4. INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
4.5 CONCEPÇÕES ACERCA DO FUNCIONAMENTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
4.5.1 Conhecimento das usuárias acerca do funcionamento do SUS
No quadro 21 são apresentadas algumas concepções que as usuárias têm acerca do funcionamento do Sistema Único de Saúde.
(Continua)
Categoria Subcategoria Fala das entrevistadas Oc.
Entendimento acerca dos serviços do SUS Concepção da saúde local
“A saúde é zero a nossa, é zero guria! Agora que ta tendo remédio de pressão no posto, mas teve uma época que a gente não conseguia remédio! Eu comprei foi muito tempo remédio.” (Diamante)
1
Hierarquização dos serviços
“[...]o hospital é uma coisa e o posto era pra ser outra, só que hoje ta assim tudo misturado.” (Safira)
1 Falta de clareza
sobre a área de cobertura das ACS
“Antes não tinha nada, antes não tinha... e nos outros lugares tinha, a gente achava assim “como que aqui não tem né?” e agora é tão bom” (Esmeralda p.2)
1 2
Função preventiva da UBS
“Eu acho que o que ta precisando assim no posto de saúde, é porque eles usam o posto mais como uma emergência e o posto de saúde era pra ser usado pra cuidar da família, como prevenção. Isso não tá sendo feito. Os médicos chegam ali daí eles vão cuidar dos casos mais emergentes, então acho que era mais assim sabe...” (Safira)
1 1
Regionalização do SUS
“Eu acho que tinha que ser a prefeitura, com o posto de saúde e com a população, entende. Daí acho que ia resolver [...]Assim como tem o presidente da República né, que tem o governo né.. como se fosse uma escadinha né, o governo.. daí o presidente da República, o governo, aí as prefeituras, aí deveria ser assim, as prefeituras, daí o posto sabe, um interligado com o outro, um ajudando o outro, assim, mutuamente. Só que não acontece isso.” (Safira)
(Conclusão) Dúvidas sobre o
cargo ACS
“eu não sei se... porque ela trabalha também pro posto de saúde né? Sim, ela também faz parte da equipe... também faz parte né (Safira)
1
Esclarecer os papéis dos usuários e dos profissionais
“Eu acho que o que poderia ajudar é tipo ter uma organização onde elas pudessem participar e a população participar pra tanto a população entender o papel delas, como elas entender o nosso sabe... Por que assim, a gente ia entender a... porque a maioria das pessoas não sabem como elas são limitadas sabe.. e daí a gente ia entender essa limitação delas em relação a isso, não ia achar que elas.. assim, xingar” (Safira)
1 1
Desconhecimento acerca da ESF
“Aqui eu não consegui porque não tem pediatra, a única coisa que eu acho, que eu sinto falta aqui é um
pediatra pras crianças.” (Ametista) 3
Quadro 21- Conhecimento das usuárias acerca do funcionamento do SUS Fonte: Elaboração da autora, 2011
Ao observar o quadro 21, é possível perceber que as concepções acerca do funcionamento do SUS que mais apareceram na fala das usuárias, com duas menções cada uma, foram: “Hierarquização dos Serviços”, “Falta de clareza sobre a área de cobertura das ACS”, “Regionalização do SUS” e ainda, “Desconhecimento acerca da ESF”.
Ao pensar sobre a fala de Safira: “[...] o hospital é uma coisa e o posto era pra
ser outra, só que hoje tá assim tudo misturado”, pode-se perceber que a compreensão da
usuária não está atrelada ao conceito em si, de Hierarquização dos serviços do SUS, mas sim ao que ela tem percebido na sua vivência enquanto usuária do sistema. É possível que a usuária nem saiba que exista uma hierarquização dos serviços dentro do sistema em vigor e que o funcionamento desta é preconizado pelo MS, mas ela, na sua experiência, tem percebido a necessidade de que esta diretriz do SUS seja colocada em prática. As ações em saúde necessitam estar articuladas entre si, desde o nível primário até os níveis de média e alta complexidade. Sendo assim, as questões que apresentam possibilidade de mais fácil resolução são atendidas junto à comunidade, pois não exigem procedimentos muito especializados. Os problemas de maior complexidade devem, então, ser encaminhados para tratamento em hospitais ou centros especializados. (KUJAWA; BOTH; BRUSTCHER, 2003).
