I CONTEXTO ECONÓMICO E FINANCEIRO
1.1 CONTEXTO ECONÓMICO E FINANCEIRO INTERNACIONAL
O contexto internacional caraterizou-se, em 2011, pela agravação da crise da dívida soberana no seio da Zona euro. Esta crise, que causou a deterioração das condições financeiras dos países industrializados, exacerbou-se durante o segundo semestre do ano, acentuando a orientação desfavorável da economia mundial.
Segundo as últimas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a taxa de crescimento da economia mundial sobressaiu-se em 3,9% em 2011 contra 5,3% em 2010. Este abrandamento revela principalmente a fraqueza dos investimentos, em ligação nomeadamente com a degradação do sistema financeiro mundial. Ele reflita igualmente uma baixa do consumo e das trocas comerciais mundiais, num contexto de inércia da produção industrial.
Nos países industrializados, a atividade económica foi menos sustentada, devido à extensão da crise financeira e económica internacional e da sua incidência sobre a procura dos agregados familiares e das empresas. O produto interno bruto registou uma progressão de 1,6% em 2011 contra 3,2% em 2010.
A nível da Zona euro, a atividade económica registou uma nítida desaceleração. A alta do PIB estabeleceu-se em 1,4% em 2011, depois de 1,9% no ano anterior. Esta situação é principalmente ligada à variação dos stocks, num contexto de relativa baixa da produção industrial. Por outro lado, a economia da Zona euro sofreu muito da deterioração do clima dos negócios, induzindo uma baixa dos investimentos. Nos Estados Unidos, a atividade económica desacelerou-se igualmente, aumentando de 1,7% em 2011, contra 3,0% em 2010, apoiada essencialmente pela orientação favorável do consumo dos agregados familiares, consecutivo à implementação das medidas de apoio orçamentais e monetárias. No Japão, a atividade económica contratou-se em 2011. A taxa de crescimento do PIB fixou-se em -0,7% contra +4,4% em 2010. Esta evolução resulta do recuo da procura interna e da morosidade das exportações de produtos industriais.
Os países emergentes e em desenvolvimento, menos atingidos pelos efeitos da crise da dívida soberana, mantiveram o seu dinamismo em 2011. Neles, a atividade económica registou uma alta de 6,2%, depois de 7,5% em 2010. Esta evolução reflita a progressão da procura interna e das trocas comerciais regionais. Assim, na China e na Índia, o crescimento permaneceu forte, fixando-se respetivamente em 9,2% e 7,2%, em termos reais, contra 10,4% e 10,6% em 2010. Na América Latina e nos Caribes, o ritmo de expansão económica foi de 4,5%, depois de 6,2% em 2010. A alta do PIB explica-se principalmente pela das despesas públicas, que contribuíram para dopar a procura interna.
Na África subsariana, a taxa de crescimento do produto interno bruto, em termos reais, estabeleceu-se em 5,1% em 2011, depois de 5,3% em 2010. Como no ano precedente, esta alta é principalmente ligada ao dinamismo das exportações das matérias-primas, nomeadamente dos produtos mineiros. Ele revela igualmente o aumento das despesas de infraestruturas, nomeadamente nos países da Zona Franco.
Num contexto de aumento das incertezas quanto à orientação da atividade, as empresas não conseguiram criar suficientemente empregos novos. Portanto, a taxa de desemprego permaneceu elevada nos Estados Unidos, situando-se em 9,0% em 2011 contra 9,6% um ano mais cedo. Na Zona euro, esta taxa permaneceu sem mudar em 10%, dum ano para outro. No Japão, a taxa de desemprego sobressaiu-se em 4,6%, depois de 5,1% em 2010, enquanto no Reino Unido, ele aumentou de 0,7 ponto percentual, para estabelecer-se em 8,5% em 2011. A inflação permaneceu relativamente elevada em 2011 em relação a nível do ano precedente. Medida pelo índice dos preços no consumidor, ela sobressaiu-se em 2,7% nas
economias industrializadas em 2011 contra 1,6% em 2010. Esta evolução é ligada à alta dos preços dos produtos alimentares e petrolíferos durante a primeira metade do ano 2011, bem como à progressão dos créditos, consecutiva às medidas excecionais tomadas em apoio à economia. Nos países emergentes, o crescimento importante acompanhou-se com pressões nos preços internos. A inflação estabeleceu-se em 7,2% em 2011, depois de ter atingido 6,1% no ano precedente.
No plano da política monetária, os bancos centrais continuaram a apoiar o crescimento económico, tendo em conta ao aumento das preocupações sobre a procura. Desta feita, a Reserva Federal norte-americana, o Banco do Japão, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Inglaterra conservaram as suas principais taxas diretoras a níveis próximos de zero. Em particular, o BCE aumentou as suas operações de liquidez, e manteve o seu dispositivo de compra dos valores mobiliários, enquanto a Reserva Federal norte-americana levou a cabo o seu programa de compra das obrigações de Estado. Por sua vez, os Bancos do Japão e da Suíça contribuíram para descontrair as taxas nos mercados monetários. No seio dos países emergentes, políticas monetárias mais acomodatícias foram adotadas, em resposta ao abrandamento do crescimento económico e às incertezas que pesam no financiamento das economias.
