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Concebendo tendências do desenvolvimento da luta de classes a partir do produto final do ​Processo Constituinte 87-88​.

3.2 ​O constitucionalismo de Florestan

3.5. Concebendo tendências do desenvolvimento da luta de classes a partir do produto final do ​Processo Constituinte 87-88​.

Iniciamos este tópico a partir da desilusão de Florestan em relação ao Processo Constituinte. Em discurso realizado em setembro de 1987 na ANC ,166

163​Ibidem. ​P. 259. 164​Ibidem. ​P. 257. 165​Ibidem. ​P. 257. 166​Ibidem. ​P. 124-128.

Florestan afirma que ninguém mais, nem ele nem o povo, nutriam os sonhos de que a partir desta ANC seria colocado um ponto final nos resíduos da ditadura e na “transição transada” e se forjaria o ponto de partida para a formação de uma nova sociedade. O que restava era tentar infundir o máximo de conteúdo democrático popular e proletário que ela pudesse conter.

Florestan apresenta à ​Folha ​os diferentes matizes da percepção popular em relação ao Processo Constituinte.167 Destacamos a desilusão da vanguarda proletária, para quem a Constituição tinha um significado concreto: erradicar a pobreza, o desemprego, as doenças, a falta de escola, o latifúndio, etc. Para esta massa de trabalhadores, a constituição abre novos horizontes e traz algumas conquistas, no entanto, tudo não passaria de migalhas. O povo haveria de conquistar o poder para chegar a uma constituição verdadeiramente democrática.

Florestan considera que “certas reivindicações mínimas foram atendidas e nelas se assentam, se não forem expurgadas, os requisitos históricos de uma reorganização vigorosa das classes trabalhadoras e dos oprimidos em geral e de sua capacidade coletiva de luta política” . Tornava-se patente que o Parlamento168 não seria o local onde as classes trabalhadoras e oprimidas conquistariam liberdade e igualdade. Se aproveitava, portanto, o desmoronamento das ilusões constitucionais.

Os trabalhadores e os oprimidos devem lutar politicamente, em todos os níveis possíveis. Contudo, a ANC não é o sucedâneo do partido revolucionário, nem a constituição mais democrática de uma sociedade burguesa é o equivalente histórico da revolução social. Não há, pois, nada de novo. A questão é difundir tais percepções e conhecimentos entre as classes trabalhadoras e as massas populares. [...] As ilusões constitucionais serão naturalmente substituídas pela confiança no confronto direto como fonte da auto-emancipação coletiva dos trabalhadores e oprimidos. A esta altura, eles descobriram que não são os “outros” dos parlamentares. Para transformar o mundo, terão de agir coletivamente e por conta própria.

Para Florestan, a constituição nascia entrevada, como um mero conglomerado de princípios formais. “Uma constituição sem vida, para um país que

167​Ibidem. ​P. 222-226. 168​Ibidem. ​P. 188.

é um barril de pólvora e no qual fermentam todas as contradições do desenvolvimento capitalista desigual, da miséria como estilo de vida e da violência institucionalizada” . 169

Florestan relaciona as frustrações das promessas e esperanças contrariadas na ANC à tradição constitucional brasileira, onde o “idealismo constitucional” das elites das classes dominantes gira, inquestionavelmente, em torno da defesa da propriedade, da livre empresa, da privatização do que é público, da rendição ao capital estrangeiro e as suas exigências espoliativas. 170 No entanto próximo ao séc XXI, muita coisa se alterou. Através das classes médias e da igreja católica que se empenhavam para a democratização da sociedade civil e do Estado e no combate à miséria, ganhamos equivalentes do radicalismo burguês. Essa modalidade de idealização da Constituição teve um impacto sério sobre a ANC e o conteúdo do projeto de constituição. Ainda assim, insuficiente, apesar do impressionante apoio de massa e de sua irradiação ideológica.

Também não se podia ignorar o movimento operário e sindical que dentro desse contexto crescera em número e amadurecera em consciência social. Sua radicalização foi extremamente politizada, responsável por dirigir “a conquista imediata dos atributos e dos direitos inerentes ao trabalho livre como categoria histórica ignorados ou aceitos pelos capitalistas com relutância no Brasil” . Sobre171

estes fatos, Florestan afirmava que se rompe o caráter monolítico da Constituição e do Parlamento.

