3.1
Gera¸c˜ao finita das ´Algebras de Rees simb´olicas
de ideais monomiais
Seja S = K[x1, x2, . . . , xr] e I ⊂ S um ideal monomial livre de quadrado. Sabemos
que M n≥0 I(n)tn=M n≥0 ( \ P∈Min(I) Pn)tn
(posteriormente falaremos mais sobre a igualdade acima) que por sua vez ´e uma S−´algebra finitamente gerada, usando o teorema 2.0.8.
O objetivo desta se¸c˜ao ´e mostrar que as ´Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais s˜ao, de forma geral, um caso particular do teorema 2.0.8 e portanto s˜ao tamb´em finitamente geradas. O pr´oximo lema auxiliar´a na demostra¸c˜ao da proposi¸c˜ao 3.1.3. Antes de enunci´a-lo, necessitamos lembrar a seguinte defini¸c˜ao:
Sejam A um anel e B um subanel de A. Um elemento x ∈ A ´e dito ser inteiro sobre B se satisfaz uma equa¸c˜ao da forma
xn+ a1xn−1+· · · + an= 0
em que ai ∈ B, ∀ i ∈ {1, . . . , n}. Claramente, todo elemento de B ´e inteiro em B. Se todo
elemento de A ´e inteiro em B dizemos que A ´e inteiro em B.
Lema 3.1.1. Sejam A um anel e B um subanel de A. Se A ´e inteiro em B e A ´e uma B−´algebra finitamente gerada ent˜ao A ´e um B−m´odulo finitamente gerado.
Demonstra¸c˜ao. Como A ´e uma B−´algebra finitamente gerada, ∃ ω1, . . . , ωk ∈ A tais
que A = B[ω1, . . . , ωk]. Ademais, como A ´e inteiro em B, ωi ´e inteiro em B para todo i.
Afirmamos que se A = B[ω1] ent˜ao A ´e um B−m´odulo finitamente gerado.
De fato, ∃ n ∈ N tal que ω1n+ a1ω1n−1+· · · + an= 0. Consequentemente,
ω1n+s =−(a1ω1n+s−1+· · · + anω1s), ∀ s ≥ 0.
Procedendo por indu¸c˜ao em s, podemos ver que todas as potˆencias de ω1 per-
tencem ao B−m´odulo gerado por {1, ω1, . . . , ω1n−1}. Portanto, A = B[ω1] ´e um B−m´odulo
finitamente gerado, o que conclui a afirma¸c˜ao.
Agora, supondo B[ω1, . . . , ωu] um B− m´odulo finitamente gerado para todo u tal
que 1≤ u < k, vamos mostrar que B[ω1, . . . , ωu] um B− m´odulo finitamente gerado para
u= k.
Seja Bu = B[ω1, . . . , ωu]. Ent˜ao, por hip´otese de indu¸c˜ao, Bk−1 ´e um B−m´odulo
finitamente gerado. Por outro lado, como ωk ´e inteiro sobre Bk−1 (pois B ⊂ Bk−1),
Bk= Bk−1[ωk] ´e um Bk−1−m´odulo finitamente gerado.
Portanto, ´e poss´ıvel verificar facilmente que Bk = B[ω1, . . . , ωk] ´e um B−m´odulo
finitamente gerado.
✷ Seja S = K[x1, x2, . . . , xr] e considere ℑ = {In}n∈N uma filtra¸c˜ao de ideais ho-
mogˆeneos de S.
Denote por A =M
n≥0
Intn a ´Algebra de Rees associada a ℑ. Define-se
A(d) =M n≥0 And = M n≥0 Indtnd
como sendo a d-´esima veronessiana de A. ´
E f´acil ver que A(d) ´e uma sub´algebra de A.
Defini¸c˜ao 3.1.2. Seja B uma B0−´algebra. Dizemos que B ´e uma B0−´algebra graduada
padr˜ao se ´e isomorfa ao anel quociente de B0[x1, x2, . . . , xr] por um ideal homogˆeneo.
A proposi¸c˜ao a seguir estabelece duas equivalˆencias para que uma S−´algebra seja finitamente gerada. Nesse contexto, trata-se apenas de um resultado t´ecnico que ser´a ´util posteriomente.
´
Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais 31
Proposi¸c˜ao 3.1.3. S˜ao equivalentes: (a) A ´e uma S-´algebra finitamente gerada.
(b) Existe um n´umero natural d tal que A(d) ´e uma S−´algebra graduada padr˜ao.
