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2.2 QUALIDADE DO AMBIENTE ESCOLAR

2.2.2 Conforto acústico

Segundo Hirashima e Assis (2017), o conforto acústico depende do nível sonoro, mas também de variáveis subjetivas que estão relacionadas aos aspectos psicológicos e fisiológicos. Conforto acústico está relacionado ao fato de ouvir sem interferência que causem estresses, ou distorções das atividades desempenhadas (OCHOA, 2010).

Para Eniz e Garavelli (2006), os ruídos estão presentes no cotidiano no ambiente de trabalho e escolas, podendo trazer prejuízos as relações sociais, à comunicação, ao rendimento escolar e saúde.

Ochoa (2010), destaca que o ruído pode ser perturbador ou prejudicial, dependendo do tempo de exposição e distância da fonte.

No mesmo entendimento, Ribeiro e Câmara (2006) ressaltam que o tempo de exposição do ruído pode ocasionar efeitos à saúde como estresse, irritabilidade, hipertensão arterial e estar associada a outras situações de riscos. Neste sentido no Brasil existe a Norma Regulamentadora (NR 9) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), na qual classifica os agentes de risco ocupacionais em grupos: em relação a natureza, danos que pode causar a saúde do trabalhador, intensidade e tempo de exposição.

Segundo Losso (2003), a perda da audição pode ocorrer em função de longa exposição a alto níveis de ruídos, ou ainda, pelo envelhecimento dos indivíduos que podem perder progressivamente a capacidade auditiva ao longo da vida.

Os edifícios brasileiros não oferecem conforto acústico aos seus usuários, uma vez que estudos sobre avaliação pós-ocupação, comumente retratam a insatisfação dos usuários quanto a perturbações sonoras. As edificações escolares também estão inseridas nesse contexto, onde a preocupação com os aspectos acústicos é praticamente nula (OCHOA, 2010).

No Brasil, a NBR 10152 atribui os intervalos adequados de ruído para ambientes de acordo com a finalidade características do recinto conforme Quadro 3.

LOCAIS Nível de ruído ambiente dB (A) HOSPITAIS

Apartamentos, enfermarias, berçários e centro cirúrgicos 35 – 45 Laboratórios, área para uso do público 40 – 50

Serviços 45 – 55

ESCOLAS

Bibliotecas, salas de música, salas de desenho 35 – 45

Salas de aula, laboratórios 40 – 50

Circulação 45 – 55

HOTÉIS

Apartamentos 35 – 45

Restaurantes, salas de estar 40 – 50

Portaria, recepção, circulação 45 – 55

RESIDÊNCIAS

Dormitórios 35 – 45

Salas de estar 40 – 50

AUDITÓRIOS

Salas de concertos, teatros 30 – 40

Salas de conferências, cinemas, salas de uso múltiplo 35 – 45

RESTAURANTES 40 – 50

ESCRITÓRIOS

Salas de reunião 30 – 40

Salas de gerência, salas de projeto e de administração 35 – 45

Salas de computadores 45 – 65

Salas de mecanografia 50 – 60

IGREJAS E TEMPLOS MEDITATIVOS 40 – 50

LOCAIS PARA ESPORTE, PAVILHÕES FECHADOS PARA ESPETÁCULOS E ATIVIDADES ESPORTIVAS

45 – 60 Quadro 3 - Níveis aceitáveis de ruído ambientes de acordo com o uso

2.2.2.1 Conforto acústico no ambiente escolar

Em ambientes escolares, os altos níveis de ruído de fundo podem interferir na comunicação, podendo ser um agravante para o aprendizado. São várias as fontes de ruídos, tanto internas, quanto externas, que podem contribuir no desconforto acústico dos ambientes, segundo Losso (2003), os ruídos externos podem ser produzidos pelo tráfego de veículos que circulam em vias próximas da edificação, além de que outros fatores podem potencializar o ruído como volume de veículos, o tipo de pavimento da via e a velocidade, além de ruídos produzidos por indústrias, feiras e obras.

No caso de fontes internas, estas podem ser produzidas pelas áreas de circulação, atividades esportivas, espaços recreativos, ambientes como refeitórios e locais em que são manipuladas a alimentação e que não possuem um bom isolamento acústico em razão do material cerâmico de revestimento das paredes, pois esses têm propriedades que contribuem para os altos índices de reverberação acústica (SCHIMD; THIBAULT, 2001).

