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3. REVISÃO DE LITERATURA DE PESQUISAS SOBRE FINANCEIRIZAÇÃO 32

4.2   Dados sobre os Trabalhadores da AES Eletropaulo 55 

Na Figura 13, há a relação entre o número de consumidores por empregado. Esse número aumenta drasticamente durante o período pós-privatização, o que pode ser explicado pelo aumento da tecnologia, ou a ampliação da quantidade de serviço por pessoa.

Figura 13- Número de consumidores por empregado

Fonte: Elaborado pelo autor (2012).

A respeito da idade dos trabalhadores, a parcela de empregados acima de 45 anos é crescente, (Vide Figura 14). Segundo Proni e Lyrio (2005), após as privatizações, observa-se um envelhecimento do quadro devido à proteção ao emprego pelos sindicatos. É importante ressaltar que, no referido momento, é possível encontrar uma contradição em relação ao processo de financeirização posteriormente discutido, pois há a proteção dos trabalhadores mais antigos feita pelos sindicatos.

Figura 14 - Número de empregados acima de 45 anos

Fonte: Elaborado pelo autor (2012).

Sobre o número de mulheres na empresa, observa-se, na Figura 15, a partir do ano de 1998, ano da fusão da empresa em quatro empresas menores, que o número de trabalhadoras diminuiu. Contudo, após a separação, ocorre na companhia que corresponde à AES Eletropaulo um acréscimo do número de funcionárias.

Figura 15 - Número de mulheres na empresa

Na Tabela 4 abaixo, o objetivo é comparar salários de trabalhadores comuns (os eletricitários) em relação ao salário dos dirigentes, nesse caso, o CA e a Diretoria. Os valores da tabela são anuais, a Razão 1 se refere à divisão entre o salário da Diretoria e o do trabalhador comum. O que comprova o salário do Diretor, por exemplo no ano de 2012, ter se tornado setenta vezes maior que o salário do trabalhador comum na empresa caso estudada. O mesmo ocorre com o CA, cujo salário foi quase cinco vezes superior ao salário do trabalhador comum em 2012 (observe Razão 2).

Em 2013, essa discrepância diminuiu um pouco, porém se manteve elevado o distanciamento de salários do Diretor, com quase sessenta e oito vezes mais do que o salário do trabalhador comum, e o salário do CA quatro vezes.

Sobre o trabalhador terceirizado, foi possível coletar dados do ano de 2014, quando o salário anual foi de R$ 22079,04 (vinte e dois mil e setenta e nove reais e quatro centavos), sendo um pouco mais baixo que o do trabalhador comum.

Tabela 4 – Remuneração média de Diretores, CA, trabalhadores e terceirizados da Eletropaulo (em R$)

Tota Ano 1994 1995 1996 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Diretoria1 1467001,78 1494231,04 1546399 CA2 98100 103781,25 97282 Trabalhador Comum 21306,6 22800 24000 Razão1 70,12996161 67,82451754 0 Razão2 4,870849878 4,266754386 0 Trabalhador Terciarizado 22079,04 Renumeração Médio

Fonte: Elaborado pelo autor (2014). 10

A partir desses resultados coletados, abre-se a discussão sobre a teoria da agência, a respeito da mudança de clima após a privatização da AES Eletropaulo e a questão da remuneração dos gestores da empresa. Não se trata da quantidade de dinheiro envolvida, mas do modo como essa remuneração é estruturada e paga.

A Tabela 5 apresenta o modo de pagamento dos dirigentes, destacando a proporção de cada elemento na remuneração total de CA e Diretoria da AES Eletropaulo. 11

10

Não foi possível coletar dados dos anos de 1994 a 2010 devido ao sigilo de informações da área de Recursos Humanos da empresa caso.

11

Salário Base pró-labore: remunerar com base no nível e complexidade do cargo internamente (Companhia) e externamente (mercado); Bônus: Reconhecer o alcance/superação de metas empresariais e individuais;

Tabela 5 – Forma de Remuneração dos Diretores e CA da Eletropaulo

Conselho de Administração: 100 % remuneração fixa (salário / pró- labore);

Diretores Estatutários e Não Estatutários: 43,01% remuneração fixa (salário / pró- labore)

45,02% bônus

2,60% incentivos de longo prazo (Outros - ILP)

7,34% Benefícios diretos e indiretos 2,02% Benefícios pós-emprego

A remuneração dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal da Companhia é constituída em sua totalidade de remuneração fixa (Salário / Pró-labore), enquanto que a da Diretoria é composta de remuneração fixa e variável.

Da remuneração dos Diretores, cerca de 57% é variável em relação ao total. Isto implica que mais do que a metade do salário dos Diretores depende da performance da empresa: se a empresa tiver lucro, eles ganham mais. Pode-se dizer que esse dado corresponde ao estímulo adotado no período pós-privatização.

