ele quem os declarou independentes. Foi também o seu primeiro rei.

O reino do qual descenderam conseguiu vencer a guerra e logo em seguida enviou uma missão para recuperar os tesouros por eles roubados, pois representavam um alto valor. Foi a pri-meira batalha que enfrentaram, e venceram. Mandaram um dos soldados de volta, levando uma mensagem, a seguinte: “Cordiais

saudações de sua Majestade, o rei Bolívar de Barbibol…Assim, tenho toda a torcida para que, de agora em diante haja paz entre nossos

povos…” Era, claramente, uma mensagem audaciosa. Depois de tal

acontecimento eles aumentaram seus domínios, tomando todo o sul do continente (a princípio eles se xaram a noroeste de tal ponto cardeal).

Eram inicialmente três vilas de camponeses, lugarejos po-bres, quase fantasmas, pois eram considerados alvos de constan-tes ataques barbibolianos, que há esse tempo ainda eram conside-rados como ladrões e Barbibol ainda não era reconhecido como um reino. E de fato não era, pois não tinham uma capital, o Estado era quase tão somente uma hierarquia militar, o rei não tinha um título e era mais general que rei, era chefe militar, jamais civil, que usava uma coroa de madeira, isso porque tudo o que tinham de valor fora convertido em armas, de maneira ilícita, contrabande-adas dos reinos do norte. Era de tal forma Barbibol uma organiza-ção guerrilheira situada nos improdutivos campos do sul.

A grande reviravolta aconteceu com a morte de Bolívar. O seu lho, ao assumir o poder, tomou decisões importantíssi-mas. Primeiro: reorganizou o organograma do Estado, dividindo-o em ddividindo-ois pdividindo-oderes: dividindo-o pdividindo-oder Civil, cuja autdividindo-oridade máxima era dividindo-o rei, e na ausência deste, o chefe do Ministério Real (este também criado pelo lho de Bolívar), sendo o rei o poder máximo e total do país, e o poder Militar, culminado pelo general de Estado,

inferior apenas ao rei, ou ao seu substituto. Este cuidava da orga-nização militar, aquele dos assuntos sociais, políticos e econômi-cos. Outra decisão sua foi invadir as três vilas. Isso causou uma pequena guerra, porém, como as vilas não estavam apresentando bons resultados econômicos e como o exército barbiboliano era forte, as tropas que vieram expulsá-los, depois de perderem três batalhas seguidas, recuaram e montaram guarda ao norte, apenas para evitar o seu avanço.

Logo tendo a paz acontecido, o lho de Bolívar foi para a vila situada mais ou menos em meio às outras duas, proclamou-as cidade, e apossou-se do título de Felix III _ os reis Felix I e II foram os melhores de seu antigo reino. Os camponeses que ali residiam não foram escravizados, pelo contrário, caram livres para deixa-rem o local calmamente, ou mesmo permanecedeixa-rem. A vila, que passara a cidade e fora proclamada capital, recebeu o nome de Esmeralda. As outras duas denominadas a partir dela, a que se en-contrava a leste, recebeu o nome de Esmeralda do Leste, e a outra ao sul, de Esmeralda do Sul. Foi a partir destas três cidades que Barbibol se forticou. Com oito dinastias e vinte e oito guerras tornou-se um dos grandes reinos daquele continente.

Todos os prisioneiros de guerra eram enjaulados e manti-dos em cativeiro até a morte. Eram, na verdade, escravizamanti-dos e tornados camponeses forçados a produzir para manter o clero, os nobres, a realeza e os militares, uma vez que os plebeus planta-vam e colhiam o próprio alimento, e mantinham uma espécie de economia à parte.

Houve por aquela época uma grande estiagem, a fome e a miséria espalharam-se por todo o reino, pois a agricultura era a base do comércio. Aproveitando-se desse infortúnio um reino vizinho declarou guerra a Barbibol. Era a vigésima nona guerra de Barbibol, e era grande a desvantagem, os soldados estavam fra-cos e não resistiam muito às lutas. Assim o general que estava na frente principal de batalha, vendo-se cercado pela fome, resolveu tomar uma decisão radical, reaproveitar os corpos dos soldados mortos para alimentar o restante das tropas. O reino já havia per-dido em tal época três quintos de seu território. Alimentando

seus soldados com carne humana, o general conseguiu recuperar um décimo do território perdido, porém devido aos problemas nanceiros de Barbibol os monarcas de ambos os lados resolve-ram dar m à guerra.

