Equação 24 Cálculo do indicador OPE Estudo de Caso
5 Estudo de caso: implementação de indicadores de desempenho global da
6.1 Conclusões relacionadas com o objetivo do trabalho
Esta pesquisa baseou-se na premissa evidenciada na revisão bibliográfica de que, conforme sugerem diversos autores, o OEE revela limitações quando aplicado sob circunstâncias e propósitos bem distintos daqueles considerados na sua conceituação inicial. Por exemplo, a aplicação do OEE estendido em um sistema de produção mais amplo não é suficiente para verificar possíveis causas de ineficiências no aproveitamento da capacidade produtiva global por não reconhecer outras perdas, além das que estão definidas em seu conceito. Estas e outras limitações identificadas na pesquisa bibliográfica estão resumidas na Tabela 6.
Ao utilizar os critérios de Johsson e Lesshammar (1999) para examinar a adequação do OEE enquanto um indicador de desempenho global da manufatura, observa-se que ele não atende aos critérios de orientação do fluxo e eficácia externa, e que satisfaz os outros critérios de forma superficial, como mostra a Tabela 5.
O objetivo da pesquisa realizada foi verificar a existência de indicadores derivados do OEE que possibilitassem as empresas aprimorar a medição do desempenho sistêmico e identificar suas principais características. Deste objetivo foram elaboradas duas questões de pesquisa.
A primeira questão, Q1, visou à elucidação da seguinte indagação: “Quais são os indicadores derivados do OEE para possibilitar uma medição mais abrangente do desempenho da manufatura?”. O levantamento realizado na revisão da literatura permitiu detectar diversos indicadores derivados do OEE, que apresentam derivações no nível de abrangência do sistema produtivo considerado – máquina, linha, fábrica – e/ou derivações em relação à abrangência da classificação de perdas que considera. Estas derivações implicam em formas de cálculo diferentes, porém todos os indicadores identificados foram propostos com a mesma motivação de serem utilizados na melhoria da utilização da capacidade nominal e redução da diferença entre a capacidade planejada e a capacidade real (ver os conceitos de capacidade definidos por Elmaghraby (1991)).
Esses indicadores foram organizados nas Figuras 9 e 10 a partir das quais foi originada a Figura 11, que auxilia a escolha de um indicador conforme as características do sistema de produção que se deseja avaliar e o que se deseja evidenciar no desempenho da manufatura.
Para responder a segunda questão, Q2, “Como se caracterizam os indicadores derivados do OEE enquanto possíveis instrumentos para balizar o sistema de medição do desempenho global da manufatura?” tomou-se como base o modelo de análise de Johsson e Lesshammar (1999). Esta análise revelou que os indicadores que podem ser melhor aplicados como indicador de desempenho global da manufatura são o OPE e o OAE, pois adotam uma classificação de perdas que considera a influência de outras áreas funcionais da organização e, além disso, é um indicador bastante representativo da fábrica.
Esta pesquisa procurou destacar a importância dos seguintes pontos:
1. definição da abrangência (“fronteira”) do sistema produtivo objeto de análise,
2. definição do escopo da classificação de perdas que melhor se adéqua à natureza das perdas que afetam as operações da empresa,
3. estabelecimento de uma dinâmica de identificação/resolução de problemas que envolva representantes-chave das áreas relacionadas. A matriz apresentada na Tabela 8 foi estruturada neste trabalho para subsidiar a busca de um indicador adequado em função dos pontos 1 e 2 acima. Com o objetivo de ilustrar como indicadores de desempenho global da manufatura podem auxiliar os gestores nas tomadas de decisão para a melhor utilização da capacidade produtiva de seus recursos de forma a garantir uma vantagem competitiva, foi realizado um Estudo de Caso que mostra como uma abordagem de gerenciamento mais sistêmico do sistema produtivo, balizada em indicadores globais como o OPEL e OPE, favorece a concatenação de ações entre a manufatura, suas áreas de apoio e outras áreas da cadeia de valor para se obter uma utilização mais efetiva de seus recursos e contribuir na busca de resultados melhores ao negócio. Isso corrobora a proposta da utilização de indicadores mais abrangentes que o OEE, ou como no caso, o OTE quando a utilização da capacidade torna-se crítica ao desempenho global de uma unidade de manufatura.
O estudo de caso possibilitou identificar de diversos cuidados gerenciais que devem ser tomados para selecionar e implementar indicadores. Independentemente do indicador medido, o resultado numérico por si só não passa de mera informação. O histórico de cerca de nove meses de uso sistemático do OEEL e OPEL como indicadores no primeiro período do caso estudado ilustra bem o grande envolvimento que a gerência deve demonstrar para que, a partir das informações assim obtidas, ações de melhoria e controle sejam realmente desdobradas e deste modo conseguir que uma nova prática como esta seja consolidada.
A decisão de qual linha focar numa iniciativa de melhoria do desempenho da manufatura depende da estratégia da empresa naquele momento, já que cada linha pode produzir um produto ou uma família de produtos específica.
Assim, para medir o desempenho global da manufatura os indicadores de maior abrangência nos níveis de classificação de perdas, são os que mais auxiliam no alcance do objetivo do negócio, pois captam a influência de áreas funcionais da empresa. Foi possível observar no caso estudado que, nas Fases 1 e 2, a criação de um grupo multifuncional, composto pela Produção, Qualidade e Manutenção, permitiu ações nas perdas que impactam o OEEL, porém não resultou no aumento de produção esperado.
Assim, a partir da Fase 3, com a estruturação de um grupo de solução de problemas, do tipo FT, foi possível atuar em causas que mais impactavam na utilização da capacidade de manufatura, permitindo assim aumentar o volume de produção. A ampliação da abrangência do indicador aplicado na medição do desempenho pela adoção do OPEL, se fez necessária, pois isso veio a permitir melhor visualização das perdas internas às áreas da manufatura e das perdas provocadas por áreas funcionais que podem exercer influência sobre o desempenho da manufatura como P&D, Marketing, entre outras.
A forma de definição dos membros do grupo de trabalho do tipo FT, durante a Fase 3, suas responsabilidades e papéis para a implementação das ações decorrentes de decisões tomadas por este grupo, as ferramentas aplicadas no tratamento de perdas e o acompanhamento dos resultados assumido pela alta direção foram cruciais para o alcance das melhorias identificadas no caso estudado,
conforme sugerido por Shiba et al. (1997) e foram críticas para a efetiva implementação do sistema de medição do desempenho global da manufatura.
A literatura que se baseia na conceituação do OEE para propor um indicador de desempenho mais abrangente, em geral, concentra-se na concepção de um determinado modelo de cálculo. Esta pesquisa mostra que o projeto de um sistema de avaliação do desempenho global da manufatura não pode ficar limitado à seleção da melhor fórmula de cálculo a ser adotada na medição, já que a visão analítica requerida pode mudar com o tempo e as circunstâncias. O desafio reside, portanto no estabelecimento de um processo que permita à organização identificar e selecionar um modelo de indicador com uma estrutura que reflita a realidade e as necessidades de seu sistema de produção e torná-lo operacional.
Outro ponto relevante que deve ser observado é a questão de que ainda que o indicador de desempenho global da manufatura, como o OPE seja utilizado para gestão no nível estratégico da empresa, a gestão de indicadores desdobrados ao nível de linha (ex. OPEL) ou equipamento (ex. OEE), auxiliam no refinamento do foco do que controlar ou do que melhorar, principalmente em casos em que há restrição de orçamento para investimento na área de manufatura e as melhorias são a alternativa para melhoria do desempenho global de uma linha ou da fábrica.