SENTENÇAS FUNCIONAIS
Procedimento 12: Completar, decidir ou valorar semanticamente os comportamentos
e atributos das condições operacionais com as ubIFs pensadas para as entidades dos constituintes da sentença funcional, mas segundo o ponto de vista funcional do projetista e domínio do contexto de aplicação.
(Re)Uso de Conhecimento Funcional: pesquisar por informações funcionais:
Procedimento12.1: (Re)usar parcial, total e efetivamente um conhecimento
teleológico, conhecimento comportamental, conceito funcional ou conhecimento funcional formalizado nas classes de Frame e que organizam as entidades e seus valores semânticos segundo a estrutura gramatical de cada sentença funcional.
Nesta etapa, há a possibilidade de se pesquisar por ubIFs ou conhecimento funcional relacionado a algum constituinte da sentença funcional já formalizada e com suas entidade e valores semânticos específicos também organizados.
Confirmar as informações funcionais declaradas para as entidades dos constituintes
Procedimento13: Validar as ubIFs declaradas para os comportamentos e atributos das
entidades dos constituintes da sentença funcional configurados para o Frame de formalização de conhecimento funcional implícito na sentença funcional;
Nesta etapa, o projetista verifica, revisa e valida as ubIFs declaradas, ou reusadas de alguma outra entidade de alguma condição operacional já formalizada anteriomente no sistema protótipo desenvolvido.
5.8 CONTRIBUIÇÕES DA TESE
Dentre as contribuições relacionadas a este trabalho de pesquisa, tem-se o
(1) Modelo de função baseado na abordagem lingüística, principal contribuição desta tese, e que é inédita. No modelo proposto, a novidade é a associação da abordagem lingüística às abordagens funcional e comportamental. O objetivo dessa associação é formalizar o conhecimento funcional incluído na sentença funcional, dada pela abordagem funcional, a partir da valoração semântica dos constituintes relacionados às entidades geométricas e processos causais, da abordagem comportamental (cf. Figura 5-5);
(2) Sistema de classes de Frame baseado no tipo de estrutura gramatical da sentença funcional. Nesse sistema, a estrutura gramatical válida (também denominada de sentença funcional bem-formada) deve possuir pelo menos dois constituintes: (i) verbo; (ii) substantivo abstrato ou concreto, simples ou composto. O objetivo do sistema de classes de
Frame é auxiliar o projetista na organização e valoração semântica das entidades relacionadas
às geometrias e/ou processo causal dos constituintes da sentença funcional. Além disso, os Frames possibilitam a configuração, (re)uso, alteração e exclusão de ubIFs incluídas nos constituintes da estrutura sintática da sentença funcional, segundo o ponto de vista funcional do projetista e domínio do contexto de aplicação (cf. Tabela 5-5);
(3) Esclarecimento, definição e inter-relação entre os diversos tipos de conhecimento incluídos em uma sentença funcional, tais como: (i) conhecimento teleológico; (ii) conhecimento comportamental; (iii) conceito funcional; (iv) ponto de vista funcional; (v) conhecimento funcional (cf. Figura 5-8);
(4) Proposta da estruturação semântica dos substantivos incluídos na sentença funcional e que são relacionados às entidades das geometrias ou processos causais (leis físicas), a partir dos atributos gerais e específicos de Fonseca (2000) (cf. Figura 5-7);
(5) Metodologia baseada nos métodos de análise sintática e comportamental dos constituintes e estrutura gramatical de uma sentença funcional para formalizar conhecimento funcional (cf. Tabela 5-3). Porém, a:
(5.1) Utilização do método de análise sintática na automatização do processo de determinação das: (i) funções parciais de peça a partir da função global de peça; (ii) funções elementares de peça a partir da função parcial, ainda requer mais pesquisas e não se constitui como uma meta deste trabalho de pesquisa;
(5.2) Automatização da valoração semântica das entidades básicas e seus atributos no Frame, derivado da estrutura gramática da DTFLN, ainda requer mais pesquisas e não se constitui uma meta desta tese.