(c) Existe um n´umero natural d tal que A(d) ´e uma S−´algebra finitamente gerada.
Demonstra¸c˜ao. (a) ⇒ (b) Como A ´e uma S−´algebra finitamente gerada e ℑ ´e uma filtra¸c˜ao de ideais homogˆeneos, pela proposi¸c˜ao 1.4.5, A = S[f1tc1, . . . , fmtcm] em que
fi ∈ Ici ´e um elemento homogˆeneo, ∀ i ∈ {1, . . . , m}. Seja c = MMC{c1, . . . , cm}.
Defina B = S[g1, . . . , gm] com gi = fi
c
citc.Note que B ´e um subanel de A.
Al´em disso, B=M j≥0 Bj com Bj =h{uα1···αmg1 α1· · · g mαm; |α| := m X i=1 αi = j , uα1···αm ∈ S}i, ∀ j > 0 e B0 = S.
Observe que como fi
c ci ⊂ (Ic i) c ci ⊂ Ic ent˜ao gi ∈ Ac, ∀ i. Consequentemente, uα1···αmg1 α1· · · g mαm ∈ (Ac)j ⊂ Ajc, ou seja, Bj ⊂ Ajc para todo j∈ N.
Por outro lado, como fitci ´e um elemento inteiro em B (pois ´e raiz do polinˆomio
p(x) = xcic − gi) para todo i, e A ´e em particular uma B−´algebra finitamente gerada,
pelo lema 3.1.1 temos que A ´e um B−m´odulo finitamente gerado. Por sua vez, como B ´e noetheriano (pois ´e imagem homom´orfica do anel de polinˆomios em m vari´aveis sobre S) ent˜ao A(c) ´e tamb´em um B−m´odulo finitamente gerado.
Seja{ak ∈ Askc; k = 1, . . . , θ} um conjunto de geradores de A
(c) como B−m´odulo
e considere d = sc em que s = max{s1, . . . , sθ}.
Afirmamos que Ajd = Adj, ∀ j ≥ 0.
Com efeito, para j = 0 ou j = 1 ´e trivial. Suponha a afirma¸c˜ao v´alida para todo j ≥ 1 e mostremos que a mesma ´e v´alida para j + 1.
Para isso, note que BjAkc = A(j+k)c, ∀ j ≥ 0 e k ≥ s.
De fato, como Bj ⊂ Ajc tem-se BjAkc ⊂ AjcAkc ⊂ A(j+k)c. Reciprocamente,
considere f ∈ A(j+k)c ⊂ A(c). Ent˜ao
f = ht(j+k)c =X
λ
bλaλ com h∈ I(j+k)c, bλ ∈ B e aλ ∈ Asλc.
Observe que, k ≥ s ≥ sλ. Al´em disso, o grau em t de bλ ´e (j + k)c− sλc, para
Fixado λ, para simplificar a nota¸c˜ao, escreva bλ = X |α|=(j+k)−sλ uα1···αmg1 α1 · · · gmαm = X |α|=(j+k)−sλ uα1···αm(f1 c c1)α1 · · · (fm c cm)αmt(j+k)c−sλ e aλ = eaλtsλ com eaλ ∈ Isλc
Desta forma, ´e suficiente mostrar que eaλuα1···αm(f1 c c1)α1 · · · (fm c cm)αmt(j+k)c∈ BjAkc com |α| = (j + k) − sλ. Como α ∈ Nm e|α| = j + (k − s
λ) ent˜ao ∃ β, γ ∈ Nm tais que α = β + γ em que
|β| = j e |γ| = k − sλ. Portanto, eaλuα1···αm(f1 c c1)α1· · · (f m c cm)αmt(j+k)c = [uα1···αm(f1 c c1)β1 · · · (fm c cm)βmtjc][eaλ(f1 c c1)γ1 · · · (fm c cm)γmtkc] = [uα1···αmg1 β1 · · · gmβm][eaλ(f1 c c1)γ1 · · · (fm c cm)γmtkc]∈ BjAkc
pois, eaλ ∈ Isλc e para cada i, (fi c
ci)γi ∈ I
cγi ⊂ Icγi.
Com isso, conclu´ımos que BjAkc = A(j+k)c, ∀ j ≥ 0 e k ≥ s. Em particular,
trocando j por js e k por ks temos
BjsAkd = BjsAksc = A(js+ks)c = A(j+k)d, ∀ j, k ≥ 0.
Note ainda que BjBbj= Bj+bj, ∀ j, bj ≥ 0.
