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5 Plataformas Logísticas

5.2 Conceito de Plataforma Logística da «Europlatforms»

De acordo com a «Europlatforms» e segundo Lobo (1999)68, um Centro logístico, também designado Plataforma Logística ou plataforma de frete, é uma zona delimitada no interior da qual se exercem, por distintos operadores, todas as actividades relativas ao transporte, à logística e à distribuição das mercadorias tanto em trânsito nacional como internacional.

Tais operadores podem ser proprietários, inquilinos, utilizadores dos edifícios e instalações que se encontram no interior da plataforma (armazéns, oficinas, locais administrativos e de comércio, etc.). Além disto estas plataformas devem ainda abrir-se em regime de livre concorrência a todas as empresas interessadas nas actividades e serviços oferecidos no centro.

• Estar dotadas de todos os equipamentos colectivos necessários à exploração das actividades referidas e, se possível, constar de serviços públicos e privados para as pessoas, veículos e empresas utilizadoras.

• Comunicar ou estar dotadas de acessos à pluralidade dos meios de transporte (rodovia, ferrovia, via fluvial, marítima e via aérea).

• ser obrigatoriamente geridas por uma entidade única, pública, privada ou mista.

Segundo Lobo (1999), uma Plataforma Multimodal, é aquela em que concorrem os vários modos de transporte, rodoviário, ferroviário, fluvial, marítimo e aéreo. Estes

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Designação da Associação que congrega a nível europeu cerca de meia centena de empresas que instalaram e administram plataformas logísticas, centros de transporte, aldeias do frete («freight villages»), etc. As definições e os conceitos, fruto do labor de vários grupos de trabalho, foram apresentados em Lisboa, a 26 de Março de 1999, num seminário organizado pela Direcção Geral de Transportes Terrestres. Teobaldo Guerrero Lobo, era ao tempo o Presidente da Associação «Europlatforms» e da Associação de Centros de Transporte de España.

modos, ou pelo menos alguns deles, coabitam na plataforma, porém não implica que haja intercâmbio directo entre eles; ou seja, não implica a existência da intermodalidade. Assim, enquanto a plataforma logística tem acesso fácil aos modos, na plataforma multimodal, eles estão presentes no interior da própria plataforma.

Ainda de acordo com a Lobo (1999), nos diversos países europeus, sob a capa de várias designações,69 existem diversas modalidades destas infra-estruturas, com superfícies variáveis e funções típicas específicas. De uma maneira geral encontram-se nas plataformas logísticas, as seguintes três zonas fundamentais: Serviços de Apoio; prestação de Serviços Logísticos; Zonas Multimodais.

As zonas de prestação de Serviços de Apoio não envolvem movimentação de mercadorias. Nestas áreas podem destacar-se os Serviços Gerais que podem comportar áreas de serviço a pessoas, tais como hotelaria, cafetaria, restaurante, comunicações, descanso e lazer (Bentzen, 1999)70; áreas de serviço a veículos, tais como estação de serviço, oficinas, peças sobressalentes, concessionários, zonas de lavagem; áreas administrativa e/ou comercial (bancos, seguros, etc.); áreas de contratação de carga, de serviços aduaneiros, etc.

Destacam-se ainda as zonas de prestação de serviços especializados em regra destinados ao tratamento de mercadorias perigosas e, também, as zonas destinadas aos serviços centrais normalmente compostas oficinas do próprio centro, serviços de manutenção, limpeza, segurança, bombeiros, etc.

Quanto às Zonas de Prestação de Serviços Logísticos, são os espaços onde se movimentam as mercadorias propriamente ditas; nestas distinguem-se, em princípio, dois tipos de áreas logísticas: as especializadas e as não especializadas.

As não especializadas que acolhem as empresas de transporte e que realizam a armazenagem, movimentação e distribuição de mercadorias, com a inclusão de algumas actividades logísticas de valor acrescentado, mas com restrição ao exercício de outras actividades produtivas.

