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COMANDO E CONTROLE

No documento INSTITUTO MEIRA MATTOS (páginas 38-48)

CAPÍTULO 1 – DEFINIÇÕES E PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

1.2 COMANDO E CONTROLE

Neste trabalho, o C² refere-se a toda família de sistemas de Comando e Controle, isto é, os sistemas de C²I (C² mais Inteligência), C²ISR (C²I mais Vigilância e Reconhecimento), C³ (C² mais Comunicações), C³I (C³ mais Inteligência), C4 (C³ mais Computação), C4I (C4 mais Inteligência), C4ISR (C4I mais Vigilância e Reconhecimento), e C5I (C4I mais Sistemas de Combate). Na essência, todos significam Comando e Controle e serão chamados genericamente de sistemas de C². O C² tem experimentado rápidas e importantes evoluções ao longo das últimas décadas. As variantes sistêmicas acima citadas agregaram um substancial valor à atividade, mas deve-se ressaltar que essas variantes não perderam seu propósito original, qual seja, a de conferir uma adequada consciência situacional para o exercício intrínseco de Comando e Controle.

Desde os primórdios, o C² está no centro das operações militares. Ao longo da história, líderes militares reconhecem a importância chave da informação como um

fator crítico para a vitória no campo de batalha. De acordo com Alberts et al. (2001), a busca pela informação decisiva é o objetivo principal dos comandantes militares para alcançar vantagens sobre seus adversários. Dessa forma, o C² torna-se alvo prioritário das forças oponentes na medida em que concorre para antecipar o final dos conflitos. Durante a Guerra Fria, a discussão sobre C² esteve concentrada nos dois principais temas que preocupavam os Estados Unidos, a dissuasão nuclear e o equilíbrio convencional no front central da Otan. Em ambos os casos, havia uma ampla discussão teórica sobre o processo de tomada de decisão em nível estratégico que ocorreria na hipótese de guerra, seja ela nuclear ou convencional. O problema é que, como ambas só faziam sentido na presença de um rival, a dissolução da União Soviética significou também a dissolução desse debate.

Com a Guerra do Golfo, o C² passou a ser considerado o núcleo das capacidades militares, tendo em vista que ele era responsável pela coleta e a transmissão de dados operacionais, considerados as principais causas para o desempenho das forças militares dos Estados Unidos. Assim, reconhecer o C² como o elemento central das operações militares é fundamental para compreender a natureza humana da guerra.

Para Alberts e Hayes (2006), as operações militares atuais são simultaneamente complexas e dinâmicas, exigindo as capacidades coletivas e os esforços de muitas organizações para alcançar o sucesso. Esse requisito com o objetivo de reunir um conjunto diversificado de capacidades e organizações em uma coalizão eficaz é proporcionado pelos sistemas de C². Assim, Comando e Controle são funções inter-relacionadas, aplicadas a várias forças militares com interesses sobrepostos que podem ser mais bem atendidas pelo compartilhamento de informações.

No Brasil, a Estratégia Nacional de Defesa (BRASIL, 2012) estabelece que o monitoramento, o controle, a mobilidade e a presença são capacidades que devem ser buscadas pelas Forças Armadas. O C² reflete a capacidade dos comandantes em receber e analisar informações, emitir ordens e instruções baseadas nelas e controlar forças em qualquer lugar. Nesse sentido, o C² aumenta significativamente as capacidades de solução de desafios em uma campanha militar.

C² nas FA brasileiras é definido, de acordo com a Política para o Sistema Militar de Comando e Controle (BRASIL, 2013), publicada pelo Ministério da Defesa, como

a ciência e arte que trata do funcionamento de uma cadeia de comando. Nesse critério, o C² abrange a autoridade da qual emanam as decisões que materializam o exercício do comando e para a qual fluem as informações necessárias ao exercício do controle; o processo decisório que permite a formulação de ordens e estabelece o fluxo de informações; e a estrutura, que inclui pessoal, instalações, equipamentos e tecnologias.