O general, revoltado com a decisão do seu monarca, pois estava tendo ótima revanche contra o inimigo quando recebeu ordens de recuar, reuniu sua tropa e voltou à capital do reino e tomou o poder. Deu ordem às tropas para retomarem a guerra imediatamente. A sua ausência à frente de batalha obrigou-o a pôr em seu lugar um outro general, de ótima competência, porém de péssima conabilidade. Como era de se prever, o general aliou-se ao inimigo e retornou à capital para tomar o poder, e foi empo-çado pelo monarca do país invasor com o título de soberano su-premo do então vice-reino de Barbibol.

Ali se deu início ao que se denominou de segundo reinado, tendo durado apenas uma dinastia, a do general, ndou-se com uma grande revolução, promovida pelo próprio lho do general.

Barbibol estava em estado de plena miséria. Os homens eram recrutados para guerras e as mulheres, crianças e velhos

tra-balhavam para o sustento do reino que os tinha sob domínio. O descontentamento era geral. O lho do general, denominado de Castor II, não aguentava mais ver o estado deplorável de seu povo, reuniu os anciãos, as mulheres e as crianças, e formou um exér-cito. O mesmo contava com a experiência de guerra dos anciãos, com o treinamento reforçado das mulheres e com a agilidade das crianças, além de esperar a sensibilização dos soldados barbiboli-anos que estavam do lado inimigo servindo-o.

O reino que os tinha sob domínio estava em guerra, aproveitando-se dessa ocasião o soberano supremo Castor II deu ordem para principiar a revolução. O início desta se deu com o boicote de alimentos e produtos bélicos fabricados naquele reino. Logo após, Castor II declarou a independência do reinado, comunicando ao seu exército e enviando uma carta ao rei do reino opressor. Assim, o terceiro reinado despontava.

Castor II declarou-se rei com o título de Almero I e mudou o nome de Barbibol para Esbéldia, que procedia no nome beldade,

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sendo homenagem às mulheres daquele reino.

Como previa Almero I Esbéldia não foi atacada por ocasião de sua independência. Prepararam-se ao máximo esperando o m da guerra, porém o rei do outro reino ao saber de sua independên-cia estava convicto que, ao retornar, os soldados barbibolianos, ou melhor, esbeldianos, cariam do lado de seus familiares e con-terrâneos. Assim, logo que a guerra teve m ele ordenou às tropas de seu reino para aprisionarem os esbeldianos, e de tal forma deu-se. Após, declaram guerra a Esbéldia tentando recuperá-la, mas já era tarde, as crianças já eram adolescentes e jovens, bem prepa-rados e munidos. Mesmo assim a maior experiência do inimigo prevaleceu sobre eles e Esbéldia perdeu cinco sétimos de seu ter-ritório.

Almero I organizou uma tropa e enviou-a, pelo território inimigo, até o campo de prisioneiros onde estavam os esbeldia-nos. Levaram armas para eles e obtiveram sucesso em sua missão. Eles formaram uma espécie de tropa que atacaram a retaguarda. Lesaram em muito o exército do opressor, porém este estava mais bem preparado e fulminou-os. Nenhum esbeldiano que fazia parte da missão especial sobreviveu. Porém, a eciência da mis-são de Almero I foi tamanha que, quando descobriram a fuga dos esbeldianos, já não houve tempo para mais nada. O ataque sur-presa pela retaguarda não obteve vitória, mas obrigou o inimigo a cessar os ataques temporariamente.

Mais uma vez Esbéldia estava arrasada e na miséria, redu-zida a basicamente três cidades, Esmeralda, Esmeralda do Leste e Esmeralda do Sul, que de tão próximas geográca e culturalmente eram consideradas uma só. Para piorar as coisas, surgiu uma es-pécie de guerra fria. Torquato V, que era o soberano do reino vi-zinho, desenvolveu com seus “magos” espécies de venenos, com missões especiais e secretas espalhou-os por toda Esbéldia. Rios, rebanhos e plantações inteiras foram envenenadas. Milhares de pessoas morreram em consequência. O pânico era geral, o reino estava morrendo.

Almero I percebeu que o seu reino estava se enfraque-cendo, e que Torquato V estava esperando agonizarem para

los. Para sair de tal cilada, Almero I decretou que a partir de então cava proibido enterrar cadáveres, desde quando estivessem sem contaminação por material químico prejudicial à saúde. Tais cor-pos serviriam de alimento para todos. Talvez tal decisão tenha sido baseada no relativo sucesso do último monarca do primeiro reinado. Na atualidade causou fervorosa indignação do povo, mais diante do desespero não havia outro meio. Almero I também aumentou a vigilância nas fronteiras de Esmeralda do Sul, pois os campos dessa cidade ainda não tinham sido atacados. Isso salvou todo o reino.

