4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DO ESTUDO: OPEN
4.2 O CONTEXTO DA OPEN INNOVATION NAS ORGANIZAÇÕES
4.2.1 Conhecimento e Prática de Open Innovation
Primeiramente, foi questionado aos gestores o seu conhecimento a respeito do conceito de Open Innovation, sendo que, dos dezesseis entrevistados, foi possível perceber
que apenas quatro afirmaram conhecer o conceito; um deles aponta que “já ouvi falar, mas não sei bem” (Entrevistado 12) e dez entrevistados afirmam não conhecer o conceito, o que pode ser evidenciado nas narrativas: “Olha por esse nome, sendo sincero contigo não, mas talvez tu vai me falar, eu entenda e consiga te dizer se a gente pratica” (Entrevistado 1); “Não, por esse nome, não” (Entrevistado 4); “Não, nunca ouvi” (Entrevistado 8). “Inovação Aberta? sinceramente não!” (Entrevistado 9). “O termo inovação aberta, eu nunca ouvi falar” (Entrevistado 14).
O (des)conhecimento dos entrevistados em relação ao conceito de Open Innovation pode ser explicado em função de ser um conceito novo, que se encontra em fase de consolidação na literatura (DAHLANDER; GANN, 2010; HUIZINGH, 2011). Isso é evidenciado também na fala do entrevistado 12, “esse termo, é um termo recente, mas a empresa, ela já cresceu dentro desse ambiente, com esse tipo de proposta, de se aproximar da universidade e outros atores” (Entrevistado 12).
Apesar da maioria dos entrevistados não ter clareza do termo e do conceito de Open Innovation, após breve explicação, grande parte dos entrevistados concordou que, em muitos momentos, já se valeram das iniciativas de abertura. Na literatura organizacional, a expressão „prática‟ aparece principalmente ligada à ideia de „modo recorrente de fazer as coisas‟ (AZEVEDO, 2013). Desse modo, depreende-se que a concepção de conhecimento caracteriza-se como sendo pautada por uma „epistemologia da prática‟, ou seja, compreende como conhecimento tanto o que é „parte da prática‟ quanto o que é „possuído na cabeça‟, assim, denomina-se aquilo que „é possuído‟ de conhecimento e o que „é parte da ação‟ de saber ou saber prático; o saber não é usado na ação, nem é necessário para a ação, mas é parte da ação, ele é dinâmico, concreto e relacional (COOK; BROWN, 1999). Assim, evidencia-se a prática da OI nas falas que seguem, “para te falar a verdade, eu não conheço a fundo, tudo dentro da metodologia da inovação aberta, eu conheço alguns pontos, porque eu já participei de algumas palestras, alguns eventos, (...) eu não conheço a teoria muito bem, eu conheço a prática” (Entrevistado 7).
As fala dos entrevistados 5 (cinco) e 2 (dois) reforçam a ideia do desconhecimento teórico sobre o tema, porém evidenciam a utilização de práticas:
Eu não conhecia a nomemclatura, mas a gente trabalha bem assim, interação com o cliente para nós é importantíssimo (...) já criamos umas features no sistema que foram ideias de usuários mesmo, então a gente traz de fora isso ai, fornecedor até agora ainda não tive nenhuma ideia vinda de fornecedor, mas troca de experiências com outras empresas sim, e principalmente o cliente (Entrevistado 5).
Pelo que tu me explicou, para nós, esse conceito de inovação aberta é básico, no nosso entendimento, é impossível sobreviver no mercado dependendo só do teu
feeling, ou da tua demanda interna, isso não existe, em tecnologia muito menos (...)
então a gente tem interação direta com os clientes, aqui posso acessar que eles já nos deram 93 melhorias que estão em aberto (Entrevistado 2).
Algumas entrevistas ocorreram após evento organizado pelo APL Centrosoftware e um dos entrevistados citou que dessa interação entre os atores que fazem parte do APL também podem emergir inovações abertas:
É praticamos, na verdade, eu acredito muito na inovação aberta, porque, como o evento que a gente teve aqui hoje, de certa forma, isso propicia também esses momentos (...) então, a gente aproveita esses momentos de networking para discutir o que as empresas estão fazendo, o que elas estão pensando em fazer, o que elas estão precisando, as tendências de mercado e eu acho que isso acontece bastante, cada vez mais entre universidades, orgãos públicos, acho que está se criando mais momentos para isso (Entrevistado 7).
Na literatura, encontram-se várias metodologias que podem ser aplicadas a iniciativas de abertura, como Design Estratégico (ZURLO, 2010), Lean Startup (RIES, 2011), Crowdsourcing (HOWE, 2008), entre outras, não existindo consenso em relação a mais e/ou a melhor a ser utilizada, assim, o relato do entrevistado 16 evidencia que, por mais que não tenha muito conhecimento a respeito das metodologias, expressa que o processo de inovação da empresa configura-se como dinâmico:
Com a metodologia correta, acredito que não, a maneira com que a gente faz inovação é bem dinâmica, líquida, a gente tem muita abertura na questão de melhoria (...) então, dentro do que eu entendo que é inovação, a gente consegue agregar bastante, talvez não com a metodologia correta em termos de OI, em termos de cooparticipação, ela existe, mas ela não é tão institucionalizada porque depende muito das pessoas (Entrevistado 16).
No Brasil, diversas instituições (BNDES, CNPq, FAPESP, FNDCT, FINEP, SEBRAE, SENAI,entre outras), na intenção de incentivar empresas a inovar,lançam editais de fomento (MELO, 2008; YANG, 2010). Medrado e Rivera (2013) apontam que, acerca de 15 anos, o BNDES vem apoiando o setor de TI. Destarte, uma das organizações que afirma ter conhecimento do conceito, em virtude de ter buscado informação, a fim de participar de editais de fomento, revela que, por mais que tenha o conhecimento, teve poucas experiências em relação à prática de Inovação Aberta, conforme relato:
Nós estamos estruturados para colocar em prática, a gente só não conseguiu colocar em prática ainda, mais do que a gente queria (...) com o nosso software, ganhamos, em 2010 e 2014,o edital Inova do SEBRAE (...) e um dos módulos era o módulo de inovação, pelo conceito do open innovation, e daí foi construido toda escrita do
módulo com esse conceito (...) Construimos o módulo então, e por nós termos o módulo, a gente sempre cultivou, vamos usar o módulo pela teoria, mas o nosso
open innovation sempre foi assim, mais inovação aberta entre os colaboradores e
clientes, a gente nunca teve condições de fornecedores, sociedade, nunca teve essa abertura (Entrevistado 3).
É possível perceber que, por mais que não haja conhecimento teórico a respeito do tema em questão, empiricamente, o processo ocorre nas organizações, ademais, o tráfego entre as áreas sociais e as científicas em si mesma é um tema de negociação, desse modo, o conhecimento socialmente produzido de hoje pode ser o técnico científico de amanhã e vice- versa (KNORR-CETINA, 2006). A próxima subcategoria tem a intenção de identificar os motivos da abertura da inovação nas organizações.