Sob a ótica da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) (1993), C² é a responsabilidade e a atividade das autoridades políticas, militares e civis na consulta política, incluindo a gestão de crises, consulta nuclear e planejamento civil de emergência. O termo também se aplica à autoridade, responsabilidades e atividades dos comandantes na direção das forças militares e na execução de ordens. Diante dessa definição, verifica-se o C² como ferramenta de governança entre os decisores políticos, estratégicos e táticos e os atuadores, essencial para o fluxo oportuno de informações.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América (DoD) (2001, p. 86) conceitua C² como sendo “o exercício da autoridade e direção, por um comandante devidamente designado, sobre Forças a ele atribuídas ou agregadas, no cumprimento de uma missão”. Ainda, a Força Aérea Norte-Americana na Publicação Doutrinária AFDD 2-8, (USAF, 2007) apresenta o C² como ferramenta essencial para permitir as Forças controlarem o que se move no ar e espaço; engajar objetivos inimigos em qualquer lugar, em qualquer tempo, controlar e explorar informações na obtenção de vantagens para a Nação; realizar efeitos desejados com riscos aceitáveis e mínimos danos colaterais; e sustentar a flexibilidade e eficácia das operações de combate. Nesse ponto, verifica-se uma aproximação das definições do Brasil e EUA, e uma diferente abordagem no entendimento por parte da OTAN.

Em outra definição, McCann (1999, p. 29) apresenta o C² para as Forças Armadas do Canadá da seguinte maneira: o Comando associado à autoridade, responsabilidade, iniciativa, confiança e liderança; e o Controle associado a planos, procedimentos, regras de engajamento, protocolos de comunicação, software e equipamento. Esse enfoque evidencia uma nova propriedade do C2, onde o Controle é uma ferramenta de Comando.

Portanto, cabe afirmar que os integrantes das Forças Armadas de muitos países entendem o C² como um guia para o comandante, em constante evolução

devido aos fatores que intervêm para suas modificações. Nesse sentido, o comandante deve ser capaz de integrar as funções de combate e as capacidades operativas dos componentes que compõem as forças sob seu comando, como requisito para o êxito da “missão”.

O Comando e o Controle, apesar de separados, são extremamente interligados, o primeiro com o objetivo de tomar a decisão e o segundo com a finalidade de dar eficácia ao primeiro. Dessa maneira, o Comando está associado às ações daqueles que estão em chefia ou liderança. “É uma característica peculiar em função da possibilidade que o comandante tem de impregnar a sua decisão com aspectos pessoais” (PARANHOS, 2000, p. 32). Ainda segundo o mesmo autor, o Controle é a ação ou o efeito de acompanhar a execução de qualquer empreendimento por intermédio da avaliação e correção das atividades controladas, de forma a não permitir que a mesma se desvie do propósito estabelecido.

Dessa maneira, o C² está relacionado à governança ao supervisionar e controlar as ações executivas da administração e em satisfazer as expectativas legitimas pela prestação de contas e regulação, com interesses além dos limites da responsabilidade pelos resultados (accountability) e o cumprimento de leis e normas (compliance).

Conforme Alberts e Hayes (2006, p. 129), Comando envolve “o estabelecimento e a comunicação da intenção do comandante e eventuais restrições, bem como alocação de papéis, responsabilidades e recursos”, enquanto o Controle tem por função “determinar se os esforços planejados ou em curso estão adequados ao cumprimento da missão”. Dessa maneira, a atividade de C² possui um papel preponderante no sucesso de quaisquer atividades militares, sendo as comunicações vitais para permitir as coordenações necessárias entre comandos e/ou unidades militares, no cumprimento das suas respectivas missões.

De acordo com o manual de Doutrina de Operações Conjuntas do MD, a atividade do Comando visa estabelecer as relações hierárquicas que devem ser mantidas em todas as fases de uma operação militar; enquanto o Controle deve “estabelecer os procedimentos impostos pelo Comando Operacional para o controle das ações das forças subordinadas, proporcionando o fluxo das informações necessárias ao acompanhamento das operações” (BRASIL, 2011, p. 109). Sendo assim, é função do C² a habilidade de uma organização definir relações de hierarquia

e de responsabilidades, e de coordenar os esforços e meios envolvidos em uma campanha militar, consoante um planejamento previsto.