O tempo de reverberação influencia na qualidade acústica do ambiente. É definido como o intervalo de tempo, em segundos, que o nível de pressão sonora leva para decair 60 decibéis (dB) a partir da interrupção da fonte em um ambiente fechado (KUTTRUFF, 1979).

Segundo Bistafa (2005), o tempo de reverberação é o único índice objetivo de qualidade sonora e pode ser calculado a partir de dados construtivos da sala.

O tempo de reverberação varia em função do volume do recinto e as características dos materiais empregados. No mesmo entendimento, Silva (2005) comenta que a medida que se aumenta o volume dos recintos, são incrementados os tempos de reverberação.

Segundo ANSI 1 S12.60/2010, os valores do tempo de reverberação para salas de aula devem permanecer entre 0,4 e 0,6 segundos, conforme Quadro 4.

Tipo de ambiente Tempo adequado de reverberação em segundos

Salas de aula De 0,4 a 0,6

Salas para ensaios musicais De 0,6 a 1,1

Lanchonetes De 0,8 a 1,2

Auditórios De 1,0 a 1,5

Ginásios De 1,2 a 1,6

Quadro 4 - Tempo de reverberação em segundo por ambiente Fonte: Adaptado de SEEP , 2000 apud FRANÇA, 2011.

Por meio de estudos analíticos, o tempo de reverberação foi relacionado com o volume e características de absorção do ambiente, Sabine (1896) estabeleceu condições acústicas satisfatórias e desenvolveu uma equação matemática para o cálculo do tempo de reverberação, conforme Equação 2.

= 0,161 = 0,161 (Eq. 2)

Em que,

= tempo de reverberação (s); = volume do recinto (m³);

= superfície dos materiais (m²); = coeficiente de absorção materiais;

Segundo a NBR 12.179, a fórmula de Sabine deve ser empregada quando o coeficiente de absorção médio for menor ou igual a 0,30 (ABNT, 1992a).

Para ambientes com superfícies altamente absorventes Eyring (1930) apresentou a fórmula alterada para corrigir a fórmula de Sabine, conforme Equação 3 (SILVA, 2005).

=

, !," #$%( &) (Eq. 3) Em que, = tempo de reverberação (s); = volume do recinto (m³);

= área total das superfícies interiores do recinto (m²);

'= coeficiente médio de absorção;

Segundo a NBR 12.179, a fórmula de Eyring deve ser utilizada quando o coeficiente médio de absorção for maior que 0,3 (ABNT, 1992a).

Coeficiente absorção sonora α 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz

Parede de tijolos rebocada caiada 0,018 0,02 0,03 0,03 0,03 0,03 Placas de gesso (parede ou teto) 0,25 0,15 0,08 0,06 0,04 0,04 Laje nervurada 0,01 0,01 0,015 0,015 0,02 0,02 Laje de concreto aparente 0,29 0,39 0,43 0,52 0,60 0,70 Forro em fibra lenhos, espessura

20mm

0,25 0,30 0,30 0,40 0,55 0,60 Janela simples fechada 0,04 0,04 0,03 0,02 0,02 0,02 Porta madeira pintada 0,20 0,15 0,10 0,10 0,09 0,11

Piso vinílico 0,02 0,03 0,04 0,05 0,05 0,10

Piso parquet madeira 0,04 0,04 0,06 0,12 0,10 0,15 Tablado emborrachado 0,02 0,03 0,04 0,05 0,05 0,10 Tablado madeira 0,09 0,08 0,08 0,09 0,10 0,10 Quadro negro de madeira, espessura

3 mm 0,28 0,20 0,10 0,10 0,08 0,08 Cortina PVC 0,06 0,06 0,17 0,17 0,03 0,03 Cortina jeans 0,06 0,08 0,10 0,10 0,10 0,10 Carteira de fórmica 0,01 0,01 0,02 0,02 0,03 0,03 Carteira de madeira 0,02 0,05 0,05 0,05 0,04 0,03 Cadeiras de fórmica 0,01 0,01 0,02 0,02 0,02 0,02 Cadeiras de madeira 0,02 0,05 0,05 0,05 0,04 0,03 Cadeira estofada 0,41 0,50 0,56 0,58 0,54 0,46 Quadro 5 - Coeficiente de absorção

Fonte: Zannin; Ferreira; Sant´ Ana (2009).

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