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CAPÍTULO 3- RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.3. CORRELAÇÃO DA SAÚDE E POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

3.3.2. CORRELAÇÃO DE PEARSON – SEGUNDO TESTE (CATEGORIAS)

No decorrer de cada ano, a concentração de PTS no ar do Distrito Federal sofreu variações. Em certos períodos estava de forma crescente, e em outros, decrescente. Assim, foram definidos os períodos em que a concentração de PTS estava de forma crescente e de forma decrescente, por pelo menos três meses15. A definição desses períodos foi categorizada como: A, B, C, D. Nesse sentido, conforme já mencionado no capítulo 2 desse trabalho, foi aplicado o teste de correlação de Pearson para os dados categorizados.

A concentração de PTS do ano de 2007 foi categorizada em três períodos – A (abril a julho), B (julho a setembro) e C (outubro a dezembro). Em janeiro, fevereiro e março não houve monitoramento de PTS (Ilustração 19 e Ilustração 20).

Ilustração 19 – Número de internação e concentração de PTS em 2007

Ilustração 20 – Número de óbitos e concentração de PTS em 2007

Houve forte correlação da concentração de PTS com o número de internação de crianças e idosos, conforme as categorias definidas. Em alguns casos, o valor de r chegou próximo de 1, o que é definido como correlação perfeita. Por exemplo, na categoria B, que se

consideraram os meses de julho a setembro, os dados das internações de crianças e idosos geraram, respectivamente, valores de r igual a 0,9998 e 0,8722. A exceção dos valores de r positivo e elevado, para as internações, foi a correlação do número de crianças internadas da categoria A, em que o r calculado foi de -0,2963 (Tabela 24).

Quanto à correlação do número de óbitos com a concentração de PTS, tiveram-se valores de r alto para categoria B, tanto crianças como idosos, e categoria C, somente os idosos. Os demais, não houve forte correlação positiva. Observa-se que na categoria B, meses de julho a setembro, os óbitos de crianças gerou um r igual a 0,9661, que indica uma correlação quase perfeita (Tabela 24).

Tabela 24– valores de r para as categorias do ano de 2007 – internações e óbitos

PERÍODO CATEGORIA INTERNAÇÕES ÓBITOS

Crianças Idosos Crianças Idosos

janeiro a março * - - - -

abril a julho A -0,2963 0,7276 -0,7329 0,405

julho a setembro B 0,9998 0,8722 0,9661 0,7074

setembro a outubro ** - - - -

outubro a dezembro C 0,9233 0,9301 -0,9577 0,8164

* não houve monitoramento da qualidade do ar nesse período ** não atendeu a exigência mínima de três meses

Portanto, destaca-se que em 2007:

 nos meses de abril a julho, as internações de idosos geraram uma forte correlação, com r igual a 0,7276. E os óbitos geraram uma correlação moderada, com r igual a 0,405;

 nos meses de julho a setembro, as internações e os óbitos para ambos os grupos, crianças e idosos, tiveram valores de r elevado, alguns próximos de 1, que indica uma correlação perfeita;

 nos meses de outubro a dezembro, os valores de r ficaram próximos de 1 para as internações e óbitos de crianças e idosos. A exceção foram os óbitos de crianças, que teve um r igual a -0,9577.

Em 2008, a concentração de PTS foi categorizada em dois períodos – A (janeiro a julho) e B (julho a novembro). De novembro a dezembro não foi categorizado, pois não atendeu a exigência mínima de três meses (Ilustração 21 e Ilustração 22).

Ilustração 21– Número de internações e concentração de PTS em 2008

Ilustração 22– Número de óbitos e concentração de PTS em 2008

As internações de crianças e idosos das duas categorias (A e B) tiveram forte correlação com a concentração de PTS, sendo que, a categoria B chegou próximo do r igual a 1, que demonstra uma correlação perfeita.

