3.2 MARCA NA ATIVIDADE EMPRESARIAL
3.2.3 Classificação das marcas e sistema de classes
Para fins didáticos os autores dividem as classificações das marcas de maneira distintas. Por exemplo, Ricardo Negrão (2019, p. 173) divide as classificações segundo sua aplicação (Código da Propriedade industrial de 1971 e LPI de 1996), finalidade (singulares ou genéricas), forma (nominativa, figurativa, mista e tridimensional) e conhecimento comum (marcas de alto renome e marcas notoriamente conhecidas).
Já Marlon Tomazette (2016, p. 152), classifica as marcas quanto ao seu uso (marca de produto, serviço, certificação ou coletiva), origem (brasileira e estrangeira) e formação (nominativa, figurativa, mista e tridimensional).
Desde modo, baseia-se a presente análise no que o próprio Instituto Nacional de Propriedade Industrial dispõe. Segundo o Manual da Marca disponibilizado pelo órgão em 22
22 BRASIL. Instituto Nacional de Propriedade Industrial, Manual de Marcas. Disponível em:
http://manualdemarcas.inpi.gov.br/projects/manual/wiki/02_O_que_%C3%A9_marca#22-Natureza. Acesso em: 21 de out. de 2019.
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seu site, as marcas são classificadas quanto à sua natureza e quanto a sua forma de apresentação.
Quanto à sua natureza, as marcas são classificadas como de produto ou serviço, coletiva e de certificação. As marcas de produtos ou serviços servem para distinguir de outros idênticos ou semelhantes, de origem diversa (art. 123, inciso I, da LPI).
As marcas coletivas são destinadas para identificar produtos ou serviços de membros de uma pessoa jurídica representativa de coletividade (associação, cooperativa, sindicato, e outros). A diferença dessa natureza e da anterior é que o objetivo com o registro de marca coletiva é certificar ao consumidor que aquele produto ou serviço advém daquela entidade. Além disso, neste caso os membros da entidade que possui o registro estão autorizados a utilizar a maras, sem necessidade de licença de uso, contudo, a entidade pode estabelecer normas e condições para a utilização desta.
Em relação às marcas de certificação é “usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia empregada” (art. 123, inciso II, da LPI). O objetivo principal dessa natureza é certificar ao público que aquele produto ou serviço está de acordo com normas e padrões técnicos. Ressalta-se que a obtenção desse registro não isenta a empresa da obrigação ao cumprimento de regulamento ou norma específica para o produto ou serviço e nem exime da responsabilidade de sempre garantir qualidade ao consumidor do produto/serviço.
Ultrapassada a classificação quanto à natureza, no que se refere às formas de apresentação às marcas podem ser classificadas em nominativa, figurativa, mista e tridimensional.
O registro da marca nominativa, ou verbal, é constituído por uma ou mais palavras do alfabeto romano, que pode conter neologismos ou combinações de letras ou algarismos romanos ou arábicos, desde que não se configure uma forma fantasiosa ou figurativa.
Já a marca figurativa é formada por desenhos, imagens, figuras, ideogramas, ou qualquer forma criativa de alfabetos distintos ou algarismos isolados.
Além disso, há as marcas mistas (ou compostas), cujo significado representa a combinação dos elementos nominativos e figurativos no mesmo elemento ou quando o elemento nominativo apresenta forma fantasiosa ou estilizada.
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Por fim, há a classificação das marcas tridimensionais é que todo sinal constituído pela forma plástica, capaz de individualizar os produtos ou serviço. Para ser registrável, é necessário a forma estar associada a algum efeito técnico (exemplo: embalagem do chocolate Toblerone ou da Coca-Cola).
Há discussão jurisprudencial sobre o direito de exclusividade ao elemento nominativo quando o titular possui somente marca mista. O Tribunal de Justiça de São Paulo caminha no sentido de autorizar a utilização da locução por terceiro, ainda que do mesmo segmento comercial, quando o titular obtém apenas registro da marca mista, sob o argumento de que “essa modalidade de registro garante o uso exclusivo dos elementos nominativos e figurativos em conjunto, ou seja, a proteção é conferida à combinação dos elementos que compõem o conjunto ‘imagem palavra’ registrado junto ao INPI”:
Ação de obrigação de não fazer c.c. reparação de danos (abstenção de uso de marca) - Decisão que indeferiu tutela provisória - Inconformismo - Não acolhimento - Nesse exame prefacial, a probabilidade do direito não está evidenciada - A
agravante detém registro de marcas mistas, o que não lhe confere direito
exclusivo de ao uso do elemento nominativo - Decisão mantida - Recurso
desprovido. (TJSP; Agravo de Instrumento 2180862-68.2019.8.26.0000; Relator (a): Grava Brazil; Órgão Julgador: 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial; 2019) (grifou-se)
Além disso, cabe ressaltar que ademais a classificação de natureza e forma de apresentação, o INPI adota a Classificação Internacional de Produtos e Serviços de Nice (NCL, na sigla em inglês), que possui uma lista de 45 classes com informações sobre os diversos tipos de produtos e serviços e o que pertence a cada classe.
O sistema de classificação é dividido entre produtos, listados nas classes 1 a 34, e serviços, listados nas classes 35 a 45. Atualmente, está em vigor a versão 2019 da NCL (11). Tal sistema é crucial para que se aplique o princípio da especialidade, conforme já exposto no presente estudo.
Contudo, a utilização das classes não é um critério absoluto, visto que, se judicializado o caso, há precedentes no Superior Tribunal de Justiça definindo que caso não haja possibilidade de confusão (mesmo estando na mesma classe), deve-se permitir a coexistência das marcas (CRUZ, 2018, p. 334). Neste sentido, é o que dispõe o seguinte julgado:
Para a caracterização da infringência de marca, não é suficiente que se
demonstrem a semelhança dos sinais e a sobreposição ou afinidade das
atividades. É necessário que a coexistência das marcas seja apta a causar confusão no consumidor ou prejuízo ao titular da marca anterior, configurando
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concorrência desleal. Precedentes. AgRg no REsp 1.346.089/RJ, Rel. Ministro
Moura Ribeiro, Terceira Turma, j. 05.05.2015, DJe 14.05.2015). (grifou-se)
Conclui-se que juntamente aos princípios do direito marcário e a disposição de classificação das marcas e sistema de classes é possível conferir grau de segurança aos indivíduos que requerem o pedido de registro de sua marca. Abordar-se-á no item a seguir os direitos decorrentes do pedido de registro de marca.