Atuar de forma proativa em relação ao controle dos estressores de trabalho, por meio do fortalecimento das crenças de auto-eficácia e do desenvolvimento das habilidades de enfrentamento, faz com que o trabalhador atue como agente em relação ao que afeta seu
bem-estar e sua produtividade. Essa é tarefa de todos aqueles interessados em manter níveis de competência que favoreçam o envelhecimento bem-sucedido num mundo laboral caracteriza-do pela presença de numerosos conflitos e de rápidas mudanças.
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AnnA Cruz de ArAújo PereirA dA SilvA Advogada, especialista em Geriatria e Gerontologia pela UnATI/UERJ, mestranda em Direito pela UFPa.
“Dura a vida alguns instantes, porém mais do que bastantes quando cada instante é sempre.
(Chico Buarque, “Sempre”, 2006)
O Papel da Onu na Elaboração
de uma Cultura
Gerontológica
Abstract
The United Nations is, currently, the most important world-wide entity to promote Human Rights and freedoms. At two moments, 1982 and 2002, UN was devoted specifically to the ageing issue and, from the debate between its members, produced documents called Plan of Action which are the basis of a new gerontological culture. This study analyses the guidelines of its recommendations and, particularly, what was said in relation to retirement, work, education, familiar support, health and minority groups.
This article briefly considers the different approaches taken by the Conference held in Vienna (1982) and the other held in Madrid (2002). It investigates the legal nature of the Plans and defends their binding power contrasted to the argument that the Plans are just “soft law”, not imposing any obligations, therefore.
Keywords: UN, elderly, elderly law.
Resumo
A Organização das Nações Unidas é , a t u a l m e n t e, a e n t i d a d e d e m a i o r representatividade mundial a promover os Direitos Humanos e as liberdades fundamentais.
Em dois momentos principais, em 1982 e 2002, dedicou-se especificamente à temática do envelhecimento e, do debate entre seus membros, produziu documentos chamados Planos de Ação, que consistem em verdadeiras bases fundantes da nova cultura gerontológica. É deles que se ocupa este estudo, analisando as diretrizes de suas recomendações e, principalmente, o preceituado em relação a aposentadoria, trabalho, educação, suporte familiar, saúde e grupos minoritários, além de brevemente considerar os diferentes enfoques atribuídos naquelas duas oportunidades (Viena, 1982; Madri, 2002) e a natureza jurídica dos Planos, defendendo seu poder de vincular o Estado a cumpri-lo, em oposição ao argumento de que seja apenas “soft law”, não impondo nenhuma obrigação, portanto.
Palavras chave: ONU, idoso, direito do idoso.
introdução
Segundo previsões da ONU, em poucas gerações a proporção de pessoas com 60 anos ou mais passará de 1 a cada 14 para 1 a cada 4, acarretando uma revolução demográfica, com reflexos no sistema previdenciário, no mercado de trabalho e consumo e mesmo nos núcleos familiares. Naturalmente, esta não é uma tran-sição uniforme, iniciando-se e alterando ritmos de acordo com o grau de desenvolvimento do país em foco; no Brasil, por exemplo, conforme informações do IBGE1, em 2020 os idosos che-garão a 25 milhões de pessoas – 15 milhões de mulheres –, numa população de 219,1 milhões, representando 11,4% da população.
Entretanto, importante investigar se vi-ver mais encontra paralelo com vivi-ver melhor;
necessidade premente, desta feita, é repensar o envelhecimento inclusive no tocante ao suporte legal dirigido a esta categoria, a dos longevos. Assim, forçoso perscrutar a proteção conferida pela ordem jurídica internacional à pessoa idosa, investigar como se posiciona o Direito diante desta mudança populacional e da sensível intolerância moderna às discrimi-nações de toda forma, e como a ONU, neste panorama, pode contribuir para a construção de um ideário efetivo de proteção à dignidade do idoso no século XXI.