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Os notários e registradores são pessoa físicas, que por meio de concurso são delegados os serviços públicos (art. 236 da CF) extrajudiciais. Dessa forma, por seus serviços são devidos os emolumentos de forma integral pelos atos praticados em suas serventias (art. 28 da Lei nº 8.935/1994), a título de remuneração pelos serviços prestados, que serão pagos pelo interessado que os requerer, no ato do requerimento ou no da apresentação do título (art. 14 da Lei nº 6.015/1973).

Para Walter Ceneviva (2009, p. 172): Os emolumentos devem necessariamente permitir a quitação da serventia, a satisfação dos encargos tributários e deixar razoável saldo a benefício do titular, pelo exercício da delegação e assim manter o sistema extrajudicial. Os emolumentos não são de livre pactuação econômica e nem de pactuação privada (Título VII da CF), mas estão vinculados ao campo das finanças públicas (Título VI da CF), das relações de imposição entre Estado e contribuinte; ou seja, das relações entre os agentes públicos

notariais e registrais delegados pelo Estado e os cidadãos usuários dos serviços conforme tabela anual de custas e emolumentos de cada Estado (BRASIL,1988).

Já as custas processuais, segundo Theodoro Junior (1996, p.88) são as verbas pagas aos serventuários da justiça e aos cofres públicos, pela prática processual ou do ato processual, conforme tabela da lei ou regimento adequado para remuneração do serviço público.

O Superior Tribunal de Justiça, na ADI 1.444/PR, manifestou entendimento afirmando que as custas e os emolumentos judiciais ou extrajudiciais não são preços públicos e sim taxas, não podendo ter seus valores fixados por decreto, sujeitos que estão ao princípio constitucional da legalidade, como segue:

DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CUSTAS E EMOLUMENTOS: SERVENTIAS JUDICIAIS E EXTRAJU-DICIAIS. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE DA RESOLUÇÃO Nº 7, DE 30 DE JUNHO DE 1995, DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ: ATO NORMATIVO. 1. Já ao tempo da Emenda Constitucional nº 1/69, julgando a Representação nº 1.094-SP, o Plenário do Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que 'as custas e os emolumentos judiciais ou extrajudiciais', por não serem preços públicos, 'mas, sim, taxas, não podem ter seus valores fixados por decreto, sujeitos que estão ao princípio constitucional da legalidade (parágrafo 29 do artigo 153 da Emenda Constitucional nº 1/69), garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa' (RTJ 141/430, julgamento ocorrido a 08/08/1984). 2. Orientação que reiterou, a 20/04/1990, no julgamento do RE nº 116.208-MG. 3. Esse entendimento persiste, sob a vigência da Constituição atual (de 1988), cujo art. 24 estabelece a competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal, para legislar sobre custas dos serviços forenses (inciso IV) e cujo art. 150, no inciso I, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, a exigência ou aumento de tributo, sem lei que o estabeleça. 4. O art. 145 admite a cobrança de 'taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição'. Tal conceito abrange não só custas judiciais, mas, também, as extrajudiciais (emolumentos), pois estas resultam, igualmente, de serviço público, ainda que prestado em caráter particular (art. 236). Mas sempre fixadas por lei. No caso presente, a majoração de custas judiciais e extrajudiciais resultou de Resolução - do Tribunal de Justiça - e não de Lei formal, como exigido pela Constituição Federal. 5. Aqui não se trata de 'simples correção monetária dos valores anteriormente fixados', mas de aumento do valor de custas judiciais e extrajudiciais, sem lei a respeito. 6. Ação Direta julgada procedente, para declaração de inconstitucionalidade da Resolução nº 07, de 30 de junho de 1995, do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná." (ADI 1444/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Sydney Sanches, j. 12/02/2003, DJ de 11/04/2003, p. 25) (BRASIL, 2003).

