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CAPÍTULO 4: CIRCUITO, INTERNET, TRANSFORMAÇÕES E CONFLITOS

4.4 Conflitos e Transformações

Meu primeiro contato com o La Luna se deu em 2017, alguns meses após o início de suas atividades, a partir disso venho acompanhando as atividades do bar por vezes sendo apenas parte do público e em outras buscando fazer observações no papel de público e observador.

Durante os dois anos de funcionamento do bar são perceptíveis as mudanças que ocorreram no cenário da Praça da Guerreira, essas vão da infraestrutura, quantidade e perfil do público, a eventos que aconteceram na praça. Consequentemente, o próprio La Luna vai se transformando e ganhando novos atributos e significados ao passo que também busca manter características, perspectivas e visões, como sua proposta de ser um bar voltado ao público “LGBTQI+”. Podemos ver o novo e o antigo dividindo o espaço, como jovens que se juntam para dividir uma cerveja.

Existe divergências sobre a instalação do bar quando se trata da vizinhança. Parte dos vizinhos encara sua chegada de forma positiva, elencando as bonanças que este proporciona, como no caso relatado acima sobre segurança. Outra parte parece se incomodar com a instalação do bar e o seu público, fazendo reclamações para administração e chegando a abrir denúncias junto à polícia, que resultou em processo judicial.

Durante uma das conversas que tive com Vanessa, enquanto ela me contava sobre o funcionamento do bar, mencionou algumas vezes sobre a dificuldade de gerenciamento e colocava o relacionamento com esta parte descontente como um dos grandes desafios. Trago um relato que exemplifica bem como se dá essa relação, as divergências e alguns processos de conflito:

A relação do bar com os vizinhos é assim, tem gente que ama e tem gente que odeia. A gente tem relação boa com muita gente, que vem pro bar, as vezes pede uma batata e pede pra ir deixar lá na casa, chega aqui da boa noite, conversa, faz tudo pra manter uma boa relação. Um exemplo é o pessoal que aproveita o movimento pra botar o comércio ou ficar na calçada conversando sem preocupação porque tem movimento, tem a segurança. Mas não vou mentir que desde o começo do bar tem gente que não gosta do bar, que reclama disso, reclama daquilo e a gente tenta conversar mas nem sempre consegue. Como tem agora o povo que ta processando o bar, mas não é só por causa da “zoada” não, tem gente que não gosta por causa do público, porque é um monte de LGBT, homem beijando homem, mulher com mulher, e isso incomoda, tu sabe, ne? (Vanessa, fevereiro de 2019)

Este relato junto a fala aberta que Vanessa fez no evento em alusão a visibilidade lésbica, citado anteriormente, trazem um panorama geral de como esse relacionamento se estabeleceu. Das situações de conflito, quero destacar duas em especial: O caso do karaokê, e o processo judicial.

Como já mencionado acima, nas quartas-feiras o La Luna costumava realizar a noite do karaokê que atraia um grande público para o bar. Diferente de uma estrutura convencional para esse tipo de atividade, que conta com algum instrumento de projeção de imagem, como uma televisão, para exibir as letras das músicas, junto a um aparelho de som para reproduzir o com escolhido, a estrutura do La Luna se resumia a uma caixa amplificadora e alguém

acompanhando no violão. Por vezes a praça estava lotada e chegava a formar fila para cantar no karaôke.

Escutei vários estilos musicais sendo cantado, porém a maior frequência era MPB, que casa bem com o violão. O karaokê funcionava por um período de uma a duas horas, iniciando após as 20:00 quando já tinha um bom número de público na praça que por vezes faziam coro quando músicas mais populares eram cantadas. O riso também aparecia enquanto reação durante apresentações muito desafinadas ou que de alguma forma eram vistas como divertidas.