Florestan afirma que em seu conjunto, sob aspecto formal, fora construída uma constituição moderna e avançada que consolidava a ordem existente favorecendo as classes burguesas, nacionais ou estrangeiras. 172 O que preponderou foi a supremacia do capital conectado ao capitalismo associado e dependente. 173As debilidades da burguesia são o alfa e o ômega da nova Constituição, que renova privilégios e amarra-se ao passado​.

169​Ibidem. ​P. 237. 170​Ibidem. ​P. 210. 171​Ibidem. ​P. 211. 172​Ibidem. ​P. 241. 173​Ibidem. ​P. 242.

A constituição, pronta formalmente, sendo que destina à uma sociedade capitalista de periferia e levando em conta a sua composição por uma maioria de constituintes conservadores extraídos das classes burguesas alta e média, não ultrapassa o que se pode esperar das democracias burguesas das nações periféricas, associadas às nações centrais e as superpotências. 174 Florestan afirma que esta revelou-se impotente para absorver à eclosão do povo na história. O filtro conservador deixou apenas passar as aspirações e as exigências que se conformavam com maior facilidade aos seus interesses e valores.

Para Florestan, quando discute o ​produto final da ANC, afirma que duas coisas essenciais ficam patentes: Primeiro que a Constituição extingue a ordem ilegal montada pela ditadura e mantida pela Nova República. Segundo que esta constituição contém dentro de si tanto a reprodução do passado quanto a reconstrução da sociedade civil, concebida para ser mais aberta e democrática. 175

Tratava-se do ponto de partida para que se forjasse uma nova ordem social, onde os “mais iguais” perderiam o monopólio do poder e os “humildes” poderiam ganhar maior envergadura política em seu papel na luta de classes.

Por fim, resta assinalar que Florestan considera que a Constituição abre múltiplos caminhos, que conferem peso e voz ao trabalhador na sociedade civil e contém uma promessa clara de que nos próximos anos as reformas estruturais reprimidas serão soltas.” A Constituição armou eles [os de baixo] com liberdades individuais e coletivas ou de direitos sociais e colocou em suas mãos meios legais de autodefesa e de contra-ataque”. 176 A luta de classes não permanecerá mais contida pela camisa de força do despotismo da ordem e daqueles que o monopolizavam. Sem ser uma promessa de revolução, ela repõe a ameaça aos privilegiados.

A Constituição abre, portanto, espaço histórico, psicológico e político para confrontos abertos, por mais ásperos que eles sejam, nas relações entre as classes, as instituições, os interesses econômicos, culturais e sociais ou entre as pessoas. Inicia-se uma nova era e essa acaba sendo a forma tardia que a ruptura comparece no

174​Ibidem. ​P. 277. 175​Ibidem. ​P. 280 176​Ibidem. ​P. 289.

funcionamento e nos dinamismos da sociedade civil. A ordem terá de tremer, contudo não há outra maneira de sair do presente atoleiro. 177

CONCLUSÃO

Para a estruturação de nossas conclusões, iniciaremos a partir de um texto corrido que traz uma síntese a cada uma das partes do desenvolvimento onde buscamos destacar os pontos que consideramos relevantes enquanto resultados desta pesquisa. Em um segundo momento do desenvolvimento das conclusões, buscaremos dar respostas ao problema e às hipóteses levantadas no início desse trabalho, avaliando se cumprimos ou não nosso objetivo. Ao final, ainda buscaremos evidenciar outras conclusões possíveis das relações travadas entre Florestan, o PT e o Processo Constituinte que não necessariamente dizem respeito aos objetivos centrais da pesquisa, mas à potencialidade dos seus resultados para que outras questões sejam avaliadas futuramente.

Síntese Geral

O desenvolvimento do pensamento de Florestan concorre com a construção da sociologia crítica no Brasil. O seu pensamento tem como referencial a sociologia clássica, o marxismo, o pensamento crítico brasileiro, a análise da realidade de sua época e a proximidade com as classes “de baixo”. A formação social brasileira é um dos seus principais objetos de pesquisa durante toda a sua vida.