O não cumprimento da Hierarquização dos serviços, traz conseqüências para os usuários, como é expresso também na fala de Safira:“É difícil retornar, é difícil as coisas, até porque se chega alguém com emergência lá, eles vão botando aquelas pessoas e... de uma certa forma eu acho que elas tão certa porque né, emergência em primeiro lugar assim, só
porque isso ta acontecendo nos postos de saúde e nos hospitais e daí a saúde fica sem prevenção. A saúde não é preventiva, entende?”
Uma vez que uma equipe da ESF trabalha efetivamente em prol de resolução de problemas graves, ou seja, apenas numa lógica curativa, a sua dimensão preventiva fica comprometida, como é percebido na fala da usuária. Este aspecto está relacionado à categoria “Função preventiva da UBS”, também apresentada no quadro 21. A Atenção Básica, que possui a Saúde da Família como estratégia de organização, é caracterizada por um conjunto de ações individuais e coletivas, que englobam “a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde.” (BRASIL, 2006 p.11)
Parece que enquanto os dispositivos de saúde não atuarem conforme a complexidade estabelecida haverá defasagens ou ainda, sobrecarga aos serviços de atendimento. Pois, do mesmo modo como problemas emergenciais chegam às UBS, também problemas menos complexos são encaminhados aos hospitais. Além da conscientização dos profissionais em saúde para resolver esta questão, é preciso também medidas de educação aos usuários. Besen e outros (2007) apontam que a educação em saúde deve ser utilizada para também abordar questões que vão além das doenças ou do biológico. Os autores ressaltam que a educação em saúde estimula o desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e comportamentos que beneficiam o cuidado em saúde.
Outra questão, também identificada nas falas das usuárias diz respeito à “Regionalização do SUS”. As entrevistadas demonstraram entender a responsabilidade do município, expresso pela figura do prefeito, em gerenciar o funcionamento do SUS. Kujawa, Both e Brutsher (2003) explicam que é previsto no SUS que as ações em saúde sejam organizadas a partir de regiões delimitadas, numa rede que venha a garantir acesso fácil e qualificado aos usuários. O Decreto 7. 508/2011 traz maior autonomia e responsabilidade aos municípios para desenvolver ações em saúde, na tentativa de que estas venham a ser cada vez mais condizentes com as características da população em questão.
O “Desconhecimento acerca da ESF” também foi percebido na fala das usuárias, sobretudo sobre o funcionamento da Atenção Básica do município em que moram. Percebe-se uma falta de compreensão sobre os serviços oferecidos na unidade, assim como sobre o que necessita ser encaminhado para a unidade central. As usuárias parecem não entender a falta de médicos especialistas na unidade e o motivo pelo qual são encaminhadas para outro local, quando necessitam de serviços específicos. Trad e outros (2002) apontam que a equipe mínima de profissionais de saúde nas USF não consegue suprir as necessidades dos usuários
por médicos especialistas, como pediatra e ginecologista. Os autores afirmam que este aspecto gera queixas por parte das famílias que reinvidicam médicos que atendam as necessidades das mulheres e ainda, pediatras para prestar atendimento às crianças.
É proposto pelo Ministério da Saúde que o trabalho da equipe da Estratégia Saúde da Família venha promover o empoderamento da comunidade mediante discussões sobre a proposta da ESF e SUS e como devem ser organizados á luz da legislação (BESEN et al., 2007). Pode-se pensar que o esclarecimento da comunidade acerca do funcionamento da Atenção Básica e da maneira como os serviços são organizados pode amenizar os conflitos dos usuários em relação a disponibilidade dos serviços, assim como, fazer com que se tornem mais cooperativos e fortalecidos como atores sociais, co-responsáveis pela funcionalidade das ações propostas. Certamente este ideal será efetivado quando de fato existir medidas de educação em saúde que objetive produzir conhecimento aos usuários acerca do funcionamento do sistema. Enquanto não houver disposição dos profissionais para transmitir informações e ainda, faltar interesse dos usuários em adquirir tal conhecimento, dificilmente a realidade será transformada.