O bar começou a receber reclamações dos vizinhos que alegavam estar sendo incomodados pelo barulho causado pelas cantorias durante a noite. Comparado com a música que normalmente está presente no ambiente, o karaokê tinha mais potência e conseguia ter um alcance bem maior, o que pode ser uma das causas do incômodo da vizinhança, como Vanessa comenta quando perguntei sobre o caso do karaokê:

O problema era que as pessoa não tinham noção da voz no microfone, até porque ninguém é profissional né! Então eles gritavam no microfone e isso acabava incomodando os vizinhos. O barulho chegava até muito longe, aí era um pertubação, coitados(vizinhos). Foi uma coisa que incomodava muito porque não tinha nada além disso pra fazer barulho mas as pessoas gritando no microfone era foda.(Novembro de 2018)

No caso do karaokê, o estabelecimento aparenta se compadecer da situação dos vizinhos reconhecendo que o barulho era realmente alto e que os “gritos” de quem estava cantando incomodavam por sua capacidade de propagação.

Após as reclamações, a administração resolveu encerrar as noites de karaokê que duraram cerca de um ano, sendo finalizadas em fevereiro de 2018. O bar divulgou a decisão através de suas redes sociais, explicando os motivos:

Figura 5 - Aviso de encerramento do karaokê

Fonte: Twitter

O segundo caso é referente a reclamações e conflitos no ano de 2018 que culminou em abertura de processo judicial e em uma audiência de conciliação em outubro do mesmo ano. A denúncia foi elaborada por um grupo de moradores da redondeza da praça, movido contra a administração do La Luna.

Este grupo buscou se articular a fim de fortalecer a possibilidade de ter suas demandas atendidas. Durante o processo de denúncia, foi elaborado um abaixo assinado, que contou com cerca de 25 assinaturas dos moradores de diferentes casas do entorno da praça, tendo como objetivo restringir o funcionamento do La Luna.

De acordo com Vanessa, as reclamações que motivaram tal ação estão o barulho causado pelo bar, incluindo a música, o estacionamento indevido de carros nos arredores da praça e eventualmente em frente às garagens das casas, a conservação e sujeira da praça, os clientes que frequentemente usavam o espaço do estacionamento e paredes das casas para urinar, e suspeita de comercialização de drogas na praça.

Na audiência as duas partes entraram em acordo que deveria ser cumprido pelo La Luna e consequentemente pelo público que frequenta o bar. A administração fez postagem em suas redes sociais visando o maior alcance e conscientização do público, segue as orientações que estão na publicação44:

Figura 6 - Aviso das decisões da audiência

Fonte: Twitter

Após a decisão judicial o bar começou a implementar o que foi acordado a fim de se fazer cumprir o compromisso e evitar possíveis agravamentos ou novos conflitos com a vizinhança.

Mudanças diretas aconteceram no cenário da praça, como o acréscimo de dois banheiros químicos durante boa parte dos dias de funcionamento do bar. Alguns dias os banheiros são retirados para limpeza ou não são necessários por um número menor de público na praça. Essa medida foi tomada para evitar que o público vá urinar em locais proibidos, como a rua ou as paredes, amenizando a problemática fila que se formava em dias de grande público na praça e que, na fala do público, era o motivo de ir procurar lugares alternativos para aliviar suas necessidades fisiológicas. A equipe de segurança desempenha papel fundamental para o cumprimento desse acordo, orientando e repreendendo os desavisados e/ou os que insistem em urinar fora dos banheiros.

Também foram adicionadas mais mesas e cadeiras, este ponto sempre surge como demanda do público que através das redes sociais fazem comentários criticando a falta desses itens e solicitam ao bar mais estrutura nesse sentido. O número de mesas e cadeiras aumentou consideravelmente, porém ainda encontramos reclamações nesse sentido. Podemos supor que tais falas vêm daqueles que ainda não estão familiarizados com a dinâmica do bar.

Antes e após a chegada das novas mesas, aqueles que já frequentam o bar a mais tempo costumam chegar um pouco mais cedo para garantir os lugares para sentar e mesas, essa é uma das estratégias adotadas pelo público para não ficar em pé. Outra estratégia é sair pelas mesas perguntando se alguma cadeira ou mesa está disponível, o que acontece com frequência quando a praça está cheia.