Assim,
A(j+1)d = BjsAd= Bs(B(j−1)sAd) = BsAjd = BsAdj ⊂ AscAdj = AdAdj ⊂ Adj+1.
Como a outra inclus˜ao ´e ´obvia, conclu´ımos a afirma¸c˜ao.
Para finalizar a demonstra¸c˜ao, considere o homomorfismo de S−´algebras induzido por
ϕ : S[y1, . . . , yl] 7−→ A(d)
yi 7−→ epi = eqitd com eqi ∈ Id
em que {ep1, . . . ,pel} ´e um conjunto de geradores homogˆeneos de Ad como S−m´odulo.
Se mostrarmos que ϕ ´e um epimorfismo de S−´algebras cujo n´ucleo ´e um ideal homogˆeneo, obtemos o desejado. Com efeito, claramente ϕ ´e um homomorfismo. Se
e
f ∈ A(d) ent˜ao
e
´
Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais 33
Para cada j fixo, j≥ 1, como Ajd = Adj,
e fj = X λ vλ1···λlpe λ1 1 · · · ep λl l , |λ| = j. Assim, tomando eg0 = ef0 e egj = X λ vλ1···λly1 λ1 · · · ylλl para 1 ≤ j ≤ n em S[y1, . . . , yl]
tem-se ϕ(egj) = efj para todo j. Logo, ϕ ´e sobrejetiva.
Seja p ∈ S[y1, . . . , yl] tal que ϕ(p) = 0. Escreva
p= p0+ p1+· · · + pn
em que pj ´e um polinˆomio homogˆeneo de grau j, em S[y1, . . . , yl], isto ´e,
pj = X |λj|=j ωλ1j···λljy1 λ1j· · · y lλlj para 1≤ j ≤ n em que λj = (λ1j, . . . , λlj) e p0 ∈ S. Portanto, 0 = ϕ(p) = ϕ(p0) + ϕ(p1) +· · · + ϕ(pn) = p0+ ( X |λ1|=1 ωλ11···λl1qe1 λ11 · · · eqlλl1)td+· · · + ( X |λl|=l ωλ1l···λllqe1 λ1n · · · eqlλln)tnd, ou seja, 0 = (X |λj|=j ωλ1j···λljqe1 λ1j
· · · eqlλlj)tjd = ϕ(pj) para todo j tal que 1 ≤ j ≤ n e
p0 = ϕ(p0) = 0. Portanto, pj ∈ Nuc(ϕ), ∀ j. Logo, pela observa¸c˜ao 1.4.1, Nuc(ϕ) ´e um
ideal homogˆeneo.
(b)⇒ (c) ´E imediato.
(c) ⇒ (a) Para cada j ∈ {0, . . . , d − 1}, defina A(d;j) :=M
n≥0
And+j.
Note que A(d;j) ´e um A(d)−m´odulo. Com efeito, basta ver que A
idAnd+j ⊂ A(i+n)d+j para
todo i, n≥ 0. Seja
ψn: And+j −→ A(d)
hntnd+j 7−→ hntnd, hn∈ Ind+j ⊂ Ind.
Se ψn(hntnd+j) = ψn(ehntnd+j) ent˜ao hntnd = ehntnd, isto ´e, hn = ehn. Portanto, ψn ´e um
homomorfismo injetor, ∀ n ∈ N. Consequentemente, definindo ψ : A(d;j) 7−→ A(d)
temos que ψ ´e um homomorfismo injetor de A(d)−m´odulos.
Assim, A(d;j) ´e isomorfo a um subm´odulo de A(d) (como A(d)−m´odulo) que ´e, em
particular, um ideal de A(d). Consequentemente, como A(d) ´e uma S−´algebra finitamente
gerada, A(d;j) ´e um (ideal) subm´odulo de A(d) finitamente gerado, ∀ j ∈ {0, · · · , d − 1}.
Portanto, A =
d−1
M
j=0
A(d;j) ´e um A(d)−m´odulo ´e finitamente gerado, o que ´e sufi-
ciente para concluir a prova.
✷ Defini¸c˜ao 3.1.4. Sejam I, J ⊂ S ideais homogˆeneos. A n-´esima potˆencia simb´olica de I
com respeito a J ´e o ideal dado por
In : J∞={f ∈ S; fJk
⊂ Inpara algum k
∈ N}
Note se J ⊂√In, como J ⊂ S e S ´e um anel noetheriano, ent˜ao ∃ k ∈ N tal que
Jk ⊂ (√In)k
⊂ In (ver ref. [13]). Portanto, neste caso, In: J∞ = S.
