O termo “corredores” foi primeiramente usado por Simpson (1963) no contexto de dispersão de fauna entre os continentes. Os registros paleontológicos são um “testamento” do valor de corredores intercontinentais. Hoje, em dia, o enfoque dado a corredores para reservas naturais é bem diferente. Entretanto, é interessante especular o quanto a idéia foi influenciada pela percepção anterior de que a biota se dispersa ao longo dos vales, bacias hidrográficas e outras características fisiográficas (SHAFER,1990). Leopold (1949) notou que vários animais, por razões desconhecidas, não pareciam ater-se às suas populações, porém, foi Preston (1962) que recomendou o uso de corredores entre reservas.

Usados estrategicamente, os corredores e zonas de amortecimento podem mudar fundamentalmente o papel ecológico das áreas protegidas. Esses corredores serviriam para aumentar o tamanho e as chances de sobrevivência de populações pequenas, além de poderem servir como possibilidades de recolonização de espécies localmente perdidas e, ainda, permitir a redução da pressão do entorno das áreas protegidas.

Podemos melhor definir o que deverão ser nossos corredores de biodiversidade, como faixas de vegetação ligando blocos de habitat nativo; ou por exemplo como “Áreas homogêneas (numa determinada escala) de uma unidade da paisagem, que se distinguem das unidades vizinhas e apresentam disposição espacial linear”(METZGER,2001)

No sentido que tem sido utilizado por algumas organizações não governamentais ambientalistas, como o Instituto Conservation International, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto de estudos Sócio-Ambientais da Bahia- IESB, um corredor de biodiversidade ou um corredor ecológico, “compreende uma rede de parques, reservas e outras áreas de uso menos intensivo, que são gerenciadas de maneira integrada para garantir a sobrevivência de um maior número possível de espécies de uma região”.

A definição de corredores de biodiversidade numa paisagem, visa diminuir os efeitos da fragmentação e do isolamento de habitats, contribuindo também para um manejo mais apropriado de toda a região, uma vez que pressupõe introdução de novas técnicas de manejo e uso dos solos sem, no entanto, influenciar diretamente no desenho fundiário regional.

Segundo o documento “Planejando Paisagens Sustentáveis” o corredor de biodiversidade, é uma unidade de planejamento regional, muito mais que um mecanismo de zoneamento. Um corredor inclui tanto as áreas protegidas já existentes, como as por criar, as reservas privadas, áreas prioritárias, projetos demonstrativos e outras áreas de uso econômico intensivo.

Sob uma perspectiva biológica, o objetivo principal dos corredores de biodiversidade é manter ou restaurar a conectividade da paisagem. Para isso, são necessárias várias ações, algumas de caráter investigativo, outras de caráter indutivo e ainda algumas intervenções. Um primeiro conjunto de ações está relacionado ao conhecimento da região.

O que pode, a estratégia de estabelecimento de corredores de biodiversidade mais acrescentar, além de seus resultados para a conservação da diversidade biológica, é a introdução de políticas de conservação que custem menos ao governo e a sociedade, permitindo que os últimos optem por receber compensações pelos seus esforços de conservação, em vez de verem impostas medidas autoritárias e burocráticas, sem que sequer se compreenda que objetivos pretendem alcançar (BRITO, 2002).

Finalmente, o sexto projeto do Subprograma de Unidades de Conservação e Manejo de Recursos Naturais, no âmbito do PPG-7, em fase final de preparação é o projeto parques e reservas, que tem como objetivo a conservação in situ da biodiversidade das florestas tropicais brasileiras, por meio da integração de Unidades de Conservação públicas e privadas em Corredores Biológicos selecionados. Os alvos específicos são a implementação de unidades modelo em áreas de alta prioridade para a diversidade biológica, a expansão do sistema de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e a preservação de grandes blocos de florestas tropicais, por meio da integração de populações locais e outros atores. O manejo integrado dos corredores ecológicos visa facilitar o fluxo de indivíduos e genes entre populações, aumentando a probabilidade da sobrevivência das espécies em longo prazo e assegurando a manutenção de processos ecológicos evolutivos em larga escala.