Após seu exílio, intensifica-se a sua produção intelectual em um sentido político-radical​. A concepção dos caminhos para o Socialismo no Brasil torna-se uma de suas principais preocupações. A obra Revolução Burguesa no Brasil ​é a principal de suas obras para o estudo da formação e desenvolvimento do capitalismo no Brasil. A partir dessa obra, o Golpe de 64 é o ato político que expressa a consolidação da Revolução burguesa que não passaria de um processo estritamente estrutural. Para Florestan, como já não estamos mais na era das

revoluções burguesas​, seria mais interessante entender esse fato social como uma

contrarrevolução prolongada, pois o regime militar recaiu sobre a sociedade brasileira quando esta estava prestes a enterrar de uma vez sua herança colonial.

Para Florestan, o capitalismo no Brasil não se desenvolveu nos padrões clássicos da história do desenvolvimento do capitalismo dos países centrais. As características do capitalismo no Brasil seriam a ​dependência ​e o

subdesenvolvimento​. Diferente do padrão clássico, aqui o desenvolvimento

capitalista não veio acompanhado da democratização da sociedade. Estes aspectos se dariam em razão do padrão específico de transformação capitalista brasileira que conjuga o desenvolvimento desigual interno e a dominação imperialista externa.

Para Florestan, em razão de suas debilidades congênitas, em nosso país não fora a burguesia nacional a responsável pela transição do sistema de produção econômica colonial-escravista para o sistema capitalista. Os responsáveis por essa transição foram, na verdade, a oligarquia moderna, legatária das posições políticas e econômicas da aristocracia agrária do Brasil Império. Uma consequência desses fatos seria que a mentalidade e o modelo de dominação burguesa tomaram forma a partir dos interesses oligárquicos baseados na transformação capitalista biarticulada.

Florestan afirma que as tarefas da burguesia no Brasil se dão no sentido de tornar a transformação capitalista possível e durável em condições de dependência e subdesenvolvimento. Estes aspectos tornam a transformação capitalista difícil em razão das contradições sociais que lhe são decorrentes. A manutenção destes padrões só se impõe através do modelo autocrático de dominação burguesa. Este modelo de dominação é mediado pelo uso do Estado como instrumento de nacionalização dos seus interesses. O Estado é utilizado como a principal ferramenta em razão da fragilidade dos meios privados da burguesia e da não utilidade do Estado democrático-burguês para a manutenção dos seus interesses.

Esta burguesia nacional está apenas comprometida com o padrão biarticulado do desenvolvimento capitalista brasileiro. ​Para libertar-se do capitalismo dependente e subdesenvoldido a burguesia precisaria, com a maior urgência do atual padrão de dominação burguesa e de solidariedade de classe. Porém, as debilidades da burguesia nacional são tamanhas, que esta libertação não atende a seus anseios.

Os momentos anteriores ao Golpe de 64 foram precedidos por um momento revolucionário, que poderia ter sido oportunizado para uma revolução dentro da ordem de caráter capitalista. Florestan nos afirmou que o processo culminou na conquista de uma nova posição de força e de barganha, que garantiu, de um golpe, a continuidade do ​status quo ante ​e condições materiais ou políticas para encertar a penosa fase de modernização tecnológica de aceleração do crescimento econômico e de aprofundamento da acumulação capitalista que se inaugurava. Essa forma de dominação autocrática-burguesa estrangula a própria transformação burguesa e contribui na fermentação de contradições sociais que ameaçam o controle político da burguesia sobre a sociedade.

A partir desta síntese do primeiro capítulo, é possível constatar o desenvolvimento do pensamento de Florestan como um instrumento de compreensão dos padrões específicos do desenvolvimento capitalista e da dominação burguesa no Brasil. Florestan vai buscar nas raízes da formação social brasileira as explicações do seu tempo presente. A partir do seu pensamento, mais especificamente sobre sua teoria das formas de dominação burguesa, é possível constatar que o processo constituinte é contemporâneo de um momento de crise do poder burguês sobre a forma de dominação autocrática-burguesa onde as necessidades de transformações sociais estavam explodindo. À burguesia era imperativo superar sua forma de dominação.

