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SUMÁRIO

Total 10 µl mix + 1 µl DNA (±1-20 ng/ µl)

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No capítulo 1 a população do presente estudo foi descrita segundo características sociodemográficas, comportamentais, clínicas, antropométricas e bioquímicas e observou-se que:

• O risco cardiovascular com relação ao comportamento é maior em homens, pois neste grupo há a maior proporção de fumantes e dependentes do consumo de álcool.

• As mulheres foram mais propensas ao risco cardiovascular com relação as variáveis antropométricas (IMC e PC), resistência e alta concentração plasmática de insulina e alta concentração plasmática de quemerina.

• As mulheres também deteram as maiores prevalências de todos os FRCV clássicos em relação aos homens: obesidade (18,6 vs 4,1%), HAS (27,8 vs 15,1%), DMT2 (7,0 vs 2,9%) e dislipidemia (41,2 vs 22,1%), o que, com exceção da HAS, não foi influenciado pela idade.

• Apesar da maior prevalência da HAS entre as mulheres, os maiores níveis médios da PAS e PAD isoladas estavam entre os homens.

• Os resultados deste capítulo foram importantes para o conhecimento da ocorrência dos fatores de risco cardiovascular clássicos e emergentes nas populações de Lavras Novas/Chapada e Santo Antônio do Salto em Ouro Preto/MG e espera-se que sirvam de ponto de apoio para o planejamento e condução de futuros estudos epidemiológicos que possam aprofundar as investigações de forma particular a cada desfecho e com isso melhorar o entendimento da DCV em populações miscigenadas.

No capítulo 1 também foi descrita a frequências alélica e genotípica de um painel 12 polimorfismos do tipo SNP apontados por outros estudos como candidatos à associação com fatores de risco cardiovascular clássicos e observou-se que:

• As frequências alélicas e genotípicas para cada SNP estavam dentro do esperado para as populações ancestrais europeias e africanas segundo dados do Consórcio HapMap. • O teste de Equilíbrio de Hardy-Weinberg apontou que três SNPS estavam fora de

equilíbrio: APOC3 rs5128 e rs4520 e LDLR 5925.

• Estes resultados são importantes, porque além de ter sido demonstrado que alguns SNPs conferem maior ou menor chance de apresentarem alteração em pelo menos um dos

Batista, A. P. Considerações finais

162 fenótipos de risco cardiovascular, este foi o primeiro estudo a utilizar estes 12 SNPs de forma simultânea na população brasileira.

No capítulo 2 o presente estudo estimou a ancestralidade genética em uma sub-amostra de Lavras Novas, Chapada e Santo Antônio do Salto e observou que:

• A composição genética da população apresentou maior contribuição europeia (48%) na sua formação seguida da africana (40,6%) e em menor proporção a ameríndia (11,4%). • Adicionalmente, o comportamento da amostra segundo sua proximidade com as

populações-padrão apontou a miscigenação entre os dois clusters principais: europeus e africanos.

• A proporção de MIAs africanos especificamente foi expressiva, superando São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, inclusive a população infantil urbana de Ouro Preto.

• A análise da proporção média dos MIAs europeus e africanos por categorias de cor de pele autorreferida não foram concordantes.

• A população das áreas avaliadas é majoritariamente miscigenada (86,5%) e a predominância europeia (PEUR) ou africana (PAFR) foi vista em uma parcela menor (2,8% e 10,8%, respectivamente) o que é esperado para a população brasileira. Devido a esse pequeno número de indivíduos com predominância de MIAs europeus e africanos levamos em consideração que não houve efeito da estratificação nos desfechos estudados.

• Nos indivíduos PAFR, foi possível observar que o parâmetro lipídico desfavorável estava significativamente presente e que a hipertensão estava presente em 80% dos PEUR, 56,4% dos PAFR e 44,4% do grupo miscigenado.

• A autoclassificação de cor de pele demonstrou ter um caráter mais social do que biológico, como já apontado por outros estudos, podendo levar a interpretações equivocadas em estudos epidemiológicos.

No capítulo 3 o presente estudo avaliou a adipocina quemerina como desfecho e sua associação com fatores de risco cardiovascular clássicos e SNPs e observou que:

Batista, A. P. Considerações finais

163 • Os grupos de risco para a concentração plasmática elevada de quemerina foram os idosos, mulheres, indivíduos não alfabetizados, com renda média e casados/separados ou viúvos.

• A concentração plasmática média de quemerina observada (203,9 ng/mL) estava acima do que é proposto como fisiológica (70–150 ng/mL).

• Houve associação significativa entre FRCV clássicos com a concentração plasmática elevada de quemerina, especialmente a alta concentração plasmática de TAG e resistência à insulina.

• Entre os marcadores genéticos, observou-se associação entre os SNPs rs693, no gene APOB, e rs1799983, no gene NOS3, e alta concentração plasmática de quemerina, especificamente para os genótipos AA e GT, respectivamente.