(6) Proposta conceitual de modelagem funcional ad hoc (ver Glossário);
(7) Sistema orientado por um modelo de função baseado na abordagem lingüística para organizar, formalizar e integrar para (re)uso efetivo conhecimento funcional incluído em uma sentença funcional durante a modelagem funcional de peça, na primeira tarefa da atividade de análise o projeto conceitual de peça (cf. Figura 5-4);
(8) Proposta das camadas metodológicas do produto, subsistema e peça que é baseada no paradigma da programação orientada a objetos. Essa proposta ajuda a entender o fluxo e processo de herança e transformação das informações funcionais durante todo o processo de projeto de produto, subsistema e peça (cf. Figura 5-1). Nesta tese, a importância da estruturação da metodologia do projeto de produto em camadas metodológicas (de produto, subsistema e peça) encontra-se na possibilidade do entendimento do percurso, dependência, inclusão, herança e processo de transformação da informação funcional durante o processo de modelagem funcional da peça. Porém, ainda há necessidades de mais pesquisa para projetar e implementar um sistema computacional que suporte todas as três camadas metodológicas simultaneamente. Essas pesquisas poderão ajudar na compressão da importância das ubIFs nos inter-relacionamentos funcionais entre: (i) produto/subsistemas, (ii) produto/peças; (iii) subsistemas/peças;
(9) Proposta de um mecanismo para medir o grau de incompletude, vagueza e incerteza, G(IC , VZ , IZ ), de conhecimento funcional incluído em uma sentença funcional. O
G(IC , VZ , IZ ) é baseado na quantidade de constituintes da estrutura gramatical da sentença
funcional (cf. Figura 5-6), i.é, na quantidade de entidades geométricas e de processos causais associadas aos constituintes pelos projetista quando pensam nas interações entre DGs, ou
features, da estrutura física da peça. O módulo do G(IC , VZ , IZ ) ainda não foi implementado
no SISFCO (AL), pois o sistema protótipo ainda encontra-se na fase de estruturação de um banco de dados de conhecimento funcional, conjunto de ubIFs.
5.9 CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O MODELO DE FUNÇÃO BASEADO NA ABORDAGEM LINGÜÍSTICA
O modelo de função baseado na abordagem lingüística surgiu da necessidade de se formalizar o conhecimento funcional incluído em uma descrição textual de funcionalidade de peça em linguagem natural. O modelo surguiu do estudo sobre a atividade de análise da etapa do projeto conceitual de produto e peça, e não sobre a atividade de síntese como vem acontence com as pesquisas na etapa do projeto conceitual das metodologias de projeto de produto e peça. Além da necessidade de se centrar na atividade de análise, foi preciso, também, mudar o foco da ‘transição função versus forma’ para a própria sentença fucional, pois sem essas duas mudanças de perspectiva o modelo de função baseado na abordagem lingüística não poderia ser configurado.
O foco na atividade de análise e sentença funcional implicou em duas necessidades: (i) mapeamento dos principais níveis de abstração decorrentes das atividades básicas da etapa do projeto conceitual, cuja consequencia foi o surgimento do grau de incompleteza, vagueza e incerteza; (ii) determinação das principais tarefas para a formalização do conhecimento funcional incluído em uma sentença funcional, cuja consequencia foi a necessidade de uma forma de representação de conhecimento funcional suficientemente genérica para comportar todos os conceitos funcionais (ver Glossário) contidos em uma sentença funcional. Obsesrvou-se que essas duas necessidades tem uma raiz comum: “a própria idéia de abstração”. Como na literatura sobre metodologia de projeto de produto, essa idéia tem sido o sustentáculo do modelo clássico de função de Pahl e Beitz, pois é ela quem garante a determinação de soluções neutras, sem preconceito ou soluções preconcebidas. Então, o modelo de função baseado na abordagem lingüística deveria está centrado na própria definição de “conceito funcional”.
Ao tornar a definição de conceito funcional como centro do modelo de função baseado na abordgem lingüística foi necessário organizar um conjunto de conceitos imprescindíveis para o trabalho de tese. Assim, na investigação sobre conhecimento funcional na literatura sobre metodologia de projeto de produto e peça constatou-se a: (i) falta da conceitualização de conhecimento funcional; (ii) falta de conceitualização de conceito funcional; (iii) falta da interrelação entre conceito funcional, conhecimento teleológico, conhecimento comportamental, conhecimento funcional e ponto de vista funcional.
Para superar estas dificuldades foi necessário a correlação entre as: (i) dimensão da metodologia de projeto de produto, cuja consequencia foi a proposta das camadas metodológicas; (ii) dimensão da lingüística, cuja consequencia foi a metodologia de análise sintática e comportamental dos constituintes e estrutura gramatical de uma sentença funcional; (iii) dimensão da informática, cuja consequencia foi o projeto, desenvolvimento e implementação de um SPLN e o próprio sistema de suporte a formalização de conhecimento funcional baseado na abordagem lingüística, denominado de SISFCO (AL) e que será apresentado no Capítulo 6.
Todavia, uma consequencia imediáta do modelo de função baseado na abordagem lingüistica foi a sua origem, i.é., o modelo de função baseado na abordagem lingüística herda e estende caracterísitcas importantes de modelos de função consagrados na literatura sobre metodologia de projeto de produto, tais como a (i) idéia de abstração de Pahl e Beitz (1996) para a definição de conceito funcional; (ii) conceito de comportamento de Roy e Bhadaway (2002) para a definição de conhecimento comportamental; (iii) conceito de requisitos dados, adicionados e derivados de Ullman (1992) para o conceito de: (a) entidades geométricas e (b) endidades de processos causais baseadas em efeitos físicos, químicos ou biológicos.