Se J 6⊂√In ent˜ao In: J∞= \ P∈Ass(In), J6⊂P Q(P ) em que In= \ P∈Ass(In)
Q(P ) ´e uma decomposi¸c˜ao prim´aria de In.
Com efeito, se f ∈ In : J∞ ent˜ao f Jk ⊂ In para algum k ∈ N. Consequente-
mente, como In= \ P∈Ass(In)
Q(P ), em particular,
f Jk⊂ Q(P ), para todo P ∈ Ass(In) tal que J 6⊂ P.
Para cada P tal que J 6⊂ P, ∃gP ∈ J tal que (gP)k 6∈ P. Como f(gP)k ∈ Q(P )
conclu´ımos que f ∈ Q(P ), ∀ P ∈ Ass(In) tal que J
6⊂ P, ou seja,
f ∈ \
P∈Ass(In), J6⊂P
Q(P ).
Reciprocamente, para cada P ∈ Ass(In), como P ⊂ S e S ´e um anel noetheriano,
existe k(P ) ∈ N tal que Pk(P ) ⊂ Q(P ). Tomando k = max{k(P ); J ⊂ P } temos que
Pk ⊂ Q(P ) para todo P ∈ Ass(In) com J ⊂ P. Ent˜ao, Jk ⊂ Pk ⊂ Q(P ) para todo
P ∈ Ass(In) tal que J ⊂ P, isto ´e,
Jk⊂ \ P∈Ass(In), J⊂P Q(P ). Assim, se g ∈ \ P∈Ass(In), J6⊂P Q(P ) ent˜ao gJk⊂ In. Logo, g ∈ In: J∞.
´
Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais 35
A ´Algebra de Rees simb´olica de I com respeito a J ´e definido como sendo a S−´algebra graduada
M
n≥0
(In: J∞)tn.
Mostraremos que para ideais monomiais esta ´algebra ´e finitamente gerada. Come- cemos enunciando um lema que nos ser´a ´util.
Lema 3.1.5. Sejam I, J ideais monomiais de S,A = {P ∈ Ass(I); J 6⊂ P } e P1, P2, . . . , Pu
elementos m´aximos de A (com respeito a inclus˜ao). Se Ass(I : J∞) = Ass(In: J∞) para
todo n∈ N e I = \
P∈Ass(I)
Q(P ) ´e uma decomposi¸c˜ao prim´aria de I. Ent˜ao
(In : J∞) = u \ i=1 Qin, ∀ n ∈ N com Qi := \ P∈Ass(I), P ⊂Pi Q(P ) para todo i = 1, 2, . . . , u.
Demonstra¸c˜ao. Dado n ∈ N, seja In : J∞ = \ P∈Ass(In:J∞
)
Qn(P ) uma decomposi¸c˜ao
prim´aria de In : J∞. Uma vez que Ass(I : J∞) = Ass(In: J∞),
In: J∞= \ P∈Ass(I:J∞) Qn(P ). Defina Qn,i := \ P∈Ass(I:J∞), P ⊂P i
Qn(P ). Observe que A = Ass(I : J∞). Assim,
como P1, P2, . . . , Pr s˜ao elementos m´aximos de A temos:
(In : J∞) =
u
\
i=1
Qn,i.
Resta mostrar que Qn,i = Qin, ∀ i ∈ {1, . . . , u}.
Renomeando as vari´aveis x1, x2, . . . , xr,se necess´ario, assuma Pi = (x1, x2, . . . , xs)
em que s≤ r (pela proposi¸c˜ao 1.1.11 os primos asssociados de I s˜ao gerados por subcon- juntos de vari´aveis).
Seja R = K[x1, . . . , xr]Pi = K(xs+1, . . . , xr)[x1, . . . , xs].
Para cada monˆomio f ∈ K[x1, . . . , xr], denote por f∗ o divisor de f, de maior
grau poss´ıvel, envolvendo apenas as vari´aveis x1, x2, . . . , xs. ´E imediato que (f g)∗ = f∗g∗
para f, g monˆomios. Afirmamos que: 1) Qi = Iec = (f∗)f∈I, fmonˆomio
1) Note que Iec = \ P∈Ass(I) (Q(P ))ec = \ P∈Ass(I), P ⊂Pi Q(P )ec = \ P∈Ass(I), P ⊂Pi Q(P ) = Qi. Seja f∗ ∈ (f∗)
f∈I, fmonˆomio.Consequentemente, ∃ t ∈ K[xs+1, . . . , xr] tal que
f = tf∗ ∈ I, ou seja, f ∗ 1 = f t ∈ I e.
