Esta dissertação tinha como principal objetivo estabelecer a relação existente entre os traços de personalidade e as perturbações do comportamento alimentar, observando-se que traços como o perfeccionismo, a urgência negativa, o neuroticismo, a introversão, a sensibilidade à punição e a evicção de danos são comuns entre indivíduos com perturbações alimentares.

As diferenças de personalidade entre indivíduos com diferentes diagnósticos de perturbações do comportamento alimentar também emergiram, sendo notória uma predominância de traços obsessivo-compulsivos em indivíduos com anorexia nervosa e a existência de níveis significativamente superiores de impulsividade em pacientes com bulimia nervosa. A evidência sugere ainda que os traços de personalidade se podem associar de forma mais consistente com sintomas alimentares específicos do que com diagnósticos de perturbações do comportamento alimentar. Por exemplo, ao nível da falta de perseverança, uma faceta da impulsividade, constatou-se que os indivíduos com bulimia nervosa apresentavam níveis significativamente mais elevados do que os indivíduos com anorexia nervosa do tipo restritivo, mas não diferiam de forma significativa dos indivíduos com anorexia nervosa do tipo purgativo, evidenciando que os anoréticos que se envolvem em comportamentos purgativos podem ter mais em comum com os pacientes bulímicos do que com os anoréticos restritivos.

Com a progressão da investigação nas últimas décadas, tornou-se cada vez mais claro que as dimensões da personalidade podem ter um papel preponderante na explicação de várias áreas de importância clínica, nomeadamente a abordagem, expressão sintomática e tratamento das perturbações do comportamento alimentar.

A criação de novas abordagens terapêuticas que tenham em conta os traços de personalidade presentes nos indivíduos com perturbações do comportamento alimentar parece ter um papel promissor no prognóstico destes doentes. Por exemplo, um paciente com níveis elevados de perfeccionismo pode beneficiar de um tratamento com a versão adaptada da teoria cognitivo-comportamental, já que esta inclui um módulo que se foca especificamente no perfeccionismo. Por outro lado, em pacientes com PCA que apresentem níveis elevados de impulsividade pode ser mais eficiente a utilização da terapia comportamental dialética de forma a capacitar estes indivíduos a tolerar o stress e a regular as suas emoções.

A investigação da personalidade nas perturbações do comportamento alimentar também pode fornecer outras informações clinicamente relevantes nomeadamente a probabilidade de migração entre diferentes diagnósticos, o envolvimento em comportamentos de risco e a severidade da doença. Por exemplo, a presença de níveis elevados de busca pela novidade, uma

23 dimensão do temperamento, em indivíduos com anorexia nervosa parece estar associada não só a uma conversão futura em bulimia nervosa, mas também ao abuso de substâncias. Já o perfeccionismo, tem sido consistentemente associado com uma maior severidade da doença.

Adicionalmente, este traço parece ter um papel relevante na elaboração de programas preventivos, já que em alguns estudos realizados se observou a eficácia de intervenções focadas no perfeccionismo na redução não só de cognições associadas às perturbações do comportamento alimentar (tais como a preocupação com o peso e a forma corporal), mas na também na prevenção de sintomas alimentares patológicos.

É de ressalvar que a maioria dos estudos que investigaram a relação entre a personalidade e as perturbações do comportamento alimentar, focaram-se nos dois tipos de anorexia nervosa e na bulimia nervosa, existindo apenas uma pequena porção da literatura que investigou a personalidade entre os pacientes com perturbação de ingestão alimentar compulsiva (BED). Neste sentido, é necessária a realização de novos estudos que visem investigar a estabilidade e o valor preditivo da personalidade entre os indivíduos com esta patologia.

A natureza transversal da maioria dos estudos, possibilita a existência de dúvidas relativamente à relação de causalidade entre os traços de personalidade e as perturbações do comportamento alimentar, ou seja, não está claro se os traços de personalidade aumentam o risco de desenvolver um distúrbio alimentar ou se simplesmente emergem como uma consequência do mesmo. Se por um lado, é possível que estes traços estejam presentes antes do início da doença, predispondo à sua manifestação, por outro lado, é também possível que o curso clínico das perturbações alimentares bem como os efeitos neurobiológicos da sintomatologia a longo prazo possam contribuir para o desenvolvimento de determinadas características de personalidade. Uma forma de contornar este obstáculo passa pela realização quer de estudos retrospetivos a demonstrar a presença de determinados traços na infância, quer pela realização de estudos longitudinais que acompanhem a evolução de indivíduos com perfis considerados de risco.

Adicionalmente, a realização de estudos familiares, particularmente em gémeos monozigóticos que são geneticamente idênticos apresenta grande utilidade já que permite tirar deduções relativamente à origem genética ou ambiental da suscetibilidade existente.

Convém ainda salientar que uma porção considerável da literatura estudou a associação entre as perturbações alimentares e a personalidade, através da comparação de mulheres caucasianas com anorexia nervosa ou bulimia nervosa que se encontravam a receber tratamento em regime de internamento ou ambulatório com grupos de controlo universitários e sem diagnósticos no âmbito da psiquiatria. Apenas um número reduzido de estudos recrutaram homens, amostras provenientes da comunidade ou grupos de controlo com outros distúrbios

24 psiquiátricos. Desta forma, face à homogeneidade das amostras recrutadas, é questionável se os resultados obtidos podem ser generalizados para a população em geral.

Por último, face à pertinência desta temática, torna-se necessário que os traços de personalidade presentes em indivíduos com perturbações do comportamento alimentar sejam investigados de forma mais extensiva, com recorrência a estudos longitudinais e a amostras amplas de forma a melhor clarificar as relações sugeridas e a identificar mais estratégias de intervenção terapêutica.

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No documento MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA. Traços de personalidade e perturbações do comportamento alimentar Mariana Sofia Soares Alves M 2021 (páginas 32-39)