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1. Arquitetura escolar da elite: o Colégio Internacional e o Colégio Culto à Ciência

1.1. O Colégio Internacional

Como mencionado, Guilherme Krug foi contratado por missionários de mesma religião, Edward Lane e George Morton, ambos responsáveis por formar uma missão permanente no país e presbiterianos do sul dos EUA24. Inicialmente o Comitê Executivo de Missões no Estrangeiro enviou ao Brasil o Reverendo Morton para estudar qual seria o melhor local para o estabelecimento da missão permanente no país e então Campinas é escolhida por conta de sua infraestrutura e da proximidade com São Paulo e com o núcleo de imigrantes americanos de Santa Bárbara. Dessa forma, mais adiante, Morton e Lane foram enviados para a fundação da missão, em 1870. Assim, estando em contato com a sociedade local, os reverendos observaram a possibilidade de atuação através da edificação de um colégio voltado para a educação dos filhos dos grupos mais abastados da sociedade:

Morton e Lane tinham outros planos que ainda se encontravam em elaboração. Estes referiam-se à construção de um colégio que pudesse contribuir na formação intelectual dos filhos ilustres da cidade. Com isto teriam eles mais uma forma de ação missionária a serviço do Comitê Executivo de Missões no Estrangeiro que, mesmo não sendo um colégio tipicamente a serviço do proselitismo, teriam eles a oportunidade de formar cidadãos brasileiros marcados por uma moral protestante (BENCOSTTA, 1996, p. 71).

Em 1871, Lane volta aos EUA para convencer a missão da segurança dos planos no Brasil. Tendo conseguido cumprir seu objetivo, o Reverendo inicia um processo de arrecadação de fundos para dar início ao projeto, arrecadando uma quantia de dois mil dólares para a compra do terreno onde seria realizada a construção.

Morton havia ficado na cidade para conseguir apoio local e relata que “alguns dos mais importantes cidadãos do lugar” apoiaram a proposta e demonstraram estar pré-dispostos a contribuir com “dinheiro e estudantes”. Destaca ainda que a oportunidade era única, iriam montar “uma instituição que poderá educar professores, legisladores, etc., para todo o Império” (BENCOSTTA, 1996, pp. 72-73)

O apoio dado aos protestantes veio de diversos núcleos da cidade. A partir da imprensa do período é possível identificar grupos apoiadores. Encontram-se notícias principalmente em meio aos jornais, com destaque para a imprensa republicana representada principalmente pelo jornal Gazeta de Campinas. O periódico já demonstrava, antes mesmo da

24 Com a guerra de Secessão dos EUA, a Igreja Presbiteriana dos EUA se divide em duas linhas: Igreja Presbiteriana do Norte e Igreja Presbiteriana do Sul.

chegada dos reverendos, o interesse no sistema de ensino norte-americano25.

Após a chegada dos missionários e da exposição de seus planos para a comunidade local, o jornal apresenta diversos textos encomiando a iniciativa. São principalmente de Jorge Miranda, que apresenta características da “raça latina” e a diferença dessa em relação à “saxônica”, colocando a instrução como fundamental para o povo, da mesma forma que a higiene e a alimentação, além de atacar o Estado, acusando-o de negligenciar a instrução:

[a] educação brazileira foi sempre pessima. A raça latina, que em nossa humilde opinião, não prima pela energia, mas distingue-se pela nutação ; é pouco amoroza ao desinvolvimento do germem de virilidade, que é coexistente á todas as raças, notadamente a saxônia; a raça latina dizemos, em nosso paiz, não desmentio a sua face caracteristica, distinguindo-se, como na Hespanha e na Italia, por uma reverencia estolida e sacrilega ao culto de prejuizos e preconceitos sociaes e religiosos, que formavam e ainda formam os pontos cardeais do ensino jezuitico d’aquelles, cuja diviza é lograr fortuna á custa da ignorancia.

Esta baze e esse ensinamento tiveram guarida e mereceram sempre particular affeição da parte dos nossos governos.

[...]

Ora, o paiz, em que a iniciativa individual foi sempre auzente e seu governo deixa de fomentar a instrucção, tão essencial ao espirito como a hygiene e a alimentação são para o corpo, há de necessariamente ser preza da ignorancia e do fanatismo, que são o lethral veneno da vida moral do povo.

E’ o que os precedentes de outras nações afirmam e os factos entre nós confirmam d’um modo contristador.