Benefícios diretos e indiretos: oferecer benefícios alinhados às práticas de mercado no nível executivo: -

veículo designado, plano de saúde, plano odontológico, seguro de vida, check up anual; Benefícios pós-

emprego: previdência privada. Outros - Incentivo de Longo Prazo (“ILP”): Estabelecido pela The AES

Corporation (“AES Corporation”) e condicionado ao alcance de metas corporativas globais e individuais. Visa reforçar a retenção dos profissionais e a criação de valor para o negócio de forma sustentável e no longo prazo. O incentivo de longo prazo é composto pelos seguintes componentes:

(i) Plano de Remuneração baseado em Ações da AES Corporation (a Companhia não possui um plano local de ações), definido e pago pela controladora sem ônus para a Companhia. Representa 50% do ILP de cada Diretor: Existem 3 tipos de remuneração por Ações: Stock Options: o Diretor estatutário recebe o direito de comprar ações da AES Corporation, por um determinado valor após um período de 3 anos; Performance Stock

Units: o Diretor recebe um determinado número de ações da AES Corporation (e não da Companhia). O valor

dessas ações poderá variar conforme performance do índice Standard & Poors 500 (S&P 500) da Bolsa de Nova Iorque; Restricted Stock Units: o Diretor recebe as ações da AES Corporation (e não da Companhia) para, caso deseje, aliená-las no mercado secundário após um período de carência

(ii) Plano Performance Units (PU): definido pela AES Corporation, é um bônus diferido atrelado ao cumprimento de metas trienais da AES Corporation. Representa 50% do ILP de cada Diretor e o pagamento é assumido localmente pela Companhia por não se tratar de remuneração baseada em ações. O indicador de referência é o EBITDA. O critério de pagamento prevê valores diferenciados para atingimento parcial, total ou superação de metas. Os valores atribuídos passam a ser disponíveis da seguinte forma: 1/3 no primeiro ano, 1/3 no segundo ano e 1/3 no terceiro ano, pagando-se no início do 4º ano. ) (Formulário de Referência AES Eletropaulo, 2014). 

Como foi dito anteriormente, na teoria da agência, dois grupos têm interesses conflitantes, enquanto os acionistas querem maximizar seus retornos no longo prazo, pelo fato de serem proprietários da companhia, os Diretores querem maximizar sua renda a curto prazo, por causa dos bônus e outras formas de remuneração. Esta afirmação é corroborada pelos argumentos ja utilizados nesta tese, pois recai exatamente nos tópicos de: Institucionalização, Teoria da Firma e Revolução Gerencial.

A empresa, antes de 1998 quando era Estatal, buscava a eficiência no fornecimento de energia, e nenhum dos funcionários, por serem públicos, não podiam receber salários mais altos que o do presidente da república, por exemplo.

Sobre o número de empregados, na Figura 16, aparece uma brusca quebra do ano de 1997 para o ano de 1998, que se deve ao fato da empresa ter sido dividida em quatro empresas menores como forma de preparação para a privatização: Eletropaulo Metropolitana, Empresa Metropolitana de Águas e Energia ou EMAE, Empresa Bandeirante de Energia, Empresa Paulista de Transmissão de Energia. A partir do ano de 1998, os dados se referem somente da empresa Eletropaulo Metropolitana que corresponde a atual AES Eletropaulo.

Figura 16 - Número de empregados

O número de trabalhadores terceirizados aumentou, ao longo dos anos, no novo modelo de empresa:

Figura 17 - Número de empregados terceirizados

Fonte: Elaborado pelo autor (2012).

Na Figura 18, cruzam-se as informações relativas aos empregados. Como resultado, nota-se que o número de funcionários contratados diretamente pela empresa não cresce muito, enquanto o número de terceirizados aumenta.

Figura 18 - Número de empregados diretos e de empregados terceirizados

A pesquisadora foi ao 34º Fórum de acidentes do trabalho, em maio de 2013, na USP em São Paulo. O palestrante Daniel Passos, do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos, expôs sobre o tema: “A terceirização do setor elétrico

brasileiro, um olhar sobre acidentes fatais.” Ele destacou a forma pela qual a agência

reguladora dita o valor a ser cobrado pelo preço final de energia e o seu reajuste, e como isso faz com que as formas de contratação sejam cada vez mais precárias.

Segundo Daniel Passos, após o processo de privatização, com o novo modelo de regulação, a revisão tarifária é feita a cada quatro anos. As empresas então, precisam gerir seus recursos em cima da tarifa calculada pela agência reguladora. Desse modo, os trabalhadores do setor elétrico acabam sendo penalizados, pois ocorre a terceirização de trabalhadores pela lógica da redução de custos. A cada vez que ocorre um novo reajuste pela ANEEL, ele incide sobre um processo contínuo de precarização no trabalho.

No tópico posterior, será apresentada uma discussão sobre o panorama do emprego no setor elétrico brasileiro com temas de terceirização e morte no trabalho. Trata-se de uma exposição sobre as taxas de acidentes no trabalho para os trabalhadores próprios e terceirizados no setor elétrico, demonstrando a precarização do trabalho, em prol do lucro.

4.3 Privatização e Reestruturação: as mudanças para os trabalhadores do setor