Outra mudança é que, após o acordo, os carros dificilmente ficam estacionados ao redor praça como costumavam ficar. Boa parte do público chega no bar de carro e costumava lotar primeiro as laterais da praça e depois o estacionamento, agora as laterais ficam livres e só os comércios, um trailer e uma van, ficam parados ao redor da praça. Eventualmente alguém desavisado estaciona nas laterais e a equipe de segurança informa sobre o estacionamento ao lado da praça.

Uma mudança que não é visual, mas sim auditiva também é perceptível. Quando faltam poucos minutos para meia noite e meia (00:30), a equipe de segurança passa nas mesas que tiverem com caixinhas de som levadas por elas, informa sobre a restrição e solicita o seu desligamento. O som do bar também se encerra nesse tempo. Após esse horário, o barulho diminui, mas não cessa completamente, as conversas nas mesas e grupos emanam da praça, e junto com o som dos carros que passam pela BR-101, conformam o som ambiente até o encerramento das atividades e o último grupo de amigos se retirarem.

Com o fim da música, pode-se observar uma diminuição nas movimentações que acontecem na praça. Alguns corpos que se agitavam e dançavam espalhados pelo bar parecem perder força sem a música que sem dúvidas excita os movimentos do corpo. O encerramento da música também sinaliza o fim da noite para alguns grupos que ficam “morgados”45 e vão

embora.

Todas essas mudanças são articuladas com uma última que é a contratação da equipe de segurança. O La Luna já contava com segurança privada em menor proporção e à paisana, apenas nos dias de grande movimento que se via dois seguranças que faziam rondas na praça. Com o aumento do público e das demandas, o bar passou a contratar uma equipe maior, quatro ou cinco, que ficam espalhados pela praça com o intuito de cobrir toda sua extensão, bem como o estacionamento e os arredores.

A administração do bar teve que se atentar a uma série de condições antes da contratação, como o público e suas práticas:

Com a segurança foi assim, a gente precisava contratar porque o bar já não tava dando conta do público que cresceu muito. Daí o que a gente fez foi procurar com cuidado uma empresa que já trabalhasse com o público LGBT porque é o nosso 45Gíria local que sinaliza falta de ânimo.

público. Tinha que saber lidar com essa galera, saber falar, não ser preconceituoso e tudo isso, sabe. Outra questão era sobre o uso de droga, todo mundo sabe que a galera vem pra “fumar um46” então tem que saber como tratar desses assuntos que a

gente mesmo conversou direitinho, sempre ta eu ou Shirley pra resolver qualquer problema maior que apareça.(Vanessa, novembro de 2018)

A equipe de segurança, e os/as atendentes, são muitas vezes o diálogo do bar com o público e são instruídos de acordo com a proposta que o La Luna segue. A presença da segurança modificou o cenário da praça, mas aparentemente não afetou no que já se fazia por lá, com exceção das proibições que já foram elencadas acima. As preocupações que o bar traz reforça a ideia de como ele está preparado, ou procura estar, de acordo com a característica do público alvo reforçando seu lugar no circuito de comércio segmentado em Natal.

A última transformação que quero tratar é a do próprio público do La Luna. Houve o processo de popularização do bar, o aumento e a diversificação deste são facilmente percebidos. A divulgação do bar foi feita através de redes sociais e principalmente no boca-a- boca, com amigos divulgando para outros amigos, e assim o bar foi ganhando visibilidade dentro da cidade.

A proposta do bar refletia diretamente no seu público inicial, que era formado basicamente por pessoas LGBTs. Junto a proposta, o preço da cerveja, nos primeiros meses a marca mais barata custava 4 reais, e o karaokê foram os grandes meios de propaganda do bar. A possibilidade do uso da maconha também se encaixa como uma dessas característica de popularização.

