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10. Distribuição da média do índice ceo-d inicial e final por faixa etária

6.4 CONDIÇÕES BUCAIS ENCONTRADAS NO FINAL DO PROGRAMA

6.4.1 Doença cárie

Dois anos após ter iniciado o Programa de Promoção de Saúde Bucal de Carmo de Minas, novos exames foram feitos, com a finalidade de verificar os resultados do PROGRAMA.

Os índices de CPO-D e CPO-S descritos por KLEIN & PALMER em 1937, para dentes permanentes e os Índices de ceo-d e ceo-s, modificados do Índice de CPO, foram utilizados para analisar o comportamento da doença cárie. Esses índices não medem a saúde, apenas a doença. Como nenhum tratamento cirúrgico-restaurador foi efetuado nas crianças participantes do PROGRAMA, já era esperado que o número de lesões cariosas não diminuíssem, a não ser, naqueles pacientes que tenham procurado o serviço odontológico no município.

Pode-se constatar na Figura 26 (p. 133), o crescimento do número de crianças apresentando a doença durante o Programa. Um aumento de 22,58% no índice de cárie, foi observado na amostra geral. Essa variação foi maior na zona urbana, que apresentou um aumento de 27,95%, do que na zona rural, cujo crescimento foi de 12,64%. Há de se observar que a idade das crianças aumentou durante o tempo decorrido do início ao final do PROGRAMA, aumentando conseqüentemente o número de dentes expostos às condições ambientais, como exposição à dieta cariogênica e acúmulo de placa. Outro aspecto a salientar, é o não tratamento das lesões já existentes, levando os

dentes a condições mais severas da doença, como implicações pulpares, perda de dentes, extensão da lesão para outras paredes do dente ou dentes vizinhos e fraturas das paredes desapoiadas pela cárie.

O crescimento da doença também pode ser observado pelas médias dos índices de ceo-d, cujo incremento foi de 1,5 na zona urbana e de 0,8 na zona rural (p=0,02) (Tabela 19, p. 134).

TOMITA (a) et al. (1994), avaliando um programa baseado em

procedimentos clínicos, preventivos e educativos, intitulado Projeto Paiva, obteve um aumento do índice de CPOD aos 12 anos de 5,43 para 6,31, devido ao curto período de tempo do programa e a doença cárie ser cumulativa. Outros programas, baseados em escovações supervisionadas, não tiveram sucesso quanto ao incremento de cárie (MALTZ, 1975; HOROWITZ, 1977). SILVA & SILVA (1996), comparando os resultados de dois programas, o primeiro, baseado na escovação supervisionada e o segundo na fluoretação da água de abastecimento público, bochechos fluorados semanais e aplicação semestral de flúor-gel acidulado, não observaram eficácia no controle da cárie em crianças com alto risco epidemiológico da doença.

Houve um aumento do ceo-d final em relação ao exame baseline, em todas as faixas etárias. Na faixa etária de 49 – 60 meses, a diferença entre o ceo-d final e inicial, foi reduzida, provavelmente devido à exfoliação dos dentes decíduos (Tabela 20, p. 135).

Avaliando-se cada componente do índice de ceod separadamente, pode-se observar, a exemplo do que aconteceu no exame inicial, que o componente o (obturado), continuou a representar uma pequena parcela deste índice. Esse aspecto pareceu ser mais acentuado na zona rural do que na zona urbana (Tabela 26, p. 140). Esse resultado mostrou, que apesar dos esforços em conscientizar os profissionais do posto de saúde e a própria população, não foi surtido o efeito desejado.

Ao se comparar o comportamento da doença dentro de uma mesma faixa etária em épocas distintas, observou-se que o PROGRAMA obteve resultados positivos, uma vez que as crianças que iniciaram o PROGRAMA na faixa etária de 0 – 12 meses, após 24 meses (faixa de 25 – 36 meses) apresentaram um ceom de 1.17, menor do que as crianças que iniciaram na faixa etária de 25 – 36 meses, que apresentavam um ceom de 2.10. O mesmo aconteceu nas outras faixas de idade (Tabela 21, p. 136). Esses dados são bastante otimistas em relação às expectativas do PROGRAMA, no que se refere à diminuição dos índices de CPOD a serem obtidos futuramente.

Segundo POWELL (1998), para predizer o desenvolvimento de cárie nos primeiros molares permanentes, deve-se medir a doença ocorrida nos molares decíduos.

