4 ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS OBTIDOS
4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DOS PROJETOS C-130 E KC-390
As aeronaves C-130 já ultrapassaram meio século de existência na FAB, tendo iniciado suas operações no dia 19 de novembro de 1965, na Base Aérea do Galeão (BAGL), e nessa mesma Organização Militar, hoje denominada Ala 11, ainda são empregadas.
Figura 1 – Aeronave C-130
Fonte: Aerovisão (2018).
O C-130 é um projeto de sucesso no mundo, com capacidade para operar em pistas não preparadas, no calor da selva amazônica ou no frio extremo da
Antártica, além de ser flexível e versátil, conseguindo cumprir um variado rol de Ações de Força Aérea, como destaca Leite:
Da Amazônia à Antártica, no Brasil e no exterior, o quadrimotor capaz de levar 20 toneladas de carga é um “pau para toda obra”. Suas missões vão muito além do chamado transporte aerologístico. Também estão no rol de atividades o lançamento de paraquedistas, busca e salvamento, combate a incêndios florestais, reabastecimento em voo, lançamento de cargas em voo, evacuação aeromédica e o suporte à missão brasileira na Antártica. (LEITE, 2015, p. 46).
Diversas participações internacionais das aeronaves C-130 da FAB foram notáveis, mormente aquelas em prol de ajudas humanitárias, calamidades naturais e missões de paz da ONU (Organização das Nações Unidas), conforme relatado por Santos e Jayme na crise que atingiu a República Democrática do Congo, em 2003:
Há 15 anos, no dia 6 de julho, duas aeronaves Hércules C-130 deixavam o solo brasileiro, com 41 militares a bordo, rumo ao continente africano. Junto com outros países, integraram a Força da União Europeia (EUFOR) no apoio ao transporte aéreo logístico de pessoal e material, como munição e viaturas operacionais. (SANTOS; JAYME, 2008, p. 61).
Ratificando a confiabilidade e robustez das aeronaves C-130, Leite destaca a atuação desse projeto em missões de destaque internacional, ao longo de mais de cinco décadas de operação na FAB:
Com alcance máximo de 5.325 km, o C-130 foi, desde o início da sua carreira, um dos principais vetores da presença do Brasil no exterior. Já em 1966, antes do seu aniversário de um ano na FAB, já apoiava as missões de paz no Suez e na República Dominicana. Vieram depois Líbano, Moçambique, Congo e Haiti. (LEITE, 2015, p. 46).
Em busca de um projeto tão confiável operacionalmente quanto o C-130, e alinhada à necessidade de transformação da defesa, a FAB tem procurado aperfeiçoar suas capacidades por meio da aquisição de equipamentos com tecnologia de ponta, conforme ratificado no LBDN:
A efetividade de um processo de transformação é proporcional à capacidade de aquisição e aplicação de tecnologia de ponta nas fases de pesquisa e desenvolvimento de novos sistemas de armas e plataformas. Como pode ser observado nos vários exemplos disponíveis, esse processo é de longa duração, podendo estender-se por 20 anos ou mais. (BRASIL, 2016c, p. 145).
Segundo o LBDN, por meio do PAED12, o Ministério de Defesa
[...] consolida os projetos estratégicos das Forças Armadas que visam atender às demandas de articulação e de equipamento necessárias para o cumprimento de suas missões constitucionais, conforme preconizado na END. (BRASIL, 2016C, p. 146).
As Forças Armadas do Brasil são atendidas pelo PAED, cujos projetos estruturantes contêm o foco na Obtenção da Capacidade Operacional Plena (OCOP):
[...] obtenção de elevada disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos, sem ampliar a estrutura militar das Forças Singulares, abrangendo a recuperação dos meios existentes, sua revitalização e modernização e, até mesmo, sua substituição por obsolescência. (BRASIL, 2016c, p. 146).
Dessa forma, a OCOP na Força Aérea Brasileira “[...] tem por objetivos otimizar os processos, sistemas e atividades operacionais, bem como realizar o aparelhamento da FAB.” (BRASIL, 2016c, p. 149).
Segundo o LBDN, os seguintes subprojetos estão no escopo da OCOP da FAB:
a) “[...] F-X2 – aquisição, na Suécia, numa primeira fase, de 36 caças multimissão para substituir os Mirage 2000, desativados em 2013”;
b) “[...] KC-390 – aquisição, no Brasil, de aeronaves de transporte tático, incrementando as possibilidades de transporte nesta área de atuação”; e c) “[...] ARP – Aeronave Remotamente Pilotada. Inicialmente foram
adquiridas cinco unidades para consolidação doutrinária de emprego na FAB”. (BRASIL, 2016c, p. 149).
Em aderência à OCOP, a FAB firmou um contrato com a EMBRAER no dia 22 de abril de 2009, durante a LAAD13, para o desenvolvimento de um novo projeto
com capacidade operacional superior à encontrada no C-130.
12 PAED refere-se ao Plano de Articulação e Equipamento de Defesa que consolida os projetos
estratégicos das Forças Armadas e visam atender às demandas de articulação e de equipamento necessárias para o cumprimento de suas missões constitucionais, conforme preconizado na END.
13 LAAD Defense and Security é uma feira internacional de Defesa e Segurança que reúne
fabricantes e fornecedores de tecnologias para as Forças Armadas, Forças Especiais, gestores de segurança de grandes corporações, concessionárias de serviços e infraestrutura crítica.
Em 22 de março de 2013, a FAB autorizou a construção do protótipo da aeronave KC-390, e no ano seguinte, em 20 de maio de 2014, foi assinado o contrato para a aquisição de 28 unidades desse projeto estratégico para a Força Aérea Brasileira. Fernandes explica:
Um trabalho feito em conjunto com engenheiros da Embraer, possibilitou chegar às dimensões da plataforma criada para o KC-390. Uma aeronave de asa alta, de grandes proporções, com motores a jato, capaz de pousar em pistas não pavimentadas e não preparadas, além de contar com tecnologia de ponta empregada em diversas áreas. Entre as inovações, o jato tanque pode ser reabastecido e reabastecer em voo - inclusive helicópteros – e também pousar na Antártida. (FERNANDES, 2016, p. 18).
O protótipo do KC-390 realizou seu primeiro voo no dia 3 de fevereiro de 2015, dentro da fase de certificação inicial do projeto, e segundo Fernandes:
[...] a campanha de testes em voo envolve mais de 1.110 profissionais responsáveis por avaliar a performance, desempenho e a robustez do maior avião já produzido no Brasil. A cada voo, o cargueiro é avaliado em vários tipos de situação, com novas altitudes, velocidades e configurações. (FERNANDES, 2016, p. 16).
Figura 2 – Aeronave KC-390
Fonte: Aerovisão (2016).
Após essa breve contextualização sobre a importância do C-130, e sobre o desenvolvimento do projeto KC-390 na FAB, passa-se, na próxima seção, a analisar comparativamente as performances e capacidades técnico-operacionais das aeronaves em tela.