As Dificuldades de Aprendizagem da Leitura e Escrita/Dislexia – que caminhos a seguir pelos professores do Ensino Básico?
CAPÍTULO 2 DIFICULDADES ESPECÍFICAS DE
4.2. Contributo das TIC na aprendizagem de crianças com NEE
As tecnologias da informação e da comunicação são já parte integrante do nosso quotidiano. Invadiram as nossas casas, locais de trabalho e de lazer. A democratização da sociedade na atualidade implica o acesso e a utilização por todos das potencialidades das tecnologias da informação e comunicação. O sistema de ensino, nomeadamente o ensino básico, é o local privilegiado para combater as desigualdades e evitar a infoexclusão.
A nossa sociedade está permanentemente sujeita a transformações que influenciam determinantemente o trabalho docente e as aprendizagens, principalmente no que respeita às metodologias e estratégias de ensino.
Face à inovação e aos avanços científicos e tecnológicos, às novas exigências curriculares e, ainda, à natureza e contextualização dos discentes, as formas de atuação e intervenção dos professores terão que ser alteradas, para que os alunos sejam o centro de todo o processo de ensino-aprendizagem, obtendo, assim, uma verdadeira autonomia. A verdadeira autonomia traduz-se num aluno com capacidade de analisar, avaliar e decidir sobre os problemas com que se defronta; num aluno que utiliza as tecnologias digitais para aceder à informação de que necessita, sendo capaz de a selecionar em função de critérios previamente estabelecidos; num aluno capaz de refletir sobre o que está a aprender e como está a aprender, de forma a desenvolver estratégias de aprendizagem autónoma e de autorregulação; num aluno que é capaz de usar as tecnologias para comunicar, interagir e colaborar com os outros; num aluno que consegue expressar-se a si próprio, imaginar e criar com recurso às diferentes formas de representação e respetivas combinações que as ferramentas digitais hoje permitem; enfim, num aluno para quem a tecnologia, que já usa de forma corrente e tão
88 competente, passa a fazer sentido também no seio das atividades e objetivos escolares (cf. Costa, 2012).
Um dos contributos positivos que as TIC podem dar ao processo de ensino e de aprendizagem liga-se com o seu uso numa perspetiva construtivista da aprendizagem, visto que a utilização das TIC em contexto de sala de aula, podem incentivar os alunos a aprender de forma solidificada, estruturada e de forma ativa. Mas, se as práticas educativas dos professores continuarem inalteráveis, o uso das TIC terá poucos resultados na aprendizagem dos alunos, visto que o professor será um debitador de conteúdos e os alunos, uns meros recetores inativos de informação. Assim sendo, considerando apenas os professores “aderentes” à utilização das tecnologias, é necessário analisar a forma como metodologicamente se posicionam. Se são professores metodologicamente tradicionais ou metodologicamente com uma matriz construtivista. Aprender com tecnologia segue a linha construtivista de Seymor Pappert que defende que o individuo aprende e constrói, com a ajuda do computador, o seu próprio conhecimento.
Em suma, existe a convicção e a constatação de que as TIC desempenham um papel central na sociedade contemporânea e que as formas de comunicação, de acesso à informação e de produção de conhecimento que elas propiciam não só fazem parte dos referentes culturais dos jovens de hoje, como nelas reside um elevado potencial para a promoção do desenvolvimento global dos indivíduos, da sociedade e, bem assim, da missão nuclear da própria escola (cf. Costa, 2010).
Tecendo alguns comentários à situação nacional, apesar da existência do Plano Tecnológico para a Educação, persistem dificuldades na integração das TIC no processo de ensino e de aprendizagem, nomeadamente no que se refere ao facto de muitos docentes apresentarem falta de proficiência no uso das TIC e da não existência de recursos em quantidade suficiente nas escolas. Estes aspetos são relevantes na medida em que, segundo Miranda (2007), para se verificarem resultados positivos nas aprendizagens dos alunos é necessário capacitar os docentes para efetivamente integrarem as TIC no ato de ensinar e promoverem aprendizagens com a sua utilização, explorando as suas possibilidades.
O uso das TIC deve ter o objetivo máximo de auxiliar os alunos com NEE a construírem conhecimentos significativos e a desenvolver projetos. O domínio das TIC pelos professores pode ajudar os alunos a explorar as suas potencialidades na construção do seu saber e no desenvolvimento de competências e, assim, progressivamente alterarem a forma como aprendem.
89 Para Miranda (cf. Miranda, 2007), é importante considerar que a aprendizagem é o processo re(construtivo), cumulativo, orientado para determinados objetos, situada e colaborativa. Estes aspetos devem ser considerados aquando da integração das TIC na prática educativa, bem como a qualidade da formação técnica e pedagógica dos professores e respetivo empenhamento. Desta forma, com toda a certeza, que os resultados da aprendizagem dos alunos poderão ser mais positivos.
Portanto, são vários os fatores que interferem neste processo: fatores atitudinais individuais, fatores contextuais (recursos existentes, por exemplo) e fatores relacionados com a formação inicial e/ou contínua, sendo que é necessário ter professores competentes na utilização das TIC no ensino, para que, efetivamente, a sua integração na educação tenha reflexos positivos nas aprendizagens dos alunos (cf. Peralta e Costa, 2007).
Os desafios da escola remetem para a conciliação entre os apelos da tecnologia em constante evolução (notebooks, tablets, androides) e o gosto e a habilidade natural dos alunos. Para responder a estes desafios, os docentes têm que se atualizar constantemente face aos novos softwares, programas, serviços, ferramentas que a web oferece, implementando mudanças que possibilitem e facilitem a entrada de todos, de toda a comunidade educativa, nesta sociedade do conhecimento.
A integração das tecnologias de informação e comunicação nas ferramentas ou meios de trabalho usuais na sala de aula, implica uma mudança de práticas pedagógicas.
Como poderá ser feita?
Bem, uma possibilidade está na utilização de plataformas digitais de ensino aprendizagem. Criando-se um espaço seguro de navegação, desenvolvem-se competências TIC, competências cognitivas, relacionais, de autonomia e responsabilidade, estimulando-se, ao mesmo tempo, a participação dos pais na educação dos filhos. Estas atividades denominadas sociais são hoje geralmente reconhecidas como atividades essenciais ao processo de aprendizagem” (cf. Bidarra, 2009). A comunicação, o trabalho colaborativo, de projeto, entre professores e alunos e entre os próprios alunos, é facilitado. Os alunos sentir-se-ão motivados para as tecnologias e para a aprendizagem curricular.