Para Pigeau et al. (2002, p. 56), Comando é “a expressão criativa da vontade humana necessária para o cumprimento de uma missão”, enquanto Controle denota “o conjunto de estruturas e processos estabelecidos pelo Comando para habilitá-lo para o cumprimento de sua missão, bem como para gerenciar os riscos envolvidos”. Ainda, conforme os autores, as funções relacionadas ao Comando envolvem: criar soluções para os diversos problemas relacionadas à missão; prover condições para a ativação, mudança e desativação do Controle; e assegurar persistentemente o propósito da missão. Já o Controle tem como funções: habilitar a expressão criativa da vontade humana e gerenciar os problemas relacionados ao cumprimento da missão, de forma a minimizar os riscos de não se atingir uma solução satisfatória.

Ao analisar o C², Coakley (1992) definiu o Comando como a expressão da autoridade exercida pelo oficial superior sobre seus subordinados, empregada com a finalidade de atingir um objetivo e o Controle como o termo utilizado para designar as estruturas e processos que permitem a transmissão e a compreensão das ordens, assim como lidar com riscos. Dessa forma, na visão do autor, o C² se dividiria basicamente em duas vertentes, a primeira representada pelos comandantes, na sua atuação, e a segunda materializada pelo suporte (processos, tecnologia e base física dos meios de comunicações), pelo qual fluem as informações.

Embora na definição apresentada por Coakley as ações citadas ocorram separadamente e por fase, elas são empreendidas concomitantemente pelo comandante e por toda a estrutura de C². “O processo é dinâmico, interativo e desordenado” (COAKLEY, 1992, p. 179, tradução nossa).

Sobre o assunto, no livro Power to the Edge, Alberts (2003) define o Controle como parte do Comando. O autor alerta, ainda, que muitos têm tentado separar os dois termos, o que prejudica a compreensão correta do conceito. Para Alberts, Comando e Controle são atividades complementares, variando do grau de arte a ciência, ao mesmo tempo em que gera a interação necessária entre um comandante e seu staff. “Na realidade, na guerra moderna, C² passa a ser uma responsabilidade distribuída” (ALBERTS, 2003, p. 14).

Dessa maneira, a expressão Comando engloba o comando, a tomada de decisão pessoal e subjetiva pelo comandante. O Controle é o processo de

acompanhamento, avaliação e correção da decisão adotada. Enquanto o comando se preocupa em enviar as forças para uma determinada missão, o controle funciona como um mediador, restringindo, monitorando e analisando as ações empreendidas. Os dois conceitos naturalmente relacionam-se entre si, implicando interdependência pelo estabelecimento de objetivos militares e as ações decorrentes para sua conquista. Por outro lado, não se concebe controlar ações sem a noção de onde se deseja chegar. A união dos dois termos na expressão C² agrega um significado bem mais amplo. Evidencia a premissa de Aristóteles de que o todo é maior que a simples soma das partes que o compõe.

Assim, verifica-se que o C² produz e administra informações e essas impactam na consciência situacional. Segundo a análise de Wickens (2010), a informação fornecida na quantidade e na qualidade adequadas, para as pessoas certas e no momento oportuno, agregará valor na condução da atividade de C² ao aumentar a compreensão do significado desses elementos e a projeção dessa situação em um futuro próximo, tornando-se vantagem na hora de se tomar a decisão. Assim, o autor apresentou a seguinte definição:

Consciência Situacional é uma extração contínua de informação com respeito a um sistema ou ambiente, a integração desta informação com o conhecimento prévio para formar uma imagem mental coerente e o uso desta imagem para favorecer a percepção, antecipação e a atenção para eventos futuros (WICKENS, 2010, p. 57).

Nesse aspecto, o C² permite aos comandantes em qualquer nível uma elevada consciência situacional, por disponibilizar o máximo de informações possíveis em apoio ao processo decisório. Bergo (2015, p. 18) avança nesse entendimento e destaca que “o conhecimento é uma das maiores riquezas estratégicas existentes e os dados conectados permitem confeccionar cenários prospectivos, identificar ameaças e descobrir oportunidades”.