O indiferentismo religioso, neste paiz, onde o catholicismo domina e é religião do Estado, lavra em todos as camadas da sociedade brasileira. O sentimento da caridade, o mais distincto na humnidade e que mais sublima e diviniza o evangelho, contrasta o luxo e a riqueza deste povo.

E se a esfera moral de um povo tem a sua medida na expansão ou retracção da pratica desses deveres, é certo, a do povo brasileiro não o recomenda, condemna-o.

Tão inculto é o espirito do povo!

Tão pouco zelada tem sido a formação de seu coração!

Daça-se, pois, a luz: derrame-se a instrucção, eduquem-se o povo e a ignorancia e o fanatismo desapparecerão como encauto.

“,,Esclarecei o povo se temeis o despotismo...”

“Doutrinai o vosso rebanho, se quereis a fé pura e o império da religião” disse Laboulay.

Foi inspirados nestas idéias e compenetrados dessa verdade, tão divulgadas na Suissa, Allemanha, Inglaterra e Estados- Unidos, e pouquíssimo observadas entre nós, que os revmº srs. E. Lane e G. Nash Morton tratam de realizar, nesta cidade, a fundação d’um collegio para educação de meninos. (Gazeta de Campinas, 26 nov. 1871, pp. 1-2)

Os mesmos escritos são utilizados por Bencostta (1996) para destacar que o apoio da sociedade local caminhava unido à vontade de ligação com as sociedades europeias (BENCOSTTA, 1996, p. 74).

Outros pontos que podem ser observados no discurso são o próprio interesse dos republicanos em fomentar a iniciativa privada, em atacar o Estado vinculado à Igreja Católica e, como já dito, em acusar o Estado de negligenciar a educação. É demonstrada uma preocupação com a higiene, que também era foco do período, em que havia esse olhar em narrativas tanto de jornais monarquistas como de jornais republicanos. Nas descrições do edifício do Internacional também é notória essa preocupação.

Por mais que os republicanos tenham utilizado o colégio para desenvolver críticas ao império, assim como a grupos liberais e conservadores que defendiam tanto a igreja católica como a monarquia, eles apoiavam a instituição presbiteriana. É o exemplo do jornal O Constitucional que, apesar de afirmar que “não se filiará exclusivamente a qualquer das bandeiras, que dividem a milicia politica do paiz” (Gazeta de Campinas, 25 mar. 1874, p. 1), disseminava principalmente ideias que eram vinculadas aos conservadores. Inclusive, Amaral (1927, p. 289), aponta que o jornal era de orientação conservadora. Porém, esse apresenta uma visão muito positiva a respeito do ensino do Colégio Internacional (BENCOSTTA, 1992, pp. 83-84).

Todo o apoio obtido veio através de uma estratégia criada pelos Reverendos Morton e Lane. Ambos sabiam de toda a estrutura católica do país, porém também conheciam os conflitos que ocorriam em decorrência de questões políticas e religiosas:

[u]ma denominação religiosa dominava as escolas e as usava para constranger aderentes de outras denominações; aliada, aliás, ao poder político, que usava também o ensino para humilhar filhos de oposicionistas; e ao patrimonial, que tratava de intimidar os partidários da abolição do cativeiro [...].

Morton e Lane, em Campinas e chegados ao País pouco antes, como Mary Annesley Chamberlain, faziam as mesmas observações (RIBEIRO, 1981, p. 226).

Dessa forma, os reverendos organizaram uma reunião para apresentar o plano de construção do colégio para elementos das elites financeira, intelectual e política de Campinas. O objetivo era primeiro conseguir apoio desses grupos para que depois a ideia fosse amplamente divulgada.

A ata e as decisões foram publicadas nos jornais Gazeta de Campinas (14 dez. 1871; 17 dez. 1871) e The Missionary (fev. 1872),, sendo que no segundo trata-se de uma tradução das notícias do primeiro. A edição de 14 de dezembro de 1871 apresenta a ata da