Nos mercados do câmbio, o euro, não obstante as dificuldades a que enfrentam os países da Zona euro, registou, durante o ano 2011 uma valorização global em relação ao dólar, em ligação com os efeitos induzidos da desconfiança para com os ativos norte-americanos, ligada à degradação da nota sobre a dívida pública dos Estados Unidos. Esta tendência foi confortada pelas perspetivas de estabilização da situação económica dos países da Zona euro atingidos pela crise. Assim, o curso do euro, passou, em média, de 1,3257 dólar para um euro em 2010 para 1,3920 dólar, em média, durante o ano 2011, ou seja uma valorização de 5,0%. Por outro lado, para com o Iene, a moeda única europeia desvalorizou-se de 4,5%, enquanto ela registou uma alta de 1,2% em relação à libra esterlina no período homólogo. O franco CFA, devido à sua vinculação nominal ao euro, conheceu em relação às principais moedas dos países industrializados, uma evolução similar à da moeda europeia.
Em 2011, os mercados financeiros mundiais registaram globalmente evoluções desfavoráveis, sob o efeito das preocupações induzidas pela agravação da crise da dívida soberana e das ameaças de recessão. Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones e Nasdaq registaram uma evolução contrastante. Com efeito, o índice Dow Jones progrediu de 5,5%, enquanto o índice Nasdaq contraiu-se de 1,8%. No Japão, o índice Nikkei 225 recuou de 17,3%. A nível dos países emergentes, o índice MSCI Emerging Market baixou de 20,4%. Esta morosidade dos mercados é ligada aos desempenhos medíocres das empresas exportadoras e à baixa dos preços das matérias-primas.
A nível regional, as principais moedas da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) desvalorizaram-se em relação ao franco CFA. Com efeito, o naira, o cedi, o dalasi e o franco guineense estabeleceram-se em baixa de 2,51%, 7,40%, 5,48% e 17,36% respetivamente.
Os rendimentos obrigacionistas registaram evoluções contrastantes, refletindo as disparidades dos indicadores. Assim, nos Estados Unidos, a taxa média dos rendimentos dos empréstimos públicos de 10 anos passou de 3,22% em 2010 para 2,79% em 2011. Na Zona euro, esta taxa sobressaiu-se em 4,31% em 2011 contra 3,79% em 2010, enquanto no Japão, ela estabeleceu-se em 1,18% e 1,12% em 2010 e 2011, respetivamente.
A título das matérias-primas, os preços dos principais produtos básicos consolidaram-se globalmente, a favor da boa procura proveniente dos países emergentes da Ásia. Todavia, a tendência altista observada desde o início do ano inverteu-se a partir de agosto de 2011, em relação ao abrandamento do crescimento na Europa e nos Estados Unidos. Comparativamente
aos níveis médios registados em 2010, os preços da quasi-totalidade dos produtos exportados pelos Estados membros da União Económica e Monetária Oeste Africana (UEMOA) orientaram- se para a alta durante o ano 2011: +39,2% para o café robusta, +45,5% para o algodão fibra, +24,6% para o óleo de palma, +39,4% para o óleo de palmita, +28,1% para a borracha, +58,3% para a castanha de caju, +19,1% para o petróleo e +28,1% para o ouro. Pelo contrário, os preços médios do cacau inteiro recuaram de 4,9%, em relação à dissipação dos receios ligados ao abastecimento regular do mercado e ao aumento da produção ivoiriense durante a campanha agrícola 2010/2011.
Quadro 1 : evolução das taxas médias anuais de câmbio (FCFA por unidade monetária)
2010 2011 Variação (%)
Direito especial de saque (1 DTS) 755,7502 744,4048 -1,50 Dólar americano (1 USD) 494,8005 471,2335 -4,76 Franco suíço (1 CHF) 475,2278 532,1735 11,98 Libra esterlina (1 GBP) 764,6612 755,8153 -1,16 Iene japonês (1 JPY) 5,6431 5,9117 4,76
Fonte : BCEAO.
Quadro 2 : evolução das taxas médias trimestrais de câmbio (FCFA por unidade monetária)
ANO 2010 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre
Direito especial de
saque (1 DTS) 732,2415 768,6762 770,4131 750,7521 Dólar americano (1 USD) 474,3344 516,1764 508,0999 482,9250 Franco suíço (1 CHF) 448,3030 465,6801 492,4232 495,9977 Libra esterlina (1 GBP) 739,0232 769,5503 787,4161 763,2377 Iene japonês (1 JPY) 5,2276 5,5993 5,9271 5,8515
ANO 2011 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre
Direito especial de
saque (1 DTS) 750,3726 728,4088 739,8869 759,6425 Dólar americano (1 USD) 479,5007 455,8106 464,3286 486,5428 Franco suíço (1 CHF) 509,6395 524,1785 563,1016 533,6020 Libra esterlina (1 GBP) 768,2255 743,0920 747,4442 765,1697 Iene japonês (1 JPY) 5,8271 5,5869 5,9757 6,2940
1.2 – CONTEXTO ECONÓMICO E FINANCEIRO DA UMOA