Ainda, na ADI 1.378/ES, a mesma Corte entendeu sobre a necessidade de que a cobrança pelo serviço público prestado, por delegação/outorga do poder público, cuja remuneração da referida entidade dar-se-ia por taxas, esteja submetida ao regime jurídico constitucional pertinente a essa especial modalidade de tributo vinculado, notadamente aos

princípios fundamentais que proclamam, dentre outras, as garantias essenciais da reserva de competência impositiva, legalidade, isonomia e da anterioridade, como segue:

CUSTAS JUDICIAIS E EMOLUMENTOS EXTRAJUDICIAIS - NATUREZA TRIBUTÁRIA (TAXA) - DESTINAÇÃO PARCIAL DOS RECURSOS ORIUNDOS DA ARRECADAÇÃO DESSES VALORES A INSTITUIÇÕES PRIVADAS - INADMISSIBILIDADE - VINCULAÇÃO DESSES MESMOS RECURSOS AO CUSTEIO DE ATIVIDADES DIVERSAS DAQUELAS CUJO EXERCÍCIO JUSTIFICOU A INSTITUIÇÃO DAS ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS EM REFERÊNCIA - DESCARACTERIZAÇÃO DA FUNÇÃO CONSTITUCIONAL DA TAXA - RELEVÂNCIA JURÍDICA DO PEDIDO - MEDIDA LIMINAR DEFERIDA. NATUREZA JURÍDICA DAS CUSTAS JUDICIAIS E DOS EMOLUMENTOS EXTRAJUDICIAIS. - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de que as custas judiciais e os emolumentos concernentes aos serviços notariais e registrais possuem natureza tributária, qualificando-se como taxas remuneratórias de serviços públicos, sujeitando-se, em consequência, quer no que concerne à sua instituição e majoração, quer no que se refere à sua exigibilidade, ao regime jurídico-constitucional pertinente a essa especial modalidade de tributo vinculado, notadamente aos princípios fundamentais que proclamam, dentre outras, as garantias essenciais (a) da reserva de competência impositiva, (b) da legalidade, (c) da isonomia e (d) da anterioridade. Precedentes. Doutrina. SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS. - A atividade notarial e registral, ainda que executada no âmbito de serventias extrajudiciais não oficializadas, constitui, em decorrência de sua própria natureza, função revestida de estatalidade, sujeitando-se, por isso mesmo, a um regime estrito de direito público. A possibilidade constitucional de a execução dos serviços notariais e de registro ser efetivada "em caráter privado, por delegação do poder público" (CF, art. 236), não descaracteriza a natureza essencialmente estatal dessas atividades de índole administrativa. - As serventias extrajudiciais, instituídas pelo Poder Público para o desempenho de funções técnico administrativas destinadas "a garantir a publicidade, a 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 9835396. ARE 927906 / RO autenticidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos" (Lei n. 8.935/94, art. 1º), constituem órgãos públicos titularizado por agentes que se qualificam, na perspectiva das relações que mantêm com o Estado, como típicos servidores públicos. Doutrina e Jurisprudência. - DESTINAÇÃO DE CUSTAS E EMOLUMENTOS A FINALIDADES INCOMPATÍVEIS COM A SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA. - Qualificando-se as custas judiciais e os emolumentos extrajudiciais como taxas (RTJ 141/430), nada pode justificar seja o produto de sua arrecadação afetado ao custeio de serviços públicos diversos daqueles a cuja remuneração tais valores se destinam especificamente (pois, nessa hipótese, a função constitucional da taxa - que é tributo vinculado - restaria descaracterizada) ou, então, à satisfação das necessidades financeiras ou à realização dos objetivos sociais de entidades meramente privadas. É que, em tal situação, subverter-se-ia a própria finalidade institucional do tributo, sem se mencionar o fato de que esse privilegiado (e inaceitável) tratamento dispensado a simples instituições particulares (Associação de Magistrados e Caixa de Assistência dos Advogados) importaria em evidente transgressão estatal ao postulado constitucional da igualdade. Precedentes.” (ADI 1.378, Relatoria do Min. Celso de Mello, Dje 30.11.1995) (BRASIL, 1995).

Por fim, a egrégia Corte também consignou, por ocasião do julgamento da ADI 3694/AP, que as custas e os emolumentos judiciais ou extrajudiciais têm caráter tributário de taxa (BRASIL, 2006).

