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Como tipos da igreja

No documento Tipologia Bíblica (páginas 168-176)

In t r o d u ç ã o

/ / -v -y o princípio, D eus.” Essas são as primeiras palavras que

I lemos ao abrir a Bíblia. Ao estudar a história dos levitas,

| \ | ou qualquer outro assunto na Palavra, não podemos fazer melhor do que começar por aqui. Foi a livre graça de Deus que escolheu os levitas dentre as demais tribos, assim como foi a sua graça que chamou Abraão de Ur dos caldeus, e a nós, “das trevas para a sua maravilhosa luz”. N ada havia em Levi que o recomen­ dasse diante de Deus. Pelo contrário, diríamos, ao ler em Gênesis 49 que Levi era um dos piores filhos de Jacó. Deus, todavia, na sua

graça soberana, podia dizer: “O Se n h o r teu Deus o escolheu dentre

todas as tribos” (Dt 18.5). “Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” O s levitas deviam estar no meio daqueles que ficaram longe quando a lei foi promulgada no Sinai, mas Deus diz a Arão: “Mande chamar a tribo de Levi e apresente-a” (Nm 3.6), e nós, que “antes estávamos longe, fomos aproximados pelo sangue de Cristo”.

Q uando estudamos a história da tribo de Levi em relação a Arão, o grande sumo sacerdote, aprendemos muitas lições belas.

N ão existe tipo mais notável de Cristo que Arão, desde a primeira menção a ele, em Êxodo, até a última, em Hebreus. È citado pela primeira vez em Êxodo 4, onde Deus diz a Moisés: “N ão é Arão o levita o seu irmão? Sei que ele fala bem”. Depois de Jesus, “que é mais chegado que um irmão”, ter vindo habitar na carne humana, a primeira declaração de Deus foi: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” e, no monte da transfiguração,

acrescentou: “Escutem a ele”. E os que realmente fizeram isso foram obrigados a confessar que “nunca um homem falou como este Homem”.

A obra de A rão no tabernáculo, vestido de roupas de glória e de beleza, prefigura maravilhosamente Aquele que, coroado de glória e honra, ainda caminha entre os candelabros de ouro. O sumo sacerdote levava nos ombros e no peitoral os nomes dos israelitas, assim como nosso Sum o Sacerdote nos leva sobre os om bros do seu poder in esgotável. D en tro d aquele peito ral maravilhoso, suspenso dos ombros, havia o Urim e o Tumim, as luzes e as perfeições, mediante os quais a vontade de Deus era revelada a Israel: “A respeito de Levi disse: ‘O teu Urim e o teu Tumim pertencem ao homem a quem favoreceste’” (Dt 33.8). As luzes e as perfeições ainda estão com Jesus “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”. Mas, ao mesmo tempo que disse de si mesmo: “Eu sou a Luz do mundo”, também disse aos seus seguidores: “Vocês são a luz do mundo”, e “sejam perfeitos, como é perfeito o seu pai no céu”. E vontade sua agora que as luzes e perfeições sejam vistas nos seus seguidores. Mas isso só é possível quando habitamos no peito do Senhor e somos sustentados pelo seu poder. O Urim e o Tumim eram indicação da mente de Deus, e o mundo deve ter a possibi­ lidade de aprendê-la agora mediante a vida do povo de Deus.

N o tempo de Esdras, alguns sacerdotes não conseguiam compro­ var sua ascendência. Acreditavam ser filhos de Arão, mas não podiam demonstrar o fato: “Eles examinaram seus registros de família, mas não conseguiram achá-los e foram considerados impuros para o sacerdócio. Por isso o governador os proibiu de comer alimentos sagrados enquanto não houvesse um sacerdote capaz de consultar Deus por meio do Urim e do Tumim” (Ed 2.62,63). N ão precisamos esperar (como eles) que um sumo sacerdote apareça, antes, podemos nos regozijar porque o nosso nome está escrito no céu e “o firme fundam ento de Deus permanece inabalável e selado com esta inscrição: ‘O Senhor conhece os seus”’ (2Tm 2.19).

A contagem dos levitas nos apresenta uma questão de grande interesse e demonstra que, em associação com seu grande sumo sacerdote, ficaram inteiramente separados das demais tribos e lhes foi poupada a condenação que recaiu sobre o restante de Israel.

Em geral se declara que, de todos os que saíram do Egito, somente a Calebe e Josué foi permitida a entrada na terra prometida. Entretanto, mediante o estudo cuidadoso da história dos levitas, mostra-se que eles também foram isentados da ruína geral no deserto. A s razões que levam a essa conclusão são as seguintes.

A tribo de Levi não enviou nenhum espia para a missão de reconhecimento da terra de Canaã (v. N m 13.1-16), e a maldição caiu por causa do relatório mau dos espias e da conseqüente murmuração do povo:

Cairão neste deserto os cadáveres de todos vocês, de vinte anos para cima, que foram contados no recenseamento e que se queixaram contra mim [...] Durante quarenta anos vocês sofrerão a conseqüência dos seus pecados e experimentarão a minha rejeição; cada ano corresponderá a cada um dos quarenta dias em que vocês observaram a terra [...] Os homens enviados por Moisés em missão de reconhecimento daquela terra voltaram e fizeram toda a comunidade queixar-se contra ele ao espalharem um relatório negativo; esses homens responsáveis por espalhar o relatório negativo sobre a terra morreram subitamente de praga

perante o S e n h o r. De todos os que foram observar a terra, somente

Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, sobreviveram (Nm 14.29,34,36-38).