Podemos confirmar neste estudo, que a cárie nos dentes decíduos,

serviu de preditor da doença nos molares permanentes. Mesmo tendo as crianças, apresentado um número pequeno de dentes permanentes durante o

exame final, observou-se uma forte relação entre experiência de cárie na dentição decídua no exame baseline com a dentição permanente após 24 meses do estudo. Entre as 15 crianças que apresentavam lesões cariosas nos dentes permanentes, 14 (93,33%) haviam apresentado cárie na dentição decídua (p=0,06) (Figura 27, p.134).

GAVAZZI et al. (1995) e O’SULLIVAN & TINANOFF (1996), analisando o

incremento de cárie na dentição permanente através da avaliação do ceos e CPOS durante dois anos de estudo, encontraram uma correlação significante entre a prevalência de cárie na dentição decídua e o incremento de cárie nos dentes permanentes. GRINDEJFORD (1995), também demonstrou que a colonização precoce por estreptococos mutans em crianças, predispõem à doença na dentição permanente.

As MBA representam a dinâmica do processo carioso. A sua evolução mostra como os fatores ambientais estão agindo na doença. A inclusão da

Mancha Branca Inativa (MBI) no exame, de acordo com ARIAS et al. (1997),

demonstra o caráter de reversibilidade do processo carioso.

Como pode ser observado na Figura 24 (p. 131), dos 155 dentes apresentando MBA no exame inicial, 46,45% reverteram essa situação, inativando as manchas brancas. Esse processo pode ter ocorrido pela mudança de comportamento das mães e crianças em relação à higiene e dieta, complementado pela adição de flúor, através do dentifrício diário e aplicações semestrais de solução de flúor na forma de gel ou verniz. Algumas crianças

mostraram um desequilíbrio no processo Des-Re, e suas MBA evoluíram para cavidades ou continuaram ativas, com aspecto rugoso e opaco.

A higienização foi importante no processo de reversão da MBA para inativa. Essa afirmativa foi comprovada através do teste Qui-quadrado, onde a maior parte das crianças (94%),que apresentavam escores de biofilme visível 0, 1 ou 2, não apresentavam MBA (p=0,0003) (Figura 25, p. 132).

6.4.2 Biofilme visível

Os escores do Índice de biofilme de RIBEIRO, A. & THYLSTRUP,A. (1999), foram agrupados para melhor classificarmos a condição de higiene das crianças. As crianças que apresentavam escores 0 (sem biofilme visível), 1 ou 2 (biofilme fino, e facilmente removido da superfície do dente), foram classificadas dentro do índice satisfatório e as crianças que apresentavam escores 3, 4 ou 5 (biofilme espesso e firmemente aderido à superfície dentária), foram classificadas dentro do índice insatisfatório. Essa classificação foi proposta por RIBEIRO, A. (2000).

A Figura 20 (p. 125),mostra a evolução dos índices de biofilme, do exame inicial para o final. De um modo geral, pode-se observar que os índices 0 e 1 aumentaram, enquanto os demais índices diminuíram. A Tabela 15 (p. 121), mostra detalhadamente, a evolução dos escores de biofilme semestralmente, durante o PROGRAMA, enquanto o Quadro 3 (p. 122), mostra o que aconteceu com o mesmo grupo de indivíduos durante o PROGRAMA, ou

seja, como as crianças inicialmente classificadas dentro de um escore do índice de biofilme, se situaram após 24 meses.

Redução no índice de placa foi obtida por NAVARRO et al. (1996),

ALMEIDA et al. (2001) e ZANETTI et al. (2001) por um programa baseado na

escovação supervisionada e controle de placa. HELUY et al. (1997) também

obtiveram 81% de redução do índice médio de placa através de um programa educativo-preventivo em crianças de 0 a 6 anos de idade.

Uma outra análise, mostrando a evolução do índice de biofilme dentro das classificações de satisfatório e insatisfatório, foi realizada. A maioria das crianças (68,1%), permaneceu dentro do índice satisfatório; 19,0% saíram do índice insatisfatório para o satisfatório; apenas 5,2% pioraram a sua classificação, enquanto 7,7% continuaram com o índice insatisfatório (Figura 21, p. 126). O fato de as crianças continuarem dentro do índice satisfatório, ou passarem do índice insatisfatório para o satisfatório, foi considerado como êxito dentro do PROGRAMA. Esses resultados foram conseguidos pela motivação semestral que envolveu o PROGRAMA.

TURSI et al. (1998), também obtiveram resultados positivos na redução

dos índices de placa de estudantes de 6 a 10 anos de idade, utilizando a motivação.