Ante o exposto, a natureza jurídica dos emolumentos é de taxa e, portanto, qualquer isenção se interpreta restritivamente, nos termos do art. 111, II do Código Tributário Nacional; eventual isenção carece de previsão legal, inclusive por ter seu caráter de taxa reconhecido pelo Superior Tribunal Federal. Portanto, sustenta-se a inconstitucionalidade das previsões sob o ponto de vista da competência tributária: considerando que os emolumentos devidos aos cartórios têm natureza de taxa, sua isenção só poderia ser concedida por meio de lei específica editada pelo ente instituidor do tributo, segundo os arts. 150, § 6º, e 151, inciso III, da Constituição Federal/1988.

Nessa linha, destaca-se o entendimento análogo do Registro de Imóveis da Capital de São Paulo, pelo qual os emolumentos devidos pela prestação do serviço público delegado de registro, como já pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, têm natureza de tributo, cuja espécie foi dada como de taxa, destacando-se que apenas por força de lei a isenção poderá ser instituída. Não há como se dar interpretação alargada para estender, sem a necessária previsão legal, a isenção, a fim de que ela abranja também os atos de registro, que, em lei, não estão previstos como isentos, como segue:

Processo 0044558-34.2012.8.26.0100 - Dúvida - Registro de Imóveis - 5º Oficial de Registro de Imóveis da Capital de São Paulo – (...) DECIDO. Ainda que a matéria de fundo, relativa à gratuidade do registro na mencionada hipótese comporte importante reflexão, cumpre assentar que o seu exame deve ficar rigorosamente adstrito ao princípio da legalidade. Os emolumentos devidos pela prestação do serviço público delegado de registro, como já pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, têm natureza de tributo, cuja espécie foi dada como de taxa. Impende salientar, portanto, que apenas por força de lei a isenção poderá ser instituída. Não se vê, nessa linha de pensamento, como dar interpretação alargada para estender, sem a necessária previsão legal, a isenção, a fim de que ela abranja também os atos de registro, que, em lei, não estão previstos como isentos (...). Sem previsão legal para a isenção pretendida, portanto, e tendo os emolumentos caráter tributário, não se vê como estender aos atos registrais em pauta a gratuidade pretendida, pois que tal equivaleria a estabelecer, na esfera administrava, isenção tributária independentemente de previsão legal. Diante do exposto, recebo a consulta para responder, como orientação administrava deste Juízo Corregedor Permanente, que o registro de títulos oriundos de inventários extrajudiciais não estão isentos de emolumentos, não se estendendo a eles a gratuidade deferida aos atos notariais. P.R.I. São Paulo, 05 de setembro de 2012. Marcelo Martins Berthe Juiz de Direito (SÃO PAULO, 2012).

Sendo assim, extrai-se que os serviços notariais e de registro, conquanto exercidos por pessoas de direito privado, decorrem de delegação do Poder Público, sujeitando-se, por conseguinte, ao regime de direito público. Ademais, tratando-se de prestação compulsória, não está presente qualquer caráter contratual. Trata-se de remuneração a serviço público específico e divisível, configurando taxa (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS NOTARIOS E REGISTRADORES DO BRASIL, 2007).

Dessa forma, entende-se que é admissível a cobrança dos emolumentos, conforme disciplina do Provimento Conselho Nacional de Justiça nº 65/2017, que trata da regulamentação pormenorizada do procedimento, a ser seguido pelas partes e pelos delegatários. Citado provimento (art. 26) define as regras quanto à cobrança de emolumentos, como segue:

Art. 26. Enquanto não for editada, no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, legislação específica acerca da fixação de emolumentos para o procedimento da usucapião extrajudicial, serão adotadas as seguintes regras:

I – no tabelionato de notas, a ata notarial será considerada ato de conteúdo econômico, devendo-se tomar por base para a cobrança de emolumentos o valor venal do imóvel relativo ao último lançamento do imposto predial e territorial urbano ou ao imposto territorial rural ou, quando não estipulado, o valor de mercado aproximado;

II – no registro de imóveis, pelo processamento da usucapião, serão devidos emolumentos equivalentes a 50% do valor previsto na tabela de emolumentos para o registro e, caso o pedido seja deferido, também serão devidos emolumentos pela aquisição da propriedade equivalentes a 50% do valor previsto na tabela de emolumentos para o registro, tomando-se por base o valor venal do imóvel relativo ao último lançamento do imposto predial e territorial urbano ou ao imposto territorial rural ou, quando não estipulado, o valor de mercado aproximado.