Conforme declarado na passagem acima citada, os que caíram no deserto tinham sido contados de vinte anos em diante e são descritos, ainda, como “guerreiros”. “Como não me seguiram de coração íntegro, nenhum dos homens de vinte anos para cima que saíram do Egito verá a terra que prometi sob juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, com exceção de Calebe, filho de Jefoné, o

quenezeu, e Josué, filho de Num, que seguiram o Se n h o r com

integridade de coração.” (Nm 32.11,12) “O s israelitas andaram quarenta anos pelo deserto, até que todos os guerreiros que tinham saído do Egito morressem, visto que não tinham obedecido ao

Se n h o r.” (Js 5.6) “Passaram-se trinta e oito anos entre a época em

que partimos de Cades-Barnéia, e a nossa travessia do vale de Zerede, período no qual pereceu do acampamento toda aquela

geração de homens de guerra, conforme o Se n h o r lhes havia

Que os levitas não se contavam entre os guerreiros é mostrado muito claramente no primeiro capítulo de Números, onde somos

informados: “O S E N H O R falou a Moisés no deserto do Sinai [...]

Ele disse: ‘Façam um recenseamento de toda a comunidade de Israel [...] Você e Arão contarão todos os homens que possam servir no exército, de vinte anos para cima, organizados segundo as suas divisões’”. Assim se fez, e no fim do capítulo lemos: “As famílias da tribo de Levi, porém, não foram contadas juntamente

com as outras, pois o Se n h o r tinha dito a Moisés: ‘N ão faça o

recenseamento da tribo de Levi nem a relacione entre os demais israelitas’” (Nm 1.1-3 e 47-49; tb. 2.33).

Os levitas foram contados separadamente, “de um mês de idade para cima [...] N ão foram contados junto com os outros israelitas porque não receberam herança entre eles” (Nm 26.62). Esta última frase do texto explica tam bém por que a sua tribo não era representada por nenhum espia.

Portanto, os israelitas que morreriam sem entrar na terra prometida foram os recenseados no deserto do Sinai, quando, segundo já vimos, os levitas não foram incluídos. Imediatamente antes de atravessarem o Jordão, a contagem foi feita de novo, não por Moisés e Arão, mas por:

Moisés e pelo sacerdote Eleazar quando contaram os israelitas nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, frente a Jericó. Nenhum deles estava entre os que foram contados por Moisés e pelo sacerdote Arão quando contaram os israelitas no deserto do Sinai. Pois o Senhor tinha dito àqueles israelitas que eles iriam morrer no deserto, e nenhum deles sobreviveu, exceto Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. (Nm 26.63-65).

Eleazar e Finéias entraram na terra prometida. Eleazar estava com Josué quando este dividiu a herança entre as tribos (Nm 34.17), ao passo que Finéias foi enviado como um dos mensageiros às tribos de Rúben, de Gade, e à meia-tribo de Manasses. Nenhum desses homens, porém, foi mencionado como exceção à condenação geral. Eleazar, pelo menos, e talvez também seu filho, devia ter mais de vinte anos de idade quando saiu do Egito.

O s textos que se referem ao assunto mencionado acima foram citadas com pormenores a fim de se enxergar claramente a posição

dos levitas. Se a conclusão for correta, que realmente forain isentos da maldição que caiu sobre os demais israelitas, podemos ver neles, assim como também em tantos outros pormenores, um retrato notável dos crentes verdadeiros. A sentença de morte recai sobre todos em seu redor, mas “agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigénito de Deus.” (Jo 3.18) “Eu lhes asseguro: ‘Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida.’” (Jo 5.24)

A posição dos levitas era diferente da do restante dos israelitas, em muitos aspectos. Posto que duas porções tinham sido alocadas a José e que seus filhos foram contados como filhos de Jacó, Levi formou a décima terceira tribo e, desse modo, como se indicou, manteve uma posição entre elas semelhante à de Paulo entre os apóstolos.

Quando os levitas foram contados a partir de um mês de idade, foram contados na sua fraqueza (Nm 3). Com isso, conforme alguém já disse, ficamos sabendo que a posição deles na tribo dependia não daquilo que tivessem feito em favor de Deus, mas do que Deus fizera em favor deles. N o capítulo seguinte (Nm 4), são recenseados segundo seus anos de força, a partir de 30 anos de idade — a idade de José quando com pareceu diante do faraó, de D avi quando com eçou a reinar e de nosso Senhor quando entrou no seu ministério público. Era a idade para início do serviço dos levitas no período do deserto, mas depois disso, quando os trabalhos exigiriam menos força física, mas mais ministros, a idade ficou sendo 25 anos; e Davi, em lCrônicas 23.24-27, a altera para 20.