No capítulo 2, Vimos também que o final dos anos 70 foi marcado pelo desenvolvimento da classe trabalhadora como classe independente. Neste período, o proletariado desenvolve sua capacidade de autodeterminação e libertação da tutela política burguesa como classe capaz de lutar organizadamente por aumento dos salários e por melhores condições de trabalho. Esse fato pode ser evidenciado pelas ​greves do ABCD ​que impôs derrotas de caráter econômico e político ao regime militar.

Este período também é marcado pela eclosão de inúmeros movimentos sociais representativos de minorias políticas e dos movimentos de oposição ao regime militar que defendiam os direitos humanos mais básicos, os direitos políticos e civis e transformações sociais contra a desigualdade econômica.

Do começo dos anos 80 em diante, o caldo obtido das lutas anteriores torna-se a base histórica para a transição do caráter estritamente econômico das lutas proletárias para um caráter político por maior autonomia social e pelo alargamento político da ordem burguesa. Esse caldo favorece a ideia de criação e o desenvolvimento do ​Partido dos Trabalhadores​.

A contextualização do momento histórico por Maria Helena Gomes Alves favorece para nós a confirmação do esgotamento do modelo autocrático-burguês de dominação política. ​Como exemplo, tem-se que a forma parlamentar vigente na ditadura não permitia a interlocução necessária entre Estado e a Sociedade. Ademais, a concentração extremada do poder decisório causava grandes problemas ao regime produzindo tensões insuportáveis. Com o perigo da descredibilização do Estado, impunha-se levar adiante a política de liberalização, com o desenvolvimento de formas mais flexíveis de controle social.​No entanto, não preconizava a inclusão

de setores até então excluídos. A solução era cooptar a oposição de elite e desarticular o MDB através da anistia política e da reforma partidária.

Alves também contribuiu para a demonstração de que os setores sustentadores do regime militar visavam o MDB como alvo de cooptação para uma transição onde os seus interesses fossem levados em conta. O que também pode confirmar o desenvolvimento progressivo de um novo amoldamento da forma de dominação burguesa.

O MDB, mostrando-se ceder ao pacto conservador de transição para a democracia, contribui para que a construção de um partido dos trabalhadores se tornasse uma necessidade para a classe trabalhadora e as massas populares que ansiavam a destruição total do regime.

A partir deste quadro, temos um resumo do contexto político que permitiram as condições históricas para o surgimento do PT. Por um lado, a intensificação das lutas operárias e dos movimentos sociais com o desenvolvimento de sua capacidade política, de outro lado, o aprofundamento da crise do regime militar que os obrigava à crescente liberalização política.

Para nós, resta inegável a afirmação de que o PT passará a hegemonizar a expressão política e a direção das lutas da classe trabalhadora. Outro aspecto

importante a ser ressaltado é a forma como a figura política de Lula surge como uma das principais figuras de expressão desse momento histórico da classe trabalhadora, por ser considerado líder das greves e também da construção do PT. Como expressão desse tempo histórico, confundem-se sujeito, partido e classe.

Da análise dos documentos formadores do PT se constata a denúncia ao regime militar e ao sistema social capitalista. Desde o início, aponta para a necessidade de conquista do poder político por parte dos trabalhadores. A construção de um​partido dos trabalhadores seria um instrumento destinado a essa função. No Brasil, a construção de uma alternativa independente à burguesia e ao Estado de organização da classe trabalhadora era considerada a forma necessária de combate à exploração, haja visto que as aberturas democráticas demonstravam que novas formas de dominação seriam construídas, demonstrando que o PT também compreendia que a transição tinha o significado de oportunidade de renovação do poder burguês.

Constatamos que as primeiras bandeiras levantadas se davam no sentido da defesa da garantia dos direitos civis e políticos, pela reforma agrária e por uma Assembleia Constituinte democrática, livre e soberana. Era imperativo para o ​PT naquele momento garantir o desenvolvimento dos próprios instrumentos de luta da classe trabalhadora, nesse sentido era importante desvincular o sindicalismo do estado e democratizar os sindicatos. O PT deveria ser o partido de toda a classe trabalhadora, não somente um partido eleitoreiro, mas organizador e mobilizador dos trabalhadores na luta por suas reivindicações, pela construção de uma sociedade justa, sem explorados e exploradores.

