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Considerando todos os dados coletados em relação á cultura da soja e a produção leiteira na propriedade do Sr. Valdir, o presente estudo tem entre seus propósitos apresentar um comparativo entre ambas às culturas. As figuras 31 e 32, ilustram uma simulação, tomando como base as informações já apuradas anteriormente nas safras 2015/2016 e 2016/2017, igualando apenas a área cultivada para 30 hectares em cada safra.

Figura 31 – Safra Soja simulada com 30 hectares

Fonte: Dados do trabalho

A média de produtividade os custos, tudo segue o padrão das apurações anterior, como observamos no quadro acima. Seguindo, podemos observar a DRE elaborada para esta simulação.

Figura 32 – DRE Simulada/Soja

Fonte: Dados do trabalho

O lucro bruto ou ROA, apurado para o ano de 2016 foi de R$ 71.396,80 enquanto para o ano de 2017 foi de R$63.958,80. O que chama atenção é o fato de que a produtividade aumentou, passou de 52 sacas p/ha para 58 sacas p/ha, e mesmo assim o retorno final foi de R$7.438,00 menor. A produtividade é um fator interno à propriedade e depende de fatores climáticos. Já os preços são orientados pelo mercado. Não se tem controle sobre os preços que dependem do mercado internacional. Para mostrar a dimensão desta diferença, se comparado a um custo médio de produção em torno de R$1.400,00, o agricultor só com esta diferença poderia ter custeado o plantio de mais de 5 hectares de soja.

Mais uma vez o agricultor sendo prejudicado, na questão dos preços pagos aos produtos que ele cultiva. São R$11,00 de diferença no preço por saca colhida. É sem dúvida uma triste realidade com a qual os agricultores precisam conviver. Ver todo suor do seu trabalho sendo sugado por intermediários. Esta colocação foi o proprietário mesmo que deu em um dos momentos de conversa com ele.

Partimos então para os dados já apresentados anteriormente com relação à atividade leiteira na propriedade. Inicialmente temos a figura 33 com a DRE da atividade leiteira.

Figura 33 – DRE Simulada/Leite

Fonte: Dados do trabalho

Como podemos ver, as apurações no ano de 2016 foram de R$78.503,74 e já em 2017 foram de apenas R$34.245,59. De cara podemos observar que esta cultura foi mais rentável em relação à cultura da soja no ano de 2016. Enquanto a soja ficou nos seus R$71.396,80 a atividade leiteira chegou a seus R$78.503,75.

Por outro lado analisando o ano seguinte percebemos uma grotesca diferença de valores. Enquanto o leite revela R$34.245,58, a soja alcançou R$63.958,80. Ai cabe a pergunta: A soja ou o leite é mais rentável na propriedade do Sr.Valdir?. Para a resposta a esta questão utilizou-se alguns dados apurados e também a opinião dos proprietários.

Primeiro ponto é observar que no ano de 2017, a produção de leite foi bastante menor do que no ano de 2016, isso em razão da diminuição do rebanho. Segundo ponto, as pastagens e a área destinada, para a cultura permaneceu a mesma, isso significa que teve ociosidade na ocupação deste espaço.

Outro fator relatado pelo produtor: Com estas 30 hectares, teria condições de manter um rebanho de 60 vacas leiteiras em produção. Este aumento se comparado aos 50 animais que ele possuía em sua propriedade no ano de 2016, estaria representando um aumento de 20% no rebanho.

Estes 10 animais produzindo a média de 13,88 litros por animal/dia, seriam mais 138,80 litros ao dia, totalizando 4.163 litros ao mês e 49.968 litros ao ano. Isto aplicado ao preço médio de R$ 1,40 praticado no ano daria um faturamento bruto de 69.955,20. Tirando o custo de R$1,08, que totaliza R$53.965,44 temos um

rendimento de R$15.989,76 (sem impostos), que estariam sendo incrementados na renda da propriedade.

Ou seja, dadas as proposições anteriores, mais as contribuições do agricultor se evidencia a atividade leiteira como mais rentável nesta propriedade. Segundo o próprio agricultor, é ela que fornece um retorno mais imediato, mesmo que exija mais trabalho. O mesmo ainda relata que se em uma safra de grãos acontece algum imprevisto, o agricultor perde tudo. Já com a atividade leiteira um eventual desfalque fica mais fácil de ser ajustado.

Vale destacar também a preocupação por parte do agricultor, que em outra parte relatou o seguinte: “sempre tive o leite como carro chefe da renda, mas com estes preços e tudo que está acontecendo, não sei até quando”.

O agricultor ainda menciona que a atividade leiteira exige uma disciplina de muito trabalho, levantar cedo, sem domingos e nem feriados. No entanto, revela que é esta a fonte de renda que serve para fazer frente às despesas mensais, ao fluxo de caixa. Remunera a mão de obra deles, paga despesas de combustíveis, luz água e tudo mais.

Sendo assim com esta atividade fazendo frente a estas despesas, libera os rendimentos das demais atividades que na propriedade são os grãos, para realizar investimentos na propriedade, como por exemplo, adquirir novas máquinas, substituir outras que estejam depreciadas pelo desgaste. Até mesmo para investimentos diversos e até a expansão da propriedade com a compra de novos lotes de terra.

Mais um aspecto importante da atividade leiteira é de que ela tem contribuições paralelas. Uma delas, por exemplo, é a questão do esterco, que também é utilizado na adubação da propriedade, reduzindo o custo na aquisição de adubos químicos.

Aqui neste capítulo, o agricultor também fez críticas ao posicionamento do governo em relação às importações do leite em pó do país vizinho, o Uruguai. Conforme matéria publicada no RBS Notícias que foi ao ar no dia 19/08/2017, foram importadas mais de 35 mil toneladas de leite em pó. Do ano de 2015 até 2017 estas importações aumentaram em cerca de 300%.

Outra informação debatida com o agricultor foi uma reportagem também exibida pelo RBS Notícias, que foi ao ar em 25/08/2017, foi o estudo realizado do ano de 2015 até 2017 na região do grande Santa Rosa que apontou uma redução de 32% na quantidade de produtores que abandonaram esta atividade. Foram mais de 9.500 agricultores que abandonaram a produção.

Sem dúvidas são fatores que causam uma preocupação muito grande, e merecem ser tratados com a devida atenção por quem está à frente da nossa nação.

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