Portanto, f∗ ∈ Iec e por sua vez (f∗)
f∈I, fmonˆomio ⊂ I
ec.
Reciprocamente, como Iec ´e um ideal monomial (pois, Q
i = Iec), ´e suficiente
provar que todo monˆomio de Iec est´a em (f∗)
f∈I, fmonˆomio.
Seja p ∈ Iec, pmonˆomio. Ent˜ao,
p 1 =
f
s com f ∈ I e s ∈ K[xs+1, . . . , xr],
o que implica em, sp = f ∈ I. Como I ´e um ideal monomial, considerando c como sendo o coeficiente do termo l´ıder de sp, o monˆomio
h := termo l´ıder(sp)
c =
termo l´ıder(s)p
c ∈ I.
Por conseguinte, h∗ = p∗ ∈ (f∗)
f∈I, f monˆomio.Logo, como p∗|p temos que p ∈ (f∗)f∈I, fmonˆomio.
2) ´E an´alogo `a demonstra¸c˜ao anterior.
Portanto, como todo monˆomio g∗ com g ∈ In pode ser escrito como produto de
nelementos da forma f∗ com f ∈ I, isto ´e, se g = fn com f ∈ I tem-se g∗ = (f∗)n,ent˜ao
Qn,i = Qin.
✷ Teorema 3.1.6. Sejam I, J ⊂ S ideais monomiais. Ent˜ao A =
∞
M
n=0
(In : J∞)tn ´e uma
S−´algebra finitamente gerada.
Demonstra¸c˜ao. Pela proposi¸c˜ao 3.1.3, ´e suficiente mostrar que A(d) =M
n≥0
(Idn : J∞)tn
´e uma S−´algebra finitamente gerada para algum d ∈ N.
Afirmamos que ∃ d ∈ N tal que Ass(eI : J∞) = Ass(eIn : J∞), ∀ n ∈ N com
e I = Id.
Com efeito, como ∃ d ∈ N tal que Ass(Id) = Ass(In), ∀ n ≥ d (ver ref.[3]), em
particular, Ass(Id) = Ass(Idn), ∀ n ∈ N. Assim,
Ass(Idn : J∞) = {P ∈ Ass(Idn); J 6⊂ P } = {P ∈ Ass(Id ); J 6⊂ P } = Ass(Id: J∞).
´
Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais 37
Definindo eI := Id, obtemos o desejado.
Como eI ´e um ideal monomial, considerando os Qi′s como no lema 3.1.5 temos:
A(d) =M n≥0 (eIn : J∞)tn =M n≥0 ( u \ i=1 Qin)tn
em que os Qi′s s˜ao ideais monomiais (pois, cada Qi ´e uma interse¸c˜ao finita de ideais
monomiais).
Logo, pelo teorema 2.0.8, A(d) ´e uma S−´algebra finitamente gerada.
✷ Corol´ario 3.1.7. Se I ⊂ S ´e um ideal monomial ent˜ao M
n≥0
I(n)tn ´e uma S−´algebra finitamente gerada.
Demonstra¸c˜ao. Seja \
P∈Ass(In)
Q(P ) uma decomposi¸c˜ao prim´aria de In.
Se Ass(In) = Min(I) para todo n∈ N ent˜ao
I(n)= \ P∈Min(I) Q(P ) = \ P∈Ass(In) Q(P ) = In, ∀ n ∈ N
e neste caso a tese segue do teorema 1.4.6.
Se existe n ∈ N tal que Ass(In)6= Min(I) ent˜ao
I(n)= In : J∞ com J = \
P∈Ass∗
(I)\ Min(I)
P,
em que Ass∗(I) = [
n≥0
Ass(In) (note que Ass∗(I) ´e um conjunto finito por [3]). Com efeito, como In : J∞ = \
P∈Ass(I), J6⊂P
Q(P ) definindo D = { eP ∈ Ass(In); J 6⊂ eP} ´e
suficiente mostrar que D = Min(I). Se eP ∈ Ass(In)⊂ Ass∗(I) e eP
6∈ Min(I) ent˜ao eP 6∈ D.
Por outro lado, se eP ∈ Min(I) e J ⊂ eP ent˜ao∃ P ∈ Ass(In)\ Min(I) (para algum
n ∈ N) tal que P ⊂ eP . Consequentemente, In ⊂ P ⊂ eP o que equivale a I ⊂ P ⊂ eP .
