2. REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Convergência Internacional da Contabilidade
Alguns autores utilizaram informações e normas contábeis para efetuar estudos sobre convergência contábil, dentre eles Baker e Barbu (2007) e Barth, Landsman e Lang (2008). Parker (1983, apud NOBES; PARKER, 2004, p. 4) destaca o estudo da contabilidade internacional comparativa, ao afirmarem que “existem quatro razões quanto ao estudo [desta], quais sejam: razões históricas, razões multinacionais, razões comparativas e razão harmonização” (tradução livre).
Razões históricas podem ser identificadas pelo processo de colonização que cada país sofreu, o que pode ocasionar heranças de características contábeis do seu colonizador, com adaptações à sua realidade econômica. Dentre outros fatores históricos destacam-se o desenvolvimento da teoria contábil, da profissão contábil, do mercado de capitais, bem como da educação contábil. Niyama e Silva (2008) destacam que quanto mais amadurecidos forem estes quatro últimos fatores, melhores podem ser as informações contábeis.
Os estudos comparativos efetuam avaliações sobre a convergência, buscando conhecer as normas locais e compará-las com as internacionais. Verificado isto, oconvergência poderá ser conduzida com maior confiabilidade e qualidade. Ainda neste contexto, vale destacar que a convergência tem sido utilizada com o intuito de “identificar os esforços de um conjunto de esforços dos países na direção de um conjunto de padrões contábeis globais” (WEFFORT, 2005, p. 15).
Entretanto, McLeay, Neal e Tollingon (1999) distinguem a convergência e a padronização da contabilidade internacional. A padronização pode ser entendida como um
movimento global para uniformização, enquanto a convergência é entendida como movimento de similaridade entre as escolhas de alternativas de tratamento contábil.
Com a finalidade de avaliar a convergência contábil, diversos autores efetuaram estudos empíricos, conforme as conclusões de Baker e Barbu (2007), em que mensuraram a amplitude da pesquisa em contabilidade internacional, bem como a aplicação de diversos testes de consistência de dados e a utilização de indicadores.
2.1.1. Movimento de convergência global
O esforço para a convergência contábil tem sido um desafio de diversas economias para produzir informações contábeis comparáveis e com alta qualidade, como é o caso do esforço da União Europeia em utilizar os IFRS (International Financial Reporting Standard – Padrões Internacionais de Relatórios Financeiros ) desde 2005.
Sabe-se que a Fundação IFRS (esta substituiu a Fundação IASC) e o IASB (atual comitê executor) têm por objetivo desenvolver padrões de alta qualidade, que sejam compreensíveis e possam ser implementados pelas empresas e globalmente aceitos pelas mais diversas economias mundiais.
Para conseguir executar este objetivo, o IASB trabalha em estreita cooperação com as partes interessadas em todo o mundo, incluindo investidores, normatizadores, reguladores, auditores, acadêmicos e outras pessoas que tenham interesse no desenvolvimento de padrões globais de alta qualidade (IFRS, 2011), bem como com o apoio do Grupo 20 (G-20), deniminação dada ao grupo das 20 maiores economias mundiais. Os líderes deste grupo solicitaram aos organismos internacionais de contabilidade que redobrassem os seus esforços para atingir o objetivo de elaboração de normas, com padrões de referência para utilização e como parâmetro para elaboração de padrões locais de contabilidade. Em particular, eles pediram ao IASB e ao FASB – Financial Accounting Standard Board – (EUA) para completar o projeto de convergência elaborado em Junho de 2011 (IFRS, 2011). No Quadro 1, logo a seguir, é apresentado um detalhamento, contendo o estágio e cenário da convergência de alguns países (quando da realização desta pesquisa); ou seja, em que ano foi
ou será exigida a utilização dos padrões internacionais de contabilidade por determinado país, bem como o alcance para aplicação pelas empresas.
Quadro 1 – Estado da arte atual da processo de convergência de algunspaíses aos padrões internacionais de contabilidade
País Status do IFRS
Argentina Exigido a partir de 1º de Janeiro de 2012
Austrália Exigido desde 2005
Brasil Exigido o consolidado em 2010 e o individual progressivamente a partir de
2008
Canadá Exigido a partir de 1º de Janeiro de 2011
China Substancialmente convergente com as IFRS desde 2007
União Europeia (UE) Em todos os membros da União Europeia são exigidos as IFRS desde 2005
França Exigida a Adoção e Implementação via UE desde 2005
Alemanha Exigida a Adoção e Implementação via UE desde 2005
Índia Dada ainda a ser confirmada.
