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1 – COMPORTAMENTOS SEXUAIS DO ADOLESCENTE

A sexualidade influencia a maneira de ser e de estar do adolescente, a forma de se comportar e de se relacionar com os outros, a forma de sentir, de se expressar e de viver o amor, devendo, por isso, ser entendida como algo mais do que o resultado das transformações pubertárias e, assim, ser perspectivada num contexto mais vasto, que englobe as experiências de aprendizagem social, as ex- pectativas e papéis (Miguel, 1995; Alves, 1999).

Os comportamentos sexuais envolvem quase sempre outras pessoas e, por isso, são, também, comportamentos sociais. Daí que, ao mesmo tempo que o adolescente atinge a maturidade sexual, traduzida na capacidade para se re- produzir, na necessidade de obter satisfação sexual, no início da consolidação da orientação do desejo e numa atracção forte pelos objectos ou estímulos sexuais, a sociedade exerce uma regulação sobre os comportamentos sexuais. O sexo apresenta-se, deste modo, para a maioria dos adolescentes, como uma actividade socialmente indicada, conduzindo a que a expressão sexualidade seja mais regulamentada pelas expectativas e pelo significado social associado a certos padrões de actividade sexual do que pelos impulsos biológicos (Alfe- res, 1997; López & Fuertes, 1999; Roque, 2001).

Também Ford e Beach concluíram, através de estudos realizados sobre padrões de comportamentos sexuais do adolescente em diferentes culturas a nível mundial, que os factores sociais e culturais assumem um papel importante no aparecimento da sexualidade, durante a adolescência. À semelhança do que acontece relativamente à natureza da adolescência, a dificuldade em compre- ender a sexualidade do adolescente relaciona-se com o facto de ser necessário saber qual o grau em que a sua natureza é determinada pelas transformações pubertárias e em que medida é também o reflexo de expectativas sociais e cul- turais ou de padrões do comportamento que foram apreendidos (Sprinthall & Collins, 1999).

Por isso, de acordo com López & Fuertes (1999), para compreender o comportamento sexual individual é necessário ter em conta, também, os pro- cessos implicados na sequência que vai desde o estímulo sexual até aos compor- tamentos do indivíduo.

Apesar de tudo, a sexualidade é ainda um aspecto da nossa vida que não controlamos na totalidade. Se, por um lado, estamos capacitados para controlar o nosso comportamento sexual, por outro, não podemos impedir a existência de alguns desejos sexuais por estarem em contradição com a nossa forma de ser e de estar, por estarem em contradição com a relação afectiva oficialmente estabelecida ou por não serem bem aceites pela sociedade. Por outro lado, nem todos os comportamentos sexuais são igualmente desejáveis do ponto de vista da saúde ou da organização de uma determinada sociedade, verificando-se que alguns acarretam, mesmo, grandes riscos ou deficiências para o indivíduo e outros originam mal-estar ou dano no grupo social em que este se insere (Bastos, 2001; Roque, 2001).

Em consequência, os adolescentes passam a constituir, em termos de comportamentos sexuais, um grupo de alto risco e, por isso, a sociedade deverá, no seu conjunto, estar atenta a esta realidade, podendo adoptar posições mais conservadoras, no sentido de evitar que os adolescentes não tenham relações sexuais, ou, então, posições mais progressistas, nas quais se reconhece que estes têm direito a ser sexualmente activos, oferecendo os meios para que este com- portamento não comporte riscos. Esta contradição é insustentável e constitui, na opinião de López & Fuertes (1999) e Alves (1999), uma grave irresponsabilidade dos adultos para com os jovens e pode, mesmo, ser considerada como o maior problema que se verifica actualmente sobre a regulação social da sexualidade.

Como alterações sexuais mais significativas que se verificaram nos ado- lescentes, relativamente ao passado, López & Oroz (1999), Alves (1999), Vascon- celos (1999) e Nodin (2001) apontam a descida significativa da idade de acesso à primeira relação sexual, a redução do tempo que passa entre as primeiras carícias sexuais e o coito, o aumento do número de parceiros com quem se tem intimidade sexual, o facto de o adolescente raramente recorrer à prostituição

para iniciar a sua primeira relação sexual e o facto de se terem esbatido as dife- renças, não só entre os rapazes e as raparigas, como, também, entre as classes sociais, níveis educativos e meios rurais e urbanos.

Uma circunstância relevante para o envolvimento dos adolescentes em ac- tividades sexuais, em idades muito jovens, é a mudança histórica a nível das con- dições em que a maioria deles aprova o envolvimento sexual antes do casamento. No que respeita às raparigas, estas têm, nas últimas décadas, iniciado, cada vez mais, as actividades sexuais antes do casamento, com idades cada vez mais precoces, quando existe uma relação de compromisso e em que ambos os elementos do casal sentem afecto, amor e carinho um pelo outro (Sprinthall & Collins, 1999).

A experimentação sexual caracteriza-se por uma série de comportamen- tos, que vão desde as carícias às relações sexuais com ou sem penetração, e que acontecem, geralmente, de uma forma não programada e acompanhados por um elevado grau de expectativa e por uma sensação de desafio, comuns a todas as coisas não vivenciadas e muito desejadas. Por outro lado, o aumento da fre- quência dos comportamentos sexuais não programados, com um envolvimento emocional intenso e não controlado dos seus desejos sexuais, é uma das razões que dificulta a utilização de formas seguras de contracepção pela grande maioria dos adolescentes envolvidos nestas situações. As principais manifestações sexuais na adolescência são os sonhos sexuais, os desejos e excitações sexuais, as fantasias sexuais, a masturbação e as relações sexuais com ou sem penetração (Herbert, 1991; Pagés-Polly & Pagés, 1999; Bastos, 2001). No entanto, a masturbação é geralmente acompanhada por sentimentos de vergonha, medo e culpa, em conse- quência das ideias transmitidas aos adolescentes e reforçadas, entre outros, pelos pais e pelos professores (Levisky, 1995; Marcelli & Braconnier, 1989; Pagés-Polly & Pagés, 1999).