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2 BASES TEÓRICAS DA PESQUISA

2.4 O COMPARTILHAMENTO DO CONHECIMENTO NOS CICLOS DA GESTÃO DO

O compartilhamento do conhecimento é uma das ações mais importantes na GC. A literatura da área apresenta diversos ciclos da GC que preveem o compartilhamento do conhecimento. Esses ciclos da GC sistematizam a informação, que é transformada em conhecimento. Em geral, um ciclo da GC prevê processos para a captura, codificação, disseminação, compartilhamento, acesso e aplicação do conhecimento (MOHAPATRA; AGRAWAL; SATPATHY, 2016).

Há diversas pesquisas que caracterizam os ciclos da GC, porém cada autor traz uma nomenclatura diferente para identificar as fases ou etapas que compõem o ciclo da GC. Dentre os mais consolidados ciclos da GC destacam-se o de Wiig (1993), o de Nonaka e Takeuchi (1997), o de Boisot (1998), o de Burk (1999), o de Mc Elroy (1999), o de Bukowitz e Williams (2003) e o de Lee, Lee e Kang (2005).

O ciclo de Wiig (1993) concentra-se nas fases de construção, retenção, distribuição e aplicação do conhecimento. Na construção do conhecimento têm-se como ferramentas: a aprendizagem, educação formal, treinamento, uso de fontes de inteligência e meios de comunicação. Na fase de retenção ou armazenamento do conhecimento têm-se o banco de dados que visa garantir a recuperação rápida, fácil e correta do conhecimento por meio de utilização de sistemas de armazenagem efetivos. Na fase de distribuição, a informação e o conhecimento permanecem restritos a um grupo pequeno de indivíduos, tornando-se um ponto crítico ao processo de compartilhamento. Por fim, na fase de aplicação do conhecimento, esse deve ser aplicado em situações reais da organização de modo a produzir benefícios concretos (DOROW; CALLE; RADOS, 2015).

Nonaka e Takeuchi (1997) propõem um ciclo da GC com raízes na criação do conhecimento, chamado de SECI. Partindo desse pressuposto, são consideradas quatro fases ou etapas de criação de conhecimento: socialização, externalização, combinação e internalização. A primeira fase é a socialização, onde ocorre a conversão do conhecimento tácito em tácito. Essa fase é representada pela interação entre os indivíduos em grupos de trabalho, onde ocorre o diálogo entre duas ou mais pessoas, o que facilita o compartilhamento das experiências através de emoções em um contexto específico (NONAKA; TAKEUCHI, 2008).

A segunda fase, a externalização, é caracterizada pela conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito. O diálogo ou a reflexão coletiva ajuda os membros da

equipe a articularem o conhecimento tácito, parte desse conhecimento é descrito por meio de planilhas e textos, tornando-se um conhecimento conceitual. Na terceira fase é realizada a combinação, que é representada pela conversão do conhecimento explícito em conhecimento explícito. Nessa fase o conhecimento é relacionado aos conhecimentos já existentes na organização por meio da utilização do conhecimento de um colaborador, por exemplo, que agrega valor ao conhecimento organizacional (NONAKA; TAKEUCHI, 2008).

Na quarta e última fase, a internalização, ocorre à conversão do conhecimento explícito em conhecimento tácito, onde os membros da organização aprendem fazendo, i.e., executando uma tarefa para internalizar o conhecimento. Assim, quando o conhecimento explícito é internalizado, esse se torna um conhecimento tácito (NONAKA; TAKEUCHI, 2008).

O ciclo de Boisot (1998) ou “I-Space” baseia-se no conceito de uma boa informação que depende de indivíduos compartilhando o mesmo conhecimento. Esse ciclo compreende a forma tácita de conhecimento, precisa de um contexto compartilhado para sua interpretação e implica na interação face a face dos indivíduos (DALKIR, 2011).

O ciclo de Burk (1999) apresenta o ciclo do conhecimento por meio de quatro etapas: criação, organização, compartilhamento e utilização/reutilização. Em seu ciclo, o conhecimento pode ser criado em reuniões, conferências ou experiências. A organização tem a tarefa de filtrar o conhecimento e catalogá-lo, na etapa de compartilhamento disponibiliza-se

o conhecimento através dos canais de comunicação da organização. Na

utilização/reutilização, ocorre a aplicação do conhecimento em problemas organizacionais reais (BURK, 1999).