As especializadas do tipo agro-alimentar, graneis, mercadorias perigosas, automóveis, em regime aduaneiro específico, etc.

Finalmente, quanto às zonas de Serviços Multimodais, do que existe e se conhece podem referir-se, de acordo com a «Europlatforms», plataformas que podem permitir a possibilidade do transporte combinado, inclusivamente intermodal, nalguns casos.

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Por exemplo, em França são designadas por «plate-formes logistiques/multimodaux»; em Itália,: «interporti»; na Holanda: «Rail Service Center (RSC),» ou ainda «tradeport», na Alemanha: «güterverkherszentrum (GVZ)» no Reino Unido: «Freight village».

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Kent Bentzen Presidente da «Foreningen af Dansk Transportcentre» a Association of Danish Transport Centres, comunicação apresentada em Lisboa, a 26 de Março de 1999, num seminário organizado pela Direcção Geral de Transportes Terrestres.

• Ferrovia-Rodovia - a partir de terminais ferroviários com ligação à rodovia e os serviços intermodais directamente conexos;

• Aéreo-Rodovia - que se encontram conectadas, necessariamente no interior dos aeroportos, dado que nestas instalações se realizam todas as funções necessárias ao despacho da carga desde a aeronave até ao veículo rodoviário e vice-versa;

• Fluvio/Marítimas-Terrestres - que se pode encontrar no próprio terminal marítimo onde se processa a transferência modal e todo o restante despacho da carga. É o caso particular do porto enquanto interface, em que o próprio porto funciona como plataforma logística, situando-se esta no seu próprio interior ou adjacentemente.

De acordo com a referida associação europeia de plataformas logísticas, existem infra- estruturas deste tipo com um só modo de transporte, unimodais, ou com mais que um modo, logo multimodais (Lobo, 1999).

Relativamente às unimodais, são conhecidos os centros ou terminais rodoviários, os centros de distribuição urbana71, os parques de distribuição72 e os centros de transporte. Vejamos quais as idiossincrasias, tipologias e respectivos termos utilizados pela “Europlatforms”, correntemente utilizados e consagrados no léxico da logística associada aos transportes para este tipo de plataformas unimodais (Lobo, 1999).

• Centros ou Terminais Rodoviários - são plataformas constituídas predominantemente por uma área de serviços para empresas de transporte rodoviário de mercadorias. Apenas em certos casos incluem uma pequena área logística mas sempre subordinada aos referidos serviços. A não existência de uma área logística nestes centros ou terminais implicaria a sua exclusão da definição de plataforma logística; porém, a generalização da sua implantação faz com que seja de interesse incluir este tipo de plataforma na classificação tipológica. Consoante o país, assim estas plataformas assumem distintas denominações; em Itália denominam-se «autoporti», em França «centres routiers», e na terminologia anglo-saxónica, muito utilizada, «truck centers».

São exemplos de centros ou terminais rodoviários todos os «centres routiers» de França e o centro rodoviário de Guadix.

• Centros de Distribuição Urbana - São plataformas de grupagem, consolidação, desconsolidação73 (Sherlock, J., 1994) e de carga para posterior distribuição

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Também designados pela terminologia anglo-saxónica de «City-Logistics». 72

Também designados pela terminologia anglo-saxónica de «Distriparks». 73

Do ponto de vista da logística, designa-se a consolidação, como sendo o conjunto de operações que visam a recolha e a grupagem da mercadoria, bem como a sequente expedição da respectiva unidade

urbana. Estas «city logístics» situam-se normalmente nas periferias das cidades e muitas vezes integram-se dentro de uma plataforma logística como mais uma das suas áreas.

Existem exemplos deste tipo de plataformas, principalmente na Alemanha, em Kassel, Duiburg, Colónia e Nuremberga.