Assim, pela observa¸c˜ao 1.1.9,∃ bP ∈ Ass(I) tal que bP ⊂ P ⊂ eP .Como eP ∈ Min(I) tem-se P = eP ,o que ´e um absurdo. Neste caso, o resultado segue do teorema 3.1.6.
✷ O corol´ario anterior mostra que as ´Algebras de Rees simb´olicas de ideais mono- miais s˜ao finitamente geradas, mas n˜ao d´a informa¸c˜oes sobre os geradores dessas ´algebras. O exemplo a seguir explicitar´a um conjunto de geradores em um caso particular.
Exemplo 3.1.8. Seja I = (xy, yz, xz)⊂ K[x, y, z] um ideal monomial e I = (x, y)∩ (y, z) ∩ (x, z)
uma decomposi¸c˜ao prim´aria de I. Como I ´e gerado por monˆomios livres de quadrado,
I(n)= (x, y)(n)∩ (y, z)(n)∩ (x, z)(n).
Al´em disso, (x, y)(n) = (x, y)n, (y, z)(n) = (y, z)n e (x, z)(n) = (x, z)n pois (x, y), (y, z) e
(x, z) s˜ao ideais gerados por subconjuntos de vari´aveis.
Assim, M n≥0 I(n)tn=M n≥0 [(x, y)n ∩ (y, z)n ∩ (y, z)n]tn =
hxyt, yzt, xzt, xyzti
como foi visto no exemplo 2.0.9.
De forma geral, se I ´e um ideal radical de um anel noetheriano A, I(n)= \
P∈Min(I)
P(n).
Al´em disso, se P ´e gerado por uma sequˆencia regular ent˜ao P(n)= Pn.No caso particular
que I ´e um ideal de S gerado por monˆomios livres de quadrado, I(n)= \
P∈Min(I)
Pn.
O leitor interessado pode encontrar tais resultados em [3].
3.2
Algebras de cobertura de v´´
ertices
Nesta se¸c˜ao estudaremos as coberturas de v´ertices associadas a grafos simples. Mostraremos que para cada grafo simples existe apenas um n´umero finito de coberturas de v´ertices indecompon´ıveis. A estrat´egia usada ser´a traduzir esse problema combinat´orio para um problema alg´ebrico, mais precisamente, ao estudo do tipo de gera¸c˜ao das ´Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais.
Dado um conjunto finito [r] :={1, . . . , r}, um grafo simples G de v´ertices em [r] ´e um par G = ([r], E(G)) em que E(G) ´e uma cole¸c˜ao de subconjuntos {i, j} com i 6= j de [r] chamados arestas.
Um subconjunto C ⊂ [r] ´e chamado uma cobertura de v´ertices de G se para toda aresta{i, j} de G, i ∈ C ou j ∈ C.
Exemplo 3.2.1. G = ([3], E(G)) em que E(G) = {{1, 2}, {1, 3}, {2, 3}} ´e um grafo
simples chamado triˆangulo.
C1 ={1, 2}, C2 ={2, 3}, C3 ={1, 3} e C4 ={1, 2, 3} s˜ao todas as coberturas de
´
Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais 39
Figura 3.2.1: Grafo do triˆangulo.
Um subconjunto C ⊂ [n] pode ser identificado com um (0, 1)−vetor aC ∈ Nr
dado por
aC(i) =
(
1, se i∈ C 0, se i6∈ C em que aC(i) denota a i-´esima coordenada do vetor aC ∈ Nr.
Claramente um (0, 1)−vetor aC ∈ Nr corresponde a uma cobertura de v´ertices
de G se, e somente se, aC(i) + aC(j)≥ 1, ∀ {i, j} ∈ E(G).
De modo geral, chamaremos um vetor a = (a1, . . . , ar)∈ Nr de uma cobertura de
v´ertice de G de ordem k se ai+ aj ≥ k, ∀ {i, j} ∈ E(G).
Uma cobertura de v´ertice ordin´aria corresponde segundo a nossa defini¸c˜ao a um (0, 1)−vetor que ´e uma cobertura de v´ertice de ordem 1.
Dizemos que uma cobertura de v´ertice a de grau k ´e decompon´ıvel se existem coberturas de v´ertice b e c6= a de graus i e j respectivamente tais que a = b+c e k = i+j. Caso contr´ario, a ´e dita indecompon´ıvel.