Mais tarde as três cidades se tocaram sicamente e torna-ram-se ocialmente uma só, que passou a se chamar Três Esmeral-das, e era capital de Esbéldia. E a partir do decreto do rei Almero I, todos os prisioneiros de guerra eram “abatidos” para alimentação dos esbeldianos. Por esse motivo, Três Esmeraldas passou a ser conhecida como a cidade dos canibais (uma vez que os prisionei-ros eram mortos e devorados ali).

Foi assim que surgiu o costume canibal.

Bem, no reinado de Malaquias XVI Três Esmeraldas já pos-suía o nome de Mananci e era a maior cidade, em termos geográ-cos, do seu hemisfério. A moeda ocial de Esbéldia agora era o Mali, dividida em 100 cêntimos, instituída no governo de Mala-quias II.

Malaquias XVI era um rei perverso, comia sempre carne feminina, pois dizia que os hormônios masculinos, assim como os suínos, causavam um mau gosto à carne. Carne masculina só mesmo dos criados em cativeiro, por ele castrados com cinco anos de idade. Além do mais, a vítima poderia ter no máximo quinze anos.

Nos dias especiais, ele enviava o seu carrasco para procu-rar uma jovem que servisse de prato especial, e servia de tira-gosto geralmente bebês de no máximo um ano. Devido a isto as mulheres do reino eram proibidas de tomar medidas anticoncep-cionais. Geralmente, depois de casadas nem menstruavam, repro-duziam como fêmeas quaisquer e como tais eram tratadas pela

burguesia.

Nasceu de Malaquias XVI com a sua segunda esposa (a pri-meira era estéril) uma linda menina, que cresceu livre pelos jar-dins do reino, ou melhor, nos jarjar-dins do castelo, pois na verdade estudou até os treze anos dentro do castelo e saiu de lá pela pri-meira vez em tal idade.

Assim era a bela princesa, andava ereta e rígida, rapida-mente, que mais parecia uma boneca, seu jeito de falar era doce e seu sorriso era inefável. Não parecia existir, ao vê-la tinha-se a impressão que ela fora criada por um diretor extraordinário espe-cialmente para protagonizar um lme de cção sentimental (um best seler). E o nome dessa princesa era Lígia.

Em Esbéldia a medicina não estava voltada para salvar vidas, na verdade os médicos só atendiam à burguesia, o clero e a monarquia, pois não havia interesses em salvar vidas senão desses. O interesse paralelo da medicina era evitar que doenças epidêmicas se espalhassem de forma descontrolada, e assim pre-judicassem a saúde dos nobres. Tal prossão era exercida pelos amantes da mesma pertencentes aos nobres e a parte prática era estudada em pessoas vivas, que posteriormente parariam na pa-nela. E foi essa prossão a escolhida pela princesa Lígia.

Na cidade dos canibais, os corpos das pessoas que mor-riam eram comercializados naturalmente, como bem pelo resto do reino. Na tabela ocial a carne mais barata era a de um velho de sessenta anos, geralmente pagava-se aos donos do corpo (esposa, lhos etc.)

M

2,00 (lê-se dois malis), e a mais valiosa era a de jovens entre onze e trinta anos, até M 5,00 por quilo. As mulhe-res eram mais caras, uma vez que são mais leves, pagava-se ge-ralmente M 0,10 (lê-se: dez centavos de mali) a mais. O excesso de obesidade desvalorizava, havia uma tabela que considerava o peso máximo por estatura.

Pelo reino havia casas denominadas de mercados de carne, ali se encontrava carne humana a varejo. Eram tais casas que com-pravam corpos para revendê-los, elas tinham meios para consta-tar se a pessoa podia ou não ser comercializada.

excesso seus lhos, anal, o carrasco podia a qualquer momento levá-los para o castelo. Acontecia também às vezes de um pai que-rer um lho homem e nascer uma menina, ele então a vendia para os matadores. Havia ainda mulheres que tinha lhos somente para vendê-los.

Mas a vida ali, apesar da falta de consideração de uns pelos outros, era normal. Por exemplo, Ronaldo, um jovem que ingres-sou nas tropas do rei. Ronaldo era uma pessoa amável, que achava por ali tudo muito normal. Ele tinha 1,85 M, cabelos loiros, olhos verdes. Um jovem forte com ainda dezenove anos de idade.

Por aquela época a princesa Lígia resolveu sair a passeio. O rei requisitou que estivessem em sua guarda real o capitão mais competente do reino e os vinte melhores soldados, estes iriam escoltá-la pelas montanhas e bosques do sul do reino. Por aquela ocasião a princesa estava por completar quinze anos, era simples-mente maravilhosa, pois tinha belos traços a nos tratos. A prin-cesa ia acompanhada de mais cinco amigas e acamparam em um vale que, por incrível que pareça em um reino tão pequeno, era maravilhosamente misterioso e desabitado. E entre os soldados escolhidos estava Ronaldo.