Mc Elroy (1999) propõe um ciclo da GC composto pelas seguintes etapas: produzir conhecimento, integrar conhecimento e obter feedback entre atividades da GC, como a memória organizacional, crenças e ambientes de negócios. Na etapa produzir conhecimento, os processos chave envolvem a aprendizagem individual e grupal, a formulação de conhecimento, aquisição de informação, requerimentos de conhecimento codificado e avaliação de conhecimentos requeridos. Na integração do conhecimento, a organização produz um novo conhecimento e retira o antigo que não é mais necessário, o compartilhamento do conhecimento permite a comunicação e a garantia de um entendimento novo de conhecimento por parte dos indivíduos da organização. Assim, os resultados podem atingir ou não as expectativas do negócio, determinando-se qual conhecimento será integrado aos processos da organização a partir dos feedbacks entre atividades da GC (DOROW; CALLE; RADOS, 2015).

O ciclo de Bukowitz e Williams (2003) compõe as seguintes etapas: adquirir, usar, aprender, contribuir, acessar, construir e descartar. A primeira etapa consiste em adquirir a informação necessária para tomar as melhores decisões. Usar a informação para novos interesses que promovam a inovação organizacional. Aprender a partir de experiências com o meio, e contribuir, registrando o que aprendeu em bases de conhecimento coletivo, e assim compartilhando as melhores práticas e lições aprendidas, para que outros colaboradores não cometam os mesmos erros anteriores. Acessar uma base de conhecimento para definir o conhecimento necessário para cumprir uma tarefa. Construir, investindo na manutenção do conhecimento de forma a assegurar o capital intelectual e futuro da organização. E assim, descartar ativos físicos ou intelectuais que não criam mais valor a organização (DOROW; CALLE; RADOS, 2015).

O ciclo proposto por Lee, Lee e Kang (2005) apresenta cinco etapas: criação, acúmulo, compartilhamento, utilização e internalização do conhecimento. Na criação os indivíduos se inter-relacionam para criar novos conhecimentos. No acúmulo, tem-se o armazenamento deste conhecimento criado. No compartilhamento ocorre à promoção e difusão do conhecimento para os demais indivíduos da organização. Na utilização e internalização do conhecimento, esse conhecimento é aplicado para criar as melhores práticas organizacionais. Assim, a Figura 2 apresenta uma linha do tempo dos ciclos da GC aqui discutidos.

Figura 2 – Linha do tempo dos principais ciclos da GC.

Fonte: Elaborada pela autora.

Na Figura 2, observa-se a evolução temporal de acordo com todos os ciclos aqui apresentados. Nesses ciclos, o compartilhamento do conhecimento é previsto por meio de ações específicas e fundamentais para que o conhecimento tome fluência ao longo da sua existência. Sendo assim, Wiig (1993) propõe o uso da tecnologia como ferramenta de compartilhamento do conhecimento que fica disponível em qualquer parte, tempo e formato

(DOROW; CALLE; RADOS, 2015). Em Nonaka e Takeuchi (1997), a fase denominada ‘socialização’ promove o diálogo entre duas ou mais pessoas, o que facilita o compartilhamento das experiências através de emoções em um contexto específico. Para Boisot (1998) é notável quando a informação necessita de um contexto compartilhado para tornar-se conhecimento. Mas Burk (1999) afirma que a etapa de compartilhamento disponibiliza o conhecimento através dos canais de comunicação da organização (BURK, 1999).

McElroy (1999) afirma que o compartilhamento do conhecimento permite a comunicação e a garantia de um entendimento novo de conhecimento, por parte dos indivíduos da organização (DOROW; CALLE; RADOS, 2015). Em Bukowitz e Williams (2003), a etapa contribuir condiz com a ação dos funcionários em registrar o que eles aprendem em bases de conhecimento coletivo, assim compartilham as melhores práticas e lições aprendidas para que outros colaboradores não cometam os mesmos erros anteriores (DOROW; CALLE; RADOS, 2015).

Por fim, Lee, Lee e Kang (2005) também afirmam que o compartilhamento promove a difusão do conhecimento para os demais indivíduos da organização. No entanto, de acordo com Fredrickson (2001), existem fatores que influenciam o compartilhamento do conhecimento, como a internalização de emoções positivas, discutidas na próxima seção.