N a história da tribo de Levi, há um grande contraste entre antes e depois de ser tirada do Egito. N os tempos antigos, Jacó disse: “Simeão e Levi são irmãos; suas espadas são armas de violência” (Gn 49.5), mas depois guardavam “todos os utensílios da Tenda do Encontro” (Nm 3.8). Jacó também disse: “Que eu não entre no conselho deles, nem participe da sua assembléia”. Entretanto, depois de terem atravessado o mar Vermelho, Deus disse a Arão: “Traga também os seus irmãos levitas, que pertencem à tribo de seus antepassados, para se unirem a você” (Nm 18.2). Levi tinha sido motivo de vergonha para Jacó, mas agora Deus o chama a essa posição de alto privilégio em associação com o sumo sacerdote. O significado

do nome Levi é “apegado”, conforme lemos em Gênesis 29.34, e é por estar apegado a Arão que é abençoado assim.

A história de crueldade e de derramamento de sangue a qual Jacó se refere acha-se em Gênesis 34, que narra o assassinato de todos os homens da cidade de Siquém. Q uanta diferença do quadro de João 4, onde se diz aos homens da mesma cidade, que não eram melhores do que aqueles nos tempos de Simeão e Levi: ‘“Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo?’. Então saíram da cidade e dirigiram-se a ele” (v. 29). O próprio João, o discípulo amado, revelou algo do espírito desses filhos de Jacó quando quis pedir que fogo descesse dos céus contra os samaritanos. O Mestre o repreendeu, dizendo: “Vocês não sabem de que espécie de espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los” (Lc 9.56).

Simeão e Levi foram amaldiçoados por sua crueldade e seu pecado, e o castigo foi assim declarado: “Eu os dividirei em Jacó e os espalharei em Israel”. Essa sentença foi executada literalmente, mas a maldição foi transformada em bênção e, embora tenham sido dispersos entre as tribos, sem receber nenhuma herança na terra prometida, a razão, posteriormente citada, fala de graça incom­ parável, e uma promessa substitui a sentença do juízo. O s levitas

foram separados “para carregar a arca da aliança do S E N H O R , para

estar diante do Se n h o r [... ] pronunciar bênçãos em seu nome [... ]

Ê por isso que os levitas não têm nenhuma porção de terra ou

herança entre os seus irmãos; o Se n h o r é a sua herança, conforme

o Se n h o r, o seu Deus, lhes prometeu” (Dt 10.8, 9). N ós também

estávamos debaixo de uma maldição por causa do nosso pecado, mas “Cristo nos redimiu da maldição da lei, sendo feito maldição por n ós”, e agora estamos abençoados “com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Ef 1.3). A sentença pronunciada contra nós por causa do nosso pecado foi: “Você certamente morrerá”. Mas Cristo tirou da morte o aguilhão, de modo que podemos dizer, juntamente com Paulo: “Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro”.

Temos também um contraste m arcante nas ocupações dos levitas nesses dois períodos de sua história. N a terra do Egito, os levitas, juntamente com os demais israelitas, foram sujeitos a “cruel escravidão”, e os egípcios “tornaram-lhes a vida amarga, impondo-

lhes a árdua tarefa de preparar o barro e fazer tijolos, e executar todo tipo de trabalho agrícola; em tudo os egípcios os sujeitavam a cruel escravidão” (Ex 1.13,14). Construir as cidades-celeiros para o faraó não foi tarefa fácil, mas que diferente foi a vida deles mais tarde, quando “foram encarregados de cuidar de todo o serviço do tabernáculo, o templo de Deus” (lC r 6.48) e “receberam a responsa- blidade de tomar conta das salas e da tesouraria do templo de Deus”

(lC r 9.26).

Além disso, o trabalho era realizado para um Mestre muito diferente e sob supervisão muito diferente. Os egípcios “estabele­ ceram, pois, sobre eles chefes de trabalhos forçados, para os oprimir com tarefas pesadas” (Ex 1.11). Mas Arão não era nenhum chefe cruel de trabalhos forçados e foi ele quem, nas peregrinações pelo deserto, designou “a cada homem a sua tarefa e o que deverá carregar” (Nm 4.19). Depois foram sujeitos à ordem do Rei.

O s fardos no Egito eram pesados e lhes amargavam a vida, de modo que clamaram a Deus “por causa da escravidão”, e Deus tirou “o peso dos seus ombros” (SI 81.6). Mas Deus lhes deu um fardo leve quando “os levitas carregavam a arca de D eus nos ombros” (lC r 15.15), o que nos faz lembrar do convite amoroso que nosso Senhor nos faz em Mateus 11.28 — que todos os cansados e sobrecarregados vão até ele para descansar e depois carregarem seu jugo suave e seu fardo leve.

O s levitas, portanto, tanto em sua história remota quanto nos dias posteriores à nom eação para servirem e adorarem a Deus, tipificavam o sacerdócio real, de quem foi chamado “das trevas para a sua maravilhosa luz” e “do poder de Satanás para D eus”.

No documento Tipologia Bíblica (páginas 168-176)

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