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Para melhor elucidar os processos cognitivos referenciados, faz-se uso da metodologia proposta por Sato e colaboradores (2014): a abordagem de equifinalidade de trajetórias (Trajectory Equifinality Approach – TEA). Para essa pesquisa em particular, faremos uso, em grande maioria, dos conceitos de um dos subtópico que o TEA elenca: o TEM, Modelo de Equifinalidade de Trajetória (VALSINER; SATO, 2006; SATO et al, 2007a).

Esse instrumento foi escolhido por fazer uso dos processos rememorativos e imaginativos como elemento central no processo de (re)construir uma trajetória. Ademais, como bem frisa Valsiner (2018), esse modelo considera o que poderia emergir em contraste ao que já surgiu para destacar pontos de bifurcação em uma trajetória de vida e compreender as possibilidades imaginadas, mas não realizadas e as decorrentes influências nessa trajetória. Para aproximar-se do TEA, que conjectura uma metodologia para descrever trajetórias por meio de diferentes tipos de pontos no tempo irreversível, se precisa levar em conta outros dois aspectos (para além do TEM): a) o uso do Convite Historicamente Estruturado como método de amostragem de casos individuais que tem como pressuposto selecionar os participantes com base em suas histórias de curso anteriores conhecidas (SATO et al., 2007b); e b) o Modelo da Gênese de Três Camadas que busca entender como os signos emergem num tempo e espaço particular da trajetória (SATO, 2016). Dessa forma, é o pesquisador que decide qual aspecto de um sistema historicamente organizado será o objetivo de sua investigação (e constituirá seu ponto de equifinalidade) (SATO et al, 2007a) aqui definido como um “lugar de pertencimento” ou “lugar para pertencer”.

Essa metodologia possibilitou avanços como: a) unir o psicologicamente real e o imaginário através da construção de um modelo de trajetórias de vida dentro do tempo irreversível; b) a criação de unidades de análise molares ao invés de utilizar análises em elementos reducionistas; e c) criar a arena para desenvolver formas de analisar oposições (tensões) que cruzam a linha do passado e do futuro.

Através desse artifício teórico se busca participantes que através de diferentes trajetórias de curso de vida chegaram a um estado psicológico e/ou passaram por alguma experiência para alcançar o que aqui será chamado de equifinalidade. Este método focaliza pontos de equifinalidade e pontos de bifurcação como âncoras conceituais. Baseando-se na

noção de irreversibilidade do tempo, ilumina a diversidade de possíveis trajetórias para alcançar o ponto de equifinalidade – isto é, as maneiras pelas quais o mesmo estado final é alcançado usando diversas alternativas de caminho. (LYRA, VALERIO, WAGONER, 2018).

No que tange a diversidade de trajetórias, faremos uso de alguns dos conceitos desenvolvidos para o TEM que conduzem o sujeito para o ponto de Equifinalidade (VALSINER; SATO, 2006). Desses, serão utilizados: a) Ponto de Bifurcação (Bifurcation

Point – BFP): Refere-se quando há diferentes alternativas de trajetória para o sujeito escolher

(ex: afastar-se da região<>não-afastar-se da região); b) Ponto de multifinalidade (MP) ou Zona de equifinalidade: que refere-se à multiplicidade de finalidades que podem haver após o ponto de equifinalidade a ser atingido: “um lugar (CJE) para pertencer (ou não)”; c) Direção Social (Social Direction – DS): A DS alude a cultura – pelas tradições, normas sociais e pressão social – pode dirigir a algumas trajetórias em detrimento de outras; d) Orientação Social (Social Guidence - OS): alude ao poder pessoal frente a DS.

Na corrente pesquisa, no entanto, as concepções de SPO e DS são adaptadas em favor da inclusão de um rearranjo teórico. Por um lado, a SPO refere-se aos significados construídos pelos indivíduos ao longo da sua vida que orientam a forma que o espaço é significado para si, que, por sua vez, também orientam sua relação com ele. Assim, a função orientadora do significado prepara a pessoa para se desenvolver em direção ao objetivo a ser alcançado - ou desviar-se dele encontrando um significado diferente (LYRA, VALÉRIO E WAGONER, 2018). O SPO é aquilo que uma pessoa persegue e luta contra as influências sociais que também promovem significados sob a região e os indivíduos que nela habitam.

Essas influências sociais, aqui definidas como DS, são exploradas a luz das concepções teóricas desenvolvidas por Lyra, Valério e Wagoner (2018). Esses autores propõem que toda construção de significados se dá em diálogo com as avenidas de significados dirigidos (ASDs) construídas, partilhadas e ofertadas coletivamente. A partir da interconexão da teoria da ASDs e da teoria do TEM, é possível exibir as dimensões analógicas especiais e temporais em diálogo com as trajetórias dos sujeitos em seus cursos de vida. Assim, o uso desse conceito destaca como os significados disponíveis no ambiente sociocultural guiam e modulam – pelas ASDs – a construção de significados dos indivíduos ao se moverem em sua trajetória.

Essa consideração vai ao encontro do que os próprios autores que elaboraram a teoria de Avenidas de Significados Dirigidos pensam, de forma que ela pode ser complementar a Abordagem de Equifinalidade de Trajetórias (TEA) (SATO ET AL., 2014) – mais especificamente ao TEM – posto que possibilitam um exame mais detalhado dos significados

coletivos disponíveis em contextos e momentos específicos, bem como as várias restrições sociais encontradas. No entanto, o TEM por si só não inclui a semiose, porém possibilita mapear o pano de fundo para que possamos localizar onde os atos de construção de significado estão ocorrendo e suas funções na organização do fluxo psicológico. Por isso completaremos esse aspecto a partir das teorias escolhidas e expressas nos tópicos anteriores que se referem aos processos imaginativos e rememorativos, evidenciando que para compreensão das ASDs requer-se um período de acompanhamento para explorar como os significados construídos numa entrevista muda conforme sua vida muda.