Exemplo 3.2.2. Seja G o grafo do triˆangulo. Ent˜ao a = (1, 1, 1) ´e uma cobertura de
v´ertices de ordem 2 indecompon´ıvel. De fato, se a = b + c com b, c6= a temos:
a= (1, 0, 0) + (0, 1, 1) ou a = (0, 1, 0) + (1, 0, 1) ou a = (0, 0, 1) + (1, 1, 0).
Em qualquer uma das possibilidades, a ordem de b ´e 0 e a ordem de c ´e 1.
Seja A(G) uma sub´algebra de S[t] gerada pelo conjunto
{x1a1· · · xrartk; a = (a1, . . . , ar)∈ Nr ´e uma cobertura de v´ertice de G de ordem k}.
Note que
A(G) =M
k≥0
Ak(G)
em que A0(G) = S e Ak(G) ´e um S−m´odulo gerado por
Com efeito, se a = (a1, . . . , ar) ´e uma cobertura de v´ertice de ordem k e
b= (b1, . . . , br) ´e uma cobertura de v´ertice de ordem l ent˜ao como
(x1a1· · · xrartk)(x1b1· · · xrbrtl) = x1a1+b1· · · xrar+brtk+l
em que (ai+ bi) + (aj + bj) = (ai+ aj) + (bi+ bj)≥ k + l para todo {i, j} ∈ E(G) temos
que a + b ´e uma cobertura de v´ertice de ordem k + l. Logo, Ak(G)Al(G)⊂ Ak+l(G).
Assim, A(G) ´e uma S−´algebra graduada a qual denominamos de ´algebra de cober-
tura de v´ertices.
Defina
I∗(G) := \
{i,j}∈E(G)
Pi,j
em que Pi,j ´e o ideal primo gerado pelas vari´aveis xi e xj.
Proposi¸c˜ao 3.2.3. Seja G um grafo simples no conjunto de v´ertices [r]. Ent˜ao A(G)
´e a ´algebra de Rees simb´olica do ideal I∗(G). Em particular, A(G) ´e uma S−´algebra
finitamente gerada.
Demonstra¸c˜ao. Note que Ak(G) = I∗(G)(k)tk para todo k∈ N.
De fato, como
x1a1. . . xrartk ∈ Ak(G) ⇔ ai+ aj ≥ k, ∀{i, j} ∈ E(G)
ai+ aj ≥ k, ∀{i, j} ∈ E(G) ⇔ x1a1. . . xrar ∈ Pi,jk, ∀{i, j} ∈ E(G)
x1a1. . . xrar ∈ Pi,jk, ∀{i, j} ∈ E(G) ⇔ x1a1. . . xrar ∈
\
{i,j}∈E(G)
Pi,jk.
e Pi,j ´e gerado por um subconjunto de vari´aveis temos que x1a1. . . xrartk∈ Ak(G), o que
equivale a dizer que
x1a1. . . xrar ∈ \ {i,j}∈E(G) Pi,jk = \ {i,j}∈E(G) Pi,j(k)= I∗(G)(k).
Portanto, pelo corol´ario 3.1.7, A(G) ´e uma S−´algebra finitamente gerada. ✷ Seja a = (a1, . . . , ar) uma cobertura de v´ertices de ordem k. Por defini¸c˜ao, a ´e
uma cobertura de v´ertices decompon´ıvel se existem b e c coberturas de v´etices disjuntas de a de ordens i e j respectivamente tais que a = b + c e k = i + j. Do ponto de vista alg´ebrico, a ´e uma cobertura de v´ertices decompon´ıvel se, e somente se,
x1a1· · · xrartk = (x1b1· · · xrbrti)(x1c1· · · xrcrtj)
´
Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais 41
´
E f´acil ver que cada cobertura de v´ertice de G indecompon´ıvel de ordem > 0 est´a associada de forma biun´ıvoca a um gerador monomial m´ınimo da S−´algebra A(G), ou seja, a um monˆomio que gera a S−´algebra A(G) e n˜ao ´e escrito como produto de dois elementos de A(G) diferentes de 1. Al´em disso, o conjunto formado pelos geradores monomiais m´ınimos de A(G) ´e unicamente determinado. Com efeito, se existissem dois conjuntos disjuntos com essa propriedade, teriamos um elemento que pertenceria a apenas um deles, mas que seria produto de elementos diferentes de 1 do outro, o que ´e imposs´ıvel. Ademais, as coberturas de v´ertices indecompon´ıveis de ordem 0 s˜ao apenas o vetor nulo e os vetores da base canˆonica e1, . . . , er ∈ Nr. De fato, se a = (a1, . . . , ar) ´e uma cobertura
de v´etices de ordem 0, a = a1e1+· · · + arer = e|1+· · · + e{z }1 a1−vezes +· · · + e|r+· · · + e{z }r ar−vezes
em que cada ei ´e uma cobertura de v´etices de ordem 0.
