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Albufeira 5 Alcácer do Sal 24 Alcaria Ruiva 3 Alcoutim 7 Aldeia Galega 7 Alhos Vedros 5 Aljezur 6 Aljustrel 7 Almada 8 Alvalade 6 Barreiro 2

e liberdade universais. Este movimento coincidiu com o aparecimento das ordens mendicantes cujo estilo pastoral inovador, mobilizador do laicado, se traduziu em novas formas de praticar a caridade e na difusão do Culto ao Espírito Santo através de confrarias e irmandades, algumas das quais sustentavam hospitais que davam albergue a peregrinos e viajantes, pobres e enfermos. (…) A piedade dos fiéis

abraçou de tal forma esta devoção que, se antes de 1321 não se rastreiam mais de quatro hospitais tendo como orago a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a partir «daquele ano e até ao fim de quinhentos, podemos contar com 75 cidades, vilas e aldeias, cuja matriz tinha o Espírito Santo por orago; cerca de 80 hospitais e albergarias com suas capelas de igreja e muito principalmente ermidas daquela invocação» (…). MARQUES, João Francisco, 2000 – “Orações e devoções”. In História Religiosa de Portugal. Casais de Mem Martins: Círculo de Leitores, vol. 2, pp.650-658. O texto inserido entre aspas é

de Jaime Cortesão, Os Descobrimentos Portugueses. Lisboa: INCM, 1990, vol. I, p. 199. 210 LEAL, Ana de Sousa; PIRES, Fernando, 1994 – Alhos Vedros…, pp. 10-17.

211 SANTOS, Vítor Pavão dos, 1969 – Visitações de Alvalade…, pp. 35-41. 212

CAVACO, Hugo, 1987 – “Visitações” da Ordem de Santiago… pp. 29-31, 37-40, 123-128, 141 e 255-263; LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas

Algarvias…, pp. 107-108.

213 CORREA, Fernando Calapez e VIEGAS, António, 1996a – Visitação da Ordem de Santiago…, pp. 74-85 e 97-104; ENCARNAÇÃO, Pedro Henrique Ferreira, 1993 – As Visitações da Ordem de

Sant’Iago…, pp. 25-28; LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas Algarvias…, pp. 27-34; MARTINS, Luísa Fernanda Guerreiro e CABANITA, Padre João

Coelho, 2001-2002 – “Visitação das igrejas dos concelhos de Faro…, pp. 228-238. 214

SANTOS, Vítor Pavão dos, 1969 – Visitações de Alvalade…, pp. 71-75. 215 MATA, Joel da Silva – Visitação do Mosteiro de Santos (no prelo).

Cacela 2 Casével 2 Castro Marim 5 Coina 3 Faro 17 Ferreira 5 Grândola 6 Loulé 13 Martim Longo 9 Mértola 25 Palmela 10 Panóias 5 Santos 1

Sto. António de Arenilha 2

Sesimbra 10 Setúbal 11 Sines 4 Tavira 8 Torrão 10 TOTAL 229

Quadro III – Distribuição territorial das estruturas referenciadas em Quadro I

De acordo com a metodologia seguida para a enunciação das devoções verificadas nas matrizes, começamos por centrar a nossa atenção nas evocações de carácter mariano. Do total determinado de estruturas dedicadas à Virgem, igrejas matrizes incluídas – cinquenta e nove espaços de culto entre os duzentos e dezoito considerados – quarenta designam-se pelo nome de Nossa Senhora e dezassete pelo de Santa Maria216. Nesta abordagem global, o número de templos ligados à devoção à Virgem continua a ser significativo (mais de ¼ dos edifícios considerados) mas deixa de ser maioritário como se verificou no caso das matrizes. O que em parte se compreende pela resistência de antigas devoções bem como pelo carácter de algum modo mais espontâneo da instituição de novas estruturas, dependente não apenas das especificidades da fé dos padroeiros mas também dos receios que sentiam ante a proliferação de determinadas doenças, como a peste, que se traduziu no levantamento de inúmeros templos dedicados a São Sebastião e São Roque.