De acordo com manual de Comando e Controle do Exército Brasileiro, a “consciência situacional é o conhecimento sobre a situação amiga, a situação do inimigo e do cenário operacional, utilizando-se de sensores ligados à rede, os quais fornecem uma imagem exata do que acontece no campo de batalha” (BRASIL, 2015a, p. 2-2). Dessa forma, o C² disponibiliza as informações necessárias para aumentar a consciência situacional do comandante, ou seja, a percepção atualizada do ambiente operacional, propiciando decisões mais acertadas e oportunas.

Ainda, no contexto da superioridade de informações, cabe destacar a doutrina de C² da Guerra Centrada em Redes (GRC), a partir do pressuposto de que forças militares conectadas em rede apresentam um desempenho superior em relação a forças militares tradicionais. Estar “centrado em redes” implica, nesse contexto específico, ter uma “[…] provisão baseada em rede de computadores de uma imagem integrada do campo de batalha, disponível em detalhe para todos os níveis do comando e controle desde o soldado individual” (WESENSTEN; BELENKY; BALKIN, 2005).

Cebrowski e Garstka (1998) inferem que as Operações baseadas em GCR fornecem às forças militares as mesmas dinâmicas poderosas que foram produzidas no ambiente de negócios corporativos, ou seja, um desempenho superior em termos de processos e relacionamentos organizacionais, mas ressaltam a necessidade da governança das informações.

Para os autores, basta assumir que a quantidade de informação gerada na rede aumenta proporcionalmente ao número de usuários da rede. Ainda, citam como exemplo a quantidade de resultados obtidos quando usamos um mecanismo de busca como o Google para pesquisar sobre um determinado assunto. Como a capacidade cognitiva do cérebro humano permanece a mesma, o aumento exponencial na quantidade de informação gera, necessariamente, uma tendência à sobrecarga informacional.

No livro Da Guerra, Clausewitz (1984), ressalta a grande incerteza de todos os dados na guerra como uma dificuldade peculiar, pois toda ação deve, em certa medida, ser planejada na penumbra em adição frequente de um efeito de névoa, o que dá às coisas dimensões exageradas e aparência não natural. Dessa forma, muitos esforços militares tecnológicos modernos, sob a rubrica do C², buscam reduzir a névoa da guerra, ou seja, aumentar a consciência situacional e acelerar o ciclo decisório, conforme indica Alberts, Garstka e Stein (1999, p. 72):

O C² busca reduzir os efeitos de dois fenômenos conhecidos como a névoa e a fricção da guerra. A névoa está associada às incertezas ligadas ao que está ocorrendo de fato. A fricção está relacionada com as intenções transformadas em ações do comandante e que sofrem interferências não previstas, influindo nos resultados esperados. Entende-se névoa como a falta de consciência situacional, decorrente da impossibilidade de integrar o conhecimento e as informações disponíveis para efetuar ajustes e correções de maneira a formar um quadro real.

Dessa maneira, o C² é uma atividade que permite que informações sejam compartilhadas, decisões sejam tomadas e avaliações sejam conduzidas de forma coordenada, desde a fase do planejamento até a de execução de uma operação militar. A matéria-prima para essa atividade é a informação que, por intermédio da estrutura de comando e controle, pode ser acessada pelos níveis de decisão envolvidos em uma operação, transformando-a em elemento vital para a eficácia da atividade.

Nesse sentido, uma discussão que pode ser feita diz respeito à GCR é que ela ofusca a divisão do comando e controle. Ao fornecer acesso a uma imagem operacional compartilhada em detalhes para todos os níveis da cadeia de comando, o modelo centrado em redes encoraja a tomada de decisão em níveis inapropriados. Bolia, Vidulich e Nelson (2006), analisam por exemplo, um comandante de Exército pode ser capaz de dar um zoom na imagem situacional em nível de pelotão e, acreditando ter em mãos uma visão correta da situação, dar ordens diretas para o líder do pelotão. Esse micro gerenciamento não apenas passa por cima da cadeia de comando normal, potencialmente causando confusão em escalões intermediários, como também parte de suposições sobre a precisão e a legitimidade da imagem operacional compartilhada que talvez não sejam sustentáveis.