Portanto, pelo lema 3.2.3, como A(G) ´e uma S−´algebra finitamente gerada, existe apenas um n´umero finito de coberturas de v´ertices de G indecompon´ıveis.
Exemplo 3.2.4. Seja G o grafo do triˆangulo. Neste caso, A(G) =M
n≥0
I∗(G)(n)tn em que I∗(G) = (x, y)∩ (y, z) ∩ (x, z).
Pelo exemplo 3.1.8, A(G) =hxyt, yzt, xzt, xyzti. Note que xyt, yzt, xzt e xyzt s˜ao gera- dores m´ınimos de A(G). Com efeito, se escrevermos esses elementos como produto de dois outros diferentes de 1 temos as seguintes possibilidades:
xyt = x(yt) = y(xt) = (xy)t yzt = y(zt) = z(yt) = (yz)t xzt = x(zt) = z(xt) = (xz)t
xyzt2 = x(yzt2) = y(xzt2) = z(yzt2) = xy(zt2) = yz(xt2) = xz(yt2) = xyz(t2)
Como I∗(G)(n)tn = (x, y)n∩ (y, z)n∩ (x, z)ntn (veja o exemplo 3.1.8), ´e poss´ıvel
verificar facilmente que em nenhum dos casos os dois fatores pertencem simultaneamente a A(G).
Logo, (1, 1, 0), (0, 1, 1), (1, 0, 1) e (1, 1, 1) s˜ao as ´unicas coberturas de v´ertices indecompon´ıveis de ordem > 0 do grafo do triˆangulo sendo que as trˆes primeiras s˜ao de ordem 1 e a ´ultima de ordem 2.
Note que no exemplo anterior o grau m´aximo (em t) dos geradores m´ınimos da ´algebra de cobertura de v´ertices associada ao grafo do triˆangulo ´e 2. De forma geral, 2 ´e uma cota superior para o grau dos geradores m´ınimos de A(G) (veja [6]).
O conceito de cobertura de v´ertices pode ser facilmente estendida para complexos simpliciais pesados. Um peso em um complexo simplicial ∆ ´e uma fun¸c˜ao ω que associa a cada faceta de ∆ um n´umero natural. Assim, a ´algebra de cobertura de v´ertices A(∆, ω) ´e definida de forma similar ao caso do grafo (descrito nessa se¸c˜ao), al´em de ser tamb´em finitamente gerada. Em adi¸c˜ao, A(∆, ω) ´e normal e Cohen-Macaulay. Esses conceitos e resultados podem ser encontrados em [6].
Conclus˜ao
Embora esta disserta¸c˜ao mostre que as ´Algebras de Rees simb´olicas de ideais monomiais tem tipo de gera¸c˜ao finita, ela n˜ao fornece informa¸c˜oes sobre esses geradores. No caso particular em que os ideais monomiais s˜ao gerados por monˆomios livres de quadrado, em 2004, Bahiano em [2] estabeleceu uma quota superior para o tipo de gera¸c˜ao das ´Algebras de Rees associadas a esses ideais. Esse mesmo trabalho nos motivou a adaptar para a nossa linguagem um exemplo, originalmente tratado em [2], de uma
´
Algebra de Rees simb´olica em que um conjunto de geradores ´e explicitado.
Para o caso em que os ideais monomiais s˜ao quaisquer, ainda n˜ao existe uma cota superior para o tipo de gera¸c˜ao nem outro tipo de informa¸c˜ao sobre os geradores.
Outra quest˜ao que surgiu naturalmente ao longo deste trabalho ´e se a interse¸c˜ao finita de ´algebras finitamente geradas ´e sempre finitamente gerada. Essa pergunta tem como motiva¸c˜ao o fato de mostrarmos neste texto que, em particular, a resposta ´e po- sitiva, se a interse¸c˜ao ´e dada por um n´umero finito de ´Algebras de Rees ordin´arias as- sociadas a ideais monomiais. Se essa conjectura for verdadeira, isso fornecer´a uma nova demonstra¸c˜ao para o caso acima, mais simples que a apresentada no segundo cap´ıtulo desta disserta¸c˜ao.
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Referˆencias 45
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