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4. ESTUDO DE CASO

4.3. DECISÃO DE IMPLEMENTAR A ISO 9001

Mesmo no auge da crise nacional, quando a maioria das empresas do setor estão fechando as portas, a Climb Offshore apresenta um demonstrativo de crescimento muito forte, que pode ser observado no gráfico 3 abaixo.

Gráfico 3 – Faturamento Total da Empresa

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No seu início, o faturamento da empresa foi de R$120.000,00, em 2013 já teve um crescimento de quase 500%, faturando R$560.000,00. Em 2014, teve seu maior histórico de faturamento, com R$1.200.000,00, ou seja, um aumento de mais de 200% em relação ao ano anterior. Em 2015, também teve um alto faturamento, embora menor do que o do ano anterior, mas ainda assim significativo, de R$850.000,00. Dessa forma, é possível observar que a empresa está em crescimento e seu faturamento previsto para 2016 é de R$900.000,00.

Entretanto, já é possível perceber um desvio com relação à previsão de faturamento. De acordo com os dados fornecidos pela empresa, foi possível elaborar um gráfico comparando a previsão de faturamento com o que realmente foi faturado, o que pode ser observado no gráfico 4, abaixo.

Gráfico 4 – Faturamento Real X Faturamento Previsto

Fonte: Elaborado pela autora com dados fornecidos pela empresa, 2016.

Com essa relação estabelecida, já se percebe que a decisão de se implementar a norma pode ter sido precipitada, já que só foi superada a previsão de faturamento no ano de 2014, sendo que nos anos seguintes esse faturamento foi muito abaixo, mas essa análise será feita mais à frente.

Tendo em vista esse crescimento acelerado, em meados de 2015, os três sócios: Roberto Bastos, responsável pela área comercial; Bernardo Miranda, responsável pelo setor financeiro e de recursos humanos; e Diogo Fernandez, responsável pela área industrial,

buscando alinhar e padronizar a empresa para ter um crescimento estruturado, decidiram realizar a implementação da norma de qualidade ISO 9001, já que estava crescendo de forma desorganizada e devido à forte pressão de seus clientes.

Como mencionado no primeiro capítulo deste trabalho, a empresa contratou uma empresa de consultoria, afim de guiar de forma mais clara e eficaz o caminho para a implementação da ISO 9001. A empresa contratada foi a Quality Assurance, com investimento inicial foi de R$36.000,00, com a responsabilidade de instruir os colaboradores incumbidos pela implementação do Sistema de Qualidade da Climb em todas as fases da norma.

Para se dar início na implementação da norma, era necessário que todos os colaboradores envolvidos tivessem conhecimento da mesma, incluindo todas as suas fases e etapas. Com isso os consultores da Quality realizaram uma apresentação de dois dias para o Diretor Comercial, Diretor de Recursos Humanos e a estagiária recém-contratada de qualidade (nessa época o Gestor de Qualidade ainda não havia sido contratado), dando início na implementação do Sistema de Gestão em setembro. Nessa apresentação, foi acordado entre os consultores da Quality e os diretores da Climb, que o prazo para organização de todos os documentos e elaboração de todos os registros e evidências do Sistema seria de 06 meses e, além disso, o principal responsável por isso seria o Diretor Comercial, com auxílio da estagiária de qualidade.

Durante o primeiro mês de implementação do Sistema de Gestão, todos os procedimentos internos foram revisados e formatados, de modo que fossem aplicados à nova realidade da empresa. Neste período, os consultores enviaram alguns procedimentos e registros modelos que deveriam servir de base para o início da estruturação do sistema.

No decorrer desses 06 meses, diversos procedimentos, registros e evidências foram elaboradas de forma que o Sistema de Gestão começou a funcionar e os processos internos estavam mais organizados e estruturados, sendo visível uma melhora organizacional do trabalho. Em março de 2016, no final desses 06 meses, foi realizado uma auditoria interna, feita por um consultor da Quality, que não estava envolvido em nenhuma etapa da elaboração do sistema. Ao final de dois dias de auditoria, o resultado não foi bom. Muitos procedimentos que não eram utilizados, muitos registros que nunca haviam sido utilizados e uma vasta necessidade por evidências que comprovassem serviços realizados pela Climb. Foi nesse período que um dos sócios, o Diogo Fernandez, responsável pela área industrial, resolveu se desligar da empresa, deixando os outros colaboradores com ainda mais tarefas rotineiras para realizar.

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Como a responsabilidade pelo Sistema de Gestão era direcionado ao Diretor Comercial, que não podia estar presente na maior parte do tempo, o prazo necessitou de uma postergação de pelo menos mais 06 meses, já que a formulação do sistema já não estava mais evoluindo como nos meses iniciais. Após três meses, completando agora, 09 meses desde o início da implementação do sistema, o Diretor Comercial, viu a necessidade de contratar uma pessoa que fosse responsável por suas atividades relacionadas com o sistema, liberando o Diretor para direcionar seu tempo e dedicação na busca de novos clientes e no relacionamento com os antigos. Então, em junho de 2016, entrou para a equipe um Gestor de Qualidade, que junto com a estagiária de qualidade, pôde desenvolver os últimos procedimentos e registros necessários para a conclusão do Sistema de Gestão.

No final de julho, todos os procedimentos, registros e evidências exigidos pela norma já constavam no sistema, que funcionava muito bem e era entendido por todos os colaboradores envolvidos. Os principais documentos do Sistema de Gestão, que são exigidos pela norma, podem ser observados abaixo:

 Manual de Qualidade;

 Procedimento de Gerenciamento de Requisitos Legais e Outros Requisitos;  Procedimento de Análise Crítica;

 Procedimento de Comunicação Interna e Externa;  Procedimento de Gestão de Mudança;

 Procedimento de Monitoramento e Medição;  Procedimento de Auditoria Interna;

 Procedimento de Não Conformidade, Ações Corretivas e Preventivas;  Procedimento de Treinamento, Competência e Conscientização;  Procedimento de Aquisição e Locação de Produtos e Serviços.

A próxima etapa era a realização da auditoria externa, feita pela ABNT, para que a empresa fosse certificada. A ABNT exige que a auditoria seja feita em duas fases e um auditor estaria presente avaliando a empresa por dois dias na primeira fase e quatro dias na segunda fase. O valor a ser pago a ABNT por essa auditoria era de, aproximadamente, R$11.000,00. Em contrapartida, a economia nacional nesta época estava em forte declínio. De acordo com reportagens publicadas no site de notícias, G1 (2016), o segundo trimestre de 2016 foi o sexto trimestre seguido de queda da economia, tendo caído 0,6% em relação ao trimestre anterior, o que pode ser observado na figura 12; e a OCDE (Organização para a

Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) ainda prevê uma queda de 3,3% do PIB em 2016, sendo que o PIB mundial crescerá 2,9%.

Figura 12 – Variação Trimestral do PIB Brasileiro

Fonte: Site de notícias G1, 2016

Já em relação a inflação, o mesmo site, afirma que os analistas de instituições financeiras estimam que haja mais inflação em 2016, a estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu de 7,34% para 7,36%, como se observa na figura 13.

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Figura 13 – Previsão para o IPCA em 2016

Fonte: Site de notícias G1, 2016

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