Quanto aos óbitos, a correlação da faixa etária dos idosos foi moderada, com r igual a 0,3 em ambas categorias, A e B. Os óbitos de crianças não tiveram correlação positiva com a concentração de PTS (Tabela 25).

Tabela 25 – valores de r para as categorias do ano de 2008 – internações e óbitos

PERÍODO CATEGORIA INTERNAÇÕES ÓBITOS

Crianças Idosos Crianças Idosos

janeiro a julho A 0,788 0,8352 -0,078 0,3208

julho a novembro B 0,9415 0,9179 -0,2668 0,309

novembro a dezembro * - - - -

* não atendeu a exigência mínima de três meses

Portanto, destaca-se que em 2008:

 de janeiro a novembro, as internações de crianças e idosos tiveram valores alto de correlação com o PTS. Nenhum valor de r foi inferior a 0,7. Sendo que, de julho a novembro, a correlação foi quase perfeita, 0,9415 e 0,9179, respectivamente para as crianças e os idosos;

 de janeiro a novembro, os óbitos não estiveram correlacionados significativamente com a concentração de PTS.

O período do ano de 2009 foi dividido em quatro categorias, conforme a variação da concentração de PTS: A (janeiro a março), B (abril a junho), C (julho a setembro) e D (setembro a dezembro). De março a abril e de junho a julho não foi categorizado, porque não atendeu a exigência mínima de três meses (Ilustração 23 e Ilustração 24).

Ilustração 23– Número de internações e concentração de PTS em 2009

Ilustração 24 – Número de óbitos e concentração de PTS em 2009

A correlação com valor de r próximo de 1, considerado correlação quase perfeita, foi obtida nas categoria D, internações de crianças, com r igual a 0,9885; na categoria B, internações de idosos, com r igual a 0,9616; na categoria A, óbitos de crianças e de idosos,

com r igual a 0,9618 e r igual a 0,9062, respectivamente; e na categoria B, óbitos de idosos, com r igual a 0,9545 (Tabela 26).

Tabela 26 – Valores de r para as categorias do ano de 2009 – internações e óbitos

PERÍODO CATEGORIA INTERNAÇÕES ÓBITOS

Crianças Idosos Crianças Idosos

janeiro a março A 0,4607 -0,8013 0,9618 0,9062 março a abril * - - - - abril a junho B -0,121 0,9616 -0,73 0,9545 junho a julho * - - - - julho a setembro C -0,7565 0,2351 0,6117 -0,6834 setembro a dezembro D 0,9885 0,4922 0,4247 0,4784

* não atendeu a exigência mínima de três meses

Portanto, destaca-se que em 2009:

 de janeiro a março, os óbitos de crianças e idosos tiveram correlação com valores de r próximo de 1;

 de abril a junho, o grupo etário dos idosos, tanto para internações quanto para óbitos, também tiveram correlação com valores de r próximo de 1;

 de julho a setembro somente os óbitos de crianças tiveram uma correlação caracterizada como forte, com r igual a 0,6117. Demais, a correlação positiva não foi significativa;

 de setembro a dezembro, as internações de crianças apresentaram uma correlação quase perfeita, com r igual a 0,9885. As demais correlações nesse período foram moderadas, apresentaram r igual a 0,4.

Vale lembrar que, os outros resultados gerados pelo software BioEstat 5.0, além do valor r, tais como o nível de confiança, o grau de liberdade, estão descritos no anexo (Tabelas 12A à 14A).

Contudo, é possível extrair dos resultados gerados no segundo teste, que as internações, tanto de crianças como de idosos, estão associadas à concentração de PTS na atmosfera do Distrito Federal, sobretudo nos anos de 2007 e 2008. Quanto aos óbitos, demonstrou forte associação somente no ano de 2007. Por fim, o ano 2009 gerou resultados isolados para cada categoria. Assim, impossibilitou a análise com uma escala temporal maior, sendo possível analisar somente os resultados de correlação de cada categoria.

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