A fim de delimitar qual nomenclatura a respeito de conjunção, conectivo e conector será utilizada, foi elaborado um quadro para explicitar uma breve revisão da literatura tradicional sobre os conceitos que esses termos veiculam.

QUADRO 3: Definições de conjunção, conectivo e conector

Autores Definição Classificação

Oiticica (1940) Conectivo é a palavra que indica a interdependência de dois nomes ou duas frases (p. 30).

Conjunção é a palavra que indica a relação entre dois pensamentos. Essa relação pode fazer-se por coordenação, subordinação, ou correlação (p. 59).

O autor classifica apenas as conjunções, que são organizadas da seguinte forma:  Coordenativas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas, explicativas;  Subordinativas: causais, concessivas, concomitantes, condicionais, conformativas, finais, integrantes e temporais; correlativas.

Ali (1964) A conjunção é geralmente tida por uma palavra invariável que serve para ligar as orações. O qualificativo “invariável” vem aqui como reminiscência do antigo sistema gramatical que dividia as palavras em flexivas e inflexivas (p. 218).

Chamam-se geralmente coordenativas as conjunções que estabelecem paralelismo sintático entre duas orações, e subordinativas aquelas que apresentam uma oração como elemento integrante ou modificativo de outra, isto é, dão-lhe o caráter ou de substantivo ou de advérbio (p. 221).

Bueno (1968) Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações, indicando as relações entre elas existentes (p. 34).

Há duas classes: coordenativas e subordinativas. As primeiras exercem a mesma função no período e, mesmo separadas, a significação permanece. Já as subordinativas, a separação gera incompletude na significação (p. 35).

Camara Jr. (1985) Conjunções são vocábulos gramaticais que como conectivos estabelecem: a) uma coordenação entre duas palavras, dois membros de oração ou duas orações (conjunções coordenativas); b) uma subordinação entre duas orações, que constituem um sintagma oracional, em que uma, como determinante, fica subordinada à outra, principal, como determinado (p. 181).

Conjunções coordenativas e subordinativas.

Bechara (2001) Conector e transpositor – unidades que têm por missão reunir orações num mesmo enunciado (p. 319).

Os conectores representam as conjunções coordenadas e os transpositores, as subordinadas (p. 319-320).

Cunha e Cintra (2001) Conjunção: vocábulos gramaticais que servem para relacionar duas orações ou dois termos semelhantes da mesma oração (p. 579).

Dividem-se em coordenativas e subordinativas (p. 579).

Luft (2002) Conectivos são palavras que estabelecem conexão entre palavras, orações ou frases (p. 185).

A conexão coordenante se faz pelas conjunções ditas coordenativas; a subordinante é realizada pelas preposições, conjunções subordinativas e pronomes relativos. E há ainda o verbo de ligação, que subordina o predicativo ao sujeito (que eventualmente é zero: era noite) (p. 185).

Os autores citados, de modo geral, colocam como característica básica da conjunção, conectivos e conectores a capacidade de ligar elementos, estejam eles entre palavras, orações ou frases. Além disso, são unânimes em dividir esses elementos de

ligação em coordenativos e subordinativos. As diferenças perceptíveis entre os estudiosos se referem ao fato de apenas Bechara (2001) usar os termos transpositor e conector, enquanto a maioria utiliza o termo conjunção, com exceção de Oiticica (1940) e Luft (2002), que fazem alusão ao termo conectivo. Uma questão interessante destacada por Luft é o fato de ele considerar o verbo de ligação como conjunção, o que difere da maioria dos estudos tradicionais. Se as conjunções exercem um papel de ligar partes do texto ou até mesmo palavras, não se pode desconsiderar a sua relevância na coerência textual. Nesse sentido, como muito bem argumenta Ali (1964, p. 219), a conjunção não tem

valor de simples elo mecânico posto entre orações; mas serve à linguagem para evitar que duas proposições se apresentem ambas como iniciais. A partícula dá a uma delas o caráter de seqüente, parecendo-se de alguma sorte o seu papel com o dos sinais com que em meio de um trecho musical se anuncia mudança da tonalidade. Mas a conjunção faz mais: assinala a relação lógica em que a seqüente está para com a inicial. É pois uma partícula que exerce sua influência, não como o advérbio, e a preposição sôbre um vocábulo, mas sôbre uma oração em conjunto.

Conforme destacado por Ali (1964), as conjunções contribuem para o encadeamento das ideias, para a progressão textual, para definir a ordem em que os elementos aparecem no texto; todavia, mesmo desempenhando todas essas funções, é possível encontrar porções de textos em que a ausência da conjunção não deixe o texto ininteligível. Taboada (2009, p. 133), por exemplo, demonstra que o texto pode ou não apresentar marcadores discursivos, os quais, para o autora,

[...] são a primeira linha de ação, porque eles tendem a ser os sinais mais evidentes de que uma ligação existe. Informação sintática fornece sinais em uma variedade de casos: o discurso reportado e certos verbos indicam uma relação de atribuição (Redeker & Egg 2006); orações relativas indicam Elaboração; modo interrogativo sinaliza Solução; e as orações não finitas, Circunstância (Taboada e Mann, 2006, b). Elos lexicais ou coesivos podem ser indicadores de uma relação de elaboração. A pontuação e o layout também são indicadores de relações. Finalmente, estruturas de gênero, provavelmente, desempenham um papel, em termos dos tipos de relações que são normalmente encontrados num determinado texto, tais como Preparação e Fundo nos artigos de jornal e, também, em quais relações são mais frequentes em cada parte de um texto ou conversação (Taboada 2004).12

12 “[…] are the first line of action, because they tend to be the most obvious signals that a link exists.

Syntactic information provides cues in a variety of cases: reported speech and certain verbs indicate an Attribution relation (Redeker & Egg, 2006); relative clauses indicate Elaboration; interrogative mood

Taboada (2009) demonstra, assim, que os marcadores discursivos podem ser sinalizados por meio de aspectos sintáticos; relações lexicais, coesivas; pontuação; layout e gênero textual.

Até este momento, apresentaram-se alguns estudos que tentam conceituar, principalmente, o que vêm a ser conjunção e conectivo. Mas, tendo em vista a Linguística Textual que “trabalha com a noção de conector, ‘palavra ou expressão que conecta’, isto é, ‘liga’ partes de orações, períodos inteiros e até fragmentos de texto maiores que uma frase, estabelecendo uma relação semântica ou pragmática entre os elementos ligados” (DIAS; RODRIGUES, 2010, p. 23), foi utilizado o termo conector para este trabalho. Desse modo, conector designará qualquer termo que exerça a função de ligação, seja ele preposição, advérbio, conjunção e suas respectivas locuções, entre outros.

No documento Casa de ferreiro, espeto de pau: uma análise das relações retóricas a partir do uso dos provérbios como estratégia argumentativa em textos da internet (páginas 32-35)