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Dadas as questões levantadas devido à entrada em vigor da actual lei do tabaco, no que respeita à eficácia na protecção dos não fumadores ao fumo ambiental do tabaco, o presente estudo apresenta uma questão pertinente, em que é possível quantificar, de certa forma, o impacto da proibição do fumo no interior dos edifícios e consequente aglomeração dos fumadores junto às entradas. Assim sendo, conclui-se que para o nível de permeabilidade máximo, correspondente a porta e janelas abertas e um conjunto de apenas três fumadores, a qualidade do ar vem significativamente prejudicada observando-se, para o caso da localização climática I2V1 (Porto), a

concentração máxima de 0,294 mg/m3. Para os outros dois níveis de permeabilidade em estudo, embora se observe uma directa afectação na QAI, o nível é reduzido, o que o torna pouco preponderante. Dada a semelhança entre os resultado dos níveis de permeabilidade média e baixa leva a conclui-se, automaticamente, que o facto da porta para o exterior se encontrar aberta durante o acto de fumar, promove a entrada do ar poluído, directamente para o interior do edifício, originando valores pontuais de concentração interior de partículas elevados.

Na análise de sensibilidade do modelo foi possível concluir que a taxa de emissão dos contaminantes, ou seja, o número de fumadores que se encontram em prática junto à entrada, é um ponto fundamental na afectação da QAI, tal como era expectável. Numa situação em que é emitida uma taxa de poluentes equivalente à presença de doze fumadores em simultâneo, observam-se valores máximos na concentração de partículas bastante significativos, da ordem da 0,4 mg/m3.

Extrapolando esta análise para outros edifícios, onde, em média, se verificam taxas de emissão superiores às analisadas, devido á dimensão e consequente ocupação, observar-se-á uma directa afectação da QAI, com níveis superiores aos mencionados.

Desta forma, é possível concluir que algumas das medidas adoptadas através do Decreto-Lei 37/2007 de 14 de Agosto, não são suficientemente eficazes e oferecem uma errada sensação de segurança na exposição dos não-fumadores ao fumo ambiental do tabaco.

Outra questão que se levanta neste estudo é a passagem por outros indivíduos no local escolhido pelos fumadores para o cumprimento deste hábito social, uma vez, que as entradas dos edifícios

são espaços de passagem obrigatória a todos os utilizadores e é nesse espaço que se observa os valores máximos de concentração e consequentes maiores frequências de afectação da QAI. As perspectivas de trabalho futuro ligadas ao tema da qualidade do ar, prejudicada pelo fumo do tabaco, prendem-se num primeiro ponto, com a análise detalhada (365 dias do ano) da qualidade do ar interior, para todas a localizações climáticas e níveis de permeabilidade da envolvente referidos neste documento.

Outros pontos de estudo de grande interesse que se situam em torno desta problemática, prendem-se com a análise do efeito dos fumadores em espaços abertos de permanência obrigatória, como paragens de transportes públicos, filas de bilheteiras e zonas de espectáculo, bem como, a análise de uma medida proposta no DL 37/2007, que consiste da eficácia do uso de barreiras não físicas na separação entre os fumadores e não-fumadores.

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