Relativamente às estruturas de invocação mariana, verifica-se que uma parte das estruturas consideradas se limita a ser Igreja, Ermida ou Capela de Nossa Senhora ou de Santa Maria, com ou sem associação a um topónimo. Este, quando articulado com a invocação, pode revestir um carácter genérico que se limita a remeter para o nome da

216 Esta é a situação que se verifica por ocasião das visitações mais antigas que serviram de base ao nosso estudo. No decurso do século, porém, algumas igrejas que na primeira metade do século tinham a denominação de Santa Maria acabam por deixá-la cair em proveito da de Nossa Senhora. Assinale-se os casos das matrizes de Mértola (Igreja de Santa Maria / Nossa Senhora de Entre Ambas as Águas) e Tavira (Santa Maria / Nossa Senhora da Assunção). Mas o contrário também sucede: Nossa Senhora da Mesquita transforma-se em Santa Maria das Flores.

vila, aldeia, lugar onde o templo se encontra implantado – Igreja de Nossa Senhora de Paderne217, Ermida de Nossa Senhora da Atalaia218, Ermida de Santa Maria da Amora219, por exemplo – ou a identificar particularidades da hidrografia ou do relevo, como se viu no caso da matriz de Mértola, Igreja de Santa Maria, também designada Nossa Senhora de Entre-Ambas-as-Águas220 ou da Ermida de Santa Maria do Monte, em Almada221. Esta associação do nome evocativo do templo às particularidades do lugar assume, por vezes, um carácter mais explícito, relacionando-o com a pequena toponímia ou com as especificidades de algum espaço urbano, como a Capela de Nossa Senhora da Porta do Ferro, em Alcácer222, ou a Igreja de Santa Maria do Castelo da Vila, em Almada223.

Paralelamente, a invocação a Nossa Senhora é frequentemente complementada com referências que remetendo para a Conceição e para a Assunção da Virgem, especificam de um modo mais preciso a natureza devocional do templo e através dela as inclinações de fé dos instituidores ou das populações que nele se congregavam enquanto comunidade. Acresce precisar que as invocações à Conceição ou à Assunção da Virgem não esgotam as devoções identificadas. Mãe de Cristo e Mãe dos Homens, Maria é Senhora dos Mártires em Alcácer do Sal224, Cacela225 e Castro Marim226, dos Remédios na Alcaria Ruiva227, Senhora da Vitória em Alhos Vedros228, da Esperança em Faro229,

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LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas

Algarvias…, pp. 23-26.

218 DIAS, Mário Balseiro, 2005-2006 – Visitações e Provimentos da Ordem de Sant’Iago…, vol. I, pp. 31-55 e 156-163, vol. II, pp. 54-68 e 97-100.

219 PINTO, Rui – “As Visitações da Ordem de Santiago em Almada…”, pp. 187-189. 220

Em Faro existe um outro templo com esta designação: a Ermida de Nossa Senhora de Entre Ambas as Águas.

221 PINTO, Rui – “As Visitações da Ordem de Santiago em Almada…”, pp. 182-186. 222

AN/TT, Ordem de Santiago / Convento de Palmela, Códice nº 154, fólios. 12r-13v. In APÊNDICE DOCUMENTAL, nº 1, pp. 17-18. No mesmo Códice, aos fólios 130r-131r, a Visitação de 1534, in APÊNDICE DOCUMENTAL, nº 12, pp. 137-138.

223 PINTO, Rui – “As Visitações da Ordem de Santiago em Almada…”, pp. 173-181. 224

AN/TT, Ordem de Santiago / Convento de Palmela, Códice nº 154, fólios. 29r-32v. In APÊNDICE DOCUMENTAL, nº 1, pp. 31-35. No mesmo Códice, aos fólios 132v-133v, a Visitação de 1534…, in APÊNDICE DOCUMENTAL, nº 12, pp. 139-141.

225 CAVACO, Hugo, 1987 – “Visitações” da Ordem de Santiago… pp. 24, 111-121 e 275; LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas Algarvias…, p. 99.

226 CAVACO, Hugo, 1987 – “Visitações” da Ordem de Santiago… pp. 45-48, 128-131, 260-263 e 295; LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas Algarvias…, pp. 103-105.

227 BARROS, Maria de Fátima Rombouts de; BOIÇA, Joaquim Ferreira e GABRIEL, Celeste, 1996 – As

Comendas de Mértola e Alcaria Ruiva…, pp. 98-103, 288-298, 341-343 e 414-424.

228 CORREA, Fernando Calapez, 1996b – “Visitação da Ordem de Sant’Iago…”, pp. 111-112; LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas Algarvias…, p. 73; MARTINS, Luísa Fernanda Guerreiro e CABANITA, Padre João Coelho, 2001-2002 – “Visitação das igrejas dos concelhos de Faro…, pp. 201-202.

da Piedade em Loulé230 e Odeceixe231, das Relíquias em Martim Longo232, da Consolação em Sesimbra233… As possibilidades, aliás, não se esgotam neste tipo de denominações, registando-se lugares em que a denominação apresenta uma clara relação com a devoção à Senhora do Rosário, como em Almada, com a Igreja de Nossa Senhora da Rosa234 ou em Mértola a Ermida de Santa Maria das Flores235.

COMENDAS Quadro IV

TEMPLOS DE INVOCAÇÃO MARIANA