• Parques de Distribuição - são plataformas logísticas, normalmente de carácter regional equipadas com todos os requisitos necessários para levar a cabo as actividades de armazenamento e distribuição. Aí se implantam tanto os departamentos logísticos das empresas produtoras, como empresas de distribuição, operadores logísticos, empresas de armazenagem, etc. A área funcional dominante é a da logística, da armazenagem e da distribuição, estando presentes centros logísticos de empresas e plataformas de distribuição de operadores logísticos.

Exemplos deste tipo de infra-estrutura podem apontar-se o parque de actividades logísticas de Coslada, ou o «distripark» Botlec no porto de Roterdão.

• Centros de Transporte - são plataformas logísticas vocacionadas ou centradas no transporte rodoviário. Podem ser de âmbito metropolitano ou provincial. Constam geralmente da zona logística e da zona de apoio e serviços quer a pessoas quer a veículos.

Exemplos destes centros de transporte podem apontar-se, entre outros, o de L`Anjoly-Vitroles e o de Madrid , conforme a este se refere Pérez (1994).74

Relativamente aos centros, parques ou Plataformas Logísticas Multimodais, propriamente ditas, ainda de acordo com os conceitos da «Europlatforms», são conhecidas nesta tipologia as Zonas de Actividades Logísticas portuárias75, os Centros de Carga Aérea e os Portos Secos76.

• Plataformas Logísticas Multimodais - são infra-estruturas terrestres de alguma complexidade funcional. Possuem zonas logísticas gerais e especializadas, áreas monofuncionais, serviços de apoio, etc. No entanto, uma das suas principais áreas-chave é a ligação multimodal ferrovia-rodovia. Na Alemanha, este tipo de plataformas são denominadas de «GVZ»77; «Plate-Formes Logistiques» em

de carga contentorizada; e por desconsolidação a operação inversa. Na maior parte das vezes reporta- se à unidade de carga «contentor» ou em certos casos a simples palete.

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Director do centro de Transportes de Vitória, na sua intervenção acerca do funcionamento do Centro que dirigia, em 1994, num seminário ocorrido em Espanha e subordinado ao tema “Potencialidad de Nuevos Servicios de Transporte Multimodal” patrocinado pelo Ministério de Economia e Hacienda, RENFE e Fundacion de los Ferrocarriles Españoles.

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Conhecidas pela sigla «ZAL». 76

Também designados pelo termo anglo-saxónico «dry-ports». 77

França, ou «Fright-villages» no Reino Unido; na Itália assumem a designação de «Interporti»78 .

São exemplos deste tipo de infra-estrutura em Paris, Garanor e Sogaris; todos os «interporti» italianos e as «GVZ» de Bremen e Leipzig.

• Zonas de Actividades Logísticas Portuárias (ZALs) - são plataformas logísticas agregadas a portos e situadas adjacentemente a terminais marítimos de contentores. Incluem actividades de transição entre a operação portuária e as típicas da operação logística. Estas plataformas e o seu desenvolvimento permitem um alargamento do «hinterland» portuário, enquanto área de influência e atractividade. Muitas vezes, para além das áreas de logística e serviços, as ZALs possuem um terminal multimodal rodo-ferroviário, o que permite ligações multimodais triangulares entre os modos marítimo, rodoviário e ferroviário. Guerreiro, Sara, (1997) apontava a necessidade da existência deste tipo de infra- estruturas, associadas aos portos, e da criação em Portugal de uma associação deste tipo de plataformas logísticas.

Exemplos de ZALs portuárias podem referir-se Bremen/Bremerhaven; Roterdão; Barcelona; em projecto, Valência, Algeciras e Sines.

• Centros ou Terminais de Carga Aérea - são plataformas especializadas no intercâmbio modal ar/terra no que respeita ao tratamento de mercadorias. É ainda corrente que a prestação dos serviços logísticos se possa efectuar segundo uma lógica sequencial, principalmente nestas plataformas multimodais aeroportuárias, de tal modo, que numa primeira linha se trata fundamentalmente a carga geral e numa segunda linha de tratamento as actividades de prestação de serviços adicionais ao despacho da carga. Em certos casos existem ainda zonas de distribuição para empresas carregadoras, o que constitui uma terceira linha de tratamento da mercadoria. As actividades de segunda e terceira linha podem encontrar-se no interior do recinto aeroportuário - plataforma monocêntrica - ou bem fora desse recinto – plataforma multicêntrica79. Esta organização espacial e as respectivas designações também são passíveis de ser encontradas nas plataformas portuárias80.