• A presença concomitante dos genótipos de risco AA e GT+TT dos polimorfismos rs693 e rs1799983, respectivamente, mostrou uma chance 2,21 vezes maior de apresentar a concentração plasmática elevada de quemerina comparado ao genótipo protetor (GG).

No capítulo 4 o presente estudo avaliou a associação entre o desfecho HAS e tomou como exposição a presença de fatores de risco cardiovascular clássicos e SNPs e observou que:

• Houve associação significativa entre os fatores de risco clássicos como a idade acima de 60 anos, consumo dependente de álcool, tabagismo, excesso de peso, alta concentração plasmática de triglicérideos, baixas concentrações plasmáticas de HDL-c, diabetes e resistência à insulina com HAS, como esperado.

• Interessantemente, observou-se associação significativa entre o SNP RARRES rs4721 e HAS, sendo que a presença do alelo T em homozigose foi um importante modificador de risco.

• Com relação à interação entre a idade e os genótipos do SNP RARRES rs4721, observa- se que o indivíduo acima de 60 anos portador do genótipo de referência tem 4 vezes mais chance de ter a HAS, entretanto, a presença de pelo menos um alelo T aumentou essa chance para mais de 9 vezes. O consumo dependente de álcool só foi significativo no aumento da chance de HAS em interação com os genótipos GT e TT. Já o indivíduo não tabagista portador do genótipo TT teve chance duas vezes maior de HAS e essa chance dobrou quando o mesmo genótipo estava na presença do tabagismo.

Batista, A. P. Considerações finais

164 • O maior gradiente de risco para a hipertensão foi apontado pela presença concomitante de DMT2 e o genótipo TT, onde indivíduos com essa característica tiveram 9,7 vezes mais chance em relação aos não diabéticos com genótipo GG.

• Outros dois altos gradientes de risco que chamaram a atenção foram apresentados pelos indivíduos homozigotos TT com TAG e HDL-c alterados, onde o risco de hipertensão foi 8,2 e 6,2 vezes maior que o grupo referência, respectivamente.

Batista, A. P. Conclusões

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CONCLUSÕES

Capítulo 1:

• Concluímos que as mulheres do presente estudo têm o risco cardiovascular consequente da adiposidade, distúrbios no metabolismo da insulina e pelas baixas concentrações plasmáticas de HDL-c ao passo que os homens têm essa relação devido a níveis de pressão arterial sistólica e diastólica aumentados e por hábitos comportamentais inadequados.

• Concluímos também que a análise univariada de todos os SNPs apresentaram associação com algum parâmetro clínico, bioquímico ou antropométrico.

Capítulo 2:

• Concluímos que a população de Lavras Novas/Chapada e Santo Antônio do Salto apresenta o padrão de ancestralidade esperado para região Sudeste, formado pela miscigenação dos clusters principais envolvidos em seu povoamento: europeus e africanos. Entretanto, estas populações apresentaram maior influência africana em relação a área urbana de Ouro Preto e outras regiões no Sudeste brasileiro, fato que pode ser corroborado pela formação histórica da região, onde escravos trazidos para a mineração povoaram a região e se estabeleceram após o ciclo do ouro.

Capítulo 3:

• Concluímos que a concentração plasmática elevada de quemerina pode ser um importante preditor de risco cardiovascular na população de Lavras Novas/Chapada e Santo Antônio do Salto e sugere-se que a interação entre as variantes NOS3 rs1799983 e APOB rs693 em genes bem estudados para fenótipos de risco cardiovascular pode ter ligação com a aterosclerose e a DCV através da adipocina quemerina, e podemos suspeitar que um mecanismo provável para isso seja a disfunção no endotélio vascular.

Batista, A. P. Conclusões

166 Capítulo 4:

• Concluímos que a influência do polimorfismo RARRES2 rs4721 na adiposidade visceral pode ser um importante predisponente ao risco cardiovascular, e a interação de seu alelo T com outros fenótipos de risco pode ser um fator genético modificador do efeito de fatores de risco clássicos para a HAS e merece ser foco de futuros estudos para aprofundar os conhecimentos sobre sua funcionalidade principalmente em populações miscigenadas. Além disso, é importante que futuros estudos também considerem a interação de aspectos ambientais, comportamentais, como a prática de atividade física, e a dieta com este fator genético.

Batista, A. P. Perspectivas

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PERSPECTIVAS

Tomando esta tese e os artigos que serão publicados como ponto de partida, o grupo de pesquisa do Laboratório de Epidemiologia propõe a continuidade de novos estudos para tentar buscar mais entendimento com relação a estes fatores genéticos discutidos nos capítulos 2, 3 e 4.

O próximo passo é a condução de um novo trabalho de campo em novas regiões em Ouro Preto e/ou na microrregião dos Inconfidentes com influência africana mais marcante em sua formação e a fim de ampliar o tamanho da amostra, aumentando o poder do estudo. Adicionalmente, a detecção de crianças e jovens com um perfil genético TT do SNP RARRES2 rs4721 pode vir a ser um importante instrumento para detecção de grupos suscetíveis a HAS e que requerem mais cuidados da Atenção Primária.

Batista, A. P. Referências bibliográficas

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