Por intermédio da Diretoria de Ecossistemas (DIREC), o IBAMA é o executor do projeto, junto com governos estaduais e municipais e Organizações não Governamentais.

Sete corredores prioritários foram propostos, após estudos extensivos, dos quais cinco na Amazônia e dois na Mata Atlântica. Juntos, eles representam 25%

das florestas tropicais úmidas brasileiras e podem preservar 75% das espécies de animais e plantas nelas existentes. São eles:

Corredor Centro –Amazônico, que inclui grandes extensões de florestas inundadas e de terra firme nas bacias dos Rios Negro e Solimões. As florestas inundadas deste corredor têm alta diversidade biológica e muitas espécies endêmicas. Ele inclui a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamiruauá, a ESEC de Anavilhanas, a Floresta Nacional de Tefé, o Parque Nacional (PARNA) do Jaú, a Reserva Florestal Adolpho Ducke, outras nove Unidades de Conservação e 14 áreas indígenas.

Corredor Norte-Amazônico, situado na fronteira Norte do Brasil com a Colômbia e a Venezuela. Inclui montanhas e ecossistemas de altitude ainda praticamente intocados. Abrange o PARNA do Pico da Neblina, a FLONA de Roraima, o Parque Estadual da Serra do Araçá, mais 17 Unidades de Conservação e 20 áreas indígena.

Corredor Oeste-Amazônico, um ambiente que abriga muitas espécies de aves, plantas e macacos. Provavelmente é o mais rico da Amazônia em termos de biodiversidade. Inclui o PARNA da Serra do Divisor, as Reservas Extrativistas (RESEX) Chico Mendes e do Rio Preto-Jacundá, mais 30 Unidades de Conservação e 30 áreas indígenas.

Corredor Sul-Amazônico, vital para a proteção da fauna e da flora entre os rios da margem direita (sul) do Amazonas: Tapajós, madeira, Xingu e Tocantins. Inclui áreas localizadas em três Estados (Amazonas, Pará e Maranhão), que abrangem a Floresta Nacional do Tapajós, o Parque Nacional (PARNA) da Amazônia, a Reserva Biológica (REBIO) de Gurupi, mais três Unidades de Conservação e 20 áreas indígenas.

Corredor do Ecótono Sul-Amazônico (Amazônia-Cerrado), localizado nas áreas de transição entre a Amazônia e as savanas do Cerrado. É um ecossistema ameaçado de extinção devido ao avanço da fronteira agropecuária. Inclui o Parque Nacional (PARNA) do Araguaia situado na Ilha do Bananal, Estado de Tocantins e 17 áreas indígenas nos Estados do Amazonas, Mato Grosso e Tocantins.

Corredor Central da Mata Atlântica, com áreas de alta biodiversidade nos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e costa sul da Bahia. Abriga muitas espécies de animais e plantas da planície costeira. Inclui a Reserva de Sooretama, a reserva Florestal de Linhares, a Reserva Biológica (REBIO) de Uns, os Parques Nacionais (PARNA) de Monte pascal e da Serra do Caparão, além de outras Unidades de Conservação e áreas indígenas que, juntas, formam um mosaico de fragmentos florestais.

Corredor Sul da Mata Atlântica (Corredor da Serra do Mar), a maior extensão contínua de Mata Atlântica e a mais viável para a conservação.

Este corredor inclui 27 Unidades de Conservação, como a Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual da Serra do Mar (São Paulo), a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra da Mantiqueira (MG), os Parques Nacionais (PARNA) da Serra da Bocaina e o de Itatiaia (Rio de Janeiro), a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba (Paraná)”.

O Projeto Corredores Biológicos está programado para duas fases, cada uma com duração de cinco anos. Na primeira serão implantados o Corredor Centro-Amazônico e o Corredor Central da Mata Atlântica, o Corredor do Descobrimento (MMA, 1998).

No documento BIODIVERSIDADE José Maria da Silva Júnior Márcia da Costa Rodrigues de Camargo Maria Luíza C. Dantas Lima SUMÁRIO (páginas 19-23)