Parágrafo único. Diligências, reconhecimento de firmas, escrituras declaratórias, notificações e atos preparatórios e instrutórios para a lavratura da ata notarial, certidões, buscas, averbações, notificações e editais relacionados ao processamento do pedido da usucapião serão considerados atos autônomos para efeito de cobrança de emolumentos nos termos da legislação local, devendo as despesas ser adiantadas pelo requerente (SANTA CATARINA, 2017).

Em relação à fixação de emolumentos devidos aos serviços notarias e registrais, a Lei Federal nº 10.169/2000 (que regula o art. 236 § 2º da Constituição Federal) estabelece que:

Art. 2º Para a fixação do valor dos emolumentos, a Lei dos Estados e do Distrito

Federal levará em conta a natureza pública e o caráter social dos serviços notariais e de registro, atendidas ainda as seguintes regras:

I – os valores dos emolumentos constarão de tabelas e serão expressos em moeda corrente do País;

II – os atos comuns aos vários tipos de serviços notariais e de registro serão remunerados por emolumentos específicos, fixados para cada espécie de ato; III – os atos específicos de cada serviço serão classificados em:

a) atos relativos a situações jurídicas, sem conteúdo financeiro, cujos emolumentos atenderão às peculiaridades socioeconômicas de cada região;

b) atos relativos a situações jurídicas, com conteúdo financeiro, cujos emolumentos serão fixados mediante a observância de faixas que estabeleçam valores mínimos e máximos, nas quais enquadrar-se-á o valor constante do documento apresentado aos serviços notariais e de registro (BRASIL, 2000).

Destaca-se que no caso dos atos relativos a situações jurídicas, com conteúdo financeiro (art. 2º, letra b, Lei nº 10.169/2000) o valor apurado leva em consideração os seguintes parâmetros, conforme dispõe o Regimento de Custas e Emolumentos de Santa Catarina – Lei Complementar nº 156, de l5 de maio de 1997 (art. 16, §§ 1º e 2º), como segue:

Art. 16. Nos atos e serviços praticados pelos notários ou oficiais dos registros públicos, com valor declarado ou com expressão econômica mensurável é considerado, para efeito de cobrança dos emolumentos, o maior valor apurado entre o valor declarado pelas partes no negócio; o valor venal atribuído pelo órgão fiscal competente para fins de imposto predial e territorial ou do imposto de transmissão. § 1º. Nos atos relativos à constituição de dívidas ou financiamentos, como a hipoteca e o penhor, a base de cálculo é o valor do contrato.

§ 2º. O valor estimado pela parte, na ausência dos indicadores referidos no caput deste artigo, ou na hipótese de encontrarem-se esses indicadores em flagrante dissonância com o valor real ou de mercado do bem ou do negócio, poderá ser impugnado pelo titular da serventia, por petição escrita dirigida ao juiz com jurisdição sobre registros públicos, havendo privativo, ou ao diretor do foro, que arbitrará o valor do ato ou do serviço, baseando-se, preferencialmente, em laudo do avaliador judicial, arcando o vencido com as custas e despesas do incidente (SANTA CATARINA, 1997).

Desse modo, nos atos e serviços praticados pelos notários ou oficiais dos registros públicos, com valor declarado ou com expressão econômica mensurável é considerado, para efeito de cobrança dos emolumentos, o maior valor apurado.

Destaca-se que o procedimento na via extrajudicial é bastante oneroso, uma vez que será cobrado: no tabelionato; a ata notarial, como um ato com conteúdo financeiro de acordo com o valor venal do imóvel, reconhecimentos de firma nos mapas, memoriais, requerimentos, declarações e diligências; e, no registro de imóveis; será recolhido 50% do valor correspondente ao processamento da usucapião e 50% do valor correspondente ao registro; assim como, será auferido o custo de editais, diligências, citações, etc (ROSA, 2018).

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