reunião em que é demonstrado que os planos dos missionários foram aprovados por unanimidade, além da escolha do lugar, Campinas, devido a ser considerada a capital agrícola da província. Alguns dos nomes presentes na reunião26 foram: “Joaquim Egydio de Souza Aranha, presidente da reunião” e membro do Partido Liberal; “Joaquim Bonifacio do Amaral, labrador” e membro do Partido Liberal; “Manoel Ferraz de Campos Salles, advogado” e membro do Partido Republicano; “Francisco Quirino dos Santos, advogado” e membro do Partido Republicano; “Antonio Egydio de Souza Aranha, lavrador” e membro do Partido Liberal; “Joaquim José Vieira de Carvalho, advogado” e membro do Partido Conservador; “Antonio Carlos Pacheco e Silva”, membro do Partido Conservador; “Antonio Pompêo de Camargo”, lavrador e membro do Partido Republicano; Dr. Jorge G. H. Krug; Guilherme Krug; “Domingos Luiz Netto, gerente do banco Mauá”; “Francisco Glycerio de Cerqueira Leite, solicitador” e membro do Partido Republicano; “Francisco Rangel Pestana, bacharel em direito e advogado”, membro do Partido Republicano;. “Antonio Benedicto de Cerqueira Leite, escrivão das rendas nacionais” e membro do Partido Liberal; “Hercules Florence, lavrador”; “Luiz Silveiro Alves Cruz, advogado e inspector da instrucção publica”.

Dentro da amostragem nota-se que aqueles presentes na reunião eram dos três partidos existentes no período imperial: conservador, liberal e republicano. Possuíam diversos ofícios, lavradores, profissionais liberais, bancários e servidores públicos do Império. Além de se dividirem em imigrantes, como Hercule Florence (francês), Jorge e Guilherme Krug (alemães), e brasileiros que possuíam diversos laços de parentesco, como por exemplo Antonio Carlos Pacheco e Silva, cunhado e primo irmão de Antônio Pompêo de Camargo, sobrinho e cunhado de Joaquim Bonifácio do Amaral ou Antonio Benedicto de Cerqueira Leite, pai de Francisco Glycerio de Cerqueira Leite, Jorge Miranda e Eloy Cerqueira Leite, todos presentes na reunião27.

26 Além dos nomes citados estavam também presentes: “[...] João Braz da Silveira Caldeira, secretario da reunião. [...] Dr. Delfino Pinheiro de Ulhôa Cintra, advogado. [...] Dr. Cassiano Bernardo de Noronha Gonzaga, medico. [...] Antonio Penteado, Lavrador. [...] João Leite de Camargo Penteado, lavrador. Floriano de Camargo Campos, lavrador. Floriano de Camargo Penteado, lavrador. Francisco de Campos Andrade, lavrador. Elias Augusto do Amaral Souza, negociante. Urbano P. do Amaral. [...] Francisco Ferreira de Mesquita, negociante. José de Souza Campos, lavrador. Domingos Leite Penteado, lavrador. Dr. Mathias Lex, medico. Izidoro Marques Cantinho Doque, empregado publico. Alfredo Pinheiro, negociante. [...] Francisco Pompêo do Amaral, lavrador. Guilherme Preltnez Ralston. G. Bernard, negociante. [...] A de Moraes Salles, advogado. [...] Joaquim Floriano Novaes de Camargo, lavrador. Augusto Xavier Bueno de Andrade, bacharel em Direito [...] Alvaro Xavier de Camargo Andrade, lavrador. V. Well, negociante. Octaviano Pompêo do Amaral, lavrador. Jorge. B. Harrah. José Rodrigues Ferraz do Amaral, collector de rendas. Carlos Augusto de Souza Lima, advogado. Antonio Carlos da Silva Telles. [...] Luiz Antonio Pontes Barbosa, lavrador. Joaquim Candido Rodrigues de Almeida, empregado publico. Jorge Miranda, bacharel em direito e advogado. Joao Baptista Passos, lavrador. Tobias Franco Oliveira Cardoso, lavrador. José Manoel de Cerqueira Cezar, escrivão do juiz de paz [...]” (Gazeta de Campinas, 14 dez. 1871; 17 dez. 1871; The Missionary, fev. 1972).

Já a edição do dia 17 de dezembro de 1871 do jornal Gazeta de Campinas (p.1, 2) apresenta os princípios básicos do colégio e de sua grade curricular, composta por: Latim, Grego, Línguas modernas, Filosofia moral, História, Literatura, Retórica, Economia política, Matemática, Filosofia natural, Química, Matemáticas aplicadas, Engenharia civil, Química analítica, Industrial e Agrícola. Além da disciplina de Religião, que é destaque da publicação, sendo sua base apresentada como a liberdade de consciência. É tomada a liberdade religiosa como princípio básico. Essa primeira parte do texto é assinada por Morton e Lane, sendo concluída com algumas questões:

1.º O collegio que nos propomos fundar nesta cidade, nas bazes e com o curso de materiais indicadas, póde ser suprido por outro qualquer existente na província?

2.º Não vai de encontro ás leis do paiz e especiaes desta provincia? 3.º O collegio tal como deve ser fundado encontraria apoio e aceitação? 4.º Qual o melhor local?