Ficou evidente também a “Falta de clareza acerca da área de cobertura das ACS”, citado por duas usuárias. Todos os ACS são responsáveis por uma área delimitada. As vezes ocorre de uma rua ser atendida por ACS e outra, do lado, não. Isto acontece pelo limite imposto nas áreas. As entrevistadas demonstraram não conhecer esta informação. É possível pensar que esta falta de clareza pode interferir na relação dos usuários não atendidos pelas ACS com os serviços de saúde e com os membros da equipe. Uma vez que não entender esta dinâmica de funcionamento poderia acarretar em um sentimento de não pertencimento à comunidade ou de exclusão, por parte da equipe, em prestar-lhes cuidados mais próximos, como receber visitas das ACS. O fato de ter acompanhamento das ACS é considerado “privilégio” por uma entrevistada, como mostra a fala de Diamante: “Eu ainda era
privilegiada, mas eles aí, ninguém tinha..”, referindo-se à visita das ACS. A partir desta fala
pode-se refletir: diante da falta de entendimento acerca da cobertura das Agentes Comunitárias de Saúde, como se sentem as pessoas moradoras das ruas que não são “contempladas” com este serviço? Se o acompanhamento das ACS é compreendido como privilégio, perguntas acerca dos critérios utilizados para beneficiar uns e não outros podem estar presentes na forma de pensar este fato, para aqueles que não obtêm o serviço. Foi percebida também, a necessidade de clareza acerca dos papéis a serem desenvolvidos pela equipe Saúde da Família e dos usuários.
A ESF precisa funcionar como objeto de educação em saúde. A população necessita ter acesso a informações que interferem sobre sua saúde, assim como, na construção da cidadania e busca pela autonomia. Deste modo, é fundamental que os profissionais não somente repitam saberes já instalados, mas que venham a desenvolver novas informações sob a lógica da construção de conhecimentos e de qualidade de vida aos usuários, através de novas práticas (BESEN et al., 2007). As entrevistadas demonstraram entender muito pouco acerca da Estratégia Saúde da Família, o que pode prejudicar o estabelecimento de relações com os serviços e com a equipe.
Pensar sobre esta falta de conhecimento das entrevistadas acerca do funcionamento da Atenção Básica e dos serviços desempenhados remete as bases fundamentais do SUS. O Sistema Único de Saúde, conforme a Lei 8.142 preconiza a participação da comunidade na gestão dos serviços e no controle das ações, ou seja, requer um papel ativo dos usuários. Cabe refletir, diante dos dados apresentados pelas entrevistadas, como será estimulada a participação dos usuários no funcionamento do SUS se estes parecem não conhecer a dinâmica da própria unidade de saúde em que estão cadastrados? Para que sejam levantadas pessoas com interesse em participar ativamente da construção do sistema, parece relevante instigá-los a partir da transmissão de conhecimento acerca do funcionamento deste. Parece ainda, que a Estratégia Saúde da Família, inserida nas comunidades, possui um lugar privilegiado para desenvolver esta função, de despertar usuários para uma aproximação do sistema. Destaca-se a importância das equipes de ESF na educação em saúde, não apenas de caráter biológico das pessoas, mas também na estimulação de cidadania.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Vale ressaltar a trajetória, as experiências, os resultados e as contribuições produzidos pela busca em caracterizar a percepção de usuários de Unidades Básicas de Saúde acerca do vínculo estabelecido com a equipe da Estratégia Saúde da Família, no processo de cuidado em saúde. Para o alcance de tal objetivo procurou-se estabelecer contato direto com os usuários a fim de extrair fielmente informações que pudessem indicar a maneira como os usuários têm vivenciado e percebido a construção de vínculo com a equipe de saúde da ESF.