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Acerca deste tema e das plataformas dos referidos países, ver “Cost-benefict and multi-criteria analysis for nodal centre of goods”; Transport Research, APAS, Maritime Transport; Directorate General Transport (DGVII), EU; 1996. P-122 e seguintes.

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Designações utilizadas pela «Europlatforms». 80

É o caso das plataformas logísticas de Segunda Linha do «ro-ro» automóvel fundamentalmente no porto de Setúbal. Estes parques são propriedade de entidades privadas, e existem várias. A mais importante - NAVICAR- pertence ao grupo NAVIGOMES; tal plataforma situa-se a poucos quilómetros do porto e permite a ligação rodo-ferroviária para várias zonas do país. Neste caso não se trata apenas de uma actividade de Segunda Linha, como também, o próprio parque é ele-mesmo uma plataforma de Segunda Linha relativamente ao porto de Setúbal.

Exemplos Centros de carga aérea: Paris – Charles de Gaulle e Paris – Orly; Frankfurt; Amsterdão – Schiphol; Madrid – Barajas, etc.

• Portos Secos (Dry Ports) - são um tipo de terminal multimodal de mercadorias, situado no interior de um país e que permite efectuar a ligação através do caminho de ferro entre um porto marítimo e a respectiva origem e /ou destino. Constam de uma zona multimodal rodo-ferroviária, podendo incluir no seu interior outras áreas funcionais, nomeadamente um parque de distribuição, área de serviço, etc.; podem ainda estar ligadas a esse tipo de plataformas autónomas, tipo «distripark» numa ligação do tipo Primeira/Segunda Linha.

Exemplos de Portos Secos: Coslada, Venlo, Henares em Espanha e o TVT - Terminal do Vale do Tejo em Riachos, Portugal.

Conforme se pode ver, a integração de plataformas ou entrepostos logísticos nos sistemas de valor acrescentado e de transporte, é um fenómeno emergente na Europa e que advém do enorme esforço de construção do mercado interno, da internacionalização dos países europeus no seu próprio continente e de fazer integrar os diversos sistemas logísticos e as diversas infra-estruturas e redes de transportes.

Pretende-se hoje na Europa vencer um importante factor crítico que impende sobre a constituição de cadeias globais e que se prende, segundo Menezes (1999), com a elevada duração das operações e a falta de credibilidade dos tempos de trânsito, e muito especialmente, quando as cadeias têm de envolver o modo marítimo de transporte. Tal implica ainda segundo o mesmo autor, a incerteza quanto ao cumprimento dos prazos estabelecidos, impedindo que muitos processos logísticos tenham lugar, bem como a existência artificial de «stocks» e «buffers» de segurança e inventários com maiores dimensões e aumento artificial das encomendas, o que envolve maiores investimentos não produtivos e gera enormes desperdícios.

Optimizar, racionalizar, tornar eficientes as cadeias logísticas, comprimir os tempos de entrega e estender o «JIT», para lá das fábricas até aos clientes/consumidores finais (Dias, 2000).

As definições das várias instalações que a «Europlatforms» agremia por toda a Europa e que designa de plataformas logísticas tratam, fundamentalmente as questões da entrega em tempo e da prestação de serviços intangíveis às mercadorias em trânsito.

No entanto as plataformas industriais e fábricas onde se produzem bens tangíveis, se procede à sua modularização e montagem, onde se pratica a compressão dos tempos de produção e o «JIT», constituem áreas territoriais onde se acrescenta valor tangível em grande escala. Sendo plataformas territoriais localizadas e acrescentando valor, são também, evidentemente, plataformas logísticas.