A resposta vem logo em seguida, sendo assinada por Joaquim Egydio de Souza Aranha, e João Braz da Silveira Caldeira, presidente e secretário da reunião respectivamente:

Ao 1.º Segundo todas as informações que temos colhido não ha nesta província estabelecimento algum cujo programma seja identico ao que adoptamos no que projectamos. Parece, portanto, incontestavel que sua fundação é indispensavel e que são reaes e extraordinarias as vantagens que o collegio proporciona á educação esse municipio.

Ao 2.º A assembléia provincial de S. Paulo promulgou uma lei em 1869 em que estabeleceu que o ensino primario e secundario era absolutamente livre na provincia e portanto exempto de toda a intervenção do governo, salvo no que respeita a estatistica.

E’ a lei que vigora e por isso mesmo a unica a que temos de obdecer.

E como as assembléas provinciaes são competentes pelo acto adicional para legislarem sobre matéria de instrucção, é evidente que o collegio não vai de encontro ás leis do paiz e da provincia.

Ao 3.º Sim Ao 4.º Campinas

O texto, além de apresentar o interesse e a aprovação do grupo de Campinas para a construção do colégio, demonstra também a autonomia de cada província em relação ao trato com a educação e a liberdade em relação ao ensino na província de São Paulo. A lei citada trata-se, na realidade, do Artigo 15 da lei nº 54 de 15 de abril de 1868:

diversos livros de genealogia, como: BROTERO, (1948). e FILHO, (1930) nota-se que as famílias estabelecidas na região de Campinas, que dominavam as esferas políticas e econômicas, mantinham relações pessoais próximas, sendo o casamento forma de estreita-las. Laços constituídos ao longo do tempo desde o período colonial.

Art. 15. - O ensino primario ou superior poderá ser livremente exercido por

particulares, salvas as restricções seguintes:

§ 1.º - Obrigação de fornecer os dados estatisticos necessarios.

§ 2.º - Obrigação de cessar o exercicio do magisterio uma vez convencido o

professor de actos immoraes e de máus costumes (BRASIL, 1868).

Após a divulgação das ideias e da aceitação por parte da sociedade campineira, a construção do Colégio Internacional inicia-se em 1873, porém passa por inúmeros atrasos, sendo que na edição de janeiro de 1874 do jornal presbiteriano The Missionary, encontra-se a promessa do empreiteiro, que o edifício estaria pronto em no máximo três meses, acompanhada da seguinte reclamação: “A fundação já está escavada, mas há uma dupla razão para a exortação possuir nossas almas com paciência aqui, como essas pessoas são tão lentas.” (The Missionary, jan. 1874, p. 18. Tradução Minha).28 Já a edição de março de 1874 apresenta o interesse de Lane, reverendo da igreja presbiteriana do sul e um dos responsáveis pela missão na região, em ocupar o edifício sem os muros rebocados e sem pintura nas salas, com a projeção de término para junho do mesmo ano. O processo foi longo e um dos pontos que mais dificultou sua progressão era relacionado a questões financeiras. A ideia necessitava de doações para se concretizar, dessa forma os reverendos investem suas energias na captação de recursos para gerar os frutos desejados.

Lane e Morton conseguiram captar dinheiro suficiente para comprar uma propriedade de aproximadamente quarenta acres. Com as tentativas de levantar donativos, Lane recebeu uma máquina de fazer tijolos (The Missionary, novembro de 1894, p. 477; “História deste tijolo” – Arquivo pessoal Nelly B. Lane) doada por sua família adotiva29. Era um modelo ainda movido por animais, porém estava reformado e possuía peças de reposição. Edward Lane então passou a produzir os tijolos. Dessa forma, os gastos com a construção foram reduzidos:

“nós desejamos fazer nossos próprios tijolos, pois os preços dos tijolos aqui não são nenhum pouco razoáveis, de vinte e cinco até trinta e cinco dólares o milheiro. Eu tenho muita certeza que conseguimos faze-los por dez dólares, se encontrarmos argila em algum ponto conveniente.” (The missionary, fev. 1873; Relatório de G. Nash Morton, 19 set. 1872. Tradução minha)30

28 “the foundations are already dug, but there is double reason for the exhortation to possess our souls in patience here, as these people are so slow” (The Missionary, jan. 1874, p. 18).

29 Edward Lane era um imigrante irlandês órfão. Ao chegar nos EUA foi adotado por uma família de presbiterianos proprietária de uma rede de olarias.