A coleta de dados deu-se em domicilio das usuárias entrevistadas. A partir do acompanhamento das ACS, durante as visitas aos usuários, percebeu-se a diferenciada interação dos usuários com estes profissionais. Pode-se dizer que a maior aproximação das usuárias com as agentes advêm do contato cotidiano, que envolve visitas diárias, preocupação com o bem estar, acesso facilitado aos serviços e também, por fazerem parte da comunidade. As usuárias entrevistadas demonstraram estabelecer uma relação de amizade com as ACS, compartilhando, inclusive, questões que ultrapassam a temática da saúde. Foi possível identificar uma relação de vínculo entre as Agentes Comunitárias de Saúde e as usuárias entrevistadas.
Os dados evidenciaram a natureza do contato que as usuárias têm com os demais membros da equipe. Constata-se que as usuárias estão envolvidas em serviços com baixa probabilidade de construção de uma relação aproximada com a equipe de saúde, em função do tempo em que comumente são realizados. Os serviços mais utilizados pelas usuárias são as consultas clínicas, a retirada de medicamentos e a realização de exames. Porém, observou-se na literatura que, estes serviços oferecem condições de uma interação com os profissionais, como pelo menos uma conversa. Esta ação, se mediada pela tecnologia leve, apresenta possibilidades de interações que podem conduzir a uma aproximação entre profissional e usuário (MERHY, 1998). Uma modalidade de serviço que apareceu na fala das usuárias, não com muita freqüência, foi a de grupos (hipertensos e de exercícios físicos). Apenas uma usuária afirma participar. Pode-se dizer que a participação nos grupos oferecidos pela equipe de saúde proporciona maior contato com os membros.
Dentre os serviços preferidos pelas usuárias, o mais emergente foi o atendimento clínico. Diante disto, faz-se a reflexão acerca da idéia de cuidado atrelada ainda aos procedimentos médicos apenas, sendo esta, uma cultura que precisa ser transformada de modo
que os usuários venham a também reivindicar melhores condições de atendimentos, inclusive acolhimento de suas causas em saúde. Os dados também mostram que as usuárias percebem as ações que são permeadas pela interação com os profissionais e, as consideram como importantes, porém não são percebidas como parte também das habilidades e competências necessárias à equipe de saúde.
Ainda acerca do contato das usuárias com os profissionais da ESF, as entrevistadas revelaram não conhecer os membros da equipe. Diante disto, pode-se pensar acerca de como são conduzidas as ações, se estas são realizadas com base nas relações ou não, e ainda, como a equipe entende a importância do acolhimento, visto que foram apresentados pelas usuárias obstáculos encontrados para obter acesso à equipe de saúde. Questões como estas parecem dificultar o desenvolvimento de vínculo.
Com relação ao significado que as usuárias atribuem ao vínculo, procurou-se investigar a forma como as mesmas conceituam esta relação, a função que, para elas, o vínculo desempenha e as vantagens e desvantagens atribuídas ao vínculo. A partir dos dados, constata-se que as usuárias compreendem o vínculo como uma relação que requer união, ou seja, intensa interação. Mencionam o vínculo como uma relação de amizade, de cuidado, de ajuda, entre outros. Apontam ainda, que o vínculo é importante para o contato, tendo a função de não apenas facilitar o acesso aos serviços, como também, contribuir para a cura de enfermidades. Pode-se pensar que, para as usuárias, o vínculo com os profissionais de saúde seria o modelo de relação a ser desenvolvido. Isto se confirma ao perceber que oito vantagens foram atribuídas pelas entrevistadas a esta relação aproximada, enquanto que apenas uma desvantagem foi pontuada por elas. Diante da exposição do conceito de vínculo e da função que este desempenha, quatro usuárias afirmaram ter uma relação vinculada com a equipe, enquanto, outras quatro dizem não desenvolver esta aproximação com os membros. Esta diferença foi atribuída ao fato de que cada usuária significa sua vivência com a equipe de modo singular, a partir do modo como interpreta os fatos e isto pode interferir na maneira como se dá o relacionamento individual com os profissionais.
