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Conceito e fundamentação do Direito Internacional

A sociedade internacional sofre constantemente inúmeras alterações nas tratativas internacionais por meio de Tratados, Protocolos, etc. Infelizmente o Direito Internacional não é capaz de resolver todos os problemas encontrados nas relações internacionais. Em razão disso no cenário internacional há reunião de forças e interesses para buscar métodos e soluções capazes de fornecer a paz mundial.

Hoje a sociedade internacional é formada pela vontade de associação, visando a certos objetivos, e tem como características: ser universal (suas tratativas abrangem todo o mundo direta ou indiretamente), heterogênea (pois quem a integra pode apresentar características diversas no aspecto econômico, social, financeiro, político), descentralizada (não há um poder

internacional central ou um governo, como ocorre em âmbito interno) e ter um sistema de coordenação (não há subordinação, pois o interesse que prevalece é o dos membros).

O Direito Internacional do Trabalho não é um ramo autônomo do Direito, ele faz parte do Direito Internacional Público que trata de direitos dos trabalhadores. A sociedade internacional visa à redução da anarquia em esfera internacional e delimita a competência de seus membros, regulando a cooperação internacional e conferindo tutela aos bens jurídicos aos quais a sociedade internacional deferiu importância mundial, buscando a universalização de normas que visam à proteção do trabalho. Isso se dá basicamente por meio de Convenções ou por Tratados bilaterais ou multilaterais sobre direito do trabalho. Neste ramo predominam as convenções abertas e abstratas, visando à universalidade e uniformização de normas protetoras.

Na visão de Süssekind et al. (2003, p. 1515) a respeito,

As convenções constituem tratados multilaterais, abertos à ratificação dos Estados- Membros que, uma vez ratificados, devem integrar a respectiva legislação nacional. Já as recomendações se destinam a sugerir normas que podem ser adotadas por qualquer das fontes diretas ou autônomas do direito do Trabalho, embora visem, basicamente, ao legislador de cada um dos países vinculados à OIT. Em relação aos dois instrumentos há, contudo, uma obrigação comum: devem ser submetidos à autoridade nacional competente para aprovar a ratificação da convenção ou para adotar as normas constantes da recomendação. A obrigação, no entanto, é de natureza formal, porquanto essa autoridade é soberana na deliberação que julgar conveniente tomar, tendo em vista os interesses dos países. [...] A convenção cria uma obrigação internacional a cargo do Estado que a aceita e por meio da recomendação, a Conferência convida os Estados-Membros a adotar medidas ou, ao menos, certos princípios, porém não cria nenhum vínculo de direito.

Acredita-se que os fundamentos históricos do Direito Internacional do Trabalho são os mesmos que deram origem à legislação de proteção ao trabalhador. Fundamenta-se nas razões de ordem econômica e social. De ordem econômica, pois há a necessidade de nivelar as relações de trabalho e as medidas protetoras ao trabalhador em âmbito internacional. E de caráter social, pois busca a universalização de princípios como a justiça social e a dignidade do trabalhador.

Por meio de convenções internacionais busca-se hoje formas para universalizar as normas de proteção ao trabalho e ao trabalhador, com base nos princípios que regem esta relação de trabalho, visando proporcionar o bem estar social, a felicidade humana e a paz

social. Questões de disparidade econômica decorrentes do ônus da proteção do trabalho dificultam a aplicação de meios e normas capazes de tutelar o âmbito internacional entre as nações.

Também se busca, por intermédio de tratados bilaterais ou plurilaterais, estabelecer entre países signatários da mesma reciprocidade, o tratamento de problemas relacionados ao trabalho, à regularização e proteção de trabalhadores imigrantes, protegendo-os sob as normas do país e concedendo-lhes direitos trabalhistas no que se refere à conservação de direitos adquiridos nos países de origem, inclusive os seguros sociais.

As principais fontes do Direito Internacional do Trabalho são os costumes e os tratados. Moraes Filho e Moraes (2003, p. 217) afirmam que os tratados se distinguem em tratados propriamente ditos e em convenções-lei.

Normalmente as fontes do Direito Internacional Público são divididas em materiais e formais. As materiais não pertencem propriamente dito à Ciência Jurídica, mas à Política do Direito, pois referem-se a fatores econômicos, sociológicos, culturais, etc, que servirão e condicionarão para o ato de edição e formalização das fontes de direito. As fontes materiais são aquelas que em sua origem determinam o conteúdo da norma jurídica a ser criada.

Já as fontes formais são os processos de criação que serão dadas às normas jurídicas, ou seja, as técnicas que serão empregadas para que estas sejam consideradas pertencentes ao mundo jurídico, vinculando-as com a finalidade para a qual foram criadas.

No âmbito interno tem-se a Constituição Federal e as leis dos Estados, as reinteradas decisões de tribunais (jurisprudências), os costumes e a doutrina. Internacionalmente, em razão de não haver um sistema centralizado e superior que subordine os outros países as suas decisões, as fontes são algo mais complexo, pois nesse âmbito tudo o que se faz ou deixa de fazer é em razão de vontades organizadas dos Estados.

As fontes formais de Direito Internacional Público são, portanto, os tratados, os costumes e os princípios gerais de Direito. A doutrina e a jurisprudência não são consideradas fontes, mas sim meios auxiliadores os quais permitem se chegar ao Direito.

Os tratados internacionais são a principal e mais concreta fonte, pois oferecem segurança e estabilidade às relações internacionais e tornam o direito mais autêntico, pois representam a vontade dos Estados e das Organizações Internacionais. Os tratados podem ser realizados entre Estados e Organizações Internacionais, mas estas últimas devem ser limitadas à matéria para as quais foram criadas. Os tratados internacionais exercem uma “supra- legalidade”, uma vez que são superiores às leis internas, revogando as leis que lhe contrariam.

Como exemplo, tem-se o Pacto de San José da Costa Rica, o qual estabelece que não haverá prisão de depositário infiel. A Constituição Federal de 1988, no entanto, traz expresso em seu art. 5º, inc. LXVII, que não haverá prisão civil por dívida, salvo se tratar de responsabilidade pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e do depositário infiel. Percebe-se, então, que mesmo não sendo revogado expressamente ao ratificar o tratado, o Brasil não mais admite a prisão do depositário infiel, mesmo que contrarie a Carta Magna.

O costume internacional resulta da prática de alguns atos constantes por parte dos Estados, como uma obrigação legal. Para que possa ser considerado costume é necessário haver dois elementos – o material e o psicológico. O elemento material refere-se à repetição constante e de forma uniforme de determinados atos por um período certo, enquanto o psicológico é a execução dos mesmos em razão de uma obrigação jurídica.

Os princípios gerais de direito são aqueles que surgem a partir de uma generalizada persuasão jurídica contida nos sistemas jurídicos de vários países, promovendo a ordem estatal e ascendendo à ordem internacional, e são aplicados a um caso concreto. Atualmente não utilizados em grande número, pois há inúmeras normas que deles derivaram e até mesmo pela codificação de tratados internacionais e do próprio costume internacional.

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