Era época de chuvas e o vale estava verde, havia orestas no cume dos montes ao redor e um pequeno bosque circundava um lago bem ao meio do vale. Ao fundo havia uma cachoeira, que deslizava por um terreno pedregoso.

O jovem soldado Ronaldo tinha belos traços e já o haviam percebido a princesa e suas amigas. No quinto dia à tarde a prin-cesa chamou Ronaldo para escoltá-la e, deixando o acampamento (este estava ao norte do vale) foi em direção à cachoeira. Foi só sem as amigas e dispensou mais soldados.

O sol declinava-se, proporcionando uma bela imagem. A lagoa, para quem estava do lado oposto ao pôr do sol em relação a ela, no caso da princesa e Ronaldo, tornou-se tal um quadro de exímia beleza. A princesa Lígia sentiu-se deslumbrada com a pai-sagem e dominada de desejos por Ronaldo. Ao ver que estava só com ele ela aproximou-se e, parando na frente dele, disse-lhe:

_ Beija-me.

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Ele espantou-se e cou sem ação, ela porém insistiu: ― O que esperas? Vem, beija-me.

― Mas alteza!

― É uma ordem, cumpre-a.

Ele, obedecendo-a, beijou-lhe os lábios, que ainda eram virgens, como toda ela. A imagem do plebeu tornado príncipe pelos lábios da princesa junto a ela em tal momento misturou-se à paisagem local.

Por mais três dias caram ali, e por todos os três dias a princesa e o soldado se encontraram. E no último dia, no mesmo local, a princesa resolveu conversar um pouco, coisa que não zera por aqueles três dias durante os encontros. Ela assim o inda-gou:

― Vens aqui comigo porque te chamo, cas aí estático, se te ordeno me beijas, mas caso que eu aqui em silêncio não te moves do lugar. O que há? Não tens desejos por mim? E por que ta-manho é teu silêncio?

― Sou simples soldado e és a princesa do meu reino, a quem devo respeito. Estou aqui para cumprir o que me ordenares. Vossa alteza mandou, eu obedeço, e meu silêncio é para não te in-comodar com palavras.

― Compreendo-te porém dou-te ordem para, quando a sós, que me chame de Lígia, e quero que sejas comigo como se te fosse eu a tua namorada. E de começo, teu nome é qual?

― Ronaldo, alteza. Perdão! Digo, Lígia.

Ronaldo fez silêncio, no seguimento ao tom mecânico de resposta. Ela, para deixá-lo mais à vontade, prosseguiu:

― Solta-te rapaz. Fala mais alguma coisa.

E os dois caram ali um pouco mais, ele um tanto à von-tade deixou-a bem melhor. Voltaram a Mananci e continuaram vi-vendo uma espécie de romance escondido.

A jovem princesa, com já seus quinze anos, e o jovem sol-dado com os seus dezenove começaram a viver uma intensa pai-xão, de uma forma pueril e ilusória. Naquele reino não era muito comum grandes amores, o coração cava restrito à razão, pois desde adolescentes as pessoas já se acostumavam a ver o outro

com indiferença. Mas aqueles jovens se amaram de forma espe-cial, talvez por terem certeza de que viveriam com certa tranqui-lidade as próprias vidas pelos anos afora – havia um decreto que proibia a vida após os sessenta anos; todo aquele que chegasse a tal idade era levado ao abatedouro (lugar onde eram mortas as pessoas destinadas à alimentação humana), salvo os militares, os nobres, o clero e a realeza.

O amor entre Ronaldo e Lígia crescia dia após dia entre fantasias de felicidade plena. E aquele amor rendeu frutos, a prin-cesa engravidou-se.

Naqueles dias Esbéldia declarou guerra a um país a leste, Ronaldo já era o terceiro homem mais poderoso dentre os mili-tares esbeldianos, e iria para frente de batalha, e no momento de despedir-se de Lígia, a sós, ela resolveu entregar-se a ele, talvez com um pressentimento ruim de que não se veriam mais.

Ronaldo era ágil, talentoso, competente, porém não tinha ainda ido a uma frente de batalha, não tinha ainda participado de uma guerra.

A princesa Lígia, para o pai não descobrir a sua gravidez, fez de tudo. Fingiu estar doente para disfarçar os sintomas da gra-videz, e para ter o lho viajou meses antes para a casa de uma amiga, na qual conava. Teve o seu lho e ao contrário de muitas no reino ela o amou, pois era um pedaço de Ronaldo, seu primeiro e verdadeiro amor, o qual nem sabia se estava ainda vivo.

Voltou para casa com o seu lho, e pelo caminho, agarrada

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