Quanto às ações realizadas pela equipe, que contribuem para a criação de vínculo, as usuárias mencionaram dezenove tipos diferentes. Assim como, foram citadas também, dezesseis ações, realizadas pela equipe, que dificultam a criação do vínculo. As usuárias demonstraram conhecer posturas que estimulam o bom relacionamento entre profissionais e comunidade e também aquelas que impedem este relacionamento de ser efetivado. As usuárias mostraram-se capazes de identificar situações em que existem possibilidades de
estabelecimento de vínculo, assim como, aquelas que corroboram para que este não venha a acontecer.
Foram levantadas também, a partir das falas das entrevistadas, as concepções que as usuárias têm acerca do relacionamento que desenvolvem com a equipe que lhes atende. É interessante perceber, nestes dados, as contradições existentes, uma vez que, agora, estão diretamente relacionados à equipe de saúde pela qual são atendidas. Aparece, enquanto aspecto positivo, o bom relacionamento que oferecem aos usuários, assim como também é mencionado, nos aspectos negativos, o mau atendimento. Citam também, a qualidade da equipe em ser atenciosa e comprometida, como também é pontuada a falta de interação dos profissionais com os usuários e a falta de escuta. Ao total, foram mencionados cinco aspectos que as usuárias consideram positivos no relacionamento com a equipe, contra dezessete aspectos considerados negativos.
Dentre os aspectos negativos que interferem no relacionamento, apenas duas vezes foi mencionado que o bom relacionamento também precisa ser estimulado pelo usuário que freqüenta a USF. Pode-se pensar, diante do dado exposto, que as usuárias atribuem à equipe a responsabilidade de criar condições para o desenvolvimento do vínculo, não se colocando enquanto co-responsáveis neste processo. Pode-se então questionar: quais as ações dos usuários que dificultam a criação do vínculo? Para que o vínculo se desenvolva faz-se necessária disposição de ambas as partes. Foi mencionado que os usuários precisam proporcionar mais abertura para o contato com a equipe e também, ter mais paciência. Ao colocar na equipe a responsabilidade de desenvolver o vínculo, denuncia a falta de clareza das usuárias acerca do seu papel no SUS e ainda, remete a autonomia que necessita ser estimulada. A educação em saúde pode também desempenhar a função de fortalecer os usuários nas suas atribuições perante o sistema e deste modo, contribuir para o desenvolvimento de atores sociais ativos diante dos ações em saúde.
Quanto às concepções de comunicação, intimidade e confiança que estabelecem com a equipe, percebe-se que as usuárias sentem-se a vontade apenas para tratar questões relacionadas à saúde, exceto com as ACS, como foi verificado durante a coleta de dados. Foi demonstrada ainda, pouca abertura das usuárias com a equipe, o que faz pensar sobre a necessidade de a intimidade entre usuárias e profissionais ser estimulada. Porém, as usuárias indicam seguir as orientações sugeridas pelos profissionais, o que implica numa confiança depositada nos membros da equipe e no conhecimento técnico que possuem.
Em relação à influência da equipe ESF no processo de cuidado em saúde, foi possível perceber que a equipe pode interferir significativamente no modo como os usuários
se relacionam com as práticas de cuidado, influenciando de maneira a estimulá-los a buscar por melhores condições em saúde. Percebeu-se ainda, que as usuárias entrevistadas apresentavam diferentes maneiras de compreender o funcionamento do Sistema Único de Saúde. A partir disto, considera-se a necessidade de exercitar a prática de educação em saúde para que através do conhecimento desenvolvido, as usuárias venham a empoderar-se, exercer sua autonomia e melhor decidir sobre suas condições de saúde.
Diante de todos os dados apresentados e das reflexões desencadeadas, a partir