Os documentos afirmam que no desenvolvimento das lutas proletárias do fim da década de 70 tornou-se claro para os envolvidos que somente a luta econômica não seria suficiente para avançar em conquistas, pois o Estado ainda tinha um peso brutal em razão da concentração de poder. A pretensão era que o PT se tornasse uma organização nacional de massas formado por todos os setores interessados na transformação da atual ordem econômica. A curto prazo, o objetivo era a democratização das instituições políticas. A longo prazo, criar as condições para a democratização real da sociedade.

Quanto às perspectivas socialistas, pôde se ver uma tendência à imprecisão do significado de socialismo para o PT. No início o significado de socialismo era ligado à ideia de uma sociedade onde o poder econômico e político fosse exercido diretamente pelos trabalhadores. Sobre as concepções particulares de Lula acerca do socialismo, pôde se ver que este defendia o socialismo na medida em que afirmava o desejo de que os trabalhadores se tornassem os donos dos meios de produção e dos frutos dos seu trabalho. Para tanto, esta conquista só seria possível através da luta política. Estas definições de socialismo para Lula, pelo menos no início da construção do PT, não pareceram ultrapassar o socialismo utópico. Não se evidenciou a proposição de uma via revolucionária para superação do capitalismo. No entanto, é clara a existência de uma preocupação em construir o socialismo a partir da experiência concreta da luta da classe trabalhadora e não apenas dos interesses dos dirigentes revolucionários. Naquele momento, para Lula, as vias para o socialismo ainda não estavam dadas, haveria de ser construída a partir da exigência concreta das lutas populares.

Nas análises de conjuntura presente nos documentos formadores do PT tem-se a constatação da crise do capitalismo nos países que viviam regimes militares como o Brasil e a América Latina. Os documentos constatam a explosão da insatisfação das classes oprimidas que já se movimentavam no sentido de tomar por suas próprias mãos a satisfação de suas necessidades.

O ​balanço do momento atual ​realizado em 1983, ​onde se aprofundava o desenvolvimento do PT, era de que o regime ditatorial havia perdido o apoio de setores importantes das classes dominantes, não conseguindo mais conciliar o empresariado em competição, cada vez mais encontrando dificuldades para impor sua política econômica. A ditadura havia deixado de ser um bloco monolítico todo-poderoso e já não detinha mais o poder real do país, o qual começava a ser disputado pelas forças em distensão. Estas afirmações colocavam mais uma vez em evidência a constatação de uma crise do poder burguês.

A ​tendência central desse momento histórico era o agravamento acelerado da crise em um sentido que nenhum dos projetos políticos das classes dominantes fosse capaz de oferecer saídas que atendessem aos interesses da maioria da

população. Independente do projeto vencedor, a crise continua a se agravar deteriorando ainda mais a qualidade de vida da maioria do povo brasileiro, aumentando a exploração e a opressão. Para os interesses da classe trabalhadora, a única forma de resolver a crise seria mudar o regime, neste sentido, a ​tarefa central do PT seria a de definir um projeto político alternativo para vencer a crise e substituir a ditadura militar.

Ao PT era conveniente intervir no processo de desgaste do regime, para acelerar a sua marcha a para dar-lhe uma direção capaz de resultar em um novo regime político que atendesse aos interesses da classe trabalhadora e da maioria da população com a implantação de um regime de amplas liberdades sindicais e políticas, de mudanças substanciais na distribuição de renda, e de autonomia e independência crescente diante das múltiplas formas econômicas, sociais, políticas e culturais de manifestação do capital monopolista nacional e internacional.

Em relação ao processo constituinte, O PT quis ampliar ao máximo possível a discussão entre os trabalhadores, para que este tivesse uma representatividade autêntica e majoritária a fim de que se modificassem situações concretas que afligem diretamente o trabalhador em seu dia-a-dia. Não significava que o PT via na constituinte a saída para todos os problemas da classe trabalhadora, mas acreditava