Indonésia Convergência em andamento com expectativa de implementação em 2012
Itália Exigida a Adoção e Implementação via UE desde 2005
Japão Permitido para um grupo de companhias internacionais, com expectativa de
adoção em 2012. Exigido em 2016.
México Exigido em 2012
República da Coréia Exigido em 2011
Rússia Exigido em 2012
África do Sul Exigido desde 2005
Turquia Exigido desde 2008
Reino Unido Exigida a Adoção e Implementação via UE desde 2005
Estados Unidos Permitido para empresas estrangeiras desde 2007. As empresas locais ainda
aguardam decisão sobre a exibilidade dos IFRS.
Fonte: Adaptado a partir do IASB (2012).
Observa-se que nem todos os países estão utilizando os padrões internacionais de relatórios financeiros (IFRS) em sua totalidade. Alguns exigem a utilização dos IFRS, como é o caso do México, a partir de 2012, a República da Coréia, em 2011, e também, principalmente, os que compõem a União Europeia; e outros permitem tal utilização, como é o caso dos EUA e Japão.
Além disto, observa-se que a China e o Brasil estão trabalhando para convergência substancial, sendo que o primeiro já efetuou um grande avanço com as reformas efetuadas em seus padrões contábeis básicos e específicos, em 2006, e o segundo, com diversos esforços desde 2007, quando da aprovação da revisão e atualização da Lei nº 11.638/07.
2.1.2. Pesquisas sobre a Convergência Internacional da Contabilidade
As primeiras pesquisas em contabilidade internacional concentravam-se em classificar os sistemas contábeis em diversos países. Niyama (2010) cita os esforços de Nobes (1993), Radebaugh e Gray (1993), Doupnik e Salter (1993), Belkaoui (2000), Elliot e Elliot (2002) e Saudagaran (2004), em classificar as diferenças dos financial reporting. No caso brasileiro, Niyama (2010) procurou classificar o país em um dos sistemas e verificou que ainda não tem características claras.
Com finalidade de avaliar a harmonização contábil, diversos autores efetuaram estudos empíricos Baker e Barbu (2007), em que foi mensurada a amplitude da pesquisa em contabilidade internacional, bem como a aplicação de diversos testes de consistência de dados, incluindo a utilização de indicadores. Os referidos autores separam as pesquisas sobre harmonização da contabilidade internacional em três períodos: 1965 a 1973, contendo 21 artigos (sendo 14 % com metodologia empírica e quantitativa); 1974 a 1989, com 46 artigos (sendo 30% com metodologia empírica e quantitativa) e 1990 a 2004, com 135 artigos (sendo 50% com metodologia empírica e quantitativa). Percebe-se um incremento gradativo no número de pesquisas empíricas e quantitativas em contabilidade internacional, o que demonstra uma preocupação de verificar a aplicação de padrões contábeis e seus reflexos.
Ainda o estudo de Baker e Barbu (2007) demonstrou o crescimento da utilização de métodos empíricos para analisar a convergência internacional da contabilidade em diversos países. Os autores separaram ainda os estudos em diversas características de pesquisas, a saber: comparativos; reflexos da implementação da harmonização; e mensuração da harmonização e efeitos nas variáveis contábeis.
Dentre os temas mais pesquisados por Baker e Barbu (2007) destacam-se os efeitos da harmonização contábil, os quais buscam relacioná-los com as variáveis contábeis, tendo como estudos mais destacados: Tay e Parker (1992), Van der Tas (1992a, 1992b), Archer, Delvaille e McLeay (1995), Lainez, Callao e Jarne (1996), Krisement (1997), Mcleay, Neal e Tollingon (1999), Morris e Parker (1999).
Outra trabalho que corrobora as conclusões de Baker e Barbu (2007), realizado por pesquisadores brasileiros, é o de Ikuno et al (2010),cujo o período analisado, 2000 a 2009, envolveu 23 periódicos internacionais em contabilidade. Os autores verificaram a persistência do tema de mensuração da convergência em 31 dos 75 artigos analisados, que se enquadra
em: mensuração da convergência; impacto da adoção dos IFRS/IAS; e as diferenças internacionais e implicações no financial reporting.
Por outro lado, Lima (2010) verificou que os resultados contábeis são mais relevantes ao utilizarem os padrões internacionais de contabilidade em empresas brasileiras e tem aumentado a relação entre o preço da ação e o valor das variáveis contábeis das empresas.