Para que se possa representar melhor como funciona o processo que envolve o ciclo de decisão de C², existem modelos já formulados, sendo tradicionais o de Boyd e o de Lawson. Conforme Osinga (2005), o Ciclo de Boyd é um processo de tomada de decisão, um ciclo recorrente de observar - orientar - decidir - agir. Ao refletir de forma abreviada e coerente, o comandante reage rapidamente e assegura o controle das ações. Assim, na medida em que interfere continuamente no ciclo decisório do oponente, pelas ações que alteram o ambiente, afeta o sistema de comando e controle dele e, consequentemente, contribui para a sua derrota.

Figura 6- Ciclo de Boyd

Fonte: Osinga (2005, p. 68).

Na prática, quanto mais informações com qualidade e mais rápido elas forem do conhecimento do comandante, mais rápida será a percepção do que o oponente planeja fazer e de como cercear as iniciativas dele. Portanto, ao criar condições para restringir a reação do inimigo no instante do ataque, coloca-se o atacante em vantagem dentro do Ciclo OODA. Uma ação válida é buscar quais informações são importantes para o adversário, manipulando-as com o intuito de confundi-lo, influindo na decisão dele de forma favorável às forças amigas.

Coakley (1991) investigou o Ciclo de Lawson, composto por cinco etapas: sensoriamento, processamento, comparação, decisão e ação. O sensoriamento envolve ações de levantamento de dados e informações. O processamento busca o tratamento seletivo das informações obtidas no ambiente externo. A comparação avalia a correspondência com a situação planejada, que envolve os efeitos desejados contidos na missão. Na etapa da decisão, é previsto o emprego de ferramentas de apoio ao decisor, contribuindo para definir a linha de ação.

O Ciclo de Lawson considera que as próprias forças estão contidas no ambiente da ação. Portanto, são capazes de interagir com ele, influenciando-o de modo a alcançar os resultados favoráveis desejados.

Figura 7- Ciclo de Lawson

Fonte: Coakley (1991, p. 32).

Da análise dos ciclos de Boyd e Lawson infere-se que o desafio consiste na integração dos seus componentes, funcionando em conjunto e em harmonia, com o propósito de maximizar a capacidade dos recursos disponíveis e de prover informações com qualidade. Alberts (2002, p. 35) completa esse entendimento ao definir que “o C² é um fator multiplicador de força, pois permite que decisões rápidas tenham vantagem comparativa em relação ao ciclo de decisão do oponente e, consequentemente, a antecipação nos embates”. Ainda, conforme o autor, essa propriedade é denominada velocidade de comando, que será indispensável nas operações futuras, pois as variáveis do tempo e do espaço não terão, necessariamente, um comportamento linear. As operações tendem a ocorrer de maneira paralela e contínua, não sequenciais. O tempo é cada vez mais escasso e, consequentemente, o ritmo das operações está cada vez mais intenso. O mais rápido, e não o maior ou mais forte, é quem obtém a vantagem competitiva.

As atividades de comando e controle são desenvolvidas, dentro da estrutura de C², por meio de centros de operações, denominados centros de comando e controle, convenientemente configurados para possibilitar a ligação entre a estrutura militar de comando com seus escalões superiores e subordinados. As estruturas de C² tem o propósito de integrar conhecimentos e informações disponíveis, efetuando ajustes e correções de maneira a formar um quadro real, tentando, assim, reduzir o nível de incerteza do comandante.

Em suma, os sistemas de C² materializam o impacto acumulado de melhor governança da informação e produção do conhecimento, proporcionam às organizações a capacidade de fornecer melhores produtos e dominar seu espaço competitivo. Ao ressaltar a importância do C², Metz (2000) verificou que negar ou dificultar o uso dos sistemas de C² corresponde a um dos principais objetivos das partes oponentes, cujas vulnerabilidades são avaliadas tanto por quem ataca como por quem defende.

As possibilidades de acesso às informações, tão importantes e decisivas para os conflitos, tornaram as atividades de C² um centro de gravidade a ser defendido e a ser atacado, originando a Guerra de C². Esta, se bem conduzida, pode impedir as ações do inimigo, alcançando a vitória sem ser necessário combater. Assim, surgiu no contexto da Guerra de Informação a categoria específica que trata da Guerra de Comando e Controle caracterizada pela busca da superioridade de informações e pela eficiente gestão do conhecimento.

1.3 COMANDO E CONTROLE COMO FERRAMENTA DE GOVERNANÇA NAS

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