30 “We wish to make our own brick, for the prices of brick here are very unreasonable, from twenty-five to thirty-five dollars a thousand. I am very sure that we can make then for ten dollars, if we can find the clay at any convenient point” (The missionary, fev. 1873; Relatório de G. Nash Morton, 19 set. 1872).

A partir do Relatório de Morton também é possível constatar que alguns materiais da construção do colégio foram importados, como as portas e janelas: “Sr. Lane está agora no Rio de Janeiro, tendo lá ido a fazer esforços para pegar as portas e janelas através da alfandega livre de impostos.” (The missionary, fev. 1873; Relatório de G. Nash Morton, 19 set. 1872. Tradução minha)31 Apesar dos tijolos serem de fabricação própria, o responsável pela construção era Guilherme Krug, que participou da reunião para a apresentação da proposta de criação do colégio, junto a seu irmão mais velho, Jorge Krug, seu cunhado, Hercules Florence, e amigos da família.

Depois de um maduro estudo da situação e pelas crescentes necessidades das escolas, nos sentimos impelidos a erguer a maior parte possível da planta do edifício. A estrutura agora sendo erguida consiste em um edifício central com dois andares de altura, com asas de um andar arranjado para serem ampliados livremente. Sr. Crug, o construtor, está usando de todas as precauções para garantir um sólido e perfeito trabalho. Mais de três mil tijolos foram feitos e as paredes estão quase chegando ao segundo piso. A casa, quando finalizada, será simples porém elegante e valorizada em Campinas em até trinta mil dólares em ouro. O máximo que podemos esperar até o momento é ocupá-la sem ter as paredes rebocadas ou os quartos pintados, e é esperado que a escola possa ser transferida até o final de junho. Os eventos tem demonstrado as correções em seu curso proposto, pois é claro que se o edifício estivesse pronto agora ele seria imediatamente povoado até transbordar (The Missionary, mar. 1874. Tradução minha)32. Não foram encontrados detalhes a respeito do processo de contratação de Guilherme Krug, aliás, existem poucas informações a respeito de seus trabalhos antes da formação da firma Guilherme Krug & Filho, constituída por ele e seu filho George Krug. Entretanto, tem-se mapeado a construção do Colégio Internacional e do Culto à Ciência e sabe-se que as plantas e a construção de ambos os edifícios são de sua autoria.

A planta encontrada, datada de 1895, foi apenas do perímetro do Colégio Internacional a partir de um processo de inventário de Edward Lane (Figura 1). Esse

31 “Mr. Lane is now in Rio de Janeiro, having gone there to make an effort to get the doors and windows through the custom-house free of duty” (The missionary, fev. 1873; Relatório de G. Nash Morton, 19 set. 1872). 32 After a mature study of the situation and growing wants of the schools, we felt impelled to erect as large a parto f the plant furnished for the building as possible. The structure now being erected consists of a center building two stories is height, with wings of one story so arranged as to be enlarged at pleasure. Mr. Crug, the builder, is using every precaution to insure solid and perfect work. Over three hundred thousand bricks have been made, and the walls are now nearly up to the second story. The house, when finished, will be plain but handsome, and valued in Campinas at thirty thousand dollars in gold. The most we can hope to do at present is to occupy it without having the walls plastered or the rooms painted, and it is expected that the school can be moved into it by the last June. Events have demonstrated the correctness of the course pursued, as it is clear that if the building was now ready it would be immediately filled to overflowing (The Missionary, mar. 1874).

documento pode ser comparado com a representação do colégio no mapa de Campinas de 1878 (Figura 2), permitindo pensar modificações por todo o perímetro, além de trazer a possibilidade de análise da localização da escola, que

é por si mesma uma variável decisiva no programa cultural e pedagógico comportado pelo espaço e pela arquitetura escolares. A proximidade à natureza e à vida postulada pelos institucionistas favorece, entre outras ações e estímulos, o jogo em liberdade, o ensino ativo, a utilização didática do entorno, a contemplação natural e estética da paisagem, a expansão do espírito e dos sentimentos, o desenvolvimento moral... (ibidem, p. 4). De modo definitivo, o urbanismo e a arquitetura ofereceriam assim uma completa cobertura para alcançar as finalidades da educação, passando a ser parte do programa pedagógico (ESCOLANO; VIÑAO FRAGO, 2001, p. 32).

Assim, o recorte da planta de perímetro do Colégio Internacional de 1895 informa que o edifício estava inserido em ampla área de 11.678,20 m², localizada no cruzamento das