Outro fator que acredito ter impulsionado esse processo de popularização é o fato do bar, e sua proposta, se diferenciar de outros estabelecimentos em Natal, principalmente sobre o acolhimento ao público. Por exemplo, entre 2017 e 2018 alguns locais foram palco de ações preconceituosas e discriminatórias, como um caso de racismo contra uma mulher negra no Churrasquinho do Pedrão, e o caso de agressão a mulher e transfobia envolvendo o Casanova Ecobar. Esses casos, e a ausência de explicações e medidas por parte da administração desses estabelecimentos, fizeram com que parte do público que não compactuam com tais ações migrassem para o La Luna.

No final do processo de observação em campo já se notava a diversificação do público, como falado acima. A mudança também é percebida pela administração do bar e os/as atendentes, como no trecho seguinte:

O público do bar mudou sim, não que a gente tenha mudado a proposta porque o bar continua sendo LGBT, mas a gente não vai se fechar pra alguem por ser hetero, não vai negar vender cerveja nem nada disso. Mas também se ta vindo pra ca tem que saber chegar, porque precisa saber respeitar, todo mundo se tratar nem, ai não 46 Expressão que significa fumar um baseado/cigarro de maconha.

tem problema. Hoje o público do bar chega a ser meio a meio, já não é um público quase 100% LGBT como era no começo. Agora eu acredito que o público é um público alternativo, que chega e gosta do espaço da praça, vem beber uma cerveja, fumar um e ficar tranquilo. (Blanca, novembro de 2018)

Para o La Luna, a presença do público “hetero” parece não ser problema desde que esses compreendam a proposta do bar e não adotem posturas que vão de encontro a esta. Assim, mesmo seu público compartilhando certas características, como a ideia de respeito a diversidade, pensamento progressista, um estilo de vida baseado em uma vivência enquanto universitários, jovens e que de alguma forma se enquadram na classificação de “classe média”, está longe de ser homogêneo e é a partir dessa heterogeneidade dos grupos que estão na praça que o cenário do La Luna é construído a cada noite de seu funcionamento.

Neste capitulo busquei apresentar o La Luna para além do seu espaço físico, buscando suas conexões pela cidade através do circuito de lazer LGBT em Natal, impressões sobre ele na internet, os conflitos que o envolvem e suas transformações o que lhe garante um aspecto mutável, que é capaz de se modificar e expandir para além de suas limitações geográficas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Chegado o momento de finalizar este trabalho o encaro como uma grande caminha pela cidade, que mesmo sendo cansativa pode nos proporcionar uma infinidade de experiências e experimentação ao longo de seu percurso. Ao iniciar, precisamos estar preparados e munidos para encarar aquilo que poderá aparecer pelo caminho, com a certeza de que ao finalizar o trajeto não seremos os mesmo de antes.

Como foi visto, a cidade pode ser encarada como um grande imã que atrai as pessoas durante seu processo de crescimento. Junto à expansão do urbanismo, o modo de produção

capitalista e as estruturas sociais se manifestam no espaço urbano gerando a segregação social espacial. Assim a cidade se constrói de forma desigual, proporcionando diferentes possibilidades de vivências e experimentações de seus equipamentos e serviços, oportunizando para alguns grupos e negando para outros.

Nesse cenário de dissemelhanças, os espaços públicos que em teoria seriam universais, de uso comum, são acessados por alguns segmentos, que transitam e tem a capacidade de uso e apropriação garantida. Porém, enquanto possibilidade de moldar o espaço urbano e garantido apenas para privilegiados, os ditos despossuídos criam formas de resistir e ocupar, construindo suas próprias oportunidades de delinear as cidades. Assim, a cidade encontra-se em disputa, e o espaço público se mostra como um palco de observação da sociedade que nele está inserida, sendo capaz de contar as histórias que acontecem nele e com ele.

Este seria o lugar do encontro entre os diferentes, mas a diferenciação afeta diretamente o transito dos sujeitos pelos diversos caminhos, onde os marcadores sociais influenciam diretamente esses fluxos. Assim a população LGBT sofre com a falta de acesso e possibilidade de uso e apropriação de lugares, causado principalmente pela LGBTfobia. Vivenciar a cidade para este segmento está ligado a um duplo sentido de segurança, proteção da violência urbana geral e contra ações LGBTfobicas. Outra problemática seria o acesso aos locais de sociabilidade que se dão majoritariamente na forma de estabelecimentos privados, o que limita em alguns aspectos a experiência enquanto LGBT.

É neste contexto que o La Luna se apresenta enquanto uma experimentação interessante na cidade de Natal, por estar localizado em uma praça pública, fazer o uso desta como seu espaço, e ter como público alvo a população “LGBTQI+” local. As noites de funcionamento do bar transformam a Praça da Guerreira através dos jovens que se reúnem em grupos de amigos para beber cervejas, conversar e curtir a noite.

Com uma clientela majoritariamente jovem, branca, das classes médias e LGBT, que compartilham um certo estilo de vida, o bar pode ser encarado enquanto um “pedaço” para esse segmento. Isso significa que os frequentadores, em certa medida, compartilham uma série de símbolos, pensamentos, costumes entre eles, e que estabelecem alguma relação com o La Luna e não apenas nele.

Longe de um todo homogêneo, alguns grupos compartilham o espaço, como a grupo da cultura black/hip-hop, os hipters, e até mesmo os “heteros”, consumindo não apenas o lugar como também sua proposta de ser inclusive, e de respeito a diversidade. O consumo é um os aspectos presentes em todas as mesas, que bebem cervejas, fumam cigarros e maconha

de forma naturalizada. Estes aspectos fazendo o La Luna enquanto construindo uma “região moral” onde uma moralidade não hegemônica impera.

O La Luna se conectar a outros lugares da cidade, através do seu público, integrando um “circuito de lazer/sociabilidade LGBT em Natal”, conseguindo se expandir para além de seus limites físicos, traçando novos desenhos da cidade a partir desses trajetos.

Enquanto espaço, o bar passou e passa por transformações que vão da sua infraestrutura, equipe de funcionários, eventos, à quantidade e diversidade de público, e comportamentos. Muitas destas transformações são frutos do processo de popularização e também de conflitos que o envolvem. O que não se pode negar é que o aspecto mutável está presente em suas noites de funcionamento e que o cenário da praça da Guerreira está aberto a possibilidades.

Acredito que o La Luna é uma das poucas experiências de sociabilidade do segmento LGBT em um espaço público na cidade de Natal. Isto pode revelar um contexto de negação, ou falta de incentivo ao uso e apropriação desses locais, principalmente para os/as jovens LGBTs que sofrem diariamente com casos de LGBTfobia. Este, é um território de resistência na disputa pela cidade e possibilidade de vivencia-la. Ao mesmo tempo que serve como porto seguro para ter acesso a lazer sem se preocupar com segurança serve como inspiração para que novos lugares possam ser ocupados.

Estas foram as motivações que me levaram ao bar, por ser jovem e bissexual e sentir que em poucos ambientes posso ser quem sou, estar com minhas amizades, e expressar minha sexualidade. Pensar o direito à cidade é compreender as desigualdades que atravessam o espaço urbano e refletir sobre como isso incide na vida dos/das sujeitos/as. Da mesma maneira, as políticas públicas e seus formadores precisam de um olhar atento aos segmentos que historicamente foram marginalizados e tiveram seus status enquanto cidadãos negados, como é o caso dos LGBTs.

Durante o processo de escrita pude perceber que também me transformei, a responsabilidade e o compromisso político e cientifico me ajudaram a estabelecer o “estranhamento” necessário para as observações. As leituras e discussões ampliaram horizontes de pensamentos e as idas em campo fizeram notar que aquelas noites no bar se festejava entre outras coisas a possibilidade de existir e resistir.

Pelas limitações deste trabalho de monografia algumas questões se apresentaram, mas não puderam ser aprofundadas. A relação do bar e vizinhança, o aprofundamento sobre o perfil do público, a inserção